7 de junho de 2026

O mimimi do “ministro da justiça”, por Eugênio Aragão

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O mimimi do “ministro da justiça”: por que xingar não é melhor que argumentar ou calar

por Eugênio Aragão

Esconder um erro com uma mentira é o mesmo que substituir uma mancha por um buraco (Aristóteles)

Meu sucessor, que a convenção – uma mera convenção, nada mais – manda chamar “ministro da justiça”, costuma ser homem de muita lábia – que, no seu caso, não é sábia. Afinal, sua retórica até hoje não foi nada convincente. Inúmeras são suas iniciativas que ultrapassam o limite da prudência e do bom-senso, quando não beiram o mais tosco populismo. Vãs e voláteis são suas palavras, “dust in the wind”. Uma vez ditas, não resolvem o problema, mas geram uma pletora de novos problemas, constrangendo seu autor à exposição continuada e à defesa do indefensável.

Ao mesmo tempo, o Sr. Alexandre de Moraes (esse é seu nome, para quem compreensivelmente não consegue vinculá-lo ao cargo) é pessoa de posições duras. Não foge do uso da força bruta contra democratas que desafiam a autoridade de seu grupo. Tout court: as palavras são ocas, mas o cassetete é maciço e de uso frequente.

Isso é muito comum em indivíduos adestrados (“educados” aqui talvez não caiba) com violência física. Crianças que apanham dos pais costumam ser violentas com amiguinhos e até com estranhos. A surra é uma linguagem primitiva: na falta de argumentos convincentes, parte-se para a “porrada”, o argumento baculino. Eis a mensagem que muitos pais passam aos filhos, que seguem e transmitem-na como um atavismo pela vida afora.

Ontem fui surpreendido por uma dessas mensagens. O Sr. Moraes, que em menino deve ter levado muita palmada no bumbum, andou espalhando que me processaria para eu “aprender a calar a boca” (secundado, claro, por certo sítio de pornografia política, que na esteira do livro de Diogo Mainardi, um dos seus criadores, mais mereceria o nome de “A Anta onanista”).

Inicialmente pensei em lhe escrever mais uma dessas cartas abertas. Depois pensei: para quê jogar pérolas aos… ops, a quem não as merece? Cartas escrevemos aos que possam ter profundas divergências conosco, mas que animam o discurso horizontal direto. Ao Dr. Janot e ao colega Dallagnol, por exemplo. Embora discorde do seu modo de agir, busco publicamente o diálogo, sem deixar de me colocar como vitrine, possível alvo de alguma iniciativa mineral, mas que possa abrir um debate transparente. Nele, a regra é: vença quem convença! Os destinatários são pessoas, cada uma com sua visão institucional. Posso sugerir que baixem a bola, que ajam mais discretamente para fazer o que tenham de fazer. Mas essas pessoas fazem. Gostemos delas ou não, elas são atores centrais do momento político – e merecem, mesmo na saudável divergência, nossa reverência. Cartas são, portanto, uma manifestação de deferência.

Com o Sr. Moraes é diferente. Ele até agora não fez e só é ator se o tal “ministério” que presume dirigir for confundido com um picadeiro. Dizem os repórteres investigativos que é campeão em usar voos da FAB para ir a São Paulo, sua casa; que gosta de despachar mais lá do que cá. Visitou em Curitiba um juiz federal à frente de um complexo de investigações que atinge em cheio vários cúmplices do “governo” por ele integrado. Fez salamaleques ao magistrado, não condizentes com a divisão dos poderes, prevista na Constituição Federal, nem com a estatura que o cargo de ministro de Estado lhe exigiria, pressuposta a seriedade e legitimidade da investidura. As conversas nessa visita não foram públicas. Ensejaram ilações sobre conteúdos nada republicanos.

Depois, em São Paulo, reuniu-se com policiais federais que atuam em operações do mesmo complexo investigativo de Curitiba, também sem qualquer esclarecimento convincente sobre o convescote. A seguir, foi fazer campanha para o candidato de seu partido a prefeito em Ribeirão Preto, terra do ex-ministro Palocci, onde, em diálogo com militantes locais do MBL, anunciou, para a semana em curso, impactante operação. O Sr. Moraes, que se recusa a fazer media training por se achar muito sagaz no trato com os meios de comunicação, chegou a gabar-se: “Teve [operação] [n]a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”. Não deu outra: naquela semana realizou-se a operação policial lá mesmo, a culminar na prisão de Palocci, adversário político do prefeito apoiado pelo “ministro”. Foi um desastre comunicativo, para dizer o mínimo.

