Por Assis Ribeiro
Extra. Meteoro de apenas um a dois metros de diâmetro passa perto da terra e deixa mais de 500 feridos na Rússia esta madrugada.
Do Terra
Queda de meteorito causa explosões e deixa 950 feridos na Rússia
Segundo o Ministério da Saúde russo, 112 pessoas foram internadas; cerca de 80 hospitalizados são crianças
Um grande meteorito caiu nesta sexta-feira em uma zona povoada da região russa dos Urais, onde deixou pelo menos 950 feridos e causou pânico entre a população, horas antes dapassagem de um asteroide a somente 27 mil quilômetros da Terra. “Havia vários fragmentos bastante grandes que chegaram até a Terra”, afirmou Vladimir Puchkov, ministro para Situações de Emergência da Rússia.
Cientistas russos montaram um laboratório na zona para estudar os restos do meteorito. A princípio, as pessoas pensavam que se tratava de uma chuva de meteoritos, o que foi negado pela agência espacial russa, Roscomos, que confirmou que se tratava de “um corpo celeste, um meteorito, que se movimentava a uma velocidade de 30 quilômetros por segundo a uma trajetória baixa”.
Alguns cientistas relacionaram a queda do meteorito com o asteroide denominado 2012DA14 que passou hoje sem causar danos a apenas 27 mil quilômetros da Terra, a maior aproximação de um objeto cósmico perigoso ao nosso planeta que a Nasa constatou. No entanto, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) negou qualquer relação entre os dois eventos.
O meteorito de aproximadamente 10 toneladas caiu a cerca de 80 quilômetros da cidade de Satka, por volta das 9h20 local (1h20, horário de Brasília), mas a onda expansiva afetou várias regiões adjacentes e até a vizinha república centro-asiática do Cazaquistão.
“Quando soaram as ensurdecedoras explosões, pensávamos que era um terremoto. As crianças que patinavam no gelo caíram devido à onda expansiva”, afirmou Aleksandr Martents, residente na cidade Cheliabinsk.
Feridos
Segundo o governador de Cheliabinsk, cerca de 950 pessoas ficaram feridas devido à queda dos fragmentos do meteorito, enquanto milhares de casas na cidade foram afetadas pela onda expansiva. Em uma primeira contagem, o número era de 500 feridos. As autoridades cifram em 100 mil metros quadrados os vidros das janelas que quebraram pelos ares devido às explosões, o que deixou centenas de casas sem proteção em pleno inverno.
O governador regional de Chelyabinsk disse que a chuva de meteoritos causou danos superiores a 30 milhões de dólares, e, de acordo com o Ministério das Emergências, cerca de 300 edifícios foram afetados.
Segundo o Ministério da Saúde, 112 pessoas foram internadas, sendo duas delas em estado grave, e outras 22 apresentam diversos traumas, ferimentos e cortes, muitos deles provocados por vidros. A maioria dos hospitalizados (cerca de 80) é formada por crianças.
“Nas notícias, temos ouvido que aumentaram os níveis de radiação e que é aconselhável ficar em casa e fechar as janelas”, comentou uma farmacêutica da cidade de Kopeisk.
No entanto, Puchkov afirmou que “não foi registrado um aumento dos níveis de radiação”, o que foi corroborado pelo chefe sanitário russo, Gennady Oníschenko.
Este funcionário pediu para população local que não tenha pânico, argumentando que os níveis de radiação estão dentro da norma e que nas povoações afetadas há calefação, luz e água.

Apesar dos especialistas afirmarem que os fragmentos do meteorito não são radioativos, o Ministério para Emergências aconselhou que a população não se aproxime do objeto.
Os astronautas da Estação Espacial Internacional asseguraram que não viram a queda do meteorito, já que nesse momento sobrevoavam Nova Guiné.
Quanto a uma possível repetição do fenômeno, o especialista em meteoritos da Academia de Ciências da Rússia, Dmitri Badiukov, descartou a hipótese. “Não há ameaça de repetição. Os meteoritos caem de maneira periódica, mas é bem raro. A repetição do dito fenômeno é praticamente impossível”, disse.
