9 de junho de 2026

Depoimento de engenheiro da Siemens detalha funcionamento do cartel dos trens

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Do Estadão

 
Peter Gölitz relata acerto prévio em três licitações dos governos tucanos, mas afirma não ter conhecimento de pagamento de propinas
 
Fausto Macedo e Ricardo Chapola

Em depoimento de 7 páginas, prestado à Polícia Federal nos autos do inquérito Siemens/Alstom, o engenheiro eletricista da Siemens Peter Andreas Gölitz revela toda a dinâmica, simulações e artifícios empregados pelo cartel de multinacionais para conquistar contratos milionários relativos a 3 grandes empreendimentos do setor metroferroviário nos governos do PSDB em São Paulo, gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin (1999/2004).

Gölitz trabalha na Siemens desde 1987. Ele subscreveu acordo de leniência da empresa alemã com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), firmado em 22 de maio.

À PF confessou que “teve conhecimento e participação, na devida proporção e nos limites de suas funções e responsabilidades, de condutas anticompetitivas, em alguns projetos de licitação de metrôs e trens”.

Seu relato descreve ajustes prévios e como executivos das multis combinavam preços e condições em reuniões frequentes para tratar dos projetos Linha 5 do Metrô – antiga linha G da CPTM para construção da conexão Capão Redondo/Largo 13 de Maio -, manutenção dos trens da CPTM série 3000 e projeto Boa Viagem (modernização de trens da CPTM).

A PF o questionou sobre participação de dirigentes do setor de transportes do governo paulista. Ele respondeu que “não tem conhecimento de qualquer envolvimento de agentes públicos na formação de cartel”.

Ao citar o Projeto Boa Viagem disse que “os lotes foram todos previamente divididos entre as empresas licitantes, ou seja, o cartel foi formado”. Ele disse que a “divisão dos lotes era homogênea” e que acredita que “tal fato tenha sido percebido pela empresa estatal CPTM, que nada fez”.

Sobre o projeto da fase 1 da Linha 5 do Metrô ele declarou que estava “ciente da formação de um grande consórcio, envolvendo um ajuste entre as empresas para evitar a concorrência, pois estava encarregado de fazer a cotação de preços de alguns produtos que seriam fornecidos por sua empresa”.

Afirma que “recebia instruções de Jan-Malte Orthmann (outro leniente da Siemens) sobre com quais pessoas deveria falar nas outras empresas para alinhar a oferta global do consórcio, para trocar informações técnicas e sobre equipamentos, visando, especialmente à harmonização de interfaces entre os sistemas”.

Gölitz revela os bastidores de caso emblemático, o Consórcio Sistrem. Esse episódio levou a PF a identificar suposto esquema de corrupção envolvendo o ex-diretor de operações e manutenção da CPTM, João Roberto Zaniboni, condenado na Suíça por lavagem de dinheiro – há duas semanas, a Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 56,45 milhões de Zaniboni e de empresas de consultoria.

Segundo o engenheiro, as empresas Alstom, Daimlerchrysler, Siemens e Caf “participaram em consórcio para evitar a competitividade na licitação, formando o Consórcio Sistrem”. As propostas foram entregues em 1999 e a execução do contrato em 2000. Outro consórcio competiu, dele fazendo parte a Mitsui e a T’Trans.

“A Alstom era encarregada da integração do consórcio, coordenando administrativa e tecnicamente os assuntos”, ressalta Gölitz. “Coube à Alstom encaminhar os aditivos ao cliente.”

Reuniões. Ele afirma que as reuniões dos executivos das multinacionais ocorriam na fábrica da Alstom na Vila Anastácio, Lapa, São Paulo.

“Após a assinatura do contrato entre o Sistrem e a CPTM, o consórcio subcontratou empresas que haviam perdido a licitação, dos grupos Mitsui e T’Trans, o que fez parte dos ajustes entre as empresas”, afirma Gölitz. “Esse tipo de negociação era feita no nível hierárquico mais elevado, pelo (Jan-Malte) Orthmann.”

Conta que “participou de várias reuniões de nível técnico que tiveram consequências sobre custos e preços”. Sobre os contratos de manutenção de trens das séries 2000, 2100 e 3000 da CPTM informou que “estava ciente de que as empresas que apresentaram propostas queriam executar um acordo entre si para a divisão dos lotes das licitações”.

Gölitz disse que encaminhou a dois executivos da Mitsui, Wilson Azevedo e Massao Suzuki, “documento que continha as simulações de resultados para o processo de licitação da série 3000 e levou em conta possíveis pontuações técnicas e preços que poderiam ser atribuídos aos licitantes pela comissão do processo licitatório”.

Cenários. Segundo ele, a simulação levou em conta dois cenários, um com a livre concorrência e outro com acordo entre os “então principais concorrentes, em especial Alstom, CAF e T’Trans”. Afirma que “o primeiro cenário considerava valor próximo ao orçamento, com desconto de 30%, que era o máximo permitido pelo edital, para serem consideradas as propostas como exequíveis”.