Claro, como sugeriria o ministro Gilmar Mendes, mera coincidência! Não teria sido nada mais do que uma previsão do tempo! Haja cinismo! Em verdade, é mais do que legítimo vislumbrar-se no episódio uma politiqueira violação de sigilo funcional para fins de promoção pessoal. E as desculpas que se sucederam não foram nada convincentes.

Hilário foi filmete viralizado na rede, em que o Sr. Moraes, que não deve ser muito afeito a facões (também não sou, mas não poso com elas), capina pés de maconha na fronteira do Paraguai. Lá se vê, sob um sol escaldante, o burocrático lavrador, calvície à mostra, um típico egghead, como diriam os ingleses, cheio de determinação para acabar com a nociva diamba! (Deveria usar um chapéu de palha, para se proteger). Num momento em que o país vive profunda crise de credibilidade das instituições e das autoridades, em que prevalece perplexidade sobre a falta de agenda positiva do que a convenção antes mencionada denomina “governo Temer”, o Sr. Moraes brinda a sociedade com populismo barato e investe com desajeitado denodo contra o cultivo da maconha, cujo consumo está prestes a ser liberado por maioria significativa dos ministros do STF. Como diriam os jovens: “sem noção”!

Mas as estripulias não param por aí. O Sr. Moraes tem sido intensamente criticado na mídia por promover uma gestão de ação violenta da polícia e pelo tipo de advocacia a que se dedicou nos intervalos de sua vida pública. Do insuspeito Jornal Extra, do grupo Globo, extrai-se:

“Eduardo Cunha, PCC (Primeiro Comando da Capital) e ocupação estudantil: o que estas três esferas têm em comum? A resposta está em Alexandre de Moraes, escolhido por Michel Temer para ser o novo ministro da Justiça. À sua pasta serão incorporadas as secretarias da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Sendo assim, Alexandre comandará o Ministério da Justiça e Cidadania.

Em dezembro de 2014, ele assumiu a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, prometendo o fortalecimento da legislação estadual no setor. No entanto, sua passagem como secretário foi colocada em xeque diversas vezes por conta da violência supostamente excessiva diante de protestos e atos políticos, como, por exemplo, as ocupações estudantis das escolas estaduais, que vêm ocorrendo desde o ano passado.

Em janeiro deste ano, um protesto realizado pelo MPL (Movimento Passe Livre) contra aumento de tarifas foi reprimido de forma ostensiva, o que reservou ao papel de Alexandre uma repercussão negativa diante da opinião pública. Sob sua gestão na secretaria foram utilizados, pela primeira vez, blindados israelenses para enfrentar manifestações. De acordo com dados levantados pela TV Globo, a Polícia Militar foi responsável pela morte de uma em cada quatro pessoas assassinadas no estado paulista em 2015.

Ainda em 2015, reportagem do “Estado de S. Paulo” afirmou que Alexandre constava no Tribunal de Justiça de São Paulo como advogado em pelo menos 123 processos da área civil da Transcooper. A cooperativa é uma das cinco empresas e associações que está presente em uma investigação que trilha movimentações de lavagem de dinheiro e corrupção engendrado pela organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). À época, Alexandre disse, por meio de nota, que “renunciou a todos os processos que atuava como um dos sócios do escritório de advocacia” e que estava de licença da OAB durante o período investigado.

No fim de 2014, pouco antes de assumir a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o novo ministro da Justiça pouco defendeu Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara dos Deputados, em uma ação sobre uso de documento falso em que conseguiu a absolvição do peemedebista.”

