Há muitas histórias a serem contadas sobre o Plano Real.

O sonho de todo economista financista é comandar um processo de troca de moeda em um país. Ele passa a ter o poder de arbitrar as regras de conversão da moeda velha para a nova. Dependendo da maneira como definir a conversão, poderá criar fortunas do nada.

Foi assim nas Guerras Napoleônicas, com o financista John Law que instituiu o papel-moeda na França, em lugar do padrão ouro. Tornou-se um dos homens mais ricos do mundo, chegou a adquirir alguns estados norte-americanos, antes da bolha explodir.

Foi assim no início da República, quando Rui Barbosa comandou a mudança do padrão ouro para o papel moeda. Beneficiou um banqueiro da época, o seu Daniel Dantas, o Conselheiro Mayrink, conferindo-lhe o monopólio virtual da emissão da nova moeda.

Quando os negócios do banqueiro entraram em crise, Rui acabou impondo tantas mudanças no plano original - para salvar seu parceiro e sócio - que quebrou o país, no episódio conhecido como o Encilhamento.

No campo dos negócios, o Plano Real seguiu o padrão John Law e Rui Barbosa - mas com a sofisticação permitida pelos novos tempos e novas engenharias financeiras. Aliás, o melhor trabalho sobre o Encilhamento foi do jovem economista Gustavo Franco, ainda nos anos 80. E sua grande interrogação era como Ruy poderia ter montado todas suas operações privadas sem comprometer o plano. A resposta: um Banco Central que impedisse a volatilidade do câmbio.

***

O Real foi implementado por um grupo brilhante de operadores de mercado, dominando estratégias financeiras e firmemente empenhados em aproveitar o momento para a grande tacada de sua vida.

Com o fim do Cruzado Novo, havia várias formas de irrigar a economia com a nova moeda. A mais óbvia seria no vencimento dos títulos públicos: em vez de emitir novos títulos e rolar a dívida, o governo resgataria, entregando reais aos titulares. O país zeraria sua dívida pública e, com a falta de títulos públicos, os reais seriam investidos em papéis privados, ajudando a estimular os investimentos.

Em vez disso, optou-se por entregar reais só a quem trouxesse dólares de fora. Os economistas do Real se prepararam antecipadamente para essa reciclagem, adquirindo instituições que, assim que o Real foi lançado, saíram na frente captando dólares baratos, convertendo em reais e aplicando em títulos públicos que pagavam juros expressivos.

Por si só, essa reciclagem já seria um grande negócio.

Mas foram além.

****

A lógica econômica do Real consistia em conservar a paridade de um por um na relação com o dólar. Quando foi lançada a URV, a ideia era convergir o valor real de todos os produtos para o novo índice, reduzindo ao mínimo as oscilações de preços relativos depois que o real fosse introduzido .

Mas o BC fixou uma regra que, na prática, derrubou o dólar para 85 centavos. Consistia em garantir um teto para o dólar (de R$ 1,00) mas não garantir um piso. O piso seria determinado pelo diferencial entre as taxas externas de juros e as internas.

Lançado o real, imediatamente o dólar caiu para R$ 0,85, encarecendo da noite para o o dia todos os produtos brasileiros, em relação aos importados.

***

Alguns meses antes do lançamento do real, um dos economistas, Winston Fritsch, procurou bancos de investimento nacionais e estrangeiros para encontros reservados, nos quais descrevia o movimento que o dólar faria quando o real fosse implementado. Convidava-os a entrar no jogo para reforçar o movimento baixista do dólar já que na outra ponta haveria multinacionais comprando dólares para se prevenir contra o medo da desvalorização do real.

Menos de três meses com o dólar a R$ 0,85 e a economia bombando, o país já exibia déficits externos relevantes. Se houvesse desvalorização cambial, quebraria grande parte das instituições aliadas dos economistas. Para não quebrarem, os economistas do Real quebraram o país. Aumentaram a aposta no câmbio apreciado. No final do ano o país estava quebrado, explodiu a crise do México e o Brasil se viu sem condições de continuar crescendo por não conseguir financiar o déficit externo. 

Essa armadilha levou o BC a manter por tempo indeterminado a apreciação do real e a segurar a crise das contas externas com as mais altas taxas de juros do mundo. Como conseqüência, matou o mercado de consumo pujante que estava se formando com o fim da inflação; e gerou a maior dívida pública da história, que seguraria o crescimento brasileiro por toda a década seguinte. 

Mais que isso, matou o próprio sonho do PSDB de governar o país por 20 anos - como era o cálculo de seus operadores.

Com o fim da inflação, milhões de brasileiros ascenderam ao mercado de consumo. O governo FHC poderia ter antecipado em oito anos o fenômeno da nova classe C e garantido o reinado do PSDB por mais vinte. Mas as taxas de juros praticadas, para segurar o câmbio - e enriquecer os operadores financeiros - mataram totalmente o dinamismo da economia, obrigando os novos consumidores a refluírem para a zona cinzenta do subconsumo e só voltariam à tona no governo Lula - garantindo a nova hegemonia política ao PT.

Os quatro primeiros anos de FHC foram sufocados pela dívida criada no setor público e privado e pelo câmbio apreciado, criando um enorme déficit externo, expondo o país a qualquer crise internacional. Bastava uma crise na Rússia para um terremoto se abater sobre o Brasil.

Quatro anos depois, o câmbio cobrou a conta na crise da dívida externa que praticamente liquidou com o segundo mandato de FHC e com o reinado do PSDB.

Em 2002 Lula foi eleito, o PSDB alijado do poder e, já extremamente ricos, os economistas do Real trataram de procurar outros barcos para remar.

Vinte anos depois, o PSDB serve de novo de mula para o retorno dos financistas que liquidaram com o partido.

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Aumento explosivo de dívida pública e carga tributária.

cesa

Este foi o verdadeiro legado deste plano de ajuste. A parte o fato de acabar com  grande parte da indexação que existia (não toda), este plano abriu o caminho para o confisco de parcela expressiva da renda nacional para o governo (carga tributária de 34%) que é e será sentida por muito tempo no brasil e é um dos maiores problemas do custo brasil.

O PSDB do FHC consegui jogar o brasil neste circulo viciosode aumento de carga tributário, ao invés de cortar os gastos públicos ( no seu governo aumentou o número de ministérios uma barbaridade e criaram um monte de despesas que não existiam). Depois o PT pegou o governo e manteve tudo o que foi feito e acrescentou algo. Mas o problema começou com o FHC, que é de esquerda também, apesar de muito cara não saber.

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Os vinte anos do Plano Real

João Carlos Rizolli

Está tudo lá, no: 

- OS CABEÇAS DE PLANILHA (L. Nassif, 2007), com ampla e sólida bibliografia.

Complementado por:

- A PRIVATARIA TUCANA (A. Ribeiro Jr, 2011)

- O PRÍNCIPE DA PRIVATARIA (P. Dória, 2013)

Com o arremate de:

OPERAÇÃO BANQUEIRO (R. Valente, 2014)

Eis a síntese dos Tucanos no governo. Até agora!

 

Falta, ainda:

- O TRENSALÃO DOS TUCANOS PAULISTAS

- SECA DA CANTAREIRA:  A PROPINOTUCANARIA NA SABESP

 

 

 

 

 

 

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O grande perigo do plano Real

Brasileiro aguerrido

O grande perigo do plano Real foi mascarar uma tragédia com algum "ganho para o país".

Houve um ganho no combate da hiper inflação, sim, mas o custo deste ganho foi tão imenso tão gigantesco principalmente o custo social, que a gente fica pensando se no final o país saiu ganhando, e principalmente "quem" saiu ganhando.

