19 de junho de 2026

Governo endurece combate a bets ilegais e prevê bloqueio de recursos financeiros

Decreto transfere valores bloqueados para fundo de segurança e amplia dever de bancos e fintechs na rastreabilidade de apostas irregulares
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do Decreto nº 13.033/2026, que garante o bloqueio de recursos de operadoras irregulares de apostas. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula assinou decreto que bloqueia recursos de empresas de apostas ilegais e reforça combate ao crime organizado.
Instituições financeiras devem bloquear valores em até 24h após notificação da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Bancos terão responsabilidade solidária e podem ser notificados pela Receita por apoiar apostas ilegais.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta sexta-feira (19), um decreto que estabelece novas regras para o bloqueio de recursos financeiros de empresas de apostas de quota fixa que operam de forma irregular no país. A medida integra um pacote de reforço à regulação do setor e ao combate ao crime organizado.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

De acordo com o texto, os valores identificados como provenientes de operações ilegais deverão ser bloqueados imediatamente pelas instituições financeiras e, após conclusão do processo legal, transferidos para o Fundo Nacional de Segurança Pública e serem usados em ações de enfrentamento ao crime organizado.

O Decreto nº 13.033/2026 foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e se baseia em dispositivos aprovados no âmbito da chamada Lei Antifacção, sancionada recentemente pelo Congresso Nacional.

Bloqueio administrativo e rastreabilidade

Segundo o Ministério da Fazenda, a nova estrutura regulatória fortalece o poder de atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), que já vem monitorando o setor desde 2025.

O governo informou que, nesse período, foram solicitados bloqueios de cerca de 50 mil sites de apostas ilegais, ligados a aproximadamente 350 operadores. Essas empresas, segundo a pasta, teriam operado por meio de cerca de 37 instituições financeiras, incluindo fintechs e empresas de pagamento.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a nova regra cria um mecanismo de bloqueio administrativo imediato, com comunicação direta aos bancos e supervisão do Banco Central.

“A uma vez que a instituição financeira receber essa nova notificação, a obrigação legal passa a valer, e a instituição tem que bloquear todas as contas associadas às bets ilegais”, explicou o ministro.

Procedimento em até 24 horas

Pelo modelo estabelecido, a identificação de uma operação irregular será formalizada por meio de um auto de constatação emitido pela SPA. Após isso, instituições financeiras e de pagamento deverão bloquear valores em até 24 horas e interromper novas movimentações.

Os bancos terão ainda a obrigação de informar o cumprimento da medida em até 48 horas. O Banco Central acompanhará a execução do processo, que será regulamentado por resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

A condução dos processos administrativos ficará sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, que poderá requisitar documentos e realizar diligências durante a apuração.

Após decisão final que confirme o perdimento de bens, o caso será encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU) para judicialização. Os valores bloqueados permanecerão sob custódia judicial até o desfecho do processo.

Bancos passam a ter responsabilidade solidária

Além do decreto, o governo publicou a Portaria nº 1.766/2026, que amplia a responsabilidade tributária de instituições financeiras que derem suporte a movimentações de apostas ilegais.

Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é evitar que bancos e fintechs sirvam como intermediários para operações fora do sistema regulado.

“Caso a instituição financeira dê curso às movimentações, a Receita Federal vai notificar junto com a SPA, já atribuindo responsabilidade solidária”, afirmou Durigan.

Com isso, o governo busca aumentar a pressão sobre o sistema financeiro para impedir a circulação de recursos oriundos de plataformas não autorizadas, em um setor que se expandiu rapidamente nos últimos anos e passou a ser alvo de maior regulação estatal.

(Com Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados