2 de julho de 2026

Magistrados são punidos ou recebem férias?, por Bernardo Mello Franco

 
Menor que ficou presa em uma cela cheia de homens no Pará
 
Jornal GGN – Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Bernardo Mello Franco comenta o caso da adolescente de 15 anos que ficou presa em uma cela cheia de homens durante 26 dias, sofrendo agressões, queimaduras e estupros.
 
O caso ocorreu em 2007, e, nesta terça (11), o Conselho Nacional de Justiça decidiu que a omissão da juíza Clarice Maria de Andrade – que recebeu em ofício para transferir a jovem, mas levou 13 dias para analisar o caso – contribuiu aos abusos. Bernardo critica a punição aplicada à magistrada, que foi afastado do cargo e continuará recebendo salários durante dois anos.

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Leia a coluna completa abaixo:
 
Da Folha
 
 
Bernardo Mello Franco

O caso chocou o país no fim de 2007. Aos 15 anos, uma adolescente foi jogada numa cela lotada de homens em Abaetetuba, interior do Pará. Durante 26 dias, ela apanhou, teve a pele queimada com cigarros e foi estuprada. A jovem havia sido presa sem julgamento, sob a acusação de tentar furtar um celular.

Quando a história veio à tona, o chefe da polícia paraense foi chamado a se explicar no Senado. Num plenário cheio de parlamentares e jornalistas, afirmou que a jovem deveria ter “alguma debilidade mental”. Era a resposta oficial à barbárie: culpar a vítima pela violência que sofreu sob a custódia do Estado.

Pouco depois, descobriu-se que o delegado não era a única autoridade a lavar as mãos no episódio. A juíza Clarice Maria de Andrade havia recebido um ofício “em caráter de urgência” pedindo a transferência da jovem. O documento dizia que ela corria “risco de sofrer todo e qualquer tipo de violência” na cadeia. Apesar disso, a magistrada demorou 13 dias para tomar providências.

Em 2010, o Conselho Nacional de Justiça puniu a juíza com a aposentadoria compulsória. Ela recorreu ao Supremo Tribunal Federal, que anulou a decisão e determinou que o CNJ voltasse a examinar o caso.

Passados nove anos, o conselho decidiu nesta terça (11) que a omissão da juíza contribuiu para os abusos. O relator Arnaldo Hossepian concluiu que ficou “evidente a falta de compromisso da magistrada com suas obrigações funcionais”. A defesa alegou que ela desconhecia as condições da prisão.

A doutora foi afastada do cargo, mas continuará a receber o salário em dia. Vai passar os próximos dois anos em casa, com despesas pagas pelo contribuinte paraense. Manterá o direito de ser chamada de “excelência” e poderá voltar ao serviço depois da temporada de meditação doméstica. Na Lei Orgânica da Magistratura, isso é descrito como pena de “disponibilidade”. Em outras profissões, seria chamado de férias. 

 

Redação

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15 Comentários
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  1. Snaporaz

    13 de outubro de 2016 2:26 pm

    Faltou um outro sinônimo,:

    Faltou um outro sinônimo: corporativismo!

     

  2. Somebody

    13 de outubro de 2016 2:27 pm

    Volto a repetir, e vou

    Volto a repetir, e vou colocar em negrito para garantir que seja entendido:

    Os seus juízes têm poder demais e nenhuma obrigação de responder por ele

    E mais ridículo ainda, aposentadoria é punição? Quem foi o asshole que teve uma idéia absurda dessas?

  3. naldo

    13 de outubro de 2016 2:32 pm

    Uma das maiores vergonhas do

    Uma das maiores vergonhas do estado,

     

    não conseguem punir juizes ou promotores,  por isso há a necesside de de um controle externo verdadeiro inclusive para julgar, o que não seria estranho ao processo democratico já que o poder emana do povo, detalhe incomodo que gostam de esquecer……

  4. Jorge Luis

    13 de outubro de 2016 2:37 pm

    Quando li essa notícia no

    Quando li essa notícia no UOL, apresentada pelo “calunista” Josias de Souza, quase vomitei. Não apenas pela notícia em si, que já é revoltante ao extremo, mas pela canalhice de mencionar no final do texto que o estado era governado, na época, por “uma petista”.

    Então a chefe do executivo estadual tem alguma ingerência no poder judiciário? Se a governadora fosse de outro partido, o nobre “calunista” acrescentaria essa observação?

  5. joel lima

    13 de outubro de 2016 3:12 pm

    Se você contar as ‘punições’

    Se você contar as ‘punições’ que os juízes sofrem no país para um estrangeiro de um país sério, ele vai pensar que você está querendo enganá-la, fazê-lo de bobo. E é essa justiça que agora, via Moro e Janot, querem ser o poder a ‘purificar’ o país. Desculpa a palavra, mas estamos fodidos . 

  6. antonio francisco

    13 de outubro de 2016 3:23 pm

    Tem também o caso da juíza Graciema com a maçonaria

    http://istoe.com.br/celso-de-mello-nega-mandado-a-juiza-do-%C2%91escandalo-da-maconaria%C2%92/

    1. ze sergio

      13 de outubro de 2016 3:44 pm

      tem….

