20 de junho de 2026

Umas e outras palavras na delação de Paulo Roberto Costa, por Janio de Freitas

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Jornal GGN – Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas analisa a omissão na transcrição da fala de Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, em que ele inocenta Marcelo Odebrecht de participação nos subornos que descreveu. Para Janio, é “chocante” a diferença entre a fala original de Costa e a transcriação feita pelos procuradores. Leia mais abaixo:

Da Folha

Umas palavras (e outras)

Janio de Freitas

Ainda com a carta pública dos 104 advogados fervilhando entre apoiadores e discordantes, a também discutida retenção de Marcelo Odebrecht na prisão dá margem a mais um incidente processual do gênero criticado na Lava Jato. Em princípio, trata-se de estranha omissão ao ser transcrita, da gravação para o processo, da parte da delação premiada de Paulo Roberto Costa que inocenta Marcelo de participação nos subornos ali delatados. Mas o problema extrapolou a omissão.

Já como transcrição na Lava Jato do que disse e gravou o delator muito premiado, consta o seguinte: “Paulo Roberto Costa, quando de seu depoimento perante as autoridades policiais em 14.7.15, consignou que, a despeito de não ter tratado diretamente o pagamento de vantagens indevidas com Marcelo Odebrecht” –e segue no que respeitaria a outros.

As palavras de Paulo Roberto que os procuradores assim transcreveram foram, na verdade, as seguintes: “Então, assim, eu conheço ele, mas nunca tratei de nenhum assunto desses com ele, nem põe o nome dele aí porque ele, não, ele não participava disso”.

É chocante a diferença entre a transcrição e o original, entre “não ter tratado diretamente com Marcelo Odebrecht” e “nem põe o nome dele aí por que ele, não, ele não participava disso”. A reformulação da frase e do seu vigor afirmativo só pode ter sido deliberada. E é muito difícil imaginar que não o fosse com dose forte de má-fé. Do contrário, por que alterá-la?

Não é o caso de esperar por esclarecimento da adulteração, seu autor e seu propósito. Seria muita concessão aos direitos dos cidadãos de serem informados pelos que falam em transparência. No plano do possível, a defesa de Marcelo Odebrecht, constatada a adulteração, requereu a volta à instrução processual, do seu início e com a inclusão de todos os vídeos da delação, na íntegra e não só em alegadas transcrições.

O juiz Sergio Moro decidiu contra o requerido. Considerou os pedidos “intempestivos, já que a instrução há muito se encerrou, além das provas pretendidas serem manifestamente desnecessárias ou irrelevantes, tendo caráter meramente protelatório”. E, definitivo: “O processo é uma marcha para frente. Não se retornam às fases já superadas”.

Não é a resposta própria de um magistrado com as qualificações do juiz Sergio Moro. É só uma decisão. Baseada em vontade. Resposta, mesmo reconhecendo-se a situação delicada do juiz Sergio Moro, seriam as razões propriamente jurídicas (se existem) para negar o pedido.

“Intempestivos” os pedidos não são. Se apenas agora foi constatada a transcrição inverdadeira, não havia como pedir antes qualquer medida a partir dela. Logo, tempestivo este pedido é. Uma instrução está “encerrada” quando não há mais o que precise ou possa ser apurado, como complemento ou aperfeiçoamento. Se há uma transcrição infiel, ou qualquer outro elemento incorreto, as provas que o corrijam são “necessárias e relevantes” porque o erro prejudica a acusação ou a defesa, ou seja, compromete o próprio julgamento de valor entre culpa e inocência. Se está demonstrada a necessidade objetiva de correção, não há “caráter protelatório”, há o indispensável caráter corretivo.

“Processo” é, por definição, um movimento que implica todas as variações, de ritmo, de sentido, de direção, de avanço ou recuo, e mesmo de intervalos de paralisação. Processo não é só “marcha para a frente”. E, no caso dos processos judiciais, se o fossem, não haveria –talvez para alegria da Lava Jato– segunda e terceira instâncias de julgamento, que são diferentes retornos às entranhas dos processos.

