“Se a tarifa não baixar, vamos continuar nas ruas”
Militantes do Movimento Passe Livre falam sobre a onda de protestos em São Paulo
Tudo começou com a insatisfação do aumento da tarifa no transporte público e em seguida todos os demais desgostos do povo brasileiro passaram a ser também motivo de protesto. O resultado dessa insatisfação levou milhares de brasileiros às ruas nesta segunda-feira, 17. Em São Paulo, o Movimento Passe Livre contabilizou mais de 100 mil pessoas, mas de acordo com a Polícia Militar cerca de 30 mil estavam nas ruas.
Nesta mesma segunda, dois militantes do Movimento Passe Livre – a estudante de direito Nina Cappello e o professor de História Lucas Monteiro de Oliveira – estiveram no centro do programa Roda Viva para falar sobre os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus e a situação do transporte público no Brasil.
Nina afirma que o MPL tem um objetivo claro: a luta contra o aumento das passagens. Ela revela que Fernando Haddad convocou os militantes para participarem da reunião do Conselho da cidade, que acontece nesta terça-feira, 18. Mas Nina diz que ainda seria necessária uma reunião na quarta-feira, 19, com o prefeito. Durante os protestos desta segunda, Geraldo Alckmin anunciou à imprensa que estaria aberto a diálogos sobre tarifas. Enquanto não há de fato um acordo, a militante diz que as manifestações continuarão: “Se o governo não baixar a tarifa, vamos continuar nas ruas”.
Nina revela que o movimento pretende realizar um novo protesto nesta terça-feira, 18. O evento deve ocorrer na Praça da Sé, a partir das 17h, caso o governo não volte atrás.
Lucas também defende que o objetivo do MPL é a redução da passagem, mas diz que é a favor da taxa zero: “É uma decisão política o aumento, assim com é uma decisão política a existência da tarifa. Há cidades no Brasil, como outros países, em que existe a tarifa zero”.
Ele critica as empresas de ônibus, que têm lucro garantido, no entanto falham com a prestação de serviço. Segundo Lucas, o governo poderia renegociar esses valores, porém as autoridades não demostram interesse. De acordo com o militante, as empresas estariam lucrando cerca de R$ 15 mil por veículo.
Nina não tem dúvidas de que o movimento ganhou força e que tem poder para mudar o valor da tarifa, assim como outros fatores referentes ao transporte público. Nas primeiras mobilizações, o Passe Livre somava, em média, 10 mil pessoas e, nesta segunda, levou mais de 100 mil, mesmo com os atos de violência ocorridos no último dia 13. A militante justifica: “Só tiveram atos de violência quando houve repressão da polícia. Na quinta, assistimos a uma prática que muito vimos na época da ditadura: a detenção para averiguação”.
Lucas afirma que “a repressão fez as pessoas ficarem mais solidárias”. Além das redes sociais que serviram de ferramenta para disseminar o movimento, o militante ressalta que desde o dia 13 a postura da imprensa também mudou. “Quando atinge pessoas próximas, a gente tende a olhar diferente”, referindo-se aos jornalistas que foram repreendidos pela polícia.
http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-entrevista-lideres-do-movimento-passe-livre
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