Com efeito, na condição de Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo tornou-se notório defensor do uso desproporcional da força pela polícia que dirigia. Foi nesse período que se deu a violentíssima repressão às manifestações do movimento pelo passe livre. Numa delas, perdeu a vista, atingido no olho por bala de borracha, o midiatista Victor Araújo, que estava, em 7 de setembro de 2013, filmando a repressão policial a movimento de rua em São Paulo. Não se ouviu nenhuma palavra de satisfação ou desculpa. Pelo contrário, a violência excessiva era estimulada pela Secretaria de Segurança Pública dirigida pelo Sr. Moraes. E foram os excessos em São Paulo que espalharam os protestos Brasil afora naquele ano. Mas o autor de “Direitos Humanos Fundamentais” (1ª ed. 1997, 11ª ed. 2016) não se incomodou. Sabe que a teoria na prática é outra. Continuou na linha de ação prepotente de desrespeito aos mais comezinhos direitos fundamentais, ao direito de manifestação e ao direito à integridade física e moral. E viu-se apoiado pela população, quando até a imprensa conservadora tecia ácidas críticas à sua administração. Da igualmente insuspeita Folha de São Paulo de 13 de janeiro do ano passado colhe-se o seguinte:

“O MPL (Movimento Passe Livre) criticou nesta quarta-feira (13) a ação policial que reprimiu o protesto contra o aumento da tarifa nos transportes da capital realizado nesta terça.

Em nota publicada nas redes sociais, o movimento afirmou: “A violência da polícia, que deixou mais de dez presos e dezenas de feridos, mostra a verdadeira política de Alckmin e Haddad: defender o lucro dos empresários a qualquer custo.”

“Da mesma forma, defenderemos nosso direito à cidade e à manifestação. Se a polícia aumenta a repressão, aumentamos a resistência”, afirmou o grupo.

O segundo ato expressivo contra a alta das tarifas de transporte foi marcado pela nova estratégia da polícia, que reprimiu a passeata com mais intensidade antes mesmo dela começar e de haver confronto com “black blocs”.

O secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, disse nesta quarta ter recebido “só elogios à atuação da polícia” para conter o protesto. Ele disse ainda que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) achou “ótima a alteração da estratégia” para conter os manifestantes.

O secretário afirmou que a polícia continuará a tipificar as prisões de manifestantes como dano ao patrimônio público, como agressões e, em se tratando de “black blocs”, o “manifestante será tipificado como organização criminosa”. Segundo Moraes, desde 2013 a polícia dispõe de imagens, de dados da internet das manifestações que vão ajudar a “constituir em uma organização criminosa que quer o vandalismo, que quer depredar e atacar a polícia”.

A polícia decidiu bloquear a avenida Paulista e revistar manifestantes antes do começo do protesto e impedir que eles avançassem pela avenida Rebouças. Após empurra-empurra, lançou bombas de gás, o que acabou dividindo os grupos por diferentes ruas e provocando correria. Questionado sobre críticas a seu trabalho, Moraes afirmou: “Até agora, por parte da população, só elogios à atuação da polícia”.”

Para quem é apoiado por sítio de pornografia política, dá para imaginar quem são esses indivíduos que lhe fizeram os tais “elogios à atuação da polícia”!

Não só a autocrítica não parece ser o forte de nosso Narciso, ora ministro. Tem-se em alta conta. A última bolacha do pacote. E muito mais haveria de contar a respeito, para mostrar cabalmente sua falta de vocação para o serviço público, sua pequenez diante das exigências das funções que lhe foram temerariamente cometidas. Se quisesse estender o assunto, bastaria cavar no Google.

Ao que tudo indica, administrar o dia- a-dia da pasta não é com ele. Em agosto suspendeu todas as ações do ministério por noventa dias e em dezembro prorrogou a suspensão por mais noventa dias, até março de 2017. Refugiados? – Tanto faz. Consumidor? – Sossega o facho! Cooperação jurídica internacional? – Deixa isso com o MPF! Entorpecentes? – Vamos capinar maconha! Estrangeiros?  como é que é? Anistiados? – Deixemos esse assunto morrer! Polícia federal? – Opa, vamos conversar! Arquivo nacional? – O que? Você queria dizer “salas-cofre”? Sistema penitenciário…? Ah, o sistema penitenciário!

O derradeiro episódio protagonizado pelo Sr. Moraes parece ser a gota d’água. Nele, o “ministro” deu com os burros n’água.

É sempre bom lembrar que crises penitenciárias no Brasil escravocrata são recorrentes. Essa não é culpa do Sr. Moraes. É culpa de nossa mentalidade retrógrada, que vê no preso o lixo da sociedade, a merda a ser decantada num reservatório de estação de tratamento de esgoto. Somos incapazes de ver no outro mais fraco, por mais que erre, nosso par e concidadão. Constituímos uma sociedade cada vez mais despida de empatia.