Como se tem visto, o decidido, decidido está. Mas o provável é que não sobreviva à instância superior, se lá chegar e seja qual for a posição de Marcelo Odebrecht entre a inocência e a culpa. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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28 Comentários
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  1. Messias Franca de Macedo

    21 de janeiro de 2016 11:58 am

     
    Ainda sobre o “juiz não vem

     

    Ainda sobre o “juiz não vem ao caso”!

    $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

    ‘AÉCIO ERA O MAIS CHATO NA COBRANÇA DE PROPINA’

    Na gravação em vídeo de sua delação premiada, o entregador de valores Carlos Alexandre de Souza Rocha, disse ter ouvido que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) era o que mais pressionava por propina junto à empreiteira UTC; ele transportava valores do doleiro Alberto Youssef; “Ceará”, como é conhecido, afirmou ter levado R$ 300 mil a um diretor da UTC no Rio, de sobrenome Miranda, que seriam destinados ao tucano; “[Miranda] ainda falou que era o mais chato que tinha para cobrar”, contou; líder da oposição que defende o golpe contra Dilma Rousseff, Aécio disse que é “absurda e irresponsável” a citação sem comprovação

    21 DE JANEIRO DE 2016 ÀS 05:11

    (…)

    FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.brasil247.com/pt/247/poder/214072/'A%C3%A9cio-era-o-mais-chato-na-cobran%C3%A7a-de-propina‘.htm

  2. Francisco Santos

    21 de janeiro de 2016 11:59 am

    Quer dizer

    Quer dizer que o Marcelo Odebrecht é praticamente um preso político….

  3. Messias Franca de Macedo

    21 de janeiro de 2016 11:59 am

     
    $$$$$$$$$$$$$
    O vídeo –

     

    $$$$$$$$$$$$$

    O vídeo – AÉCIO E A UTC

    O delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, trabalhava como entregador de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef —que fechou delação com o Ministério Público em 2014. Ceará afirma que ouviu de um diretor da UTC que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) era “o mais chato” para cobrar dinheiro.

    http://videohd6.mais.uol.com.br/15742549.mp4?ver=1&r=http://mais.uol.com.br

  4. alexis

    21 de janeiro de 2016 12:12 pm

    Surge enfim o contraditório

    O Moro, depois de chutar em cachorro morto e deitar e rolar, encontra por fim um contendor de maior estatura, que não se dobrou à tortura. Marcelo Odebrecht consegue chamar a atenção de muita gente, inclusive da mídia.

    Acabou o passeio do Moro acima de bandidos delatores, que entregam apenas parte do botim e são premiados com brandas penas, na procura de “nomes” mais famosos. Agora é que teremos, finalmente, o contraditório da lava Jato, que, tanto como a proporia operação em sim mesma, é importante para a lisura e credibilidade. 

    A operação lava-jato é importante e necessária, mas, sem o contraditório, não passa de uma persecução específica. Torço pelo sucesso da operação, por isso, apoio as ações do Marcelo Odebrecht.

    1. Frederico69

      21 de janeiro de 2016 12:46 pm

      moro quer promoção, não justiça!

      isso já está claro e límpido. é como nos filmes americanos. tudo que você disser será usado contra você, e não em nome da justiça!

      se ele estivesse preocupado com justiça, não agia sob a sua doutrina pessoal, não vem ao caso! a doutrina moro!

  5. emerson57

    21 de janeiro de 2016 12:24 pm

    cadeia

    Uma manipulação destas num depoimento oficial é caso de demissão do serviço público e de prisão do falsificador.

    É também caso de destituição de juiz que não considera a provada falsificação que prejudica o réu.

    Trata-se também de formação de quadrilha e talvez de concussão. 