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Por George A.F. Gessário
Do Público.pt
Meteoro ou meteorito? Depende do momento
Foi um “meteoro” ou “meteorito” o que caiu na Rússia nesta sexta-feira, provocando centenas de feridos? Ambos, explica Rui Jorge Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa.
Na terminologia científica, há três nomes para um corpo celeste como aquele. Quando ainda está a navegar no espaço, diz-se “meteoróide”. No momento em que atinge a atmosfera terrestre, passa a “meteoro” – que é o nome que se dá não à partícula em si, mas ao rasto luminoso que deixa no céu, devido à combustão causada pelo atrito com o ar.
Muitos meteoros não passam disso, com o corpo que veio do espaço a desintegrar-se na atmosfera. Mas se alguns resíduos chegam ao chão e são encontrados, então a estes chamam-se “meteoritos”.
“Obviamente que neste caso há meteoritos”, afirma Rui Agostinho, com base nas imagens até agora divulgadas do episódio na Rússia.
A esmagadora maioria dos meteoritos que chegam à Terra provêm da cintura de asteróides que existe entre Marte e Júpiter. Quando os asteróides chocam entre si, explica Rui Agostinho, muitas vezes ejectam material desta cintura para o interior do sistema solar. Algumas destas partículas podem chegar à Terra, como ocorreu na Rússia.
Partículas como estas viajam a velocidades hipersónicas. Segundo as autoridades russas, o meteoro desta sexta-feira terá entrado na atmosfera a 30 quilómetros por segundo, quase 90 vezes a velocidade do som. Sob o atrito do ar, o meteoro trava até atingir a barreira do som. “Neste momento dá-se uma explosão sónica”, afirma Rui Agostinho.
Foi a onda sonora desta explosão que causou a maior parte dos danos na Rússia, sobretudo vidros partidos.
O episódio ocorrido na Rússia não é raro. “Objectos com aquele tamanho até são relativamente frequentes. Mas nem todos chegam até ao chão”, afirma Rui Agostinho. Situações semelhantes podem ocorrer em qualquer parte do mundo, com consequências distintas caso se dêem sobre o mar ou regiões despovoadas, ou em áreas urbanas.
O astrónomo Nuno Peixinho, do Centro de Geofísica da Universidade de Coimbra, relembra que o meteoro que caiu no Sudão em 2008, há quase cinco anos, teria um tamanho entre os dois e os cinco metros.
O objecto foi descoberto 20 horas antes da sua queda na Terra, que se deu a 7 de Outubro de 2008, e foi seguido por astrónomos por todo o mundo por ter sido o primeiro meteoro identificado antes de bater na Terra.
“O meteoro que caiu agora na Rússia foi uma surpresa. Aquele que caiu no Sudão foi identificado com horas de antecedência”, disse Nuno Peixinho ao PÚBLICO. “Com antecedência de 20 horas não daria para evacuar uma cidade grande, mas permitia tomar algumas medidas.”
O investigador explica que o comportamento de um meteoro à medida que se desfaz na atmosfera é, para já, imprevisível. O objecto pode desfazer-se em cem pedaços ou em três bólides maiores e essa diferença pode definir as consequências da queda no que toca aos estragos. “Para se prever melhor, tem de se estudar bem estes fenómenos”, defende o astrónomo.
Mas não são eventos tipicamente previsíveis, como as chuvas de estrelas cadentes, que estão associadas à passagem de cometas.
O caso da Rússia não estará associado à aproximação do asteróide DA14, com 45 metros de diâmetro e que poderá ser visto com binóculos ou telescópios nesta sexta-feira, quando passar a 35.000 quilómetros da Terra. “Não há ligação com isso. A órbita do DA14 é muito estável”, diz Rui Agostinho, que dará uma palestra nesta sexta-feira sobre os asteróides, às 21h, no Observatório Astronómico de Lisboa. A palestra poderá ser seguida em directo na Internet e o Observatório terá as portas abertas, embora as condições do tempo possam prejudicar a visualização do DA14.
