4 de junho de 2026

PT não é contra plebiscito, mas nega que proposta derrube impeachment

 
Jornal GGN – Ao contrário do que divulgou a Folha de S. Paulo, a cúpula do PT não rejeitou a realização de plebiscito sobre novas eleições, proposto em carta aberta pela presidente afastada Dilma Rousseff.
 
O que a Executiva Nacional do partido negou foi publicar um outro documento endossando o pedido de plebiscito, uma proposta do secretário de Formação do PT, Carlos Henrique Árabe. Para o político, a sigla deveria declarar “apoio irrestrito à convocação de um plebiscito”.
 
Mas, apesar de negar um documento que reafirmasse a posição de Dilma, o presidente do PT, Rui Falcão, explicou que a medida não significava uma rejeição ao plebiscito. “A carta [de Dilma Rousseff] foi amplamente reproduzida em nosso site. Por que repô-la aqui?”, questionou Falcão.
 
Para Carlos Henrique Árabe, o partido deveria frisar a ideia do plebiscito, como forma de angariar apoio de senadores contra o impeachment de Dilma. No comunicado, estaria destacado: 
 
“O PT apoia a afirmação da presidenta Dilma na sua carta histórica ao povo: ‘Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral'”.
 
Entretanto, por 14 votos a 2, a maioria da cúpula negou essa nova manifestação. Com isso, a resolução de conjuntura definida na reunião nesta terça-feira (23), não adicionou o trecho proposto, mas manteve as críticas ao governo interino de Michel Temer e a necessidade de se desmascarar o golpe, além de apoio à Dilma.
 
“É vital derrotar o golpe para manter o regime democrático, defender direitos sociais e o retorno da presidenta Dilma Rousseff com um programa de mudanças. Eis a tarefa principal do PT, dos setores democráticos e populares do País”, diz o texto.
 
O documento também lembra dos ataques do governo Temer, como a contrarreforma da Previdência, a desvinculação do salário-mínimo para o reajuste de benefícios, o estímulo à terceirização.
 
“Ao surrupiar o voto de 54 milhões de brasileiros e brasileiras, o governo usurpador, com seu programa neoliberal e ações regressivas, coloca em risco direitos duramente conquistados, as liberdades democráticas, o patrimônio público e a soberania nacional. Em pouco mais de três meses, a ofensiva reacionária espalha-se em várias frentes”, definiu a cúpula.
 
O partido disse que “enganam-se os que acham que o PT e os setores democráticos, todos e todas que apoiam Dilma, esmoreceram”. Manifestou que os atos e mobilizações seguirão e que é tarefa da sigla “intensificá-las, reforçar a imensa energia popular que resiste ao golpe”. “Só a mobilização pode barrar o impeachment”, concluiu o PT.
 

Leia a resolução:

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“Reunida no dia 23 de agosto de 2016 em São Paulo, a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, aprovou a seguinte resolução de conjuntura:

Os próximos dias serão decisivos para a vida do povo brasileiro. É vital derrotar o golpe para manter o regime democrático, defender direitos sociais e o retorno da presidenta Dilma Rousseff com um programa de mudanças. Eis a tarefa principal do PT, dos setores democráticos e populares do País.

Como já demonstrado à sociedade, não só pelas perícias técnicas mas pela própria confissão de uma senadora golpista, a presidenta Dilma não cometeu qualquer crime. E impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. Ainda que tentem mascará-lo com uma cínica chicana jurídico-legal. Fala-se em cassação da Presidenta pelo “conjunto da obra”. Como bem afirmou a Presidenta Dilma em sua carta aos senadores: na democracia, quem destitui um governante eleito, pelo conjunto da obra, é o povo. Ninguém mais.

Ao surrupiar o voto de 54 milhões de brasileiros e brasileiras, o governo usurpador, com seu programa neoliberal e ações regressivas, coloca em risco direitos duramente conquistados, as liberdades democráticas, o patrimônio público e a soberania nacional.

Em pouco mais de três meses, a ofensiva reacionária espalha-se em várias frentes. Vai desde a contrarreforma da Previdência, com a elevação da idade mínima para aposentadoria e a desvinculação do salário-mínimo para o reajuste de benefícios, até a derrogação da CLT, com terceirização generalizada, extensão da jornada de trabalho e prevalência do negociado sobre o legislado.

Mas a ação nefasta estende-se à política altiva e ativa do Itamaraty, agora transmutada pelo golpista José Serra em alinhamento automático e submisso aos Estados Unidos. A crise aberta no Mercosul, com o veto à presidência pro

tempore da Venezuela, é mais um episódio de sabotagem à integração regional, assim como a simpatia por acordos bilaterais de livre-comércio fragiliza a consolidação dos BRICS.

Na área econômica avultam as medidas regressivas, como a PEC 241/16, que institui um regime fiscal que, ao impor um teto para os gastos públicos durante 20 anos, sacrificará os gastos constitucionais obrigatórios com saúde e educação. Nossas Bancadas lutam para barrar este retrocesso, assim como se voltam contra a PEC 257/16, que ataca direitos dos servidores públicos.

O desmonte do Estado transparece na sanha das privatizações, com a entrega das riquezas nacionais – a Petrobrás e o Pré-Sal à frente – e com a permissão da venda de terras para estrangeiros.