    Mas sou leigo, posso estar enganado.

    Talvez isso “não venha ao caso”. 

  6. serralheiro 70

    21 de janeiro de 2016 12:31 pm

    Condenação de Marcelo Odebrecht.

    Moro já condenou Marcelo Odebrcht antes de iniciar seu julgamento, a partir das denúncias do mpf, vistas agora em transcrição fraudulenta de acusação. Nisto  Marcelo já “pagou” cerca de 1 ano de reclusão .  Tudo no mais perfeito voluntarismo, atenção a seu ego ou preconceitos políticos. Comportamento que entendo inaceitável até para arbitro de partida de futebol.

  7. Ernesto GMV

    21 de janeiro de 2016 12:42 pm

    Transcrições

    Um pequeno empresário, conhecido meu, quase foi preso pela PF por uma transcrição de gravação incorreta. Só não foi preso porque o avisaram para não voltar para casa naquele dia. E a PF prendeu o vizinho por engano, arma na cabeça, deitado no chão, em frente aos filhos pequenos.

  8. medroso curitibano

    21 de janeiro de 2016 12:44 pm

    concordo amplamente com os

    concordo amplamente com os comentários do emerson e do alexis

    e acho que o comentárioo do janio de freitas é tb uma denúncia….

    a ser paurada…

    investigada e, se confirmada como se ve, os membros desse

     bárbaro conluio devem receber as penas devidas…

  9. Silvio L. Morais

    21 de janeiro de 2016 12:54 pm

    Análise demolidora

    Jânio, com sua autoridade de decano do jornalismo nativo, faz uma análise demolidora da decisão autoritária do juiz Moro. Quero apenas ressaltar um aspecto da análise: Moro não se vale de nenhuma lei para negar o pedido do advogado, o que vale é a cabeça autoritária dele. Agora, a lista dos “desmandos” do juiz Moro não é pequena: vazamentos seletivos (um deles criminosamente vazado às vésperas do segundo turno das eleição presidencial de 2014 , o famoso “Dilma e Lula sabiam”); grampo ilegal na cela de Yussef; prisões preventivas usadas para coagir acusados; redução da pena para criminosos confessos em mais de 90%. A diferença nesse episódio é que alguma luz está sendo jogada sobre  a atividade do “justiceiro” judicial Moro. 

  10. Cedric Pa

    21 de janeiro de 2016 1:03 pm

    Se após um cerceamento de

    Se após um cerceamento de defesa desses, a sentença do ditador não for anulada, a única salvação para o Brasil será uma reestruturação completa do Judiciário e das concessões públicas relacionadas à comunicação.

  11. Cedric Pa

    21 de janeiro de 2016 1:07 pm

    Existe uma casta de

    Existe uma casta de funcionários públicos no Brasil que em decorrência do corporativismo abismal e da coninvência da mídia estão acima da lei, fazem o que querem, mandam e desmandam, são verdadeiros ditadores, e o maior deles é o gilmar. Isto comprova que aquela afirmação daquele delegado de que ninguém está acima da lei, se referindo ao Lula é muito da mentirosa.

  12. RodrigoNin

    21 de janeiro de 2016 1:07 pm

    Alvos políticos
    “Mas o provável é que não sobreviva à instância superior, se lá chegar e seja qual for a posição de Marcelo Odebrecht entre a inocência e a culpa.” Não será isso mesmo o pretendido, isto é, atingir os alvos políticos e depois voltar à normalidade livrando a cara dos empresários? Me parece que são muitos os erros e arbitrariedades processuais, e os bem pagos advogados dos empresários saberão explorar em outras instâncias. E o moro sabe disso.

  13. Cedric Pa

    21 de janeiro de 2016 1:08 pm

    E pensar que um cara desses

    E pensar que um cara desses ganha 70.000 às minhas custas! E acham perfeitamente normal, é auxílio isso, auxílio aquilo, benefício esta e aquele, uma imoralidade!

