4 de junho de 2026

BC reitera vigilância quanto a trajetória da inflação

Jornal GGN – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou que vai manter vigilância quanto à redução de riscos inflacionários, principalmente diante de um cenário em alta no curto prazo e de riscos desfavoráveis.

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“O Copom avalia que, no curto prazo, a inflação em 12 meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável”, diz o colegiado, na última ata de reunião divulgada, nesta quinta-feira (6),  pela autoridade monetária – na ocasião, a taxa básica de juros foi ampliada em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano.

O Comitê também destaca que, em momentos como o atual, “a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos 12 meses persistam no horizonte relevante para a política monetária”.

Quanto às perspectivas, o cenário de referência trabalhado pelo Banco Central leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,05/US$ e da taxa Selic em 7,5% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril e se posiciona acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas junto a analistas, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 elevou-se e encontra-se acima do valor central da meta para a inflação. Para 2014, a projeção de inflação pouco se alterou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril e se posiciona acima do valor central da meta, nos cenário de referência e de mercado.

O colegiado lembra que a taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,55% em abril, 0,09 ponto percentual (p.p.) abaixo da registrada em abril de 2012. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses atingiu 6,49% em abril (5,10% até abril de 2012). Os preços livres variaram 8,09% em 12 meses (5,63% até abril de 2012), e os preços administrados, 1,55% (3,73% até abril de 2012).

Entre os preços livres, os dos bens comercializáveis aumentaram 6,57%, e os dos bens não comercializáveis, 9,44%. Os preços do grupo alimentos e bebidas, ainda sensibilizados por fatores climáticos, variaram 0,96% em abril e 14,00% em doze meses (6,23% até abril de 2012). Por sua vez, os preços dos serviços aumentaram 8,13% em doze meses (8,00% até abril de 2012). Em síntese, a inflação de serviços segue em níveis elevados, e observam-se pressões no segmento de alimentos e bebidas. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, passou de 0,41% em março para 0,50% em abril e, no acumulado em doze meses, deslocou-se de 6,14% em março para 6,03% em abril.

Ao mesmo tempo, a ata afirma que a demanda doméstica tende a permanecer robusta, principalmente o consumo das famílias, em grande parte devido a fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. “Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas em 2012”. Para o Comitê, “esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, os estoques em níveis ajustados e a gradual recuperação da confiança dos empresários criam perspectivas de intensificação dos investimentos e da recuperação da produção industrial”.

Embora pondere que iniciativas recentes coloquem o balanço do setor público em posição expansionista, o comitê afirma que o “frágil cenário internacional” ainda se apresenta como um fator de contenção da demanda agregada. “Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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