A essência do Plano Real foi trocar hiper inflação por hiper carga tributária. Mascararam a hiper inflação com a hiper carga tributária. Antes o país era corroído pela inflação e agora pela tributação. Por isto os números do Crescimento do PIB eram muito maiores até a década de 80 e depois de 1994 tem tido dificuldade de decolar. Só que é mais fácil fazer o povo engolir carga tributária excessiva do que inflação galopante. Uma questão de percepção.

Na essência nada se resolveu, mas trocaram um problema por outro. E com a ressalva de que nesta troca sobraram 12 milhões de desempregados, aumento gigantesco da dívida interna ( 60 bilhões para 600 bilhões), apagão elétrico, e muito mais.

A verdadeira vitória sobre a inflação só ocorrerá definitivamente  quando os gastos do poder público forem diminuídos suficientemente para caberem na carga tributária que havia antes do plano Real (25%).Só que para isto faltaria pulso para enfrentar o corporativismo do funcionalismo público, da classe política e seus salários astronômicos fora da realidade nacional. Coisa que o PSDB nunca teve realmente é pulso para enfrentar poderosos.
 

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O aumento da carga tributária é a razão do sucesso do Brasil

Clever Mendes de Oliveira

 


Brasileiro aguerrido (quinta-feira, 03/07/2014 às 22:03),


No longo prazo, a essência da inflação é a existência de gastos públicos acima da receita. Há duas soluções para este problema, ou se implementa uma política de redução de gastos ou se aumenta a receita. A direita preconiza a redução dos gastos. Por sorte da direita a solução que ela propõe não é aprovada. Assim a carga tributária que era inferior a 10% no início do século XX nos países mais ricos agora é superior a 35%.


Eu disse por sorte da direita porque o aumento da carga tributária é o que traz a civilização para a modernidade. Sem a carga tributária o mundo estaria na pedra lascada. Além disso, é preciso de um pouco de civilidade para fazer sentido dividir a população em direita e em esquerda. Enfim, sem civilização, ou melhor, sem carga tributária, e a carga tributária, sob a forma de confisco ou não, sempre existiu, não haveria civilização.


Quando Fernando Henrique Cardoso foi escolhido para Ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, eu pensei que o Brasil teria o azar de escolher um Ministro da Fazenda demagogo. Para mim a demagogia é o que de pior existe no político. Distingo a demagogia do populismo no sentido que o populista é alguém de fácil contato com as massas enquanto o demagogo é alguém com dificuldade de contato com as massas e tenta fazer este contato mediante medidas de agrado da população. O populista sente o que ele diz. O demagogo, diz o contrário do que ele pensa apenas para agradar a população.


A minha preocupação com o que Fernando Henrique Cardoso iria fazer à frente do Ministério da Fazenda, só não foi maior porque o período dele à frente do ministério seria pequeno, uma vez que ele assumiu em 1993 e a eleição seria em 1994. Aliás, o tempo curto dele no ministério ajudou-me a não me preocupar muito até mesmo quando ele começou chamando toda a turma do Plano Cruzado para compor o governo. Eu não gostava da turma do Cruzado que não só levara o país para a hiperinflação como destruíra a retomada do crescimento econômico brasileiro que se reiniciara na partir da intervenção do FMI em 1983, com a desvalorização do cruzeiro em fevereiro de 1983.


Este sentimento de despreocupação perdurou até que ele chamou o G. Henrique de Barroso F. Ora, uns dois anos antes eu havia lido um artigo de G. Henrique de Barroso F. em que ele mostrava que as grandes hiperinflações que existiram na Europa central no segundo quartel do século XX só puderam ser combatidas quando se elevaram as receitas públicas. Então eu pensei um demagogo com a ajuda de G. Henrique de Barroso F. vai ser bom para o Brasil porque vai acabar com a inflação, mas vai ser ruim porque vai ensinar tudo errado para a população. Na campanha de 1994, Fernando Henrique Cardoso prometeu diminuir os impostos. Um pecado de tamanho incomensurável. Com a eleição garantida Fernando Henrique Cardoso deveria aproveitar para instruir a população. Um dos maiores feitos que ele poderia fazer seria exatamente mostrar que salvo para as pessoas que defendem interesses pessoais e pessoas sem informação suficiente sobre o assunto, a elevada carga tributária é o que de melhor pode ocorrer para um país.


E não foi só sob o aspecto de informação que Fernando Henrique Cardoso foi prejudicial ao Brasil. O pior foi que para garantir a eleição e depois aprovar a emenda da reeleição e depois se reeleger o governo não fez tudo que era necessário para dar um pouco de lógica ao plano Real e assim não aumentou a carga tributária de modo mais acentuado (O aumento só veio ocorrer depois da eleição de 1998). E por não ter feito o que era preciso foi preciso que G. Henrique de Barroso F. segurasse o Plano Real com o dólar via juros elevados. E todos os problemas que o Brasil possui hoje é fruto da dívida pública que foi criada para resolver não se ter utilizado da carga tributária com muito mais força.


Agora, foi o aumento da receita que melhorou a distribuição de renda no Brasil. Então como para garantir que o Plano Real não afundasse foi necessário aumentar a carga tributária, pode-se dizer que o Plano Real melhorou a distribuição de renda no Brasil. Alguns dizem que foi a queda da inflação que produziu a melhoria da distribuição de renda. Bem primeiro a queda da inflação precisou que se aumentasse a carga tributária e assim não se pode falar de um sem se referir ao outro. E hoje se sabe que para se reduzir a inflação é preciso que, caso não se utilize da carga tributária, que se aumente exponencialmente o juro. Assim, nos países de baixa taxa de inflação e com desemprego elevado, os mais favorecidos são os rentista. Então não foi tanto a redução de inflação que melhorou a distribuição de renda.


Ressalte que no caso brasileiro uma parte da melhora na distribuição de renda foi decorrente da queda da inflação. No Brasil, um país de muita terra, com a inflação alta a terra fica supervalorizada, pois ela funciona como reserva de valor (Quem compra terra não erra, diz o ditado). Supervalorizada, a terra aumenta o custo da produção agrícola e assim os produtos da cesta básica tem um preço elevado. E que se ressalte também que no longo prazo, entretanto, este prejuízo da camada mais pobre é recompensada se houver pleno emprego porque eles vão lutar com mais força para obter um aumento do salário que compense este aumento de preços nos alimentos.


Assim, pode ficar certo, a idéia de combater o aumento da carga tributária conta com o apoio de dois grupos muito fortes: à direita e à esquerda. À esquerda apenas se coloca aquela que não foi informada corretamente sobre o significado e efeitos da carga tributária. E à direita deve-se excluir também a direita que não é bem informada sobre o Estado. A direita bem informação sabe que o capitalismo só sobrevive com o Estado e quando mais forte o Estado melhor para o capitalismo e nada mais bem mede a força do Estado do que a sua carga tributária.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 07/07/2014

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Sem entrar em detalhes acho o plano Real pavoroso

Sem pé, nem cabeça.

Feito unicamente para atender interesses pessoais e eleitoreiros, no mais puro estilo patrimonialista histórico brasileiro.

Mal ajambrado, sem coerência interna, unicidade e rigidez estrutural deu no que deu. Uma colcha de retalhos em emendas para corrigir distorções enquanto a banda toca.

Fora os picaretas, que tendo oportunidades de enriquecimento fácil, se refestelaram na grana do povo e da nação.

