20 de junho de 2026

PEC do estado mínimo e o bumerangue de Temer, por J. Carlos de Assis

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PEC do estado mínimo e o  bumerangue de Temer

por J. Carlos de Assis

Nós, desenvolvimentistas, deveríamos estar muito satisfeitos com a perspectiva de aprovação pelo Congresso da PEC 241.  O congelamento dos gastos públicos ao nível real deste ano é favorável a uma derrota fragorosa do esquema Temer-PSDB-DEM nas eleições de 2018. Ignorantes como são de economia, os ocupantes atuais do  poder não se deram conta  de que estamos na maior depressão de nossa história, e ela se agravará inexoravelmente caso não haja uma firme retomada do gasto público em 2017. Em consequência, teremos uma disputa eleitoral numa depressão cavalar, com eleitores vomitando fogo contra  o governo.

É claro que, já visualizando a derrota do esquema Temer em 2018,  eu não torço realmente pela efetivação da tragédia que representará a aprovação da 241. É que  essa aprovação não será necessária para a derrocada eleitoral do governo. Ele é depressivo sem a PEC. A sociedade brasileira passará de qualquer forma por maus bocados, e todos nós, pessoas com alguma preocupação com o bem estar público, devemos nos empenhar sinceramente em aliviar seus sofrimentos, em particular o alto desemprego. Entretanto, enquanto houver esse governo ideológico, com seu maquiavelismo de fancaria, talvez não consigamos.

O aprofundamento da depressão, mesmo sem PEC 241, é inevitável. A imprensa deu em nota de pé de página que a contração neste ano, até julho, atingiu 5,6%. Claro que, até o fim do ano, isso não reverterá. E os cortes ainda maiores de gastos públicos e de investimento governamental antecipam a continuação da contração, embora alguns economistas supõem que, por um efeito estatístico, a economia crescerá de 1 a 1,5% no próximo ano. A meu ver, não crescerá nada. Na verdade, a depressão continuará pois nenhum efeito estatístico pode reverter a queda do investimento e do gasto público que se anuncia para 2017.

Em plena depressão, ganhar as do esquema Temer-PSDB-DEM as eleições de 2018 será como tirar pirulito da boca de criança. Isso só não acontecerá se progressistas e desenvolvimentistas não se entenderem em torno de candidatos ao Executivo e ao Congresso com capacidade de restauração do sistema político brasileiro. Os partidos de esquerda, depois da ressaca eleitoral deste ano, se quiserem ajudar, deverão ficar numa posição auxiliar, não hegemônica. Precisamos do centro. Lula provavelmente não terá condições de se candidatar e alguns pré-candidatos que tem se apresentado até agora tendem a não emplacar.

O projeto que está em curso para aproveitar esse espaço político é o Movimento Brasil Agora (inicialmente denominado Aliança pelo Brasil, nome que descartamos por conveniência histórica). Seu objetivo é ancorar numa aliança universitários-trabalhadores-intelectuais-artistas-movimentos sociais uma proposta de regeneração econômica e política para o Brasil. Para isso serão realizados inicialmente dois ciclos de seminários nacionais. Um, defensivo, para evitar os efeitos da pauta-bomba do Congresso, e outro, propositivo, apresentando projetos  em quatro áreas cruciais: economia, política, defesa da soberania e políticas sociais.

O primeiro ciclo, que será levado a todas as capitais e algumas grandes cidades, começa no próximo dia 26, no Rio, com um seminário sobre a privatização fatiada da Petrobrás. Em seguida, no dia 3 de novembro, será a vez de um seminário em Brasília, sobre a 431. Em ambos os casos, o objetivo é destacar uma síntese dos seminários para levar aos senadores, a fim de apresentar-lhes opinião de parte relevante da sociedade civil sobre temas relevantes que estão entrando na pauta do Senado, confiando na capacidade deste de ao menos evitar a aprovação de PECs com notável agressão do interesse público. Ah, e os candidato para 2018? Como entendemos,  sairá do Movimento.

Qual o risco que nós, como toda a sociedade, corremos? É o risco do desespero social, do ódio diante de medidas injustas e agressivas dos três poderes, notadamente do Judiciário; do avanço das classes dominantes, com a cumplicidade do governo, sobre direitos sociais; da indiferença das elites dirigentes diante da degradação econômica. Isso pode gerar protestos e convulsões sociais, às quais o governo, já preparado para a hipótese, reagirá com Estado de Defesa levando a uma ditadura civil, com “legítimo” apoio militar. O que viria depois é impossível prever. Portanto, por mais injuriados que estejamos, por mais revoltados, calma. Acertaremos todas as contas em 2018, em eleições, com provável neutralidade militar.

