5 de junho de 2026

Vaticano dá sinais de mudanças nas diretrizes da Igreja

Do Estadão

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Os apelos de Francisco

Gilles Lapouge
 
PARIS – O Vaticano se mexe. Ele parece estar redesenhando algumas diretrizes da Igreja, mas o faz à sua maneira, em aparência desenvolta, mas, sem dúvida, muito refletida. Um dia ele faz uma confidência leve. Noutro, dirige-se ao mundo inteiro com veemência a favor da paz na Síria. Ou ainda, um de seus ministros solta uma ideia e essa ideia é uma “bomba” (o questionamento do celibato dos padres). Em outras ocasiões, ele permanece em silêncio enquanto se aguarda a sua palavra. Em suma, o papa Francisco é um comunicador excepcional.
 
O celibato dos padres. Nada de novo. Fala-se disso há dois mil anos. É assunto requentado. Há muito que os teólogos nos informam de que essa regra não é um dogma, mas uma decisão tardia (século 11) tomada para evitar complicações sobre a herança dos filhos de padres. E, com certeza, um teólogo é muito inteligente, mas não é um homem de governo.
 
CELIBATO
Alguns dias atrás, porém, a hipótese do fim do celibato foi evocada não por um filósofo, mas por um homem do aparelho, o novo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin. Em outros tempos, se um prelado se aventurasse a semelhante derrapada teria sido chamado às falas no mesmo dia, com uma advertência glacial. Nada disso, desta vez. Entretanto, como há alguns dias Francisco defendeu o celibato, as pessoas ficaram perplexas.

 
Outra surpresa: o encontro do papa com o peruano Gustavo Gutiérrez Merino, fundador da Teologia da Libertação em 1971, esta teologia com “cheiro de heresia” e odor de marxismo. É bem verdade que Gutiérrez não foi tão longe como outros padres, sobretudo brasileiros, e que foi até absolvido do pecado “marxificante” nos anos 80. Pouco importa: o papa parece disposto a abrir um capítulo doloroso, o da pobreza.
 
Em 4 de outubro, ele foi a Assis, a cidade do primeiro Francisco, na Idade Média, do qual se sabe a compaixão que sentia pelos despossuídos, os ofendidos e os abandonados. E o papa lançou, alguns dias atrás, um apelo estranho: gostaria que os conventos vazios fossem abertos aos “refugiados” em vez de serem convertidos em bens de hotelaria para ganhar dinheiro. O papa lembra um daqueles agitadores que, nas cidades grandes, pregam pelos sem-teto e contra as ricas residências vazias dos “grandes” deste mundo (uma ideia incendiária).
 
Francisco gritou, enfim, de sua sacada, seu horror à guerra, e rezou para que a Síria fosse poupada das bombas. Será o caso interpretar essa insistência à luz dos perigos que cercam os cristãos do Oriente? Seu calvário é conhecido: os cristãos assassinados no Iraque, os coptas do Egito que durante o reinado da Irmandade Muçulmana perderam tantas vidas.
 
É preciso acrescentar a essa terrível ladainha os cristãos sírios. Nos últimos tempos, circulam informações angustiantes. A cidade de Maalula, perto de Damasco, que possui sítios arqueológicos trogloditas que abrigaram cristãos nos primórdios do cristianismo e cujos habitantes ainda falam o aramaico, a língua de Jesus Cristo, teria sido atacada e seus habitantes massacrados por milicianos da Frente Al Nusra, a mais feroz das organizações radicais islamistas.
 
MASSACRES
Testemunhos estarrecedores nos chegam. Serão autênticos? O poder corrente de Bashar Assad confirmou os crimes, fez publicidade deles. Os insurgentes os contestam. Eles acusam Assad de ter inventado os horrores para intimidar os ocidentais e impedi-los de entregar armas a uma rebelião cada vez mais infiltrada pelos islamistas mais sanguinários.
 
