19 de agosto de 2026

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões em meio à escalada dos gastos

Guerra no Irã, cortes de impostos e reembolsos de tarifas dificultam promessa feita por Donald Trump de recuperar o equilíbrio fiscal
Foto de Jp Valery na Unsplash

Dívida pública dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões, refletindo deterioração fiscal e promessa não cumprida de Trump.
EUA devem tomar mais de US$ 2 tri em 2026, com metade do déficit devido aos juros da dívida pública.
Juros altos elevam custos de financiamento; Tesouro planeja dobrar recompras para conter despesas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A dívida pública bruta dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19), o que expõe a deterioração das contas fiscais da maior economia do mundo e contrasta com a promessa do presidente Donald Trump de restaurar a disciplina orçamentária do país.

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Os Estados Unidos caminham para tomar emprestado mais de US$ 2 trilhões apenas neste ano para financiar suas obrigações. Cerca de metade desse déficit corresponde aos juros pagos aos investidores que detêm títulos do Tesouro americano, tornando o próprio custo da dívida um dos principais motores do novo endividamento.

Segundo o The New York Times, a escalada não é resultado de uma única política. Republicanos e democratas contribuíram, ao longo das últimas décadas, para o aumento da dívida, diante da expansão dos gastos militares, de programas como Previdência Social, Medicare e Medicaid, de estímulos econômicos, auxílio em desastres e das despesas correntes do governo.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia estabelecido como meta reduzir o déficit de mais de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), registrado quando Trump assumiu o cargo, para 3% até 2028. Na semana passada, porém, Bessent reconheceu que a trajetória das contas públicas está piorando neste ano.

Entre os fatores citados pelo secretário estão os gastos militares associados à guerra no Irã e os reembolsos das tarifas. O conflito também provocou aumento dos preços de energia nos Estados Unidos, prejudicando o crescimento econômico e, consequentemente, a arrecadação tributária esperada pelo governo.

Os cortes de impostos aprovados em 2025 também pressionam as contas no curto prazo. Uma das medidas permite que empresas descontem imediatamente os custos de construção de fábricas e aquisição de equipamentos. Segundo estimativas do Joint Committee on Taxation, a iniciativa pode representar um custo de aproximadamente US$ 100 bilhões para o governo neste ano.

Uma das principais apostas do segundo governo Trump era o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), inicialmente comandado por Elon Musk. A iniciativa prometia economizar US$ 1 trilhão em gastos públicos. Até agora, o governo afirma ter obtido pouco mais de US$ 200 bilhões em economia, mas o Government Accountability Office (GAO) considerou as estimativas pouco confiáveis e sem transparência suficiente.

Outra estratégia para aumentar as receitas foi a imposição de tarifas abrangentes sobre produtos importados. A medida, contudo, sofreu um revés depois que a Suprema Corte considerou ilegais algumas das tarifas. Como consequência, o governo federal terá de devolver mais de US$ 160 bilhões às empresas que pagaram os impostos de importação.

Juros crescentes aumentam pressão sobre o Tesouro

O avanço da dívida começa a produzir sinais de desconforto entre os investidores. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos atingiu nesta semana o maior nível em quase duas décadas. Na prática, isso significa que o governo precisa oferecer uma remuneração maior para conseguir financiar sua dívida, elevando também os custos de crédito para empresas e consumidores.

O próprio governo Trump demonstrou preocupação com a situação. Bessent realizou uma intervenção incomum no mercado de moedas para sustentar o iene japonês, movimento que também buscava evitar que o Japão vendesse títulos do Tesouro americano para defender sua moeda.

Nesta quarta-feira, o secretário anunciou ainda que o Departamento do Tesouro pretende dobrar o volume de títulos próprios que pode recomprar dos investidores, numa tentativa de conter os custos de financiamento.

O mercado americano de títulos, entretanto, continua sendo o centro do sistema financeiro mundial. A profundidade e a liquidez dos Treasuries fazem com que os investidores ainda tenham poucas alternativas comparáveis, reduzindo o risco de uma fuga repentina dos compradores.

Há, porém, fatores que podem alterar esse equilíbrio. Um deles é o Federal Reserve, que mantém uma carteira de aproximadamente US$ 6,8 trilhões em títulos públicos e ativos lastreados em hipotecas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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