Direitos humanos? Não para bandidos! Só para nós. O Brasil torna-se um país em que o filho pródigo não é acolhido pelo pai. É depositado por seus pais e irmãos desnaturados nas masmorras ou entregue aos esquadrões da morte. Não temos compaixão nem pela família do errante! O errante paga contribuição social que garante a seus entes queridos pensão em caso de morte e em caso de incapacitação para o trabalho, aí incluída a hipótese da sua prisão. Mas nossos escribas e fariseus querem que a família morra de fome, ignorando preceito constitucional que veda ultrapasse a pena a pessoa do inculpado. Esquecem-se que o pagamento da pensão não é favor, mas obrigação pactuada ex lege.

Claro que numa sociedade há séculos governada, quase sempre, pelos escribas e fariseus o massacre do lixo humano não tem nada de mais. “Não tem nenhum santo” entre os massacrados, disse o governador do Amazonas sobre os concidadãos trucidados na sua penitenciária.

Os governos dos últimos 13 anos antes do golpe de 2016 fizeram uma diferença, sim. Mas nunca conseguiram aplacar a ira dos fariseus e escribas, que promoveram, contra seus agentes, perseguição implacável, seja pela mídia, seja pela justiça, seja pelo estamento político. Não se conformaram com a subida dos que consideravam “pecadores” ao poder. Fariseus e escribas sempre viveram no self-understanding de que pecar é algo que só se faz ao abrigo de suas leis. E estas são as leis da hipocrisia, do disfarce, do engodo e, quando necessária para garantir seu status quo, da violência também.

Foram os governos dos últimos 13 anos que nos trouxeram a política mais inclusiva desde o “descobrimento” do Brasil, cheia de falhas e, muitas vezes, sob severas limitações de sua impotência. Mas esses governos construíram cinco penitenciárias federais para abrigar líderes de facções sob regime de segurança diferenciado. Repassaram rios de dinheiro aos estados para o aumento de vagas no sistema. Passamos a ter nacionalmente um índice relativamente baixo de 1,67 de superpopulação carcerária, o que significa que a cada vaga correspondem 1,67 apenados. Esse índice nos coloca mundialmente em 38° lugar em superpopulação carcerária,  – distantes do ideal, mas igualmente distantes da posição de lanterninha.

O que o Sr. Moraes não se deu ao trabalho de estudar é que o problema central do sistema nem é tanto de vagas, mas de excesso de demora em investigações e instrução criminal que faz com que 40% dos nossos presos não tenham ainda condenação transitada em julgado. Em muitos rincões do país a prisão pré-processual é regra e não exceção, sobretudo quando se lida com os mais fracos e desassistidos. Para eles, a presunção de inocência não vale nada. A prisão preventiva passa a ser a forma de antecipação da pena numa justiça que não merece esse nome, porque tarda e falha por seletividade.

Ademais, temos um sério problema de gestão penitenciária. Desde sempre. A sociedade não gosta de investir no “lixo” social. Acha que é dinheiro jogado fora. Há autoridades que gostam de apontar para o truísmo de que um preso custa 13 vezes mais do que um aluno no ensino público. A comparação é demagógica. É como dizer que o Brasil não devesse estar no Haiti, porque lá gasta em ação humanitária mais do que na segurança pública de muita cidade grande conflagrada. É uma mania de ficar comparando hélice de navio com piano de cauda, âncora com berimbau ou trilho com picolé! São ações que têm entre si tanto em comum quanto os glúteos com as calças.

Em qualquer país do mundo, preso é mais caro que aluno, assim como uma âncora de petroleiro é mais cara que um berimbau de roda de capoeira. Se o sistema leva a sério sua missão, o apenado é um aluno em condições especialíssimas, num curso de re-viver. E gastamos pouco com eles, porque em Pindorama se convencionou que prisão é só um amontoado de tijolos, cimento e ferragens. Lá se soca gente até não caber mais. É como fazer a mala jogando infinitas roupas e utensílios nela e depois, para fechar, pular na tampa, deixando à mostra, nas bordas, partes de meias, cuecas e calcinhas.