Qualquer advogado tributarista da época sabia que TODAS as defesas fiscais estavam em cima da depreciação do valor devido, com o fim abrupto da inflação, quebrou todo mundo, estado e particulares, que ficaram nas mãos dos açambarcadores, crime lesa pátria, na minha humilde opinião.

Não é à toa que até hoje o parque industrial brasileiro não se recompos, nem irá, pois a fila dos que não se beneficiaram com as falcatruas contra o Brasil ainda é grande e não para de aumentar.

Dilma, acorda!

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Follow the money, follow the power.

Bom o post que ainda assim peca pela omissão

Clever Mendes de Oliveira

 


Luis Nassif,


Foram feitos muitos elogios a este seu post “Os vinte anos do Plano Real” de quarta-feira, 02/07/2014 às 06:00 e os elogios foram merecidos. Assim, não vou dizer que eu não concorde com os elogios, mas não resisto de aqui e ali ver a falta do que não foi dito.


Não há no texto o muito óbvio que eu, de tanto dizer, já até adquiri o vício de o dizer sempre e assim não vou deixar de dizer aqui. O Plano Real foi feito para acabar com a inflação de uma vez em época de eleição, para garantir a vitória de um candidato que não tinha sido sequer presidente de um grêmio recreativo na juventude onde tivesse aprendido a pegar mais jeito com a atividade de chefe de executivo. Não parece ser muito importante a frase, mas quase todos os problemas do Plano Real vieram do fato do plano ser feito para acabar com a inflação de uma vez, e por ter sido feito em ano eleitoral e para garantir a eleição de uma candidatura.


Eu sou muito crítico do Plano Real e além de me faltar conhecimento e arte em economia talvez este viés de crítico do Plano Real desde o seu nascedouro reduzam muito o alcance das minhas críticas. Aqui primeiro eu lembro de uma crítica que eu fazia ao Plano Real antes de ele ser executado. Eu dizia que se o Plano der certo (acabar com a inflação) ele será ruim para o Brasil (Iria gerar problemas no Balanço de Pagamentos) e se der errado e a inflação voltar ele vai ser bom para o Brasil.


E segundo eu lembro de deixar uma opinião sem o viés crítico que eu tenho e carente de conhecimento econômico. Assim eu deixo o link para o artigo “As originalidades e o pragmatismo do Plano Real” de autoria da economista do BNDES e professora de economia brasileira o IBMEC/RJ Lavínia Barros de Castro e publicado no Valor Econômico de terça-feira, 01/07/2014. O artigo “As originalidades e o pragmatismo do Plano Real” pode ser visto no endereço do jornal Valor Econômico mas ele só será disponibilizado na íntegra para os assinantes do jornal. Vou deixar também um link para o site Bureaux Jurídicos Associados de Ricardo Alfonsin Advogados onde o artigo está disponível, mas em geral não se pode garantir a manutenção do artigo no site ou do próprio site. Assim no site do jornal Valor Econômico o endereço do artigo “As originalidades e o pragmatismo do Plano Real” é:


http://www.valor.com.br/opiniao/3599786/originalidades-e-o-pragmatismo-do-plano-real#ixzz36Dl2iaYP


E no site Bureaux Jurídicos Associados de Ricardo Alfonsin Advogados o artigo “As originalidades e o pragmatismo do Plano Real” pode ser visto no seguinte endereço:


http://alfonsin.com.br/as-originalidades-e-o-pragmatismo-do-plano-real/


O artigo pareceu-me suficientemente racional e fundado em bom conhecimento econômico para que possa ser bem aproveitado como instrumento de análise do Plano Real. Ainda assim, creio que ele também omitiu duas ou três questões que precisam ser consideradas sobre o Plano Real. Como são questões que a meu ver são também omitidas no seu comentário eu deixo para falar delas fazendo referência a este seu post “Os vinte anos do Plano Real”.


Há que distinguir as pessoas no Plano Real. No post “20 anos do "Plano Real" e 7 anos de "Os Cabeças-de-Planilha"” de quarta-feira, 02/07/2014 às 21:17, aqui no seu blog com texto de Fábio de Oliveira Ribeiro em que ele transcreve resenha que ele fizera para o seu livro “Os Cabeças de Planilha” há um pouco de dimensionamento das personalidades dessas pessoas.


Trecho interessante na resenha dele diz respeito a qualificação de Andre Lara Resende, Pérsio Arida e G. Henrique de Barroso F. e que de certo modo estiveram bem envolvidas com o real. Reproduzo o trecho seguinte em que ele transcreve três parágrafos do seu livro:


“Pérsio Arida era eminentemente técnico, via o plano como uma revanche do Cruzado e se preocupava com sua consistência. Só depois que saiu do governo se envolveu com o mercado, enriquecendo-se como sócio do complicadíssimo banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity. A gratidão dos colegas para com ele, e o reconhecimento de que perdera a chance de enriquecer, ao contrário dos demais, foram elementos centrais nas facilidades que encontrou para mobilizar fundos de pensão que permitiram a Daniel Dantas tornar-se um dos vencedores do processo de privatização brasileiro.”


“André Lara Resende via o plano como uma forma de enriquecimento e ascensão social.”


“Gustavo Franco era o ideólogo, mas casava com brilhantismo conhecimentos históricos, teóricos e de mercado. Era um personagem mais interessante que os demais - Pérsio com seu rigor técnico, André com sua ambição de enriquecer.”


Aqui vale reprisar esta crítica frequente que faço aos seus textos e que diz respeito às omissões. Nesse sentido eu diria que talvez você precisasse dizer o seguinte. Andre Lara Resende em 1993 montou uma empresa com Luis Carlos Mendonça de Barros com capital de 7 milhões e dois anos depois em 2005, desfizeram a sociedade com o capital de 140 milhões. E dizer que a relevância dele no Plano Real é praticamente só pelo artigo que foi tido como o pai do Plano Real.


Sobre o Pérsio Arida, eu não teria nada para o chamuscar mais do que você já o queimou ao dizer que por gratidão dos colegas ele encontrara facilidades “para mobilizar fundos de pensão que permitiram a Daniel Dantas tornar-se um dos vencedores do processo de privatização brasileiro”. Não se pode deixar de lembrar que ele saiu no final do primeiro semestre de 1995, primeiro ano de governo de Fernando Henrique Cardoso ao ver que com G. Henrique de Barroso F. ele não tinha espaço.


E sobre o G. Henrique de Barroso F., eu penso que faltam dizer duas coisas. Uma explicitar que sem ele o Plano Real se desfaria. E falta dizer que ele tinha e tem o perfil mais de servidor público que os outros dois. E como tal o nome dele ficou mal colocado quando o texto era para referir ao enriquecimento rápido dos envolvidos com o Plano Real.


Embora no livro “Stress Text: Reflections on Financial Crisis” Timothy Geithner tenha elogiado o Armínio Fraga, quem agiu como ele no momento necessário foi mais o G. Henrique de Barroso F. De certo modo, o PROER, que foi uma criação de G. Henrique de Barroso F. está mais próximo do trecho que transcrevo a seguir do artigo “Desarmemos a máquina apocalíptica de Martin Wolf e que foi publicada no Valor Econômico de quarta-feira, 28/05/2014 e que trata da atuação de Timothy Geithner para enfrentar a crise em 2009. Este artigo pode ser visto no blog de Luis Carlos Bresser Pereira no seguinte endereço:


http://www.bresserpereira.org.br/terceiros/2014/maio/14.05.m%C3%A1quina_apocal%C3%ADptica.pdf


Diz lá Martin Wolf em um trecho que eu acho precioso:


“Geithner argumenta não apenas que as crises certamente se repetem, mas que os governos precisam reagir com força avassaladora. A única maneira de deter uma crise é extirpar as circunstâncias que emprestam racionalidade ao pânico. Isso significa que o governo precisa tomar mais empréstimos, gastar mais e expor os contribuintes a mais risco de curto prazo -­‐ "mesmo se isso parecer uma recompensa à incompetência e à corrupção, mesmo se alimentar percepções de um governo tirânico, perdulário, explorador, emissor exagerado de dinheiro e alucinado por operações de socorro". É uma reafirmação explícita de um ponto de vista impopular”.