J. Carlos de Assis – Jornalista, economista, professor, doutor em Engenharia de Produção, e um dos coordenadores do Movimento Brasil Agora.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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12 Comentários
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  1. Marcelo33

    17 de outubro de 2016 10:35 am

    A aprovação da PEC 241 ão

    A aprovação da PEC 241 ão garante a derrota de DEM-PSDB-PMDB simplesmente pq os seus efeitos só serão sentidos dentro de alguns anos. E mesmo que garanta essa derrota, uma vitória da esquerda com essa PEC em vigor é inútil e ainda jográ sob as nossas costas a culpa do colapso da saúde e educação.

    O dia que a esquerda tiver condições de fazer maioria de 2/3 no congresso, que é o necessário para revogar a PEC, é mais fácil fazer a revolução comunista.

  2. Roberto S

    17 de outubro de 2016 12:09 pm

    “A meu ver, não crescerá nada”

    Sim, não há estatistica nem bola de cristal que substituam o trabalho e como voce bem diagnosticou, o trabalho no momento é negativo, trabalho para reduzir a economia.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    17 de outubro de 2016 12:40 pm

    O governo @MichelTemer pode

    O governo @MichelTemer pode ser resumido em três palavras: corrupção, imbecilidade e autoritarismo. Pronto, disse tudo.

  4. gabi_lisboa

    17 de outubro de 2016 12:45 pm

    Nosso problema não é o “governo” que, além de ser

    sem votos, é intelectualmente medíocre e moralmente decrépito, mas a esquerda que anda sofrendo de burrice ilimitada. Enquanto o PT tiver como presidente gente do porte do Rui Falcão, é muito provável sim que até o ladrão de merendas de SP consiga unir a direita enquanto a esquerda briga entre si.

  5. Mogisenio

    17 de outubro de 2016 1:05 pm

    Senhores debatedores, bom

    Senhores debatedores, bom dia.

    Bom dia Nassif e equipe. 

    Bom dia Senhor J. Assis.

     

    Caro professor, se V.Sa. realmente visa um Brasil melhor para todos – não me compreenda mal;  eu acho que visa – então deveria ficar com a   tese contida no  primeiro parágrago do seu texto, a saber:

    Nós, desenvolvimentistas, deveríamos estar muito satisfeitos com a perspectiva de aprovação pelo Congresso da PEC 241.

    Mudando alguma coisa em sua tese, posso dizer que  esta é a que  venho defendendo ao longo desse ano, sobretudo, após a “aceitação teatral ” na Câmara baixa( baixíssima aliás! )  do processo de impedimento da ex-presidente.

    Eis  a minha tese:

    Ora, que venha a tal PEC 241!

    E que venham  também:

    A reforma da previdência;

    A  terceirização do início, meio e fim;

    O  negociado sobre o legislado;

    A manutenção  da taxa selic em 15% aa, mesmo com a queda da inflação de qualquer tipo( portanto, mesmo com  o aumento da tal taxa real);

    Que venha a privatização, sobretudo, da Petrobrax;

    O fim do Mercosul  já retirando o cheiro de naftalina do Nafta;

    A escola sem partido  com partido;

    A redução da maioridade penal;

    O crescimento do agronegócio monocultor sem qualquer bicho picando, voando, comendo, exceto, seres humanos.

    A “fé” de nosso congresso com ajuda de uma justiça cega feito coruja!

    Etc!

     

    Por que não?

    Alguém diria. Ora, ora, a “esquerda” não vai permitir que acabem com o “Brasil”.

    E eu diria: Ah não vai não!? Quero ver se essa “esquerda” vai ter força o suficiente para tanto, pois até agora o que se percebe é que ela, a tal de “esquerda”, só tem DISCURSO!

    Afinal, o CAPITAL compra o TRABALHO!

    Nesse sentido, o meu discurso de esquerda tem como fundamento as propostas acima elencadas.

    Quem sabe  diante de uma convulsão social, já com a declaração de estado de sítio e de defesa, alguma coisa muda no país?

    Talvez, uma nova norma fundamental pressuposta- daquele  tipo previsto por Kelsen – surja no horizonte e que a partir daí alguma coisa realmente mude para melhor nesse país essencialmente caudilhista, onde os perfumes de nossa perfumaria têm excelentes fixadores!

    Em suma: Brasil um país de PERFUMARIA SOCIAL, inclusive, da esquerda e seus DISCURSOS!