Prisão, na contemporaneidade, é muito mais que uma masmorra. É, nas nações civilizadas, um conceito complexo. A pena não expia. Não se trata de retribuir o mal pelo mal. A retribuição, diria o penalista alemão de saudosa memória, Winfried Hassemer, é como dar um chute num móvel que nos causou dor quando nele esbarramos. O móvel continuará lá. Imóvel, se não inamovível. Por isso, punir só faz sentido olhando para o futuro. Fala-se, então, em funções preventiva geral e preventiva especial do direito penal. O escopo é buscar que o crime não se repita. Por isso, estatui-se um exemplo para a sociedade (o efeito dissuasório, em alemão Abschreckung), de eficiência do aparato persecutório, deixando clara a mensagem de que quem delinqüe paga. Já no campo individual, esforça-se o Estado por ensinar ao apenado a levar uma vida digna. Reabilita-o, cuida de suas feridas n’alma e procura dar-lhe uma nova chance. Estar privado de liberdade é a punição maior. Entrega, o apenado, parcela do seu tempo de vida ao Estado, como diria Foucault, para que seja bem aproveitado em favor da inclusão social. Estigmatizar não ajuda em nada esse processo, porque causa resistências à sua implementação.

Por isso os países mais adiantados nessa agenda garantem acomodações individuais a quem tem mais de um ano de pena a cumprir. Lá, o preso recebe roupa limpa, de cama e pessoal, e é estimulado ao asseio. Em muitas penitenciárias costuma-se entregar-lhe um cartão magnético que permite a circulação limitada no estabelecimento, de acordo com seu grau de progressão disciplinar. Ocorrendo um motim, todos os cartões são instantaneamente cancelados e o preso fica onde está, mapeado por sistema de rastreamento feito pelo cartão. Isso, é evidente, facilita táticas antimotim.

Mas, no nosso Brasil, estamos longe disso. Temos toda a tecnologia, mas achamos que gastar com ela não é prioridade. Não temos cursos de arquitetura penitenciária nem escola de gestão de estabelecimentos prisionais. Construímos prisões novas, de padrão velho. Algumas ficam baldias, pois os estados estão sem dinheiro para realizar concurso, contratação e treinamento de agentes penitenciários. Por isso sugeri a criação de uma Escola Nacional de Gestão Penitenciária e de um sistema único de distribuição de vagas, para equilibrar a lotação nos estabelecimentos. Infelizmente não foi possível levar a ideia adiante. O golpe não deixou.

Transferir recursos para construção de novas penitenciárias é uma solução simplória. Talvez o Sr. Moraes devesse ler o relatório do INFOPEN 2014, obra da dedicada equipe do Doutor Renato Vito, publicada na minha gestão. Tem dados que demonstram claramente o que foi dito aqui. Mas, quando se glorifica a violência e se recusa a compaixão com as brasileiras e os brasileiros que perderam seus entes queridos num massacre quando estavam sob a custódia do Estado, e quando se mente para fugir da responsabilidade, falar e mostrar o que pode resolver não basta. É preciso gritar para ser ouvido.

Por isso, Sr. Moraes, saiba que não me fará calar. Tenho responsabilidade para com nossa sociedade como derradeiro Ministro da Justiça de um governo legítimo, derrubado por um arrastão de trombadinhas que queriam reimpor a política ímpia dos escribas e dos fariseus. Na próxima comichão insopitável de me intimidar e cassar a palavra dita no livre direito de crítica e manifestação, pense três vezes. Responda com argumentos ou se recolha. A “porrada” aqui não cola, pois papai e mamãe, que nunca precisaram me dar palmadas no bumbum, me ensinaram que quem usa a inteligência usa a boca, e quem dela é desprovida usa o punho.

 

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23 Comentários
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  1. Roberto Alonso

    14 de janeiro de 2017 10:38 am

    Eugênio Aragão é uma das

    Eugênio Aragão é uma das pessoas a quem tenho mais respeito e admiração profissional, por seu notável saber jurídico e sua cultura. Ele participou e ajudou a alicerçar o bom nome do Ministério Público Federal e personifica o que eu espero de um Procurador da República. Corajoso, é uma das poucas vozes que se colocou no embate em favor da democracia e do Estado de Direito nestes tempos sombrios de golpe de Estado e da ofensiva neoliberal.

    Deltan Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato, que me desapontam e decepcionam profundamente por todos os espetáculos midiátivos vergonhosos, cujo ápice foi a exposição em Power Point, deveriam tê-lo como modelo, em vez de buscar o corporativismo e a auto-promoção. Estão conseguindo o contrário disso e a consequência disso será o contrário do pretendido, pois no meio político já se cogita em reduzir os poderes do Ministério Público.

