7 de julho de 2026

As denúncias de fraude contra o procurador que investigou Chalita

Sugerido por Marco St.

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Do Estadão

 
Fausto Macedo
 
Nadir de Campos Junior é acusado de tentar fraudar eleição para presidência da Associação dos promotores, em 2012
 
O procurador de Justiça Nadir de Campos Júnior foi denunciado criminalmente por falsificação de documento particular e uso de documento falso.
 
A acusação, subscrita pelo procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, sustenta que Nadir, entre os dias 29 de outubro e 1.º de dezembro de 2012, “por duas vezes, agindo em continuidade delitiva”, concorreu para fraudar processo eleitoral para a presidência da Associação Paulista do Ministério Público.
 
Algoz do deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), contra quem instaurou inquérito civil para investigar denúncias sobre supostas irregularidades na Secretaria Estadual da Educação – Pasta que o peemedebista dirigiu entre 2003 e 2007 (governo Geraldo Alckmin) –, Nadir disputou a presidência da entidade dos promotores pela chapa Renovação, Democracia e Participação, e perdeu.

 
Quando deu início à investigação sobre o ex-secretário, por suspeita de recebimento de propinas de empresários durante sua gestão na Educação, Nadir de Campos Junior exercia função na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público paulista que rastreia corrupção e fraudes contra o Tesouro.
 
Em meados de 2013, Nadir foi promovido a procurador. Já estava em curso a investigação que lhe atribui fraude. Segundo a denúncia da Procuradoria Geral de Justiça, o crime teria ocorrido a partir da falsificação de cédulas de votação, uma delas em nome de um associado aposentado que reside no interior do Estado. Esse promotor aposentado estaria impossibilitado de votar pois se submetia a “delicado procedimento médico de hemodiálise”.
 
O voto supostamente fraudado teria sido enviado à Associação Paulista do Ministério Público pelos Correios. “Colocando em prática o seu propósito delituoso, em posse de material destinado à votação pela via postal, o denunciado concorreu para sua falsificação”, descreve a acusação.
 
“Nesse sentido, pessoa não identificada preencheu a cédula de votação, assinalando o voto para a chapa liderada pelo denunciado, inseriu-a no envelope azul e, em seguida, introduziu ambos na sobrecarta, que foi rubricada e preenchida mediante a inscrição do nome e endereço (do eleitor aposentado), a quem se atribuiu indevidamente a autoria dos escritos”, destaca a denúncia.
 
Mas, o eleitor aposentado, inesperadamente, compareceu à sede da entidade para votar. Então, foi informado que “já havia votado” pelos Correios.
 
Parecer técnico “aponta que o preenchimento da sobrecarta é de autoria do denunciado (Nadir)”. Exame pericial encontrou impressões digitais do procurador na carta. “Restou evidente que o denunciado concorreu para a falsificação da cédula de votação e da carta resposta, como, também, fez uso de tais documentos falsos, encaminhando-os via postal à sede da Associação, a fim de que, indevida e fraudulentamente, o voto falsificado fosse computado em benefício próprio e de seus companheiros de chapa, em prejuízo de seus concorrentes”, afirma a denúncia.
 
O advogado Ronaldo Marzagão, que representa o procurador Nadir de Campos Junior, disse que ainda não teve acesso à denúncia da Procuradoria Geral de Justiça, mas reagiu taxativamente à acusação. “Meu cliente nega qualquer imputação de prática de crime, seja ele qual for. Quando ouvido no Ministério Público, (Nadir) já esclareceu que, efetivamente, manuseou cédulas de votação, como outras pessoas manusearam. Portanto, nada mais natural que impressões digitais dele constassem do material que compunha o kit do voto.”
 
Marzagão considera “estranho que um parecer grafotécnico (incluído nos autos) foi preparado por uma autoridade policial, não por um perito oficial, em desacordo com a lei”. “Tenho muitos anos de vida profissional, nunca me deparei com um precedente desses”, protesta Ronaldo Marzagão.

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9 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    27 de novembro de 2013 10:22 am

    Um procurador de justiça de SP precisando de advogado…

    é a prova que o “nosso” sistema judiciário é auto-centrado, mais um caso de aumento sistemático da entropia sem nenhum resultado palpável para a natureza, fora seu custo altíssimo.