    “Não apenas os grupos fornecem um “standart”  em referência ao qual o indivíduo pode avaliar a si mesmo e aos outros; de uma forma muito mais importante, a família, a comunidade, seus companheiros de trabalho – todos os seus grupos “primários” significativos – mostram-lhe seus valores e os ajustam com os deles. “A comunicação de massa e o sistema social”-Riley 1977.

     

    Pensemos  nisso!

    Ah, já ia me esquecendo: Com todo respeito , prendam o Lula!…

     

     

  6. Gil Francisco

    17 de outubro de 2016 1:33 pm

    quem garante que 2018 pode melhorar?

    Torço para que o colunista esteja correto, e já tive mais esperança de que a população, depois de ser tão prejudicada com dessemprego e empobrecimento votesse em epso na esquerda. Mas me ocorre agora: 

     

    1º  E se for aprovado o Parlamentarismo? Pode-se eleger Jesus Cristo Presidente, ele não mandará nada! E nossa populaçaõ é burra e o sistema  a manterá assim cada vez mais. Eles elegerão Lula ou Ciro ou haddad, mas pra deputado votarão em Pastor Crivella ou em Russomano, pois não sabem votar, não entrendem de política, não tem noção da importâncai do legislativo. E srá o legislativo quem definirá o verdadeiro governante;

     

    2º Seria necessa´rio união das esquerdas. As esquerdas estão rachadas, culpando um partido ao outro, e ainda como urubus cobiçando tomarem a carcaça que sobrar da destruição causado por temer em 2018. Cada um por si, todos contra todos. Sem Frente Ampla. Nossa esquerda é muito personalista, desunida e ganânciosa.

  7. Pedro Augusto Pinho

    17 de outubro de 2016 1:51 pm

    Ditadura
    Prof. Assis O Movimento Brasil Agora tem meu entusiástico apoio. Mas não conto com eleições em 2018. A revolta popular e a índole fascista do poder judiciário, midiático, do majoritário bloco do Congresso e destes temerosos nos colocarão numa ditadura. Obviamente com o aval da Casa Branca, as usual.

  8. Miguel A. E. Corgosinho

    17 de outubro de 2016 3:09 pm

    Velório da Direita
    A imagem pode conter: 2 pessoas , meme e textoVelório da Direita

  9. Alex Cardoso

    17 de outubro de 2016 7:30 pm

    A recessão foi causada pelo
    A recessão foi causada pelo aumento irresponsável de gastos ocorrido no governo Dilma.

    1. Manu Guitars

      17 de outubro de 2016 9:32 pm

      e continua..

      A recessão continua pelo aumento irresponsável de gastos ocorrido no governo (Fora)Temer.

      e assim vamos resolver os problemas do pais………com este niver de dialogo vamos longe………

  10. Manu Guitars

    17 de outubro de 2016 9:24 pm

    iniciativa louvável…..

    Acho interessante e pelo menos me parece uma proposta “produtiva” digamos assim, sou so um “palpiteiro”, mas esse clima de “imobilismo/derrotismo/depressão” não vai nos levar a parte alguma…..pelo menos é uma iniciativa de alguem que tem um historico de verdadeira “denuncia da corrupção” bem antes que o combate a corrupção tenha virado um tipo de palavrão….longe de ter as infos que dispõem os jornalistas e gente do meio, vejo alguns problemas o primeiro é: “Os partidos de esquerda, depois da ressaca eleitoral deste ano, se quiserem ajudar, deverão ficar numa posição auxiliar, não hegemônica”.Acho que como convite à participação da esquerda é um pouco “restritivo” digamos assim….Tipo podem vir na festa mas na hora da janta voces picam a mula, ok……acho dificil de passar……outro detalhe que me parece um pouco complicado é a definição de centro no Brasil de hoje…..não sei mais o que é isso…..tenho certeza que tem muito Brasileiro de “boa vontade”, patriota(no bom sentido do termo),que quer um pais melhor para todos, mas por enquanto estão calados, quem sabe agora….um outro problema para min é visar tudo nas eleições 2018, não estou convencido que estas ocorram…..na minha opinião sem uma certa pressão das ruas vai ser muito dificil de reverter este quadro…..mas acho iniciativa louvável.

  11. Pedro Henrique de Rezende

    20 de outubro de 2016 4:06 pm

    Eleições 2018

    Prof. Assis,

    Achei muito interessante o projeto Movimento Brasil Agora. Onde consigo informações e a algum representante em Goiânia?

     

    E outra coisa… O que acha da candidatura de Ciro Gomes? Vejo com bons olhos esperançosos.

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