Contou que enviou um e-mail para a matriz “informando que os competidores tinham chegado a um acordo para cada um ganhar a manutenção do próprio trem que havia fabricado e fornecido anteriormente, com a finalidade de evitar a competitividade”. “A Alstom tinha estabelecido um preço mais elevado, que foi desclassificada e que iria recorrer da decisão administrativa só para aparentar uma verdadeira concorrência.”

Na licitação para manutenção da série 2000 disse que os trens foram fabricados pela Alstom, CAF e ADTRANZ (Consórcio Cobraman). Declarou que a Siemens foi desqualificada na fase de pré-qualificação e que ele “já sabia de antemão que os documentos necessários para a qualificação técnica exigida no edital não seriam suficientes para ganhar o certame, pois os pré-requisitos não seriam atendidos integralmente e a nota máxima prevista no edital não seria atribuída à empresa”.

Gölitz diz que “era feita uma simulação dentro da Siemens sobre o preço mínimo que a empresa poderia fazer sem levar prejuízo”. Depois, “esse estudo era repassado para Everton (Rheinheimer), seu superior hierárquico”.

Admitiu ser autor de e-mail de 29 de maio de 2002 com o texto “várias partes finalmente chegaram a um acordo”. Disse que se referia à licitação da série 3000. “Significa que não haveria concorrência e a empresa (Siemens) poderia apresentar proposta comercial com a segurança de que ganharia o processo de licitação”.   A PF o indagou sobre o e-mail de 24 de novembro de 2004, do executivo Marco Vinícius Missawa, que dizia ‘o principal objetivo da CPTM é dar o pacote para os quatro grandes fornecedores, Alstom, Siemens, Bom-bardier e T´Trans’. Sobre isso, Gölitz disse: ‘acredito que a CPTM tinha uma preferência técnica por essas empresas.’

 

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7 Comentários
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  1. LUCIANO GM

    21 de novembro de 2013 12:44 pm

    Pode arquivar.

    Ainda bem que esse Engenheiro Eletricista declarou que não havia envolvimento de dirigentes de transportes do Governo paulista.

    O MP paulista já tem base para pedir o arquivamento de qualquer insicnuação que envolvam os governantes de São Paulo. Pooooooode arquivar.

  2. josé adailton

    21 de novembro de 2013 1:03 pm

    MENSALÃO 2/∞ DOS TUCANOS

    Ex-diretor da Siemens envolve seis políticos com cartel

    UOL

    http://atarde.uol.com.br/politica/materias/1550059-ex-diretor-da-siemens-envolve-seis-politicos-com-cartel

    …………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

    Trata-se do primeiro documento oficial que vem a público que faz referência a supostas propinas pagas a políticos ligados a governos tucanos. Até agora, o Ministério Público e a Polícia Federal apontavam suspeitas de corrupção que envolviam apenas ex-diretores de estatais como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

    No texto, Rheinheimer afirma ainda ter em seu poder “uma série documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”. “Trata-se de um esquema de corrupção de grandes proporções, porque envolve as maiores empresas multinacionais do ramo ferroviário como Alstom, Bombardier, Siemens e Caterpillar e os governos do Estado de São Paulo e do Distrito Federal”, escreveu.

    1. Lionel Rupaud

      21 de novembro de 2013 1:52 pm

      Pode arquivar!

      Tudo mundo sabe que a PF foi, qual é o termo mesmo, ah sim, “aparelhado” pelo lulo petismo, e portanto o MPF e o MPE de SP, que são os guardiões da moralidade nacional, tem o dever de arquivar todas essas acusações infundadas.

      1. leonardo brito1960

        22 de novembro de 2013 12:11 am

        É vero meu nobre.

        É vero meu nobre.

  3. PauloBR

    21 de novembro de 2013 3:37 pm

    Depoimento de engenheiro da Siemens detalha funcioamento do cart

    Escândalo totalmente alemão: Siemens, Gölitz, Rheinheimer, Richthofen… falando nisso, qual a melhor tradução: “säge” ou “bandsäge”?

  4. lenita

    21 de novembro de 2013 4:48 pm

    Já nem sei do que sinto mais

    Já nem sei do que sinto mais raiva, se daqueles que sempre apontaram o dedo para o PT ou dessa “cambada” de firmas estrangeiras que consentem em levar dinheiro de países ainda pobres e com muitas necessidades. São todos “bandos de ratos”!

    Ainda com muita raiva do Blog, que não sei pq (e nem tem a gentileza de informar) pq somente meus comentários vem adicionados da palavra APAGAR. Ô Nassif, não te amo mais, viu?

  5. ANTONIO ATEU

    21 de novembro de 2013 5:06 pm

    (Sem título)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=-oWrfqe2sdk%5D

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