
Enviado por Fernando J.
Do o Dia
Luiz Antônio Simas: Os bares nascem numa quarta-feira
Minha pátria é a língua à milanesa e um gole de cerveja em um país que começa às margens do canal do Mangue
Rio – Minha vida é simples. Sou um sujeito comum, filho de mãe pernambucana e pai catarinense, criado por uma avó nascida em Alagoas, precariamente alfabetizada, e por um avô do litoral de Pernambuco com um pouco mais de estudo formal.
O Brasil em que fui criado e sempre vivi passa longe de salões empedernidos, bancos acadêmicos, bolsas de valores, altares suntuosos, restaurantes chiques e esquinas elegantes. O Brasil dos meus olhos de criança e das minhas saudades de adulto é o dos campos de futebol, mercados populares, terreiros de macumba, rodas de samba e velhos botequins frequentados pelo meu avô.
Houaiss e Villar, sabichões que organizaram dicionários, especulam sobre a remota origem grega para botequim, derivada de apothèkè, expressão que originou bodega (botequim vem diretamente daí), botica (farmácia) e biblioteca. É a definição perfeita, já que botequins de responsabilidade não são apenas lugares para petiscos, bebidas, tira-gostos e refeições. Os melhores funcionam como farmácias para o corpo e a alma e bibliotecas onde a vida pode ser lida com intensidade.
Sinto-me hoje tão distante, em tudo, de certas afetações do Rio de Janeiro, das mesuras elegantes dossofisticados, da maneira descolada dos meninos e meninas do Rio praiano, quanto um velho geraldino se sente longe do novo Maracanã. Essa é a cidade que não me contempla. É neste sentido que saúdo a abertura de um botequim perto da minha casa esta semana, do lado de cá do Rebouças, em uma escondida rua tijucana. Falo do Bar Madrid, aventura civilizatória comandada pelos primos Felipe e André. Os dois resolveram comprar um estabelecimento da Rua Almirante Gavião, que tinha virado um bar moderno demais para o meu gosto, e prometem respeitar o fundamento das boas biroscas. Oxalá seja assim.
Paulo Mendes Campos, em crônica daquelas de arrebentar as coronárias sensíveis, disse (lembrando Mário de Andrade) que os bares morrem numa quarta-feira. É como uma biblioteca incendiada na cidade que se desencanta. O Madrid está nascendo em uma quarta-feira, quase como um afago de meio de semana na alma desalentada dos que procuram um balcão com a ânsia da terra sem males.
Minha pátria é a língua à milanesa e um gole de cerveja em um país que começa às margens do canal do Mangue e se estende ao norte, para aconchegar um homem com um mínimo de dignidade e silêncio no seu quinhão de mundo; aquele que lhe é pertencimento. Longa vida ao novo e velho bar.
Fernando J.
20 de agosto de 2015 3:08 pmBotecos do Edu – parte 1
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ZDuqiZ-1uR8%5D
Fernando J.
20 de agosto de 2015 3:10 pmBotecos do Edu – episódio 2
[video:https://www.youtube.com/watch?v=N9bauKsKfTk%5D
Rui Daher
20 de agosto de 2015 3:38 pmFernando,
quando no Rio, comparecerei com minhas pedras de dominó.
Fernando J.
20 de agosto de 2015 3:50 pmRoteiro Etílico e Sentimental da cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro
Rui,
Quando estou no Rio, dedico-me aos maravilhosos botequins recomendados pela dupla infernal Luiz Antonio Simas & Edu Goldenberg. Abro uma pasta e vou colecionando dicas da dupla, foi assim que fui parar na rua do Mattoso que bati dos dois lados, a Quitanda Abronhense, e por aí vai. E segue na toada Bode Cheiroso, Bar do Chico, etc.
Praia? Não sei aonde fica. Copacabana só para dormir. Rio é botequim, Rio é Zona Norte, Rio é Tijuca. Siga a dupla.
Paulo Figueira
20 de agosto de 2015 4:53 pmVila Izabel de Noel é
Vila Izabel de Noel é maravilhoso.
Anna Dutra
20 de agosto de 2015 7:11 pmZN rocks!
A Tijucana Anna confirma. O Rio da Zona Norte é uma beleza!
Tijuca, Vila Isabel, Grajaú e podem prosseguir Zona Norte adentro que os botequins estarão lá.