Como Gustavo Franco, que não era alguém do mercado, Timothy Geithner não era alguém de Wall Street, como ele diz na passagem a seguir transcrita do artigo de Martin Wolf “Lunch with th FT: Tim Geithner” publicado no Financial Times em 15/05/2014 às 7:28 pm:


“Most people thought I came from Wall Street, . . . I did public service my entire professional life and I loved it”.


Outro ponto que eu gosto de mencionar nas comemorações de aniversário do Real diz respeito a uma fala sua ou na TV Cultura ou na TV Bandeirantes em que você acusava os técnicos da FGV de vingança contra o governo porque o governo não fornecia os recursos que haviam sido prometidos para a instituição. E a vingança dos técnicos consistiria em calcular a inflação de julho com o resíduo inflacionário que diga-se de passagem a Lei do Plano Real mandava que fosse desconsiderado. Ali você disse mais do que se deveria dizer. A experiência da Fundação Getúlio Vargas no cálculo da inflação era suficiente para que qualquer um com um mínimo de conhecimento e que se dispusesse a analisar a exclusão do resíduo inflacionário considerasse a exclusão como absolutamente equivocada. E diga-se de passagem que a cláusula era benéfica para o setor público pois a correção da dívida pública com base nos índices da FGV (IGP/IGPM) iria ficar menor.


Para entender porque a exclusão do resíduo inflacionário não era uma medida correta é só imaginar duas possibilidades em que não houvesse o Plano Real. Em uma, por vontade superior, a partir do dia primeiro do mês de julho de 1994, todos os preços se estabilizassem sem sofrer nenhum aumento. Pela metodologia de cálculo de inflação mesmo tendo ocorrido a estabilização geral dos preços desde o dia primeiro, constatar-se-ia no fim do mês de julho que a inflação medida seria diferente de zero. Dependendo da metodologia empregada, da data de coleta dos dados, da tendência anterior da inflação (Ou de aumento ou de diminuição) etc. se se tivesse uma inflação de 40 % no mês anterior, no mês de junho haveria uma inflação residual bem próxima de 20%. Não se trata de uma inflação inventada, mas de uma inflação que realmente existiu.


A existência da inflação residual pode ser percebida em uma segunda possibilidade de combate a inflação em que não se entraria com o "Deus Ex Machina" e a inflação seria seria reduzida paulatinamente. Neste caso quando a inflação chegasse a zero, em cada índice anterior de inflação haveria uma parte do resíduo inflacionário.


Um terceiro aspecto que eu comentaria diz respeito a elevação da dívida pública com o Plano Real. Você parece até tratar desse problema quando diz o seguinte:


“Essa armadilha levou o BC a manter por tempo indeterminado a apreciação do real e a segurar a crise das contas externas com as mais altas taxas de juros do mundo. Como conseqüência, matou o mercado de consumo pujante que estava se formando com o fim da inflação; e gerou a maior dívida pública da história, que seguraria o crescimento brasileiro por toda a década seguinte”.


O problema não é tanto o fato de a dívida pública ser a maior da história. O grande problema causado pelo real foi o aumento da dívida pública de curto prazo. É ela que realmente pressiona a inflação. Aliás, quem entende bem disto é o G. Henrique de Barroso F. Sobre este conhecimento de G. Henrique de Barroso F. eu vou transcrever aqui um trecho de um comentário meu enviado quinta-feira, 22/03/2012 às 13:11, para junto do comentário de Alexandre Weber - Santos –SP enviado quarta-feira, 21/03/2012 às 17:01, lá no post “Os limites da queda da taxa Selic” de quarta-feira, 21/03/2012 às 16:00, aqui no seu blog e originado de comentário de Roberto São Paulo – SP - 2014 e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://ggnnoticias.com.br/blog/luisnassif/os-limites-da-queda-da-taxa-selic


Deixei o link para o post porque o meu comentário é bem extenso e com muitos links úteis para ajudar a mais bem compreender o Plano Real. A parte, entretanto, que eu transcreverei a seguir diz respeito a explicação para o fato de os juros serem altos no Brasil. E no trecho eu digo o seguinte:


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


"E a segunda condicionante é a razão para que no Brasil os juros sejam altos para se ter uma inflação baixa (E na verdade nem tão baixa assim.). Quem melhor sistematizou essa razão, encontrando na verdade cinco razões foram José Luis Oreiro e Flávio A. C. Basilio no ótimo artigo “Por uma redução permanente da Selic” e que se acha na página 14 do caderno A do Valor Econômico de terça-feira, 29/11/2011. Este artigo foi transcrito por AISC em comentário enviado quinta-feira, 01/12/2011 às 17:16, aqui no blog de Luis Nassif para o post “Movimentos incompreensíveis da Fazenda” e para o qual já deixei o link em passagem anterior deste meu comentário.


Dentre as razões que José Luis Oreiro e Flávio A. C. Basilio apresentam a que eu considero mais relevante é o grande valor da dívida pública rolada no curto prazo. Já me havia estendido sobre isso em comentários que eu fiz para JB Costa junto ao post “Gustavo Franco e a crise global” de segunda-feira, 08/08/2011 às 13:03 aqui no blog de Luis Nassif e originado de comentário de JB Costa, trazendo entrevista de G. Henrique de Barroso F. à Eleonora de Lucena na Folha de S. Paulo na seção “Entrevista da 2ª” e intitulada “Entrevista da 2ª Gustavo Franco” com o subtítulo “Exaustão fiscal global está na origem de turbulência”. Os meus comentários para JB Costa encontram-se na segunda e terceira página do post “Gustavo Franco e a crise global” e assim eu deixo o link para a segunda página como se vê a seguir:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/gustavo-franco-e-a-crise-global?page=1


Nos comentários eu menciono outras entrevistas de G. Henrique de Barroso F. em que ele aponta para o problema da elevada dívida de curto prazo do Brasil e em especial eu faço referência à reportagem que saiu na Folha de S. Paulo, de 15/06/2011, com o seguinte título "Estatística subestima deficit público, diz ex-presidente do BC". A reportagem pode ser vista no índice geral da Folha de São Paulo, ainda que seja só para assinantes:


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde15062011.htm


Nos comentários eu menciono outras entrevistas de G. Henrique de Barroso F. em que ele aponta para o problema da elevada dívida de curto prazo do Brasil e em especial eu faço referência à reportagem que saiu na Folha de S. Paulo, de 15/06/2011, com o seguinte título "Estatística subestima deficit público, diz ex-presidente do BC". A reportagem pode ser vista no índice geral da Folha de São Paulo, ainda que seja só para assinantes:


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde15062011.htm


E a reportagem pode ser vista também na internet junto ao portal Clipping da Diretoria de Comunicação e Desenvolvimento – VICOM, em matéria de15/06/2011, embora nesse caso eu não sei se o link seja permanente:


http://www.anabb.org.br/novoSite/clipping/Clipping15062011.htm


Na reportagem do jornal Folha de S. Paulo, G. Henrique de Barroso F. alega que o déficit público deve considerar a rolagem da dívida de curto prazo e isso não é feito no Brasil. Se se considerar a rolagem da dívida de curto prazo, o déficit público no Brasil é muito alto e esta seria a razão de as taxas de juros no Brasil serem altas.


