5 de junho de 2026

A paródia de Casa de Caboclo, por Pinto Filho

Pinto Filho – Paródia sobre CASA DE CABOCLO – Chiquinha Gonzaga, Hekel Tavares e Bastos Tigre  

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Em 1928, Hekel Tavares e Luiz Peixoto lançaram CASA DE CABOCLO, que teve gravação original de Gastão Formenti. Chiquinha Gonzaga, que em 1878 compusera a modinha BELA ROSA com a mesma melodia, ingressou judicialmente contra ambos e ganhou a questão, parcialmente. Assim, consigna-se que CASA DE CABOCLO é da autoria de Chiquinha Gonzaga, Hekel Tavares e Luiz Peixoto, de acordo com comentário abalizado do pesquisador Samuel Machado Filho.

O sucesso foi estrondoso e os versos finais da canção ainda hoje são conhecidos por todos através do ditado popular: Um é pouco, dois é bom, três é demais. 

Bastos Tigre, quando da campanha política referente às eleições presidenciais para escolher o substituto de Washington Luiz, aproveitou a melodia em sua totalidade e elaborou esta paródia, interessantíssima, sobretudo para reavivar nossa história através da música.

A gravação ficou a cargo do excelente ator humorístico e cantor Pinto Filho (Oscar Pinto de Souza), com acompanhamento de piano em  26 de junho de 1929 e lançado o disco Parlophon nº 12989-b em  agosto do mesmo ano.

O Chefe Político mineiro  Antônio Carlos de Andrada é mencionado como “Seu Toninho ou Seu Tonico”, enquanto que Júlio Prestes, Presidente de São Paulo, é tratado por “Seu Julinho”. Este último foi indicado candidato situacionista  e venceu a disputa em um pleito que se disse viciado. Ganhou, porém não tomou posse, havendo sido o Presidente Washington Luiz deposto por Getúlio Vargas, através da revolução de 1930.

 

Fontes:

http://musicachiado.webs.com/GravacoesRaras/PintoFilho.htm;

Comentário de Samuel Machado Filho ao vídeo Casa de Caboclo, na interpretação de Inezita Barroso;

A História Cantada no Brasil em 78 Rotações – Nirez.

 

 

Vancê conhece o palacete 

Do Catete,

O mais rico do país?

É lá dentro, soberano, 

há três ano,

Doutor Óxiton Luís.

 

Tem salão e tem salinha, 

Bonitinha,

Um jardim cheio de flor.

Nas recepução de gala,

Pelas sala,

Fica ansim

De engrossadô. 

 

Farta somente um ano e meio,

Eu bem o sei-o,

Para o dono se mudar.

Quer por ali fazer seu ninho,

Seu Toninho,

Que é de Minas maiorá. 

 

Mas seu Julinho, que é paulista,

Tem as vista.

Nessa mesma habitação.

É amigo do barbado,

Tá cotado

Pra vencer nas eleição.

 

E o Tonico tem o queijo,

O seu desejo,

Qué cumpri, dê no que dé.

Mas o tal de seu Julinho,

De mansinho,

Vai pagando pro café.

 

Um deles dois tem que ír simbora,

Dando o fora,

Pra que tudo acabe em paz.

Pro módi quê no Palacete do Catete,

Um é bom, 

Dois é demais.

Leia mais aqui: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/pinto-filho-par-dia-sobre-casa-de-caboclo-chiquinha-gonzaga-hekel

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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