Bracarense se denomina botequim, pode até ser, mas não com a “pegada” que o Simas aponta … É Leblon …
Para uma degustação um pouquinho mais substanciosa, recomendo uma visitinha ao “Salete” que além de um risoto de camarão que dá para 4 (quatro Annas, ressalve-se !) – melhor risoto da cidade disparado – é um botequim, bem ao estilo portuga, que serve um bacalhau maravilhoso e todas as coisinhas que adoramos. Há por lá umas empadinhas que fazem a fila dobrar o quarteirão. Ok, pode ão ser um botteeeqquuuimmm pra vocês, mas vale a visita. Pé direito alto, azulejos brancos e azuis, aquela bancada tradicional, uma beleza.
Mas, alto lá, praias maravilhosas ! Sol, mar, brisa. Uma beleza. A carioca recomenda! rs.
Até.
Anna Dutra
20 de agosto de 2015 7:20 pmServiço
Ops! Falha nossa. Segue o serviço.
Claro, não tem “site” !
Salete Rua Afonso Pena, 189, Tijuca, Rio de Janeiro – RJ Empadas de massa caseira, fartas porções de risoto com azulejos azuis e brancos nas paredes. Bacalhau também rola. Fundado em 1957, pelo espanhol Manolo, o tradicional restaurante da Tijuca ganhou fama com suas empadinhas e seu risoto de camarão. O petisco tem massa caseira e ganha recheios de frango, palmito e camarão.
Fernando J.
21 de agosto de 2015 12:53 amanotado, Anna Dutra
em dezembro vou conferir. Muitíssimo grato.
Anna Dutra
21 de agosto de 2015 1:13 pmNem me atrevo
Fernando J.,
nem me atrevo, depois dos vídeos, dos teus comentários e do post, a fazer quaisquer sugestões – é fato, você conhece mais do que eu.
Mas te agradeço os comentários simpáticos sobre a Tijuca – bairro tradicionalíssimo e caretérrimo: minha área – e te desejo uma estada no Rio cheia de sol, alegria e do calor do carioca.
Te prepara: dezembro por aqui é muito quente e muito úmido. Vale pegar uma prainha; não esqueça o FPS30.
RONALD2
20 de agosto de 2015 6:27 pmBOTECOS
Moro em CURITIBA, e perto da minha casa tem o ‘BOTECO DA SANDRA’ ; as sextas tem espetinho. Se comer e passar mal não paga.
Trabalhei perto do parque barigui aqui na cidade e atraz da empresa tinha um boteco com um nome muito sugestivo: ‘CURVA DE RIO’; só parava tranqueira.
Odonir Oliveira
20 de agosto de 2015 6:58 pmSou carioca, mas não posso falar dos bares cariocas
Moleca ainda fui para SP e lá sim conheci alguns: o REI DAS BATIDAS, na entrada da USP , que às 6ª, sábados (vivia lotado de gente interessante etc. etc. e nas tardes de domingo , fugia-se para lá também e ficava-se nas redondezas depois.
Outro era o BAR DO ZÉ, perto do Mackenzie também,; além desses os da região da Consolação (quando um fechava partia-se para outro).
Conheci muita gente interessante por lá também.
Em Santos, aqueles de beira da praia eram ponto de encontro dos meus amigos professores, pois dávamos aulas até onze da noite, na 6ª, e depois barzinho. Nesse tempo, anos 1977 e 1978, éramos muito felizes ali, ríamos, conspirávamos todas as 6ªs feiras para derrubar os militares, contávamos muitas piadas e curtíamos uma musiquinha ao vivo, de gente bem amadora, mas muito sincera no que tocava.
Depois já na década de 80, na Praça da Liberdade, íamos a uns bem legais em grande turma.
BAR É BÃO !
Fernando J.
21 de agosto de 2015 12:33 amOdonir,
moro a 30 metros do Bar do Zé, do Mackenzie, virou uma lanchonete de estudantes, fecha 12p0, não entro nele há 2 anos e 8 meses por conta de um dissabor ocorrido em 15.12.2012. São Paulo atualmente é o túmulo do botequim, tem a lei do Psiu, que faz com que a boemia acabe pontualmente a uma hora da manhã. Não sou boêmio com hora marcada. Não é possível a prática da boemia num bar em meio a frutas penduradas (laranjas, bananas, abacate, melão, melancia, mangas – Carmen Miranda perde), pois foi isso a que SP foi reduzida, um misto de bar com lanchonete, sucos de frutas, que tem a ousadia de anunciar num cartaz que não serve cerveja das 6 da manhã até às 10 horas, porque nesse pe´riodo só pão na chapa e pingado. Não dá.
Vixe
20 de agosto de 2015 10:05 pmEm tempos de chacina,
Em tempos de chacina, frequentar os verdadeiros botecos (não os de grife), virou um verdadeiro desafio à morte.
Nem isso o pobre pode mais: tomar sua pinga sossegado…