4 de junho de 2026

Otimismo no governo Temer tem dias contados

Em entrevista no Sala de Visitas com Luis Nassif, analista de mercado prevê aumento da recessão em 2017
 
https://www.youtube.com/watch?v=4hehBiVhFDE ]
 
Jornal GGN – A política não é para distraídos, menos ainda a economia. O que explica, por exemplo, a resposta do mercado aos últimos acontecimentos do cenário político brasileiro? O mercado ignorou solenemente os esforços para um ajuste fiscal proposto pela equipe de Nelson Barbosa e da presidente afastada Dilma Rousseff e não reagiu.
 
Agora, mais recentemente, o mesmo mercado manteve um fluxo positivo, mesmo após o governo interino de Michel Temer anunciar a previsão de um déficit orçamentário de R$ 170,5 bilhões, um aumento, diga-se de passagem, R$ 66,7 bilhões superior ao déficit que Dilma havia proposto para o Congresso. 
 
Em entrevista para Luis Nassif, no Sala de Visitas, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, destaca que apesar de aparentemente ilógica, essas manifestações do mercado encontram explicações que não se limitam apenas aos números, indicando a necessidade de evitar a excessiva “matematização” dos processos econômicos. 
 
Segundo Perfeito, o “otimismo excessivo” do mercado com o governo interino é muito mais decorrente da atual condição de liquidez do mercado mundial, que gera um efeito maior de riqueza, do que das primeiras ações da equipe de Temer e, ainda, que o mercado brasileiro não vai resistir ao resultado fiscal previsto para os próximos dois anos.
 
“Agora a inflação está caindo em comparação aos últimos 12 meses, mas se não começar a apresentar um resultado fiscal positivo, ou menos a inflação for bem mais ancorada, vai ocorrer a volta da inflação”, avaliou o economista .
 
André lembra também que, no período recente, ocorreu a melhora do nível de confiança de empresários e consumidores, mas essas variáveis não irão se sustentar por muito tempo. 
 
“A ociosidade da indústria, medida pela CNI [Confederação Nacional das Indústrias], está em 77%, ou seja, 23% das máquinas estão paradas. O empresário pode estar otimista, mas ele só vai colocar um prego [em outras palavras investir favorecendo na criação de emprego] quando [a ociosidade] estiver em 90%”. Isto é, um nível de ociosidade que dificilmente será alcançado pela economia brasileira nos próximos dois anos. 
 
“O otimismo do consumidor está subindo, é verdade, só que o desemprego nunca esteve tão alto e a massa salarial parou de subir”, acrescenta Perfeito. Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que a taxa de desemprego ficou em 11,3% no trimestre encerrado em julho, maior nível registrado desde 2012. 
 
O cenário, portanto, aponta para a redução do consumo, queda nas vendas, maior ociosidade na produção industrial e, fechado ciclo, desemprego. Outro problema apontado por Perfeito é o que o mercado espera do governo. “O mercado está exigindo algo que o governo não irá conseguir entregar”, se referindo a uma série de medidas, nada populares, para tornar a situação fiscal do país mais saudável, dentre elas a reforma da previdência. 
 
O analista aposta que o governo vai se esforçar para aplicar as medidas mais impopulares, mas isso a partir de 2017, passando os jogos Olímpicos e as eleições de outubro. 
 
Ainda assim nem tudo o que o mercado espera o Estado brasileiro conseguirá entregar e se conseguir mexer em pontos sensíveis, como a previdência ou legislação trabalhista, apenas a custo de muito embate político. 
 
Déficit fiscal  
 
Perfeito fez uma crítica à fixação dos economistas brasileiros de ressuscitar o país a partir de reformas fiscais. “A Rússia tem um déficit brutal, a média dos emergentes também, está aí o Chile que é um exemplo pro mundo com um déficit forte. Então se criou um estado de quase pânico na sociedade brasileira [sobre esse tema]”, destacando em seguida que a recessão enfrentada no Brasil não pode ser creditada somente às últimas decisões econômicas do governo Dilma.
 
“A crise econômica que a gente se meteu agora (…) é muito mais por conta do sucesso do Plano Real que jogou a sociedade para alguns desequilíbrios que a gente não estava acostumada. Isso gerou desconforto em vários seguimentos”. 
 
Com a estabilidade da economia a partir do Plano Real o país se viu em condições de sustentar projetos para o crescimento de diversas áreas da economia, o que de fato ocorreu desde então. Mas salto produtivo e social ficou aquém do que poderia ter sido, na visão de Perfeito, porque a tradicional classe média brasileira teve medo de arriscar no crédito privado, preferindo ganhar na especulação da taxa de juros do país ou na compra de títulos públicos. 
 
[video:https://www.youtube.com/watch?v=W7wr-y3-3DY
 
Acompanhe a entrevista na íntegra, no programa Na Sala de Visitas com Luis Nassif.  
 

Redação

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10 Comentários
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  1. Helio J. Rocha-Pinto

    3 de agosto de 2016 9:48 pm

    Inflação caindo?

    Não sei onde… Noto o oposto nos supermercados.