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A pertinência de se destacar a relevância da dívida de curto prazo na necessidade de manter os juros altos se deve a estreita relação que há entre o Plano Real e o volume da dívida de curto prazo no Brasil. Esta relação torna-se visível quando se analisa a alternativa de se acabar com a inflação de uma vez comparada com a alternativa de se combater a inflação paulatinamente. No segundo caso há interesse em emprestar hoje com um juro menor em um prazo bem longo, pois se sabe que lá na frente a inflação será pequena e os juros vão decrescer. Enquanto que quando se acaba com a inflação de uma vez há a expectativa que a inflação no futuro vai aumentar assim é melhor emprestar no curto prazo, pois mais à frente os juros terão que ser aumentados. Assim ao acabar com a inflação paulatinamente há mais espaço para se ter uma dívida pública de longo prazo. Já quando se acaba com a inflação de uma vez, a dívida maior que se forma é dívida de curto prazo. E esta dívida pressiona a inflação toda a vez que os juros caem.


Outra coisa que tanto a Lavínia Barros de Castro como você não fazem referência diz respeito à necessidade de se aprovar a emenda da reeleição contando com o apoio popular para pressionar o Congresso Nacional. E mais à frente, a necessidade de manter as condições de estabilidade de tal modo que a emenda da reeleição pudesse servir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. De certo modo o projeto de reeleição inviabilizou qualquer correção de rumo do Plano Real.


Há mais problemas com o Plano Real, que foram omitidos, mas prefiro encerrar este comentário fazendo menção a uma grande qualidade do Plano Real. Com habilidade, PT e PSDB conseguiram afastar da disputa presidencial as pessoas de direita e os aventureiros que existem de sobra nos regimes democráticos e sempre com muita chance de alcançar a presidência.


E eu não vejo muita razão para essas omissões. Talvez sobre como alegação para justificar o muito que foi omitido dizer que elas são sobejamente conhecidas não sendo explicitadas apenas para não se alongar no texto.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 02/07/2014

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Pequena correção ao que eu disse acima

Clever Mendes de Oliveira

 


Luis Nassif,


Ao elaborar meu comentário anterior para você eu precisei copiar um trecho de um comentário meu mais antigo e o copiei em dois momentos. Primeiro copiei só uma parte do trecho sobre o qual eu tive interesse em reproduzir e depois vendo que a parte copiada era insuficiente votei a copiar uma parte maior, mas não colei sobre o que já havia copiado e assim um parágrafo ficou em duplicação e também um link.


E outra correção que menciono aqui diz respeito sobre o parágrafo final em que eu disse:


E eu não vejo muita razão para essas omissões. Talvez sobre como alegação para justificar o muito que foi omitido dizer que elas são sobejamente conhecidas não sendo explicitadas apenas para não se alongar no texto”.


Ficou parecendo que eu fazia menção a omissões que eu cometi em meu comentário. Embora eu não tenha mencionado muita coisa que eu gosto de falar quando comento sobre o Plano Real, o parágrafo era mais para referir-se ao seu texto. Assim, o que eu queria dizer é o seguinte:


E eu não vejo muita razão para as omissões de fatos relevantes relativamente ao Plano Real que você não fez questão de divulgar neste post. Talvez sobre como alegação para justificar o muito que foi omitido dizer que elas são sobejamente conhecidas não sendo explicitadas apenas para não se alongar no texto”.


Penso que pontos que em meu entendimento foram omitidos deveriam ser destacados para que o Plano Real fosse mais bem compreendido pela população. O que você divulgou talvez tenha tornado uma turma aqui e outra acolá um pouco mais rico, mas isto é ainda muito pouco aos efeitos do Plano Real em toda a sociedade brasileira. E é um direito da população ser bem informada.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 07/07/2014

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Muito bem contado, Nassif.

alcarpinteiro

Muito bem contado, Nassif. Mas os políticos do PSDB foram estúpidos nas mãos dos economistas, ou foram cúmplices? Nenhuma das opções é boa.

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Pena que na ciencia economica

armandolo

Pena que na ciencia economica nao ha possibilidade de testar-se  hipoteses diferentes ao mesmo tempo. Eh muito facil ser engenheiro de obras prontas. Seria etico ?

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Brilhante

Antonio Passos

Só faltou esclarecer até que ponto o confisco de Collor ajudou na criação do Real e quanto do sucesso inicial do Real foi devido aos novos ares e interesses do sistema financeiro internacional.

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Os pais  do Real têm algo em

Os pais  do Real têm algo em comum: estão  ricos.Não!. Bilionários!

Lara  Resende botou   500mi de dólares,montou  um banco,vendeu,foi praticar seu hobby  no Reino Unido,":carros de corrida";cada um dos atores   tem uma  história milionária. Vê-se ,que Ruy Barbosa  fez  escola e o encilhamento da economia ocorreu por três vezes  sob a tutela  de FHC. Fora o  que se  volatilizou com as privatizações,materializadas posteriormente,nas contas dos grandes  nomes que  gravitam até hoje  em torno de  Daniel Dantas e daquela  próspera família  de políticos cearenses,os" La Fonte".....

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snaporaz

(Sem título)

Marcelo F. Campos

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O Video prova que Lula sabia o que falava.

O plano se tornou um engodo, colocou o país na pior recessão desde que nasci, quebrou milhares de empresas, diminuiu os salários, retirou direitos trabalhistas e dos aposentados.

O país no médio e longo prazo estava indo a falência, falência não, faliu por 3 vezes e tivemos de correr ao FMI para pegar dinheiro emprestado. A divida publica esplodiu, estagnou toda a infraestrutura do país. Para quem viveu sabe o tamanho do estrago. Isto sem falar das estatais privatizadas pelo PSDB para arcar com o rombo que abriram nas contas do país.

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Tudo por um país melhor!

Glad to be Grey!

fabricio coyote

Eu, ignoto, pensei que fosse plátio:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Real_(moeda_portuguesa)

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Excelente.

Texto excelente do Nassif. Acessível a qualquer pessoal alfabetizada. A verdade sempre causa estragos, essa faz um retrato fiel do período do PSDB no poder e seu maior legado o plano real. Infelizmente os tucanos estão vindo de novo com o mesmo esquema.

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Franklin.

Parabéns, felicidades; muitos anos de vida !!!!!

E acho que ainda vamos ver Aécio comemorando os vinte anos da criação do Real por Fernando Henrique em seu programa eleitoral. E a tucanada que me cerca vai novamente dizer que "graças ao super gênio do plano Real, os petralhas puderam fazer o seu pão e circo". E sobre esse assunto, não ha argumento que os demova.

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20 anos do real

Sr Nassif, ops!...

Contou muito bem, já favoritei.

***

Paraquedistas vão continuar chegando. Estão de olho.

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“Contra ratos não há argumentos.” (Palmério Dória)

Vergonha

Nassif,

Que vergonha esse texto, parece com o do Paulo moreira leite comparando os índices de inflação do governo FHC com os de Dilma e Lula, pura falsidade intelectual.

Por favor pare com esse mimimimi que o blog é independente... até quando vc faz qualquer crítica ao atual governo sempre tem uma observação...um  comentário para depreciar os antigos governos.

Fazendo isso vc se torna igual a mídia que tanto critica...  

