5 de junho de 2026

Diretor que responde por sonegação se desliga da Fiesp

 
Jornal GGN – Após o então diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Laodse de Abreu Duarte, ser apontado como o maior devedor da União, entre pessoas físicas, o empresário renunciou ao cargo da Fiesp. E a Federação emitiu nota ignorando os dados levantados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. 
 
Em comunicado, a Fiesp disse que “não faz pré-julgamentos sobre casos que estão na esfera judicial” e se considera “intransigente no combate à sonegação e à corrupção”, da mesma forma como “condena a excessiva carga tributária do país”. 
 
Mas a resposta da Federação se esqueceu de posicionar-se a respeito de outro ranking divulgado com os maiores devedores: a lista dos PJ (Pessoas Jurídicas) da dívida ativa. 
 
Considerando apenas os primeiros dez maiores devedores, estão bancos, empresas falidas como a Vasp e Varig, estatais como a Vale e a Petrobras, mas também empresas do setor industrial, como a Indústrias de Papel R.Ramenzoni, que atinge o quarto posto com quase R$ 10 bilhões de prejuízos ao país e a American Virginia Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Tabaco, com R$ 4,2 bilhões.
 
Na quinta posição está, inclusive, a Duagro S.A Administração e Participações, devendo R$ 6,7 bilhões à União. A empresa é de propriedade do diretor, agora renunciado, da Fiesp, Laodse de Abreu Duarte, e de seus dois irmãos também devedores: Luiz Lian e Luce Cleo. 
 
 
A Duagro e a família foram processadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional por se empenharem em operações de compra e venda de títulos da Argentina e dos Estados Unidos, sem pagar os impostos devidos entre 1999 e 2002. 
 
Mas a nota da Fiesp “reafirma” princípios contraditórios ao exemplo: “a indústria é a maior pagadora de impostos do Brasil. Embora responsável por 11% do PIB, paga 30% da carga tributária do país, ou seja, de cada 3 reais arrecadados, 1 real é pago pela indústria”, manifestou-se.
 
Entretanto, a ação da Procuradoria comprova que a Duagro “fraudou a fiscalização tributária”.
 
O caso específico da empresa vai além. Os investigadores desconfiam se a empresa realmente firmou títulos, uma vez que alguns não foram sequer registrados na contabilidade, lançando a suspeita de que a empresa serviu como “laranja” em esquema de “sonegação ainda maior, envolvendo dezenas de outras renomadas e grandes empresas, cujo valor somente poderá vir a ser recuperado, em tese, se houver um grande estudo do núcleo central do esquema”. 
 
A resposta do próprio empresário sobre esse caso é de negar participação em esquema de sonegação fiscal. Laodse de Abreu disse também que ainda não houve julgamento ou condenação do processo movido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o que “torna precipitado qualquer conclusão ou juízo”.
 
Ainda neste contexto, a Fiesp é reconhecida pela pressão que exerce contra a extinção de desonerações tributárias a favor do lucro, pela atuação no aumento da política de crédito subsidiado a juros reduzidos para grandes empresas, por meio do BNDES e, por outro lado, no lobby exercido junto a parlamentares e Executivo para manter privilégios à Indústria, em desfavor, muitas vezes, dos custos à população. 
 
Tentando evitar a extrema contradição da nota sobre o ex-diretor da Instituição, a Federação concluiu assim o texto: “a Fiesp não abre mão de cumprir seu papel institucional na luta incansável pela criação de um ambiente de negócios limpo e favorável ao desenvolvimento do Brasil e à geração de empregos. O combate à absurda carga tributária é parte fundamental dessa luta”.
 

 

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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13 Comentários
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  1. peregrino

    20 de julho de 2016 8:34 pm

    se o normal é retirar 0,7 por cada 1 produzido…

    retirar 5 e ainda contribuir para o golpe é sinal de que…desenvolvimento ou decadência?

    porque decadência, no mundo moderno, é não ter nenhuma função social, pela sonegação, e entrar numa de botar a culpa no governo

    decadentes de merda, todos eles

    foi por isso que decidiram interromper o Brasil

  2. Paulo F.

    20 de julho de 2016 8:56 pm

    Já viu quem pagou o pato?