  14. Marco Vitis

    21 de janeiro de 2016 1:09 pm

    Fascista Perigoso

    Reitero a minha opinião: os valores introjetados em Sérgio Moro são valores fascistas.

    Observem a constatação do Jânio de Freitas: ao indeferir o pedido da defesa e desqualificar os advogados, Sérgio Moro toma uma decisão baseada apenas em sua Vontade e não nos fatos comprovados.

    Observem que ele age apenas de acordo com sua Vontade. Quando sua Vontade não foi acatada, ele não intentou juridicamente contra a Universidade Federal do Paraná ?

    Numa audiência de interrogação do criminoso Barusco, os advogados protestaram contra a inclusão de perguntas sobre uma obra que não fazia parte do processo. O que Sérgio Moro fez ? Desqualificou os advogados e continuou perguntado sobre o que ele tinha Vontade.

    Sérgio Moro não é um juiz adequado ao Estado Democrático de Direito.

     

  15. Carla Antonia

    21 de janeiro de 2016 1:09 pm

    Abominios

    O que espanta é a passividade do STF. Por muito menos (ou muito mais, depende do lado que olhar) o então presidente Gilmar Mendes concedeu dois (2) HC ao Daniel Dantas, que nunca mais, apesar de uma condenação à 10 anos por parte do juis De Sanctis, colocou o pé na cadeia.

    No caso dele, foi o famoso episódio do grampo (imaginário) do Gilmar com aquele pedaço de pão do Demosténes Torres.

    Neste caso, um vídeo com as palavras exatas do delator não bastam?

  16. Paulo P Ribeiro

    21 de janeiro de 2016 1:22 pm

    Se vivessemos em um país

    Se vivessemos em um país verdadeiramente democrático, e não controlado pela mídia golpista, Sergio Moro já estaria atras das grades por descumprimento dos direitos básicos da Constituição. Teríamos um Brasil pujante, crescendo, cosntruindo novas barragens, estradas e ferovias. Hoje, nossos principais empresários, pessoas com um passado histórico em prol do desenvolvimento, estão encarecerados unicamente pelo desejo de um magistrado a serviço da mídia e do PSDB. A crise econômica passa diretamene pela aação de Sergio Moro e de seus cúmplices nos veículos de comunicação. Querem arruinar o Brasil para entrega-lo aos EUA, que em 2017 infelizmente deverá ser presidido pelo fascista Trump. Não passarão! Vamnos resistir! Vamos lutar na defesa e na imediata liberdade dos presos políticos de Curitiba! Fora, Moro! Ninguém aguenta mais!

  17. Juliano Santos

    21 de janeiro de 2016 1:44 pm

    “Marcha para frente” é um

    “Marcha para frente” é um tremendo ato falho. Admite que atropela o devido processo legal. Mais claro impossível. Distorcem a delação, é descoberto, e o Moro manda “marchar para frente”. Ou seja, endossa o erro, ou seja mais ainda, é cumplice do erro. Não é possível que não chegue ao Teori e este não anule a decisão do inquisidor.

    Meu palpite é que Moro não solta o Marcelo Odebretch nem que o próprio Jesus Cristo desça à terra e garanta que o empresário não participou de nenhuma negociata. Ele deve achar que este é o melhor caminho para chegar ao Lula. No íntimo lamenta que não está na época em que se mandava logo para o pau-de-arara para resolver a questão

  18. Orlando Soares Varêda

    21 de janeiro de 2016 1:48 pm

     
    Hoje estou meio sem saco

     

    Hoje estou meio sem saco pra mexer com esterco animal. Além do mais, não trouxe luvas nem máscara.

    A operação lava a bunda, digo, vaza bunda, ponto.  …Ou seria?…Bunda lelê ? Vixe maria!..Sabe? O melhor, é deixar essas merdas pra lá. Todas, inclusive, o premiado juizeco da Globo.