      Até quando nos enganaremos? Que democracia? Que cidadania? Onde “todos iguais perante à lei”? Cada feudo dominando seu latifúndio nas Capitanias Hereditárias do Estado Brasileiro. Justiça? Poder Judiciário? Mas não é apenas um caso isolado. É uma das faces ha espetacular hipocrisia nacional. Onde estão as entidades e politicos que cobram os direitos das crianças? E os direitos das mulheres, tão evidente e midiático nestes tempos? Silêncio. Hipócritas. Silêncio. Hipócritas.   

    2. bonobo de oliveira, severino

      13 de outubro de 2016 4:37 pm

      Nesse caso, não se aplica.

      No caso da Dra. Graciema ela está protegida pela letra da LOMAN, a regra editada pelas ma$$onarias do judi$$$iario para casos excepcionais em que há suspeita de falha dos infalíveis magi$$$trados. Segundo a própria recorrente registra no artigo, a regra é clara:

      (…)

      “O pedido da magistrada ressaltou que a condenação foi baseada no inciso II artigo 56 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman – Lei Complementar 35/1979), o qual prevê a pena de aposentadoria compulsória em caso de procedimento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.”

      (…)

      Como não existem, evidentemente, dignidade, honra e nem tampouco decoro, exigíveis à prática das atribuições do cargo, não há como qualquer procedimento ser incompatível com o que não existe. Parafraseando aquele antigo curandeiro, o Padre Quevedo, “…NO ECZISTE!!”

      https://www.youtube.com/watch?v=Cq4vD29JkGo

  7. Carioca

    13 de outubro de 2016 3:46 pm

    Duas respostas:
    1) Aos

    Duas respostas:

    1) Aos amigos? A LEI ! Aos inimigos? TUDO !

    2) Nada acontece de novo abaixo da linha do Equador!

  8. Ana Salvador

    13 de outubro de 2016 4:43 pm

    Magistrados são punidos???

    Os que deveriam dar exemplos são os mais omissos. Onde ja se viu uma punição com sabor de premio.

  9. maria rodrigues

    13 de outubro de 2016 4:48 pm

    Quem cometeu mais crime aí?

    Quem cometeu mais crime aí? Os bandidos, que vivem disso, ou uma magistrada, juíza, que precisava apenas reconhecer o óbvio, e transferir com urgência a garota, que por certo já foi chegando na cela e sendo abusada. 

    Gastou-se tempo e dinheiro com audiências para se chegar à conclusão de que a pobre juíza foi injustiçada. De repente, tem até indenizações para agradá-la um pouco mais.

    E o que ficou da garota? Quem poderá defender essa menina de tanta brutalidade vivida?

  10. ia2

    13 de outubro de 2016 4:52 pm

    Vontade de vomitar.

    Vontade de vomitar.

  11. Edsonmarcon

    13 de outubro de 2016 6:57 pm

    As penas dos juízes….

  12. Egomet Leão

    13 de outubro de 2016 11:02 pm

    O maior mal do Brasil não é

    O maior mal do Brasil não é  a roubalheira dos políticos, os mal-nascidos que roubam e matam pelas ruas e residências do País; não é a droga e os drogados… Nada disso!

    O maior mal do Brasil é – sem qualquer sombra de dúvida – a Justiça!

    Vou continuar malhando-em-ferro-frio, porque creio que nada se fará a respeito. Até porque, sei que muitos supoem seja isso exagero ou despropósito; não confrontam essa realidade do que digo com a essência da própria vida.

    Mas, vejamos: se numa família os responsáveis pelo andamento da vida nela – o pai e a mãe – são prepotentes, imoralmente se mancomunam contra os dependentes e os tratam como restolho, o que eles levam seus filhos a se tornarem? A sociedade brasileira é em grande parte o que é, por conta de seu Sistema Judiciário 

    Esta é a culpa da Justiça. Dos juízes e das juízas. Eles, que deveriam ser os guias da família brasileira, colocam-se em pedestais inexistentes, em situação de vestais, de seres excepcionais… sem entenderem, nem de longe, quem são eles em relação à Sociedade e qual é o seu trabalho em relaçao a tantos outros que existem.

    Só que muito da culpa por esse desvio de compreensão é nossa. Porque toleramos que se julgassem com  absurda e ilógica vaidade, permitindo-lhes uma fleugma e um salário abusivamente imoral em relação ao que fazem e aos contribuintes e, por isso mesmo, decidiram que quanto menos trabalharem, melhor é. E se errarem, terá de ficar por isso mesmo – gostemos ou não!

    Porque deixamos que se regulassem a si mesmos (claro que tendo pretensos órgãos de controle como fachada).

    Se não escolhermos muíssimo bem quem deve fazer a Justiça, se não controlarmos seu trabalho e seu status, se não lhes dermos mandatos bem-dosados, nunca teremos um Judiciário que valha a pena – só teremos mais disso aí!  

  13. Jus Ad Rem

    14 de outubro de 2016 7:28 am

    É preciso acabar com a

    É preciso acabar com a impunidade e principalmente com essas mordomias e privilégios. As pessoas têm que ser responsáveis por seus atos. Essa mordomia concedida a magistrados, a título de “punição”, é um engodo para enganar a sociedade.

    Quem errou deve ser punido e não privilegiado!

    Férias é prêmio e não punição!

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