11 de junho de 2026

Testemunha confirma argumentos da defesa de Lula sobre triplex, dizem advogados

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Jornal GGN – Por meio de nota à imprensa, Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o depoimento de Pedro Dallari, professor de Direito da USP, derruba a tese do Ministério Público Federal sobre o triplex do Guarujá.

O MPF sustenta que Marisa Letícia receberia um apartamento da OAS e diverso (triplex) daquele correspondente à cota que adquiriu da cooperativa, em 2005, e que o imóvel e suas melhorias teriam sido bancados com recursos oriundos de vantagens indevidas.

Dallari prestou assessoria jurídica à Bancoop em 2008 e explicou o acordo que permitiu aos cooperados escolher entre a transferência da obra para uma construtora ou deixar sua finalização com a cooperativa.

“Há um inegável hiato temporal a comprometer o argumento da acusação”, diz a defesa de Lula, ressaltando que Dallari também afirmou que não havia qualquer participação do ex-presidente no empreendimento da Bancoop.

Leia mais abaixo:

DALLARI CONFIRMA ARGUMENTOS DA DEFESA NO CASO DO TRIPLEX

Dos depoimentos colhidos hoje na 13a Vara Criminal Federal de Brasília sobressaem 3 blocos de argumentação a referendar a defesa do ex-Presidente Lula e de sua falecida esposa Marisa Leticia.

O primeiro bloco diz respeito à Bancoop. A linha central da acusação do Ministério Público Federal referente ao triplex do Guarujá é a de que D. Marisa receberia da OAS um apartamento diverso (triplex) daquele correspondente à cota que adquiriu da cooperativa, em 2005, e que o imóvel e suas melhorias teriam sido bancados com recursos oriundos de vantagens indevidas provenientes de três contratos da OAS.

A clareza do depoimento de Pedro Dallari, professor titular da Faculdade de Direito da USP, que prestou assessoria jurídica à Bancoop, em 2008, fez ruir essa tese. A entrada de Dallari para assessorar a Bancoop se deu no momento em que o Ministério Público de São Paulo passou a acompanhar a cooperativa por meio de uma ação civil pública, que resultou em acordo que permitiu aos cooperados escolher entre a transferência da obra para uma construtora ou deixar sua finalização com a Bancoop. Para efetivar a transferência, a construtora exigia ao menos 90% de adesão dos cooperados do grupo, garantindo a viabilidade do processo. No caso da Bancoop, a inadimplência de parcela significativa dos mutuários atrasava as entregas dos imóveis e comprometia a saúde financeira da cooperativa.

D. Marisa Leticia adquiriu em 2005 uma cota do então chamado Mar Cantábrico. A  OAS assumiu a obra em 2009. Há um inegável hiato temporal a comprometer o argumento da acusação. Dallari confirmou não haver nenhum elemento na ocasião da aquisição da cota, como sempre argumentou a defesa, que permitisse à D. Marisa vislumbrar o que o futuro reservava.

Importante frisar que o acordo celebrado em maio de 2008 entre a Bancoop e o Ministério Público previa que os cooperados deveriam decidir se os imóveis continuariam ou não com a Bancoop. O MP não entrou no mérito de cada transferência. Dos 11 grupos de cooperados da Bancoop, 4 optaram pela permanência na cooperativa e os demais, pela transferência. Neste momento, a gerência do Mar Cantabrico (posteriormente chamado Edifício Solaris)  continuou com a Bancoop. Seus cooperados tiveram contato com diferentes construtoras, optando, depois, pela OAS, numa assembleia seccional. Houve, então, o encerramento do regime de cooperativa. Mas D. Marisa não exerceu, naquele momento, sua opção pela construtora, ficando no porcentual residual fora dos 90% que deram o aceite, mantendo sua relação jurídica com a Bancoop.  A construtora não tinha o direito de obrigar a adesão.

Dallari afirmou também não haver qualquer participação do ex-Presidente no empreendimento da Bancoop.

O segundo bloco de depoimentos diz respeito aos três contratos propriamente ditos da Petrobras, que, segundo a acusação do MPF, teriam gerado vantagens indevidas para beneficiar Lula e sua esposa. Nenhum dos 4 depoimentos de funcionários da companhia – alguns inclusive que participaram dos processos licitatórios – produziu qualquer materialidade que comprovasse a acusação. Os depoimentos mostraram que, na ocasião da formalização dos processos licitatórios, estes seguiram os padrões técnicos vigentes quanto aos preços (que ficaram dentro da margem aceitável e determinada pelo órgão que fazia a estimativa). Nenhum órgão de controle ou auditoria interna ou externa da Petrobras apontou desvios. Tampouco o Conselho Fiscal da empresa e o TCU, à época, questionaram a celebração dos contratos.