    Orlando

  19. Ulisses s

    21 de janeiro de 2016 1:56 pm

    Mesmo golpe aplicado pelo Barbosa.

    No mensalão do PT. Esconder e manipular as provas favoraveis a inocência dos Petistas. Moro aprendeu a lição. Viu que ninguem questionou o Barbosa. Então, em time que esta ganhando, por que mudar? Será que continuaremos a ter uma justiça torta e vagabunda ou as instituições responsáveis pelo controle deste desmando vão perder o medo da mídia e acabar com esta farra sem vergonha?

  20. Joel Miranda

    21 de janeiro de 2016 2:01 pm

    Amigos, Moro é amigo e
    Amigos, Moro é amigo e seguidor do PIG, de fato quem manda no Brasil!
    O STF vai ter a oportunidade de me corrigir!
    Espero!

    1. serralheiro 70

      21 de janeiro de 2016 2:58 pm

      Comunidade ADA ?

      Comunidade ADA ?

  21. Maria Luisa

    21 de janeiro de 2016 2:32 pm

    O Caso Lava Jato

    Sergio Moro mostrando a cara totalitaria que possui a Lava Jato. Eu não sei o que a força-tarefa inventou à PGR e ao STF para aceitarem tantas arbitrariedades, mas que uma lupa nessas delações e na infima investigação que fizeram, derruba a Lava Jato, podem apostar seus niqueis.

    Outra coisa, a Veja escolheu Vaccari e Dirceu para o linchamento publico, em sua recente capa. Essas duas escolhas não têm nade de anormal no mundo da Veja. Mas achei muito didatica a escolha de Marcelo Odebrecht para essa capa. Por que se obstinam em derruba-lo?

  22. altamiro souza

    21 de janeiro de 2016 2:48 pm

    grave dnúncia do

    grave dnúncia do jornalista….

    à justiça, entonces.se ela existe ainda…

  23. sabra arad

    21 de janeiro de 2016 3:08 pm

    Manipulações

    As manipulações da mídia e dos inquisidores tem se tornado cada vez mais explícitas. Depois do caso Oderbrecht  a Folha, traz de um lado a indignação de Jânio de Freitas e do outro se presta à dar foça à manipulação, ao apresentar  vídeos, com  texto editados que deixam claro  o viés.  A notiícia poderia com certeza mostrar estranheza diante do fato de que  que apesar do delator da UTC reafirmar ter contribuído legalmente para a campanha do PT,  Edinho SIlva é o investigado pelo STF. Porém , em outro vídeo um entregador de dinheiro de Youssef, fala explicitamente que o dinheiro era direto para Aécio Neves, 300 mil, ( isto é não foi feita uma doação legal),   mas isto não leva  a uma investigação do STF > Mas isto não foi notícia., a ênfase no noticiário é a negativa de Aécio. 

    Nos vídeos mostrados pela  Folha de São Paulo, o depoimento de  Camargo da UTC sobre Edinho SIlva foi editado através de algumas frases,   que retiradas do contexto levam a uma clara manipulação

     A Folha  enfatiza a frase:”O senhor tem obras no governo e na Petrobrás. Quer continuar tendo? Tem que contribuir mais”

    Mas não enfatiza a frase onde Camargo diz: quero dizer que o que ele ( Edinho) quis dizer é que se você quer apoiar o projeto político que  levou a tanto desenvolvimento da industria naval, da Petrobras, isto é continuidade do governo então deveria contribuir mais. ( Obviamente esta frase modifica completamente o sentido dado pela Folha)

     Camargo vai mais além e  afirma que não se sentiu coagido ou achacado, e que Edinho pediu apoio para o projeto político  e disse ainda que  ele poderia ter simplesmente  dito não  .