 

 

 

 

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Realmente, não há como

alcarpinteiro

Realmente, não há como comparar os índices de inflação de FHC com os de Lula/Dilma. Aqueles eram maiores e com viés de alta, ahahahahahah

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Criticar antigos

Brasileiro aguerrido

Criticar antigos governos?

Desculpe, mas iria elogiar o que? Os 40 milhões de desempregados deixados pra trás por FHC como se não existissem?

O aumento da dívida interna de 60 bilhões para 600 bilhões?

12 Milhões de desempregados "privilegiados" pelo plano Real?

Aumento de carga tributária de 25% para 36% devido À fúria arrecadatória do PSDB?

Ora francamente.

Falar a a verdade é deixar de ser independente?  O Blog do Nassif está de parabéns por trazer à memória do povo estes fatos verdadeiros em ano de eleição.

 

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Hã?

Nossa que comentário mais cheio de adjetivos e nenhum dado ou fato concreto... Isso poderia ser chamado de, "o seu mimimi"?

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Ainda falta...

Nassif, notei que daquela turminha que sempre comparece toda vez que você "mexe" no ninho tucano, ainda falta aquele que vai ressaltar o "ódio"... Sabe aquela conversinha mais que furada do "ódio petista" para justificar as sarrafadas do tipo PM paulista? Aguardemos, rs.

Um abraço.

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Os Vinte Anos do Plano Real

vicente mascarenhas

Que o articulista tenha uma tendencia clara, e o Luiz Nassif tem tem, não vejo problema e até mesmo acho positivo.

Criticar os erros das ações governamentais e dos planos economicos, até mesmo porque todos tem equivocos, e com o distanciamento de 20 anos, conhecendo se todos os efeitos negativos e positivos fica muito mais facil estudar e tecer as críticas.

Mas o artigo de hoje, é de um cinismo e tenta desconstextualizar os fatos de tal forma, que chego a duvidar que tenha sido o redator desta coluna e não um jovem de esquerda, semi analfabeto e disposto somente a lançar lama na honra alheia sem apontar fundamenar as acusações.

Segurar a apreciação do real por tanto tempo, foi sim um erro. Não promover a reforma tributária dentro do mesmo plano foi outro erro. Que ninguem é santo e que o mercado financeiro aposta nos desequilibrios e nas arbitragens para tentar obter ganhos que as vezes transformam se em perdas, o que pejorativamente colocamos como especulação, ocorre e é do jogo todos sabemos.

Mas o que lemos neste artigo é algo absurdo e insano.

Os sentimentos e os partidarismos não podem re escrever os fatos e a historia.

Lamentável.

Vicente Mascarenhas

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Ué...

Prezado, mas se o Nassif fala sobre esses erros desde 1999... O que acha? A única novidade neste texto, é escancarar o que já se sabia "na moita". Que os brasileiros trabalhavam para o enriquecimento de uns poucos, enquanto o povão ficava com arrocho salarial...

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Desde 1994

Desde 1994

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Uia!

Uia! Eu só lembro de depois... Por isso nunca prescindo do seu blog, sempre concordo muito mais do que discordo, e sinto que você traduz muito do que penso, mas muitas vezes não consigo escrever... 

Um abraço.

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Ondas Globais

Logo da onda de golpes militares, e depois que arrebentaram com países do terceiro mundo com os petrodólares, na década de 70, quando explodiu a divida externa de todos esses países, foi criado um consenso, em Washington, sobre a forma de voltar por cima e continuar dominando os países de terceiro mundo.

O plano econômico tutelado pelos EUA foi colocado embaixo do braço, de pessoas ou de partidos políticos - chave, para turbinar o eventual sucesso econômico em favor desses partidos (FHC capitalizou). A nova estabilidade econômica que passou por Argentina, Chile, Peru e também Brasil, conseguiu frear a hiperinflação em todos esses países, mas capitalizou essa estabilidade em favor da economia padrão global, não necessariamente em favor dos povos envolvidos. Isso tinha que explodir algum dia.

Brasil respeitou e continuou a lógica técnica do plano, mas direcionou os frutos em favor da população, criando uma estabilidade diferente, com base na renda nacional, que significou um grande sucesso perante a queda do “sonho” de estabilidade e crescimento que o restante do mundo achou iria conseguir ficando omissos e vulneráveis às ondas globais.

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O impressionante do texto é a

Antonio Barbosa

O impressionante do texto é a polêmica gerada, uma vez que o mesmo é uma caricatura mal costurada e bem azeda do que significou a grande virada do plano real. Há jornalistas tão tendenciosos que somente conseguem ver o caos dentro do jardim do Éden. Santa hipocrisia julgar que só existem honestos no Brasil e principalmente no governo. Seja PT, PSDB ou qualquer que seja o partido, sempre houve e sempre haverá gente desonesta; pessoas que se aproveitam do momento para lucrar. Foi assim em todos os planos e só não houve no governo Lula e Dilma porque eles não entendem nada de economia, e assim, continuam com o plano real como sustentáculo de seu fatídico governo. Lula não ganhou em 2002 porque o plano real vazou, isto é uma besteira enorme. Lula ganhou porque a CLASSE MÉDIA, leiam bem, a CLASSE MÉDIA, a mesma que Marilena Chauí odeia, se cansou de FHC e dos pilares malditos do plano, a saber: carga tributária escorchante, impostos de renda absurdo, políticos corruptos, e um custo de vida altíssimo. Além de criar a passagem de ano direta para justificar para ONU a evasão escolar, tendo o ensino público uma nefasta reunião de bandidos mirins e traficantes. Quem como eu que desejava estudar os filhos gastava rios de dinheiro para mantê-los em escolas particulares e usava 50% dos ganhos com educação. Um absurdo necessário. Tudo isso nos levou a acreditar no maior enganador da história, Lula, que, aprendendo com Duda Mendonça a dizer o que o povo queria ouvir, prometeu mudar tudo isso e assim ganhou a confiança do povo que votou nele. Bem que meu sogro me avisou, mas eu estava cansado de pagar tanto imposto e não ter retorno de nada e não lhe dei ouvidos. Paguei o preço. Lula enganou a todos e manteve o Plano Real aprofundando a crise e distribuindo o dinheiro dos trabalhadores para criar o maior curral eleitoral da história do Brasil, curral este que ele mesmo criticava ao dizer que o povo deveria votar com a consciência e não com o estômago. Odiava Maluf e hoje dorme na cama dele.  O plano REAL trouxe a ampliação do poder de compra da população, aumento do consumo, aumento da produção e como consequência do emprego, mas cobrou alto demais o desfacelamento da "odiada" classe média que deu o troco nas urnas. Assim será novamente, o troco virá contra Dilma e contra o PT, que era a grande esperança de um Brasil para todos e se tornou um Brasil para TOLOS.

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Rapidinho...

O Plano Real morreu em 01 de janeiro de 1998... Tolo e ignorante é quem não sabe disso... A "estabilidade" se manteve, mas não havia cultura econômica fora do rentismo, e Serra perdeu a eleição por causa do segundo governo de FHC (e também por "mérito" próprio).

O governo petista aproveitou a "estabilidade", mas a orientação geral da economia percorreu caminhos que jamais seriam trilhados pelos tucanos. Basta ver as palavras sobre economia ditas nesses últimos 12 anos por Serra, Aécio, Armínio Fraga, a Casa das Garças, etc...

Quanto a essa coleção de "dados" sobre juros, taxa tributária, dívidas, e educação são apenas mentiras que não resistem a uma pesquisa no Google. Não me provoque vergonha alheia!