    Resultado de imagem para espelho

     

     

  3. Nicola

    20 de julho de 2016 9:17 pm

    Fiesp

    Lixo do lixo.

     

  4. Vladimir

    20 de julho de 2016 9:29 pm

    Essa gente sempre foi assim.

    Essa gente sempre foi assim.  O golpe,desde seu início,teve como objetivo o afastamento  da presidenta Dilma e de seus mais de 54 milhões de leitores que sempre combateram verdadeiramente a corrupção,os corruptos,os corruptores e,sobretudo,este câncer que é o baronato industrial de São Paulo,atrasado,oligárquico ,sonegador e,principalmente,golpista até a alma. Essa gente merece o cadafalso d  história.

    1. Andre Araujo

      21 de julho de 2016 1:08 am

      Essa gente? Quem? Todos os

      Essa gente? Quem? Todos os industriais do Brasil?

  5. MarFig

    20 de julho de 2016 9:32 pm

    Por que esses caras reclamam

    Por que esses caras reclamam de impostos se eles não pagam? É muita cara de pau.

    1. Andre Araujo

      21 de julho de 2016 1:07 am

      Eles quem? Esse diretor tem

      Eles quem? Esse diretor tem problemas, o que não quer dizer que todos tem. Esse caso do Ladse parece real e grave mas praticamente não existe empresa no Brasil que não tenha pendencias fiscais e não é por sonegar. A legislação fiscal é BIZANTINA, CONFUSA, COMPLEXA, é quase impossivel uma empresa NÃO TER NENHUMA IRREGULARIDADE, há grandes areas cinzentas que permitem multiplas interpretações e dai nascem autuações que serão contestadas pela empresa e levam anos para resolver, nesse entretempo a empresa NÃO DEVE, ela está se defendendo e isso nada tem a ver com sonegação e sim com divergencia de interpretação da lei fiscal. Sonegação é outra coisa muito diferente.

      1. MarFig

        21 de julho de 2016 9:59 am

        Você acha mesmo que as

        Você acha mesmo que as grandes empresas querem mudar esse quadro? Esse caos tributário deve ser mesmo muito interessanfe pra elas. Não são elas que financiam as campanhas da maioria dos congressistas? Se realmente quisessem já teriam mudado as leis tributárias há muito tempo.

        1. Andre Araujo

          21 de julho de 2016 12:56 pm

          Negativo. A burocracia

          Negativo. A burocracia tributaria é a MAIOR reclamação das empresas brasileiras, não estou falando da carga tributaria alta, estou falando do esforço para se manter dentro das regras, a Receita emite uma instrução normativa ou interpretação de

          norma a cada dois dias, ninguem consegue acompanhar, há um absurdo numero de disputas fiscais por questões interpretativas, são disputas dentro da administração tributaria, o problema se repete nos Estados e Municipios.

          As empresas que doavam para campanhas são ALGUMAS, não são todas as empresas.

  6. Roxane

    20 de julho de 2016 11:53 pm

    Uma caixa de lenços, urgente,

    Uma caixa de lenços, urgente, por favor. Estou em lágrimas com o último paragrafo do texto da FIESP.

  7. Roxane

    20 de julho de 2016 11:53 pm

    Se desligou ou foi desligado,

    Se desligou ou foi desligado, porque ficou muito mal cara pálida…

  8. pedro luiz

    20 de julho de 2016 11:58 pm

    Viva nossa elite empresarial

    Viva nossa elite empresarial apareceu na mídia. E o impostrômetro será que agora sai de cena?. VERGONHA NACIONAL ESSA ELITE BURRA E CORRUPTA QUE ESSE PAIS POSSUE. 

  9. Jose mestre Carpina

    21 de julho de 2016 12:26 am

    Que Federação é esta……

    ……..na qual, o seu presidente não produz  um prego sequer ???

    E  esta conversa de combate  a  sonegação e  corrupção é pura babela dos ” indUStriais emboabas !!

    É o cúmulo da hipocrisia !!   

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