    Sobre Alexandre de Moraes, penso que não vale a pena gastar sequer uma palavra (além desta justificativa). Não consigo entender como uma tal pessoa ainda esteja à frente do Ministério da Justiça. 

  2. Antônio Uchoa Neto

    14 de janeiro de 2017 10:45 am

    Simplesmente devastador.
    É
    Simplesmente devastador.
    É pena que seja uma polêmica entre um gigante e um micróbio.

  3. Romanelli

    14 de janeiro de 2017 11:14 am

    cabra bom…

    cabra bom…

  4. Rui Ribeiro

    14 de janeiro de 2017 11:17 am

    Botaram o açougueiro para administrar o matadouro

    Morreram 99 mas tem mais de 600 mil vivos. Portanto, está tudo sob controle.

    Imagina esse sujeito consolando uma Mãe que teve um filho assassinado numa prisão?

  5. Maria Luisa

    14 de janeiro de 2017 11:50 am

    Cala boca ja morreu!

    Eugênio Aragão candidate-se a presidência em 2018. Caso Lula não possa fazê-lo é o senhor que nos respresenta!

  6. nilo filho

    14 de janeiro de 2017 11:58 am

    Excelente para não dizer o

    Excelente para não dizer o mais…

  7. Maria Silva

    14 de janeiro de 2017 12:18 pm

    Belissima resposta …

    Sem comentarios.

  8. Ingridx

    14 de janeiro de 2017 12:36 pm

    Por que não

    se fala em mudar a concepção de penitenciária?

    Nos últimos dias, como sói acontecer apenas  ante aos escândalos, os noticiários sobre a questão carcerária abundam. Fala-se em criar novas instituições, diminuir o número de detentos de cada presídio, reforçar esquemas de segurança etc. Estranho que não tenha havido um só artigo, ensaio, proposta quanto a modificar a concepção prisional. O que se pode esperar de centenas de homens enjaulados sob as piores condições se não massacres, rebeliões? Não entendo por que, em um país com as dimensões territoriais imensas como é o caso do Brasil, não se inauguram  PENITENCIÁRIAS AGRÍCOLAS?Alguém saberia responder?

    Por que as penitenciárias não têm uma cozinha industrial onde os detentos possam providenciar as refeições? Por que pagar fortunas por quentinhas estragadas se as refeições  podem ser feitas pelos detentos?

    Algo de muito estranho acontece na administração dos presídios, indolência e inércia às catadupas

    As penitenciárias nada fazem no sentido de promover condições de reabilitação, ao contrário, fomentam a inércia, a inatividade em uma situação de vida degradante que sö pode incitar violência.

    Por que nào há cursos técnicos nas penitenciárias

    Creio que uma penitenciária em que pela manhã os detentos cultivassem parte de sua alimentaçào, cuidassem de um galinheiro, cozinhassem a própria comida e à tarde pudessem participar de algum curso técnico profissionalizante se  não reduzisse o grau de violência ou  diminuisse a recidiva,  certamente contribuiria criar condições de melhor saúde para os detentos.

    1. MARCELOH

      14 de janeiro de 2017 1:31 pm

      Por que NÃO.
      Respondo-lhe

      Por que NÃO.

      Respondo-lhe amigo

      DEVE SER POR QUE NÃO SE IMPORTÃO, OU

      SE TEM  DE ENRIQUECIMENTO DE ALGUNS.

      So isso. 

  9. Wellington Ferreira de Jesus

    14 de janeiro de 2017 12:56 pm

    Que Maravilha (salve, Jorge Ben Jor)…

    Que Maravilha (salve, Jorge Ben Jor), que classe, que categoria! Valeu, ministro Aragão!

    Chupa canalha do PCC! Chupa!

     

    https://youtu.be/CH5p66p_A6I 

  10. Carla Larissa

    14 de janeiro de 2017 1:11 pm

    Que texto excelente! Sentimos

    Que texto excelente! Sentimos informar ao pequeno “ministro” que Eugênio Aragão não se calará, continuará desnudando as hipocrisias desse governo. 

  11. Carla Larissa

    14 de janeiro de 2017 1:14 pm

    Que texto excelente! Sentimos

    Que texto excelente! Sentimos informar ao pequeno “ministro” que Eugênio Aragão não se calará, continuará desnudando as hipocrisias deste governo.