Acaso será nomeada uma comissão da ONU para investigar esses crimes? E quando ela entregará suas conclusões? Em seis meses, um ano?
 
TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    20 de setembro de 2013 12:31 pm

    Mesmas dificuldades

    O papa está encontrando as mesmas resistências que os governos Lula e Dilma encontraram.

    Bem, os mesmos que defendem o imobilismo retrogrado do Vaticano são os mesmos que atacam as propostas de reformas dos governos do PT.

    A história demonstra.

    “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” e a “TFP”  lhe diz alguma coisa?

    1. leonidas

      20 de setembro de 2013 1:00 pm

      Que analogia heim

      Que analogia heim Assis?

      Dilma e Lula?

      O status quo esta intocavel neste pais desde os tempos coloniais

      Toda a oligarquia vai bem obrigado incluindo videos onde o Sao Lula pede voto para a Roseana afirmando que com a eleiçao dela as coisas iriam mudar no maranhao ( inacreditavael  né? rsrsrsr ) 

      Os bancos nunca ganharam tanto e pagaram tao pouco e empregaram tao pouco

      Ai vcs pegam coisas resistencia de parte da sociedade diversa , e denunciam isso como reaçao das elites contra seus lideres messianicos

      Voces gostam de  palavras como Elite e Excluidos pois nelas cabem um oceano de perfis

      Por exemplo os estudantes de medicina nos anos 90 que muito provavelmente vestiam camisetas do Che e apoiavam a esquerda contra as elites

      Hoje sao as elites denunciadas pelo PT como racistas e inimigas do povo pobre

      Que coisa lamentavel…

  2. IV Avatar do Rio OOOOOOooo

    21 de setembro de 2013 2:39 am

    Aprovado

    Progressista.,,,gostei

  3. agincourt

    21 de setembro de 2013 5:05 pm

    tradições

    Sou contra a revogação do celibato para os padres católicos.

    Caso venha a acontecer, o folclore brasileiro carecerá de uma releitura.

    Por quê?

    Por isso…

    …”[Mula-sem-cabeça] É a forma que toma a concubina do sacerdote. Na noite de quinta para sexta-feira, transforma-se num forte animal, de identificação controvertida na tradição oral, e galopa, assombrando quem encontra. Lança chispas de fogo pelo buraco de sua cabeça. Suas patas são como calçadas com ferro. A violência do galope e a estridência do relincho são ouvidas ao longe. Às vezes soluça como uma criatura humana.

    O encanto desaparecerá quando alguém tiver a coragem de arrancar-lhe da cabeça o freio de ferro ou se alguém tirar um gota de sangue com uma madeira não usada. Dizem-na sem cabeça, mas os relinchos são inevitáveis. Quando o freio lhe for retirado, reaparecerá despida, chorando arrependida, e não retomará a forma encantada enquanto o descobridor residir na mesma freguesia. A tradição comum é que esse castigo acompanha a manceba do padre durante o trato amoroso (J. Simões Lopes Neto, Daniel Gouveia, Manuel Ambrósio, etc.). Ou tenha punição depois de morta (Gustavo Barroso, O Sertão e o mundo).”

    [ http://pt.wikipedia.org/wiki/Mula_sem_cabe%C3%A7a]

    Será que o argentino Bergoglio quer agora acabar com uma tradição do nosso folclore?

    Isso sem falar no estrago para a literatura e a filmografia do Mundo Ocidental.

    Que interesse teriam, para futuras gerações,…

    …os padres lascivos de Boccaccio?

    …O Crime do Padre Amaro?

    …deliciosos filmes como A Mulher do Padre (La Moglie del Prete)?

    O padre comedor do Quarup, do Antônio Callado, perderia metade de seu teor revolucionário!

    Tradições precisam ser preservadas.

    O fim do celibato seria uma inominável violência cultural, mil vezes pior que Jorge Ben querer ser chamado de Benjor.

    Neste ponto, dou todo apoio à TFP e aos Arautos do Evangelho.

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