 

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

A quadrilha quer voltar

"Em 2002 Lula foi eleito, o PSDB alijado do poder e, já extremamente ricos, os economistas do Real trataram de procurar outros barcos para remar.
Vinte anos depois, o PSDB serve de novo de mula para o retorno dos financistas que liquidaram com o partido."
==========================================================
E não satisfeitos com o produto do saque aos cofres do país, no governo FHC, apostam na possibilidade de retornarem ao Poder com o Aécio, e concluírem a segunda parte do plano: Entregar a Petrobrás (Pré Sal) e as estatais, ao capital internacional.

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A introdução já disse tudo.

boa festa

A introdução já disse tudo. Apenas tudo foi para criar algumas fortunas. A inflação em si nem era mais problema, todo pobre já estava acostumado e sabia conviver muito bem com isso. Os ricos é que eram os prejudicados e por isso ....

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Nossa. Que artigo

Rodrigo C Moreira

Nossa. Que artigo ressentido.

Eu gostaria de saber qual seria a alternativa: outro confisco? Outro plano maluco? Mais indexação? Mais gatilho?

Me parece que a imprensa governista está determinada a fazer tudo para defender o atual Governo. Inclusive dinamitar o Real, uma conquista inquestionável da nossa sociedade. Hoje (ainda) emos uma moeda estável por conta do Plano Real, que foi, como todos sabemos, sabotado pelo PT.

O PT, no entanto, surfou muito bem na onda da estabilidade criada pelo Plano Real.

Esse artigo me deixa muito triste. Parece fruto de ressentimento e tem o claro objetivo de relativizar esta conquista importantíssima. Seria muito mais republicano reconhecer os méritos do Programa, assim como é Republicano demandar o reconhecimento pelos méritos dos programas sociais do PT.

O Governo está destruindo os pilares da nossa economia. Está nos isolando mais do mundo externo. A toda hora vejo defesas insistentes do aumento do câmbio, que apenas nos isolará mais e mais, apenas com o intento de beneficiar a indústria de commodities.

Vejo todo dia a condenação da iniciativa privada e do empreendedorismo autônomos. Só vale o empreendedorismo tutelado pelo Estado. Só vale a iniciativa do Estado. Só vale o que o Estado faz, o que vem do Estado.

Parece que o desejo é de que, no final, sejamos todos funcionários públicos, ganhando o mesmo salário, sem perspectiva de crescimento e sem possibilidade de ascensão e dependendo de greves para ter ganhos de renda.

Parece que o desejo é de que sejamos todos iguais, mas igualmente pobres e isolados do resto do mundo.

Trata-se da evidente defesa do Capitalismo do Estado, este que vem se aprofundando no Governo Dilma. É um tipo grotesco de Capitalismo, em que o Estado decide quem cresce, quem ganha e quem perde. 

O Governo virou um muro de lamentações de "empresários" representantes de uma indústria improdutiva. Nossos impostos vem servindo para subsidiar empresas "escolhidas" pelo toque de Midas de meia dúzia de burocratas que se acham capazes de escolher quem deve prosperar. É um verdadeiro "ritual do beija-mão", bem como ocorria aos tempos de D. João VI.

É isso que devemos comemorar? É isso que os governistas preferem?

Me desculpe, mas usar o Plano Real para supor que foi apenas um meio de enriquecer estes economistas é um acinte. Eles enriqueceram sim. E qual o problema? Qual o problema em enriquecer? Se não fizeram isso roubando dinheiro do contribuinte, o que tem de errado?

Qual seria o certo? Vender tráfico de influência, vendendo prioridade na fila do "beija-mão", como fazem os "consultores" que vivem em torno do Governo?

É isso que é melhor?

Enfim. É interessante verificar que, a cada dia que passa, me distancio mais da linha deste blog. Já não concordava com muita coisa, mas respeitava o tom prudente que costumava ser adotado.

Mas ultimamente este blog virou uma trincheira governista. Virou caixa de ressonância das políticas do Governo.

É uma pena.

Mas sigamos. E que o Real vive forte, pois dependemos de uma moeda estável para poder planejar a vida.

E vocês vão perder. Vão perder. 

 

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Nossa que comentário mais

sem nexo!

O autor deve ter problemas graves com compreensão de texto.

Ou acha que vai ganhar um pedaço dos $$$ que os "economistas do real" agora banqueiros fizeram com o nosso... 

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Não seja ignorante,

Não seja ignorante, prezado.

Esse conjunto de críticas foi feito por mim, na coluna da Folha, no primeiro ano do Real e a partir de 2004 em colunas na Folha. Denunciei a jogada do câmbio e dos juros ainda em 1995. Toda essa briga consta de meus livros "O jornalismo dos anos 90", de 2002 e "Os cabeças de planilha", de 2005.  E não seja primário a ponto de achar que o real só seria viável com os abusos. Teria sido possível alcançar a estabilidade sem a jogada dos juros e do câmbio.

A linha desse blog é da crítica consistente, não do primarismo ideológico.

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No mais, seria possível sem

Rodrigo C Moreira

No mais, seria possível sem os abusos. Talvez. Nenhum plano é perfeito.

Mas o fato é que o plano funcionou - e o PT está, sim, tentando destruir os seus pilares.

Ontem li no Valor que o Governo Dilma pretende defender a indexação, pois isso beneficia os aposentados.

Pois muito bem. O Governo Dilma defende empobrecer a sociedade inteira via inflação apenas em benefício dos aposentados, dos funcionários públicos, dos sindicatos, enfim.

Já vimos esse filme e sabemos onde isso deságua: inflação descontrolada.

E já começou. O salário mínimo indexa a economia inteira.

Daqui a pouco inventarão um gatilho para o bolsa-família - e já sei de casos em que o padeiro da cidadezinha aumentou os preços nos mesmo 10% dados por sua majestade Dilma no 1o de maio.

O Governo Dilma está disposto a nos mandar todos para o buraco em nome de sua manutenção no poder.

É isso ou eles terão que fazer os mesmos ajustes que o PSDB fará. 

Aí eu vou querer ver. Ah, mas vou.

Na verdade, é até bom que a Dilma vença. O caldo vai entornar de tal maneira que o PT nao poderá colocar a culpa em nenhuma "herança maldita", nenhuma inimigo externo.

Nesse momento, o eleitorado vai chutar esse corja para longe, para nunca mais voltar.

 

 

 

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Não fui ignorante. Apenas

Rodrigo C Moreira

Não fui ignorante. Apenas discordo desta linha.

E mantenho minha posição de que a linha do blog tem sido cada vez mais "ressentida" na defesa do atual Governo.

Mas o atual governo vai perder. Vai perder.

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Foi de uma agressividade

Foi de uma agressividade ignorante, sim. Primeiro, por não saber que defendo essa linha crítica desde que o Real foi lançado. Nada justificava a apreciaçao intempestiva da moeda e os juros malucos. Segundo, por pegar a parte pelo todo, ignorando todas as críticas que tenho feito a Dilma.

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Ok. Reconheço que tenha sido

Rodrigo C Moreira

Ok. Reconheço que tenha sido grosseiro ao chamar o tom de ressentido. Me desculpo por isso.

Mas acho que o tom o artigo ruim, pois foca demais numa teoria da conspiração que nao sei se pode ser comprovada adequadamente. 

Muita gente enriquece depois de sair do governo. Uns por que vendem "consultoria" e outros por que são competentes. Nao sei qual foi o caso deles.

