O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar em dúvida o compromisso de Washington com seus aliados europeus ao chegar à cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Embora o encontro tenha como objetivo reforçar a cooperação entre seus membros, a chegada de Trump foi marcada por críticas aos próprios aliados e amplia um período de desgaste entre a Casa Branca e os outros países que integram a aliança militar.
A principal polêmica envolveu novamente a Groenlândia, com Trump voltando a defender que o território (pertencente ao Reino da Dinamarca, país integrante da OTAN) deveria ficar sob controle americano.
Segundo ele, a Dinamarca investe pouco na proteção da ilha, enquanto navios russos e chineses ampliam sua presença nas águas próximas. “O território deveria ser controlado pelos Estados Unidos, não pela Dinamarca”, afirmou.
A ideia não é nova. Ainda durante seu primeiro mandato, Trump chegou a propor a compra da Groenlândia, iniciativa rejeitada imediatamente por Copenhague e pelas autoridades locais, que classificaram a ilha como “não negociável”.
Redução da segurança europeia
Em declarações à jornalistas, Trump também voltou a questionar o custo da presença militar americana na Europa. Segundo o presidente, que quer reduzir o papel dos EUA como financiador da segurança europeia, Washington investe centenas de bilhões de dólares para garantir essa proteção sem receber contrapartidas equivalentes dos aliados.
Outro ponto recorrente das críticas de Trump diz respeito ao financiamento da OTAN. O presidente voltou a afirmar que diversos aliados continuam investindo menos do que deveriam em defesa, obrigando os Estados Unidos a arcar com parcela desproporcional dos custos da aliança.
Atualmente, os países discutem ampliar o objetivo de gastos para aproximadamente 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, além de investimentos complementares em infraestrutura de defesa.
Divergências sobre o Oriente Médio
Trump também criticou a postura de alguns aliados durante o recente conflito envolvendo Estados Unidos e Irã ao afirmar que países europeus ofereceram apoio apenas após o encerramento das operações militares, comportamento que classificou como decepcionante.
A cúpula ocorre em um momento particularmente sensível para a aliança atlântica: além da continuidade da guerra na Ucrânia, os países-membros enfrentam o desafio de ampliar investimentos em defesa, fortalecer a indústria militar europeia e responder ao aumento da influência da China no cenário internacional.
Nesse contexto, as declarações de Trump reacendem dúvidas sobre o futuro do compromisso americano com a defesa coletiva prevista no Artigo 5 do tratado da OTAN, segundo o qual um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos.
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