    1. Luís Henrique Donadio

      4 de agosto de 2016 5:29 pm

      Também eu. Os preços têm

      Também eu. Os preços têm aumentado mais depois do afastamento de Dilma do que antes. Difícil comprar leite por menos de  R$4,00 o litro. Pizzaria popular que vendia fatia a um real e pizza inteira a doze agora cobrando dois pela fatia, e 24 pela inteira.

  2. Marcos Carvalho

    3 de agosto de 2016 9:53 pm

    PiG no Olho.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=g82OXDDOgAI&feature=youtu.be%5D

  3. CBarros

    3 de agosto de 2016 10:01 pm

    André Perfeito é discípulo de

    André Perfeito é discípulo de Mirian Leitão e de Sardenberg. Portanto, não é confiável. Torce contra o Brasil e afavor do golpe.

    1. Andre Araujo

      4 de agosto de 2016 2:11 am

      Ele está contestando

      Ele está contestando frontalmente a cartilha de Miriam Leitão e Carlos Sardenberg, não está defendendo o mercado, está dizendo que o mercado quer o impossivel que não vai ser atingido, em resumo, a politica economica está completamente errada e não vai a lugar nenhum.

  4. Eduardo Toledo

    3 de agosto de 2016 10:20 pm

    Engano na indicação da ociosidade industrial

    Milena,

    A capacidade industrial total em uma economia é composta pela Utilização da Capacidade Instalada (UCI), aquela capacidade que está realizando produção e a Capacidade Instalada Ociosa (CIO) ou ociodidade, aquela capacidade industrial ainda disponível para produção.

    A citação no sétimo parágrafo do texto de que a ociosidade industrial é de 77% está trocada. 77% refere-se a UCI – Utilização da Capacidade Instalada e 23% refecere-se a ociosidade da capacidade total instalada.

    Por isso o Perfeito deve ter dito que os empresários só desencadeariam investimentos quando a UCI estivesse em 90%, isto é, a capacidade instalada ociosa fosse de apenas 10%.

    Mas nem isso eles fizeram em 2011 e 2012 quando a produção se aproximou perigosamente da capacidade instalada, podendo culminar numa inflação de demanda. Numa atitude de forte cunho político estancaram os investimentos e contribuiram para o agravamento interno da crise absorvida em parte do estrangeiro.

    Contribuindo para a construção da crise, construiram também o ambiente favorável ao Golpe de Estado.

  5. Lucinei

    3 de agosto de 2016 11:36 pm

    O pessoal do “mercado” sabe

    O pessoal do “mercado” sabe de comprar barato e vender caro, e só. Assim como os concurseiros do direito, mataram aula (e nunca leram um livro sequer acerca) de tudo mais que não se refere ao saber “técnico” (como eles mesmos gostam de enfatizar) das praxes do dia a dia.

    Pelo fato de embolsarem muita grana – e isso foi só crescendo a partir do final dos 60, quando foi-se imprimindo mais e mais dinheiro – esse pessoal foi ficando desmedidamente importante.

    Falta é dizer que não se trata nem de “matematização” nem de “precificação”, mas da má e velha i-de-o-lo-gi-a. Combinam preço.

    O episódio da LIBOR já deveria ter sido suficiente para inibir o  excesso de “cavalheirismo” com esses brutos.

  6. Rogério Bezerra

    4 de agosto de 2016 5:08 am

    A bela e nada Santa Floripa é

    A bela e nada Santa Floripa é das cidades que só produzem alto e liberado consumo de maconha. Em todo lugar que se ande os negócios desabaram. Um empresário da saúde informava no domingo, como estava o seu negócio… “De mal a pior”. Floripa  se beneficia, por ora, da cotação do dolar ainda alta. Creio que muita gente deixou de viajar para o exterior, meu caso. Gastando aqui o que seria gasto lá fora. Os  71.440 rentistas traidores não movem a economia, quem faz isso são os milhões e milhões de trabalhadores que perderam  emprego, ou tem medo disso, e agora tudo recua o consumo de carros a cerveja.  Mas os rentistas tem mais de um trilhão lá fora, não?   

  7. Marcos K

    4 de agosto de 2016 8:48 am

    Besteirol economiquês que não

    Besteirol economiquês que não me engana. Qualquer um menos ingênuo sabe que está se preparando o cenário para drenar renda da sociedade, engordando as instituições financeiras. Assim, juros altos e inflação baixa amplificam os ganhos do mercado financeiro sobre os títulos da dívida pública, concretizando a vontade dos bancos e rentistas. Poucos economistas do “mercado” tem coragem de dizer isso.

    Quem disse que essa gente se preocupa com taxa de emprego, distribuição de renda e justiça social? Só sabem repetir o que os manuais norte-americanos de economia ensinam. Nunca passaram pelas agruras de uma família de desempregados ou miseráveis. A parte humana de quem sobre com o desemprego humilhação, desespero, revolta, inpotência e culpa não podem ser calculadas, portanto podem ser desprezadas por essa gente.

     

  8. Marcos Vinicius dos Santos

    5 de agosto de 2016 12:51 am

    A inflação  no período  Temer

    A inflação  no período  Temer explodiu. Na fila do supermercado  é  uma grita só. Mas todos ainda , estupidamente,  acreditam na Rede Globo. Quem viver, verá !

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