5 de junho de 2026

As lideranças de oposição e o último livro de Gabeira

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Excelente pessoa, péssimo político 

Rudá Ricci

A frase é de Pedro Nava sobre Duarte de Abreu. Está no último livro de Gabeira, “Onde está tudo aquilo agora?”, publicado pela Cia das Letras no ano passado. Quando li esta frase, logo me veio à mente que se tratava de um ato falho de Gabeira. Porque o político carioca é evidentemente pior que o escritor e jornalista mineiro/carioca. Gabeira escreve fácil, é cativante, sincero, meio saudosista.

O político é errático e rancoroso, tanto que se aliou com o que criticava no ex-aliado.

Pouco depois, percebi que a frase cabe a quase todas lideranças de oposição ao lulismo, o que me confunde. Vários expoentes anti-lulistas são boas pessoas. Alguns, até excelentes. Mas são péssimos políticos porque acreditam que são traídos por seu tempo. Na verdade, não conseguem fazer uma leitura realista do Brasil contemporâneo e quase jogam a toalha. Se pararmos para pensar, fora a vertente DEM, os oposicionistas são majoritariamente oriundos da esquerda. Portanto, é de se imaginar que levem, em algum lugar da memória, os vícios antigos da utopia quixotesca e da eterna esperança de se redimirem pela história, que os absolverá dos fracassos momentâneos.

Não consigo me convencer que a oposição que está aí seja melhor, efetivamente, que a situação (que não me agrada). Não sei nem mesmo se seria a troca de seis por meia dúzia. Minha intuição sugere que seria pior, quase uma corrida de sedentos ao pote de água que parecia intransponível. O discurso que carregam, vazio de sentido real, rancoroso e personalista sugere que a justiça divina tarda, mas não falha, e que se veem na fila de espera, que está encurtando a cada eleição. Ora, este é o mesmo discurso dos agrupamentos de esquerda que não passavam das agremiações estudantis e, no máximo, atingiam algum sindicato marginal. Mas logo os anos de penúria seriam superados pela justiça abstrata da história (escreviam com “H” maiúsculo, lembro bem).

Esse pessoal tem algo de passadista, emocionalmente anacrônico. Mas são excelentes pessoas. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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