O Banco Central Europeu (BCE) anunciou na manhã desta quinta-feira o corte de 0,25 ponto percentual em sua taxa básica de juros, levando o indicador para 0,50% ao ano, em decisão já aguardada pelo mercado. O objetivo da medida – a primeira redução registrada desde julho de 2012 – é estimular o ritmo de recuperação econômica regional, bastante combalida pelo desemprego e pelo endividamento de uma série de países.
Segundo o jornal português Publico, “Mario Draghi e os seus pares tentam deste modo criar mais estímulos à atividade econômica, num cenário em que a zona euro se encontra, desde o final do ano passado, em recessão”.
Para o economista Celso Grisi, diretor presidente do Instituto Fractal de Análises de Mercado, a decisão tomada pela autoridade monetária europeia é confortável do ponto de vista inflacionário – a variação anual chega a 1,2%, taxa considerada “baixíssima” para a zona do euro. “Do ponto de vista de política monetária, não haveria nenhuma pressão sobre a quantidade de moeda ou encarecimento dos preços de mercado”.
Um dos pontos que levou a autoridade monetária a realizar esse ajuste foi a recente divulgação dos dados de desemprego da região: dados da Eurostat (a agência de estatísticas da região) mostram que a taxa subiu de 12% em fevereiro para 12,1% em março, um resultado considerado “alarmante” pelo economista. “Os países periféricos encontram-se em ponto de ruptura social, e o BCE precisou tomar uma providência urgente. Também havia a necessidade, em se reduzindo os juros, de obter certa folga nos orçamentos nacionais para atender metas fiscais ou aproximar do controle exigido”. Com um juro menor, se reduz o gasto público com o pagamento de juros, o que é um certo alívio para o orçamento dos governos.
Contudo, o diretor-presidente da Fractal afirma que ainda existe muito a ser feito pela região, como uma fiscalização mais consistente do sistema bancário, função que começou a ser executada com mais frequência pelo BCE, que também tem acompanhado a política fiscal de alguns países. O recente acordo fechado com o Chipre e o consenso obtido para a formação do governo na Itália também podem ser considerados bons sinais.
“O corte de juros pode ajudar, mas a Europa ainda tem um período de recomposição. A demanda europeia é muito menor e a renda sofreu uma redução razoável”, diz Grisi, ressaltando que a recuperação da zona do euro deve durar em torno de cinco anos, caso não sejam registrados mais abalos. “Ainda há problemas no Leste Europeu que venham a criar uma outra fonte de desassossego nos próximos períodos, mas acredito que as grandes questões estão encaminhadas. Agora é dar tempo ao tempo”.
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