  12. Fábio de O. Ribeiro

    14 de janeiro de 2017 1:38 pm

    Aragão é muito sofisticado,
    Aragão é muito sofisticado, um verdadeiro gentlemem.
    Tanto que ele trata com o pronome senhor um advogadinho de porta de cadeia que subiu na vida fazendo acertos em Delegacias e dentro de viaturas da PM/SP.
    O referido Sr. Moraes não tem cabedal nem para ser Secretário de Negócios Jurídicos de Carapicuíba (menor município do Estado de São Paulo).
    Ter ele voado tão alto prova apenas uma coisa: que Geraldo Alckmin e Michel Temer são dois Zés Roelas com doentia propensão a premiar a bestialidade rebaixando-se ao nível esgotífero dos assesessores que nomeiam para cargos importantes.

  13. David Nascimento

    14 de janeiro de 2017 1:50 pm

    Perfeito!!!

    Perfeito!!!

  14. R. Vizin

    14 de janeiro de 2017 1:56 pm

    Pois é….

    E a Dona Dilma nomeou o Aragão somente na vigésima quinta hora, quando já não havia mais solução para o golpechmeant. Por que não nomeou antes????. Enquanto isso, nomeou Cardozetos e outras nulidades, que nada fizeram para impedir o golpe. E as nomeações para o supreminho, então, não se salva uma. Lula também só nomeou mequetrefes para o supreminho. Não é de admirar que tenha sido tão fácil dar um golpe de estado. Uma barbada gerada também pela incompetência e pela falta de consciência política. Aliás, eu queria saber onde a Dilma colocou o controle remoto??? Depois do acontecido, deve estar naquele lugar,….

    1. Edna Baker

      14 de janeiro de 2017 9:51 pm

      Quem sabe o Lula e a Dilma

      Quem sabe o Lula e a Dilma nāo quiseram exatamente preservar o Aragão para responsabilidades futuras?  Aí tem coisa!!!

  15. Mauro Segundo

    14 de janeiro de 2017 2:28 pm

    Com a devida vênia…

    Me dá ânsia de vômito ler esse texto e saber que o Aragão estave aí esse tempo todo, a aguentamos gente como “Jô Soares” e Janot na PGR e Cardoso como Ministro da Justiça da Dilma por tantos anos…. nada pessoal, mas ele poderia ter sido útil na AGU, talvez….mas enfim…passado é passado.

  16. Aracy_

    14 de janeiro de 2017 3:56 pm

    Eugênio Aragão é

    Eugênio Aragão é mesmo um grande cidadão e intelectual notável. Consegue ser firme sem perder a compaixão. Quanto ao dublê de justiceiro dos maconhais, não merece comentário. Para este basta o tal papel higiênico usado dos dois lados.

  17. Luiza1

    14 de janeiro de 2017 4:27 pm

    Palavras do Aragão soam como “Trombeta”= Luta

    Eugênio Aragão é aquele tipo de gente que, nas palavras de minha mãe, é como pedra precisosa ou bolinha de ouro. Eu sempre compartilho com os meus mais próximos o cenário político, as falas e atitudes que estão sendo tomadas em favor de nós, cidadãos, que estamos sendo afrontados em todas as frentes e nos direitos básicos. Vejam só, a minha mãe, uma senhora de 80 anos ao saber das palavras desse vice Procurador da República, pensa o seguinte: “o  que esse “rapaz”{detalhe: ele tem mais de 50 anos] pensa e dá publicidade deveria ser impresso, panfletado e pregado em cada poste desse Brasil de meu Deus. O povo precisa se inteirar e saber que não está só! ” E ela está certa. O que falta é o povão, a maioria, tomar conhecimento da situação atual e assumir o seu papel na resistência aos golpistas, porque só o povo nas ruas é que resolverá, de uma só vez, os desmandos e colocará cada coisa em seu devido lugar. O povo nunca se deu conta da sua força, da sua legimtimidade para decidir o próprio destino. Eu faço a minha parte imediata, envio os post para os próximos e passo prá frente, também verbalmente, todas as informações relevantes que nos interessam, mas isso só, e eu sei, não basta..  Em casa cidade e bairro há, sim, pessoas que compartilham do mesmo desejo de resistência ao golpe de Estado que está destruindo o país… As redes sociais, claro, ajudam a concectar essas pessoas, mas deve-se ir além. A união desses desejos e o encontro “físico” são fundamentais para essa resistência. O engajamento é fundamental nessa luta. Essa luta tem que ser travada virtualmente e, também, no mundo real, físico !