Os golpistas querem fazer retroceder o país aos tempos de triste memória em que o estado brasileiro era de poucos e para poucos, o chamado estado mínimo neoliberal. Em que não havia políticas de inclusão social, como o Bolsa Família e a Valorização do salário mínimo ; em que a saúde e a educação eram mercadorias pelas quais pagava quem tinha recursos, em que não havia investimento no SUS, SAMU, Brasil Sorridente, interiorização de universidades públicas, política de ampliação de creches; em que negros/as, pobres, mulheres, índios, pessoas LGBT eram mais discriminados e sujeitos, sem a mínima proteção do estado, a toda sorte de violência e ataque aos seus direitos humanos; em que jovens das classes trabalhadoras não tinham nenhum horizonte educacional de nível universitário nacional e internacional, em que não havia Pro-Uni, FIES ou Ciência sem Fronteiras; em que não havia perspectiva de desenvolvimento econômico em todo o território nacional com justiça social, geração de empregos e proteção social; em que não havia investimento público em infraestrutura, em autossuficiência energética, na política de fortalecimento da nossa engenharia pesada e da engenharia consultiva , o que favoreceu o desenvolvimento tecnológico de conteúdo nacional com a expansão da logística e infra-estrutura para as regiões Nordeste Norte e Centro-Oeste, como o foi desde 2003 com Lula.

Os golpistas são contra o Brasil para todos, com igualdade de oportunidades. Portanto, só na base do golpe conseguiriam implementar essa agenda com tanto retrocesso social, pois, no voto, na democracia, essa agenda foi derrotada. Asolimpíadas recém encerradas, cuja realização é uma inegável conquista dos governos Lula e Dilma, através dos fundamentais Plano Brasil Medalhas (2012) e o Programa Atletas de Alto Rendimento das Forças Armadas (2008), mostraram ao mundo um país orgulhoso de si, que não aceita retrocessos e que aprendeu a ocupar seu lugar no mundo.

Mas o êxito dos golpistas não está assegurado. Enganam-se os que acham que o PT e os setores democráticos, todos e todas que apoiam Dilma, esmoreceram. O “ fora Temer” e as mobilizações, das mais variadas formas, vêm se sucedendo em todo o País, nas ruas e nas redes. É nossa tarefa intensificá-las, reforçar a imensa energia popular que resiste ao golpe; esclarecer o que está em jogo, denunciar o desmanche das conquistas dos governos Lula e Dilma, pressionar democraticamente os senadores e senadoras em seus Estados e no Congresso.

Só a mobilização pode barrar o impeachment. Por isso, é fundamental apoiar e participar dos eventos organizados pelas Frentes, que deverão convergir para um grande ato, em Brasília, previsto para o dia 29 de agosto. Nesta data, a presidenta Dilma, numa decisão corajosa, deverá comparecer ao Senado para, ao fazer sua defesa, denunciar a farsa encenada pelo grande capital com apoio da mídia monopolizada e de altos funcionários de poderes do Estado e alertar o povo brasileiro sobre as graves ameaças que o impedimento traria aos direitos sociais e aos avanços obtidos nos últimos anos.

Finalmente, agora que a campanha eleitoral começou oficialmente, o PT deve engajar-se com a disposição de acumular forças para o enfrentamento dos golpistas, para alcançar vitórias nas prefeituras e câmaras, com apresentação de programas populares, o resgate de nossos projetos municipais e nacional e a defesa do PT contra os que tentam proscrevê-lo.

São Paulo, 23 de agosto de 2016

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores”

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. ze sergio

    24 de agosto de 2016 3:02 pm

    PT….

    Traíras de sempre acusando os outros.. Como o lambarizinho da Dilma sobreviviria num tanque de traíras do PT? O poder pelo poder. novamente a esquerda cai no precipicio da mediocridade, acusando os outros pela sua incompetência. O que dizer? Adeus.

  2. agincourt

    24 de agosto de 2016 6:53 pm

    pindorâmicas

    Nada derruba o impeachment de Dilma.

    Barganhar campanha eleitoreira pra prefeitura no interior do Maranhão pra conseguir votinho de senador é o fundo do fundo do fundo do poço mais profundo…(Confiram aqui: https://jornalggn.com.br/noticia/balanco-das-previas-da-votacao-final-do-impeachment)

    “Como já demonstrado à sociedade, não só pelas perícias técnicas(…)”

    Sociedade quem, cara-pálida?!!!

    Faça-me um favor…Em plena ressaca olímpica, quem, nesta Terra de Santa Cruz, tá preocupado com Dilma?

    O impeachment da Velha Senhora era coisa mais certa que Bolt nos 100m e o Dream Team no basquete.

    Quanto isso, The Old Guy abre o jogo pros mais chegados: “Acabem logo com esse me-engana-que-eu-gosto. Tem que impichar logo a Dilma pra eu poder começar logo a campanha pra 2018. A merda foi a gente perder o João Santana.”

  3. Lucas Silva

    24 de agosto de 2016 9:59 pm

    Assim não da

    como ir para rua defender Dilma se o próprio PT ferra com tudo. Nesse momento independente de ter prazo ou não para um plebiscito, o PT tinha que ser o primeiro em dizer que apóia o Plebiscito para novas eleições, como convencer Senadores indecisos se o próprio PT grita contra.

    eu sinceramente, acho que no fundo no fundo, o PT quer a queda de Dilma pois acham que com ela no restante do mandato ira prejudicar o Lula em 2018.

    Estou decepcionado com meu PT, esta se comportando como outro qualquer.

    Esse nao e o PT que eu um dia briguei e chorei por ele na derrotas e vitorias.

  4. Lucas Silva

    24 de agosto de 2016 10:18 pm

    Fora Rui Falcao

    Esse Rui Falcao e um vendido, so abre a boca para ferrar mais ainda com Dilma.

     

    #foraruifalcao

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