Nuno Peixinho também é da mesma opinião: “Muito provavelmente deverá ser uma coincidência. Há muita coisa a passar muito perto da Terra.” Segundo as estatísticas, um objecto de dez metros de diâmetro cai de dez em dez anos. “Estes casos servem de alerta, é de facto necessário que se investigue estes objectos para tentar prevenir este tipo de acidentes.”
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Por George A.F. Gessário
Nessa tem outro vídeo registrando o ocorrido, que pela magnitude dos danos q causou é um fenômeno raro (PELA MAGNITUDE DOS DANOS, não estou dizendo q a queda de meteoritos é em si algo raro).
De O Povo
Meteoritos deixam centenas de feridos e provocam pânico na Rússia
AFP
O trânsito pela manhã foi detido subitamente na cidade de Cheliabinsk, nos Urais, enquanto o meteorito queimava parcialmente em sua queda
O trânsito pela manhã foi detido subitamente na cidade de Cheliabinsk, nos Urais, enquanto o meteorito queimava parcialmente em sua queda ao ingressar na camada inferior da atmosfera sobre a cidade, iluminando o céu, segundo imagens exibidas pela televisão.
Não está claro se este meteorito está vinculado ao asteróide 2012 DA 14, que deve passar a 27.000 km da Terra ainda nesta sexta-feira, em um trajeto próximo ao planeta.
O ministério do Interior informou que mais de 400 pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave, pela onda de choque, em Cheliabinsk e em outras cinco cidades. O ministério das Situações de Emergência apontou que as comunicações dos telefones celulares estavam momentaneamente cortadas.
“Às 09h20 (01h20 de Brasília) foi observado um objeto em Cheliabinsk que voava em grande velocidade e deixava um rastro. Dois minutos depois foram ouvidas duas explosões”, afirmou Yuri Burenko, funcionário do Escritório Regional de Situações de Emergência.
“A onda de choque quebrou as janelas em Cheliabinsk e em outras cidades da região”, acrescentou Burenko. Os primeiros relatórios afirmaram que uma parte do meteorito caiu a 80 km da cidade de Satki, que fica 100 km ao oeste do centro regional, mas isto não foi confirmado oficialmente.
“Recebemos milhares de telefonemas avisando de que algo foi encontrado e que a floresta estava pegando fogo. Mas ainda não temos informações confirmadas de que algo caiu na superfície da Terra”, afirmou Burenko.
Este meteorito “foi um objeto bastante grande com uma massa de várias dúzias de toneladas”, calculou o astrônomo russo Serguei Smirnov, do Observatório Pulkovo, em uma entrevista ao canal Russia 24.
Transtorno na cidade
As escolas receberam instruções de fechar durante esta sexta-feira na região, depois que a onda de choque provocou a quebra das janelas dos edifícios, em meio a temperaturas de até 18 graus celsius.
O serviço local dos correios afirmou que vários de seus edifícios sofreram danos. O estádio Traktor de Cheliabinks para hóquei sobre o gelo também foi afetado, forçando o cancelamento de uma partida.
Imagens das redes de televisão mostraram pessoas com o rosto ensanguentado e ao menos uma criança cujas costas estavam cobertas de sangue. Muitos feridos foram tratados por cortes superficiais e hematomas causados pelos vidros quebrados, afirmou a polícia local à agência de notícias RIA Novosti.
“Houve um enorme clarão e dois ou três minutos depois fomos derrubados por uma onda de choque”, disse um homem ao canal de televisão Rossiya. Outro disse que, “a princípio, acreditei que era um avião”.
Usina de energia nuclear
A região de Cheliabinsk é o coração da zona industrial da Rússia. Está repleta de fábricas e outras instalações, que incluem uma usina de energia nuclear e o grande centro de depósito e tratamento de dejetos nucleares Mayak.
Um porta-voz da Rosatom, a empresa de energia nuclear da Rússia, disse que suas operações não foram afetadas.
“Todas as empresas Rosatom localizadas na região dos Urais – incluindo o complexo Mayak – estão trabalhando normalmente”, afirmou à agência de notícias Interfax um porta-voz não identificado da Rosatom.
O ministério das Situações de Emergência disse que os níveis de radiação na região não mudaram e que 20 mil socorristas foram enviados para ajudar os feridos e localizar os que precisam de ajuda.
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