A terceira linha de argumentação refere-se à tese da acusação de que o crescimento da base do governo Lula no Congresso se deu pela prática de cooptação de parlamentares com vantagens indevidas. O ex-ministro Alexandre Padilha disse haver expressa orientação de Lula para que as coalizões se dessem em torno de ideias, projetos e participação política e que foi inclusive criado um Conselho Político, para fomentar os relacionamentos. O depoimento de Padilha reforça o que disse ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o presidencialismo no Brasil e a formação de maiorias parlamentares.

As audiências para ouvir as testemunhas de defesa prosseguirão na próxima semana.

Cristiano Zanin Martins

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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10 Comentários
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  1. Marcos Antônio

    11 de fevereiro de 2017 1:39 pm

    Lawfere é pouco…

    Foi assassinato mesmo…

    Você segue as leis e paga tudo religiosamente em dia…

    Ai vem um bando te acusando de tudo, de chefe de quadrilha e vão atras de sua mulher…

    D. Marisa viu suas conversas e de seus familiares divulgados pela globo e não satisfeitos continuaram inventando muitas outras coisas, por fim seu nome, a sua vida vira galhofa e ofensas na bocas das pessoas…

    Você não pode sair sem ser agredido, sem ouvir ofensas!

    E você está certo!

    Você caminha mais dentro da justiça do que aqueles que te acusam!

    Não deve ter tido um dia sequer sem angustia…

    O único conforto que tenho nisso tudo que está acontecendo, é que Deus os alcançará!

     

    1. rdmaestri

      11 de fevereiro de 2017 2:43 pm

      Como meus artigos estão sendo censurados e não passados ….

      Como meus artigos estão sendo censurados e não passados ao corpo principal do texto, pois de uma hora para outra passaram a ser inconvenientes ou mal escritos, sugiro que leia o que encontrará no meu blog, a verdadeira origem da Justiça de Moro.

      Gesetz über Maßnahmen der Staatsnotwehr, a verdadeira origem da justiça de Moro.

      1. Ivan de Union

        11 de fevereiro de 2017 8:59 pm

        Chocante, eletrizante, e

        Chocante, eletrizante, e verdadeiro:  palmas pra voce!

        Moro pratica justica Reductio Ad Hitlerum!

      2. Frederico Firmo

        12 de fevereiro de 2017 4:25 pm

        Interessante o texto,

        Mas existe uma diferença crucial, as leis implantadas pelo Nazismo, foram leis implantadas  num estado (totalitário e sanguinário), mas as “leis  de Moro” são violações da constituição e pelas suas próprias palavras e de seu cúmplice Dallagnol,  são  tentativas de implantação de leis de exceção. Esta diferença é importante, pois é assim que podemos ainda caracterizar estes atos como violação da lei e por isto  crimes. Não  existe justiça de Moro, existem violações de Moro.

  2. Maria Luisa

    11 de fevereiro de 2017 2:38 pm

    Qual o sentido disso tudo?

    Não existe coerência nas acusaões. E a perplexidade so aumenta à medida que a defesa vai explicitando as falhas da acusação. Eu gostaria de saber como Sergio Moro que QUER condenar Lula, vai fazê-lo? Vai distorcer os fatos para poder condena-lo com o beneplacito da imprensa… E se puder, soh para machucar mais ainda Lula, condena o nome de Dona Marisa também.

  3. Joao Carlos Campos

    11 de fevereiro de 2017 3:43 pm

    Léo Pinheiro em delação

     “Ficou acertado com Vaccari que esse apartamento seria abatido dos créditos que o PT tinha a receber por conta de propinas em obras da OAS na Petrobras”, contou Pinheiro.

     

     

    1. Ugo

      11 de fevereiro de 2017 4:54 pm

      bolsa troll tucana decadente e demente

      ..testa da cazzo e mentiroso tal qual o pinheiro.

      1. Joao Carlos Campos

        11 de fevereiro de 2017 6:27 pm

        Imparcial

        Você não está sendo imparcial e esta prejulgando 

         

         

        1. Ivan de Union

          11 de fevereiro de 2017 8:58 pm

          Voce sabe o significado da

          Voce sabe o significado da palavra “contou” em linguagem juridica?

          Que comentario mais insano!

  4. WG

    11 de fevereiro de 2017 3:49 pm

    Um país nas mãos de criminosos.

    A se julgar pelos últimos acontecimentos, a lava-jato e o justiceiro moro estão com uma única carta na mão: a prisão de Lula.  Se moro decretar a prisão de Lula,  em pouco tempo será descartado pela plutocracia golpista. Se gilmar “dantas” e o stfzinho soltarem cunha, o justiceiro pode contra-atacar com a prisão de Lula mais o circo da globo.  Mas, para o stfzinho que já rastejou várias vezes, fazê-lo mais uma vez ( por ex.: soltar cunha e prendê-lo novamente, ou qualquer outro artifício) para dinamitar o único trunfo da lava-jato, será só mais uma baixeza. Nesse jogo sujo, tem-se uma única certeza: ao final, de um lado, uma minoria sairá vencedora e de outro, mais de 200 milhões de brasileiros serão os perdedores.  

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