4 de junho de 2026

Incorporadora confirma pagamento de R$ 4,1 mi em propina a auditores presos

Do Estadão.com.br
 
 
01 de novembro de 2013 | 15h 04
 
Bruno Ribeiro – O Estado de S. Paulo
 
Atualizado às 15h18
 
Segundo representantes da incorporadora, dinheiro corresponde ao valor da liberação de 20 empreendimentos lançados em São Paulo entre 2009 e 2012
 
SÃO PAULO – Representantes da incorporadora Brookfield, citada na investigação que apura um esquema de cobrança de propina para a redução de impostos na Prefeitura de São Paulo, confirmaram na manhã desta sexta, 1, o pagamento de R$ 4.124.658,22 para o grupo de auditores fiscais presos na quarta-feira, 30. Operação do Ministério Público Estadual (MP) e da Controladoria Geral do Município mostra que os pagamentos foram feitos entre 30 de novembro de 2009 e 5 de outubro de 2012.
 
Os pagamentos foram feitos, em sua maioria, em uma conta corrente usada pelos fiscais. O dinheiro corresponde ao valor da liberação de 20 empreendimentos lançados pela incorporadora na cidade. Conforme o Estado revelou na edição desta sexta-feira, a propina costuma equivaler a 50% do Imposto Sobre Serviços (ISS) devido.

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Um representante da empresa, acompanhado de seu advogado, foi ouvido na condição de testemunha. Por hora, os promotores ainda apuram se as incorporadoras eram vítimas da quadrilha ou parceiras no delito.
 
Ainda conforme o Estado revelou nesta sexta, o MP tem informações de que as empresas tinham a opção de pagar o imposto inteiro ou recorrer ao grupo de fiscais para obter desconto. Na tarde desta sexta, o MP deve continuar a ouvir depoimentos dos quatro funcionários públicos presos. Ronilson Bezerra Rodrigues e Eduardo Horle Barcellos são tidos como os líderes do grupo. Carlos di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardoso Magalhães respondiam aos outros dois.
 
O advogado Roberto Podval, que acompanhou o depoimento dos representantes da Brookfield, confirmou que a empresa foi ouvida mas preferiu não dar detalhes das informações passadas aos responsáveis pela investigação.
 
Entenda. Quatro servidores públicos da Prefeitura de São Paulo foram presos na manhã de quarta-feira, 30, acusados de integrar uma quadrilha que cobrava para liberar empreendimentos imobiliários na capital. As fraudes foram cometidas entre 2007 e 2012, durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, e teriam causado um rombo que pode chegar a até R$ 500 milhões.
 
Os auditores fiscais envolvidos no esquema cobravam para diminuir o valor do Imposto Sobre Serviços (ISS)  pago por construtoras. O imposto é um requisito para que os empreendimentos obtenham o habite-se, podendo ser comercializados.
 
A ação é o primeiro ato da “Operação Acerto de Contas”, um esforço da Prefeitura e do Ministério Público Estadual para combater a corrupção dentro das repartições municipais. O esquema é tratado pelo prefeito Fernando Haddad como “um dos maiores escândalos já descobertos na cidade”.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Ivan de Union

    1 de novembro de 2013 7:23 pm

    “Os pagamentos foram feitos,

    “Os pagamentos foram feitos, em sua maioria, em uma conta corrente usada pelos fiscais”:

    Em outras palavras, “confirmou” porque nao havia maneira de negar, ne?  Mas se houvesse, a mamata teria continuado.

    QUEM VAI PAGAR OS 20 IMPOSTOS QUE ELES NAO PAGARAM PORQUE PREFERIAM PAGAR PROPINA?

    QUANDO?

    QUE DIA E HORA?

  2. Avelino de Oliveira

    1 de novembro de 2013 9:33 pm

    Calma, ainda não é domínio do fato

    Caro Nassif e demais

    Ainda não é domínio do fato, por mais fato que haja, ainda não é o suficiente. Tucano é tucano até na casa grande.

    Eles estão procurando alguma coisa que possam mentir e culpar o PT.

    Saudações

  3. emerson57

    1 de novembro de 2013 11:12 pm

    falta o detran

    o amigo está viajando pelas privatizadas estradas paulistas e afins.

    limite de velocidade 100 km por hora.

    do nada surge um carro importado que passa a “milhão”.

    eu se passar um pouquinho da velocidade sou multado.

    e o outro? para ele a velocidade deve ser medida em milhas e não em km.

    eu se bobear perco a carta e faço escolinha.

    e o outro? tem “facilidades” no detran?

    e´só ver quem enricou com salário de funcionário público.

  4. edmorc

    1 de novembro de 2013 11:43 pm

    Eureka

    Eureka, mamma mia. Até que em fim surgiu um, por enquanto somente um nome de agente corruptor. Ufa!!!!!!! Já estava achando que havia só corruptos. Mas já melhorou. E os outros corruptores, onde estão?

  5. Leandro_O

    29 de novembro de 2013 1:43 pm

    É, só mesmo super servidores

    É, só mesmo super servidores públicos para extorquir tamanha quantia. Afinal, só super servidores que iriam usar e abusar da situação, escancaradamente, sem que ninguém ousasse fazer algo a respeito.

    É a teoria da hipossuficiência virada do avesso.

    Coisas que só acontece no Brasil das jaboticabas.

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