    Por volta dos 9 minutos de vídeos o que se vê é o inquisidor pressionando  , e  fala explicitamente, que este tipo de depoimento sobre coisas totalmente regulares e legais não nos interessa  (vídeo aos 9 minutos) Camargo fala que contribuiu para partidos da oposição, dentro do mesmo contexto .   O desespero dos procuradores foi muito claro quando se mostram muito chateados porque queriam ouvir algo incriminador e não obtiveram a resposta que queriam. Falam de um anexo na delação premiada e pressionam quase que explicitamente ao questionar a delação afirmando que isto não os interessa. Solicitam até que ele dê o sentimento dele sobre tudo aquilo.  

    Isto tudo me deixa perplexo, pois aceito que  o vídeo  possa gerar  interpretações diferentes , porém o que fica claro é que mais do que interpretações há uma manipulação.  Isto não é jornalismo, e isto não é investigação, .  

  24. Odorico Carvalho

    21 de janeiro de 2016 3:42 pm

    Para esse juiz, portanto,

    Para esse juiz, portanto, caso ele condene alguém por assassinato e o defunto aparecer vivinho, isso não vem ao caso, pois o processo só anda para frente e não retrocede a pontos já superados. Ou seja: o defunto continuará morto!

  25. AlexPontes

    21 de janeiro de 2016 5:08 pm

    O “nosso” processo que marcha “pra frente”

    O processo penal brasileiro (para ‘ricos’ e para pobres) é ainda extrememante rústico pq trata o que o direito em países civilizados já consagrou como direitos humanos fundamentais como se fossem  “filigranas” de advogados “bem pagos”.

    Outro dia conversava com o Professor Geraldo Prado, que dá aula nas academias de polícia de Portugal e Espanha, academias que diversamente das do Brasil são atentas às garantias do processo e as tratam como direitos humanos. Portugal é um celeiro de juristas de referência (Canotilho, Jorge Miranda etc) e leva a serio os direitos fundamentais.

    No Brasil já foi chamado pelo Ministro Rogério Schietti do STJ para dar aulas em Brasília para os novos procuradores da república. É tb professor de juízes federais recém formados, partcipa de bancas de mestrado desses juízes, escreve livros em parcerias com Ministros etc. Junto com Alberto Binder (Argentina) é a maior referência de processo penal na américa latina.

    Na conversa ele contou que vem orientando cada vez mais delegados federais preocupados com a formação na área de cadeia de custódia probatória, ou seja, a fidelidade/legitimidade das mais variadas fontes/meios de prova penal.

    Um desses delegados atua em investigações voltadas para Justiças de outros países no modelo de cooperação. A grande preocupação dele era a de não “errar” na sua investigação para que no futuro o juiz de um outro país não reconheça a nulidade daquela prova.
    Indagado pelo Geraldo Prado se no Brasil ele tinha essa mesma “atenção” com as provas das investigações o delegado respondeu taxativamente que não pq o Judiciário brasileiro não tinha a mesma “preocupação” que os judiciários dos outros países possuem.

    Esse é o “nosso processo” que marcha “pra frente”, sempre batendo continência para uma mídia cínica (e suja) e um bando de incautos aplaudindo de pé sob a desculpa esfarrapada de que agora se “prendem os ricos”. “Desculpa” que esquece que se o sistema é abusivo “com os ricos” com “os pobres” vai ser ainda mais autoritário e violento.

  26. Norman

    21 de janeiro de 2016 6:14 pm

    A Administração Pública tem o

    A Administração Pública tem o poder-dever de rever seus próprios atos, anulando-os quando ilegais, em observância ao princípio da legalidade, ou, ainda, revogando-os quando se revelam inconvenientes ou inoportunos, visando sempre o interesse público, tudo isso conforme o célebre princípio da autotutela previsto na assaz de vezes suscitada Súmula nº 473, do e. Supremo Tribunal Federal.

    Eu imaginava que o Poder de Autotutela serviria para os três poderes.

     

    Norman

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