No mais, é indiscutível que o Plano foi muito bom para o país e vem nos legando 20 anos de estabilidade - acho que pela primeira vez na nossa história.

De todo modo, vi suas críticas sim. Mas nao dá para negar que a linha do blog é governista. Se nao pela Dilma, pelo "projeto" petista (que ninguém sabe exatamente qual é).

No mais, mantenho minhas observações - reiterando as desculpas pelo uso do tom "ressentido".

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Defesa do atual governo como?

Se o próprio autor do texto informa as datas referentes às críticas ao Plano Real, como você considera linha ressentida na defesa do atual governo?

E acho que você não leu as postagens do autor do blog sobre a teimosia da Dilma. 

Todos reconhecemos HOJE o valor do Plano Real. Se o PT era contra na época, o que há de errado nisso? Quem garantia que o plano ia dar certo? Tantos planos deram errado, o tiro certeiro no tigre da inflação virou confisco, os Planos Cruzados viraram boi no pasto, e por aí vai. 

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Nassif, Ótima observação! É

Pablo Rodrigo da Silva

Nassif,

Ótima observação! É por isso que este é um dos meus blogs favoritos. Aqui há material de ótima qualidade para bons debates.

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se houve algum ganho por

pepe legal

se houve algum ganho por parte dos criadores do real deveria haver uma investigação, tecnicamente o plano, inclusive com os seus efeitos colaterais, era o que de melhor poderia ser feito, quem é do ramo entende, não teria como não haver desvalorização e juros altos, dadas as condições fiscais da economia brasileira, cujas origens estão no arranjo político brasileiro.

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A campanha já está nas

Fernando de Souza Machado

A campanha já está nas ruas....

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Bom lembrar Theotonio Dos Santos

Paulo F.

 em: http://theotoniodossantos.blogspot.com.br/2010/10/carta-aberta-fernando-henrique-cardoso.htmlCarta aberta a Fernando Henrique Cardoso Meu caro Fernando,


 

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico. Esta carta assiada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta. O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você... Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.  No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS, PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. VERGONHA FERNANDO. MUITA VERGONHA. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo...te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana. Terceiro mito - Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar... Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais.  Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.  Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.  Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço 
Theotonio Dos Santos   [email protected], /theotoniodossantos.blogspot.com/ Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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O plano real pelo próprio FHC e a crítica de Bill Clinton.

No início do vídeo FHC tenta justificar o desastre do seu governo falando da crises de alguns países que foram infinitamente menores do que a crise mundial atual.

Logo aos 0: 51 segundos FHC diz que colocou a nossa taxa de juros a 30%

Bill Clinton falando do Brasil de FHC:

Aos 3:30min. "Governos tem que ter bons sistemas financeiros e honestos"

Aos 3:45min. "A verdade é que, em muitos países em desenvolvimento, governos são muito fracos". Ao final da frase ele olha em direção à FHC. (3:50min)

Aos 4:10min."Eu estive em São Paulo e Rio, duas das maiores cidades do mundo, dois lugares maravilhosos.  Mas há milhões de crianças lá que não tem nenhum futuro, a menos que suas famílias possam ter uma vida digna."

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Respondendo ao questionamento

pepe legal

Respondendo ao questionamento abaixo, sim, o governo Dilma é o primeiro a entregar (será que estou escrevendo em grego? teve um rapaz que não entendeu) juros maiores do que recebeu: início do governo Dilma, selic a 10,75%, já está a 11%, com o detalhe de que a inflação está acima da meta pelo menos uns 2% (se levarmos em conta o controle artificial de preços)..  juros é uma questão técnica, e a má gestão da presidenta Dilma na economia se reflete nestes juros... tucanos elevaram juros a 45%, era necessário, se não fosse feito o custo teria sido ainda maior.

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Puxa vida!

Nossa deu para ver a baba do cavalo dando uma de "inteligente"!

A comparação do post é sempre com o PSDB, cujo FHC entregou a selic a 19,05%. Já de Lula para Dilma era 10,66%... Confira aqui: http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS

Os juros subiram e caíram muito nesses 20 anos, mas sempre mantiveram uma média mais baixa nos governos petistas.

Quanto a questão "técnica", quer dizer que tucanos elevaram os juros por causa dos outros, fizeram o real apreciado e enriqueceram "técnicamente", por "necessidade", e Dilma eleva por causa da má gestão dela, e não por ser derrotada pelo "mercado" (o Benjamin Steinbruch "arranhou" essa questão em outro tópico hoje) .. Puxa como você é "técnico", vai ganhar o Ignóbel de economia!

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

quanta torcida, estou

pepe legal

quanta torcida, estou comparando o que cada presidente fez, e Dilma foi a única a aumentar os juros no período de 4 anos do mandado.. sim, baixou os juros de forma infantil, sem as condições fiscais necessárias.. e se os tucanos, a partir de 1 de janeiro de 2015 aumentarem, é tão somente pela má gestão da economia nos últimos 4-6 anos.

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Segue candidato!

Torcida? Claro, estou torcendo pelo seu prêmio em "economia"... Dr. "Técnico"!

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"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

PLANO REAL

RAYMOND GOODVENTURE

O INTERESSANTE EM TUDO ISSO. NAO EXISTEM BANQUEIROS E GRANDES OPERADORES DO MERCADO FINANCEIRO FILIADOS AO PT. ESSA CHURUMELA DE QUE HOUVE GANHOS PARA AS CLASSES TRABALHADORAS NAO PASSA DE FICCAO. NO GOVERNO OU DESGOVERNO DO PSDB A GRANDE ANCORA QUE SUSTENTOU O REAL FOI O DESEMPREGO E A AUSENCIA DE MEIO CIRCULANTE. O PT, APESAR DE ACHAR, COM RAZAO, QUE SE TRATAVA DE UM GOLPE VISANDO PRIVATIZAR O ESTADO, ACABOU POR CONCORDAR EM MANTER AS PREMISSAS INICIAIS DO PLANO. COM O PASSAR DO TEMPO, DEU UMA GUINADA NA DIRECAO DE FORTELECIMENTO DA RENDA INTERNA E PRIORIZOU A CRIACAO DE EMPREGOS FORMAIS E VALORIZACAO DO SALARIO MINIMO, O QUE NOS SALVOU DE UMA DEPRESSAO E MANTEM O PAIS FUNCIONANDO, MESMO EM MARCHA LENTA.

SE DEVEMOS COMEMORAR E ATRIBUIR A DURABILIDADE DA ESTABILIZACAO A UM PARTIDO, ESTE, SEM DUVIDA EH O PT. DE CRITICO PASSOU A SER O SALVADOR. O PAIS NUNCA ESTEVE MELHOR. PODEM ALGUNS ESTAREM A RECLAMAR,NAO PORQUE DEIXARAM DE GANHAR, MAS POR QUE ESTAO GANHANDO MENOS. UMA COISA EH CERTA,  A GRANDE MASSA POPULACIONAL , A MAIORIA, TEM NESTE GOVERNO UM ALIADO.  UMA VITORIA DA OPOSICAO SERIA UM REGRESSO NEGATIVO EM TODOS OS SENTIDOS.

NOS VINTE ANOS DO REAL OS PARABENS DEVEM SER DADOS AQUELES QUE INSERIRAM O POVO NO MERCADO DE CONSUMO, DOS BENS BASICOS AOS MASI DESEJADOS PELO SER HUMANO. ALIMENTOS E CASA PARA MORAR.

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Cinco estrelas

O seu comentário perdeu as cinco estrelas, por estar em CAIXA ALTA, que além de demonstrar agressividade, é desqgradavel de ler.

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