    1. André LB

      27 de novembro de 2013 10:49 am

        Discordo, Lionel.
        Quando

        Discordo, Lionel.

        Quando algo parece não funcionar e ainda assim existe, é que nós não encontramos sua razão de ser. Inclusive eu sei que você sabe disso, seus comentários são bons demais para alguém que não saiba.

       

        O Judiciário (e o MP) apenas parecem funcionar mal. São instituições criadas em uma sociedade feudal – a brasileira – apenas para aplacar a sede de mudança que parte (menos poderosa) dessa mesma sociedade exige, em conformidade com o que é feito “lá fora”. É quase como o “filho, faça a independência antes que um aventureiro a faça”.

        Claro, como todo o resto, a “modernidade” é utilizada para legitimar o mandonismo puro e simples, então o Poder Puro (elites agrárias, financeiras, etc) trata de se infiltrar nas ‘novas’ instituições. O resultado palpável é a manutenção do poder nas mãos dos mesmos. Cidadania não é o nome do jogo. Falta apenas um Zygmund Bauman escrever um “Feudalismo líquido” para explicar nossa sociedade, na qual a lógica é simples, mas as aparências enganam.

       

      1. RONALD

        27 de novembro de 2013 11:10 am

        FEUDALISMO GLOBAL

        ANDRÉ.

        Sobre o seu comentário, só posso aplaudir: CLAP, CLAP, CLAP,

        Concordo plenamente contigo. Vivemos um feudalismo global, e  só mudou a forma de manter a plebe ao redor dos castelos.

      2. Ivan Arruda

        27 de novembro de 2013 11:32 am

        Quanto nos custa as desordens

        Quanto nos custa as desordens da ordem, fora as viagens aéreas e aparato midiático pagos por nós? Será que ainda percebem o cidadão? Ou só o cliente e contribuinte? O estado está tomado e com tendências a aumentar. Com direito a julgamentos personalizados. 

  2. vera lucia venturini

    27 de novembro de 2013 10:31 am

    E os políticos é que são

    E os políticos é que são corruptos!!!

    Será este senhor é amigo do De Grandis? Será amigo daqueles promotores que atendendo pedidos matam Celso Daniel a cada eleição? Do Antonio Fernando, Gurgel, Gilmar Mendes, Demóstenes Torres, Tourinho não deve ser amigo, eles moram muito longe!!!

  3. sSérgio Lamarca

    27 de novembro de 2013 11:06 am

    Destruir reputações
    Existe uma máquina de destruir reputações e promover caça as bruxas que é a combinação de Mídia + Procuradoria. E agora? Como fica o sujeito que foi achincalhado perante a opinião pública. Não era para ser demitido sumariamente? Esse país é uma república comandada por bandos corporativistas, advogados, procuradores, médicos, engenheiros, etc.

  4. Ivan de Union

    27 de novembro de 2013 11:46 am

    Acharam IMPRESSAO DIGITAL em

    Acharam IMPRESSAO DIGITAL em papel de voto?!?!?!

    Nao bate com nada que eu conheco…  nao que eh impossivel, so eh improbabilissimo mesmo.

  5. Marcio Cruzeiro

    27 de novembro de 2013 12:37 pm

    Seria o caso de pedir a

    Seria o caso de pedir a Globo, que reforce a campanha pela PEC do M.P……rsrsrsrs

  6. Carlinhos 10

    3 de dezembro de 2013 1:41 pm

    Denúncia de fraude do Procurador que investiga Chalita

    O MInisterio Publico é muito maior que um procurador que pratica um crime. A instituição é séria, a mais respeitada pela sociedade brasileira. Entretanto, quando um integrante do seu quadro pratica um crime dessa natureza, ainda mais falsificando voto em eleições internas, o caminho que lhe resta é a rua. Demissão nele. Não é possível perseguir infratores, se dentro de casa tem um deles. Qual a respeitabilidade desse procurador para se manifestar nos processos que apuram crimes? Demissão é o mínimo que se espera.

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