    Voltando ao Aragão, o nome desse Procurador já entrou para História do Brasil nesse golpe/2016, e pela prota da frente. graças. As palavras dele sempre lavam a alma da gente, não tem sido assim?, mas uma andorinha só não faz verão, como bem sabemos.  O conceito e o status de “oposição”, definitivamente, não é o caso dele, pelo que já percebemos em suas declaracões. porque é pouco e não condiz com verdaderio combate que se deve fazer quando o caso é o de um golpe de Estado. E ele está certo.Ele trata os golpistas como inimigo, aliás, é exatamente isso mesmo que eles são: inimigos do Brasil, sem tirar uma única palavra! Porque oss golpistas estão falando grosso com o país e com os brasileiros, então a questão aqui é falar grosso com eles também e gritar mais alto que eles. Porque o brasileiro tem, sim, “café no bule”, só que dorme o sono eterno da inação e da ignorância, então precisamos é acordar, e cada um de nós ajudar nessa empreitada, para que possamos assumir o controle do nosso próprio destino.

    Precisamos tentar, minha gente, afinal, o que mais nos restou a não ser “se virar nos 30” e tentar mais uma vez?????

     

  18. João de Paiva

    14 de janeiro de 2017 7:39 pm

    Mais uma missiva demolidora de Eugênio Aragão

    Prezados,

    O Procurador da República Eugênio Aragão é exemplo de servidor públco que representa o cidadão brasileiro democrata, honesto, trabalhador, patriota, defensor dos direitos humanos e dos cidadãos. 

    É preciso descobrir outros no MP que tenham a ética, o caráter e a hombridade demonstrados por Eugênio Aragão e dar-lhes, voz e vez. É preciso que os jornalistas independentes dêem a voz  e vez a TODOS os operadores do Direito que defendam os valores que EA já demonstrou defender.

    O jornal Valor entrevistou o juiz Luiz Carlos Valois. Os blogs e portais independentes precisam entrevistar outros magistrados que pensem e ajam como ele. É  preciso instar os juízes da AJD para que escrevam artigos críticos; não basta que ele soltem notas oficiais quando um abuso ou crime for cometido por outro juiz, procurador ou policial.

    Sempre digo que a direita nazifascistóide não possui argumentos e por isso parte para  ofensas, xingamentos e agressões. O boquirroto Alexandre de Moraes confirma isso, ao ameaçar Eugênio Aragão com um processo. Mas EA não se intimidou. Aliás, o que EA deve fazer, caso Nazimoraes cumpra a ameaça, é não apenas se defender, como pedir exceção da verdade e reverter o processo contra o ainda ministro (sic) da justiça. Aposto que o bravateiro não cumprirá a ameaça.

  19. Francisco Hideo Aoki

    14 de janeiro de 2017 7:47 pm

    Palavras como essas nos dão esperança e muito mais coragem!

    Esperança renasce a cada palavra que vemos escritas e dessa forma, elegante, culta, sem baixaria , e certeza cada vez maior de que temos muita gente nesse país interessada no nosso próprio desenvolvimento em todos os níveis,  não subserviente,  autônomo, estimulante do humanismo contra a barbárie globalizada, com inclusão social, desenvolvimento, e com inovação, junto a muitas outras vozes que corajosamente se levantam contra esse falso e induzido “status quo” atual do Brasil. Todos sabemos, lamentável, artificial, açambarcante e devorador, ainda apenas de micro conquistas conseguidas por nossa população. Só o início ainda, e vem essa avassaladora mentira midiática, anuida pelos altos poderes da república, se é que ainda podemos chamar o Brasil assim, mas… temos esperança e estamos sempre na luta. Ótimas idéias do Dr. Eugênio Aragão.

  20. WG

    14 de janeiro de 2017 11:14 pm

    ditadura

    Esse ministro tem perfil para servir a ditaduras sanguinárias. A continuar assim, será esse o destino do Brasil. 

  21. Marcos Carvalho

    15 de janeiro de 2017 1:50 am

    Fora Temer Golpista (Elvis não morreu!)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=ZD3ezedli2A&list=PL0dx7EKU37vC_NpoXnM_LBB4j5_dEEjww%5D

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