4 de junho de 2026

Brasil e Rússia reforçam proposta de cooperação

Por Marco Antonio L.

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Dilma critica austeridade europeia e pede relação mais próxima com Rússia

Por Sandro Fernandes, No Opera Mundi

Presidente também destacou os 17 milhões de empregos criados no Brasil desde 2003 e abordou a nova Lei dos Royalties

Sandro Fernandes/Opera Mundi


A presidente Dilma se encontrou na manhã desta sexta-feira com o colega russo, Vladimir Putin

A presidente Dilma Rousseff continua nesta sexta-feira (14/12) a sua visita política a Moscou, onde passa três dias para aprofundar a parceria estratégica bilateral, iniciada em 2002.

Dilma se encontrou nesta quinta-feira (13/12) com o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, em uma reunião onde foi reforçado o compromisso de cooperação entre os dois países, tanto em no contexto bilateral, como no grupo dos Brics e nas atuações conjuntas em grandes organismos internacionais.

A presidente brasileira aproveitou a oportunidade para convidar Medvedev para passar o Carnaval no Brasil, já que o primeiro-ministro tem um encontro no país em fevereiro, em datas próximas à festa popular.

O mandatário russo agradeceu  o convite para visitar “as maravilhas do Brasil” e insistiu na necessidade de que se trabalhe para que alguns problemas nas relações bilaterais sejam resolvidos, deixando clara a disposição da Rússia em cooperar.

Agência Efe

A presidente Dilma Rousseff visitou na manhã desta sexta-feira o Túmulo do Soldado Desconhecido

Nesta sexta-feira, pela manhã, Dilma Rousseff visitou o Túmulo do Soldado Desconhecido,  seguindo o protocolo dos chefes de Estado que visitam a Rússia. Dilma depositou um arranjo floral em frente à chama eterna, ao lado das muralhas vermelhas do Kremlin, ao som de um requiém. Em seguida, o hino brasileiro foi tocado e a presidente voltou ao hotel onde está hospedada, para fazer o discurso de encerramento do II Fórum Empresarial Brasil-Rússia.

O discurso, improvisado, durou aproximadamente 35 minutos e começou com um relato sobre a crise mundial. “A crise começou nos Estados Unidos e atingiu fortemente a zona do euro. Sabemos que ela tende a durar um certo período. Não é como em 2008, quando houve uma rápida recuperação da economia mundial”.

 

 

Segundo Dilma, o contexto global é uma oportunidade para que Brasil e Rússia, menos atingidos na crise, intensifiquem o diálogo com os demais países emergentes.

Outro ponto ressaltado pela presidente brasileira foi o pacote de reajuste assumido por muitos governos, principalmente os europeus. “Somos contra o corte radical de gastos. Nós, da América Latina, temos muita legitimidade para falar sobre o assunto. Sofremos em menor grau agora, mas sofremos com a redução do comércio”.

Dilma lembrou ainda os anos 80 e 90, quando a “América Latina sofreu uma experiência muito dura de ajustes fiscais deste tipo”. A presidente se colocou contrariamente ao corte de direitos sociais, enfatizando que essa medida não conduz necessariamente à retomada do crescimento.

A economia brasileira também foi destaque no discurso que a presidente fez para aproximadamente 200 empresários dos dois países, quando destacou a necessidade de se diminuir a burocracia para facilitar o crescimento.

“Nós estamos fazendo a nossa parte. Estamos fazendo todo o possível para assegurar o crescimento acelerado do Brasil. Ao mesmo tempo em que crescemos, distribuímos renda. E nós crescemos mantendo a estabilidade macroeconômica. Nossa inflação está controlada e acumulamos 378 bilhões de dólares de reserva”. A redução da vulnerabilidade externa foi exaltada pela presidente brasileira, que mencionou a especulação a que está sujeita a moeda brasileira, da mesma maneira que o rublo russo.

O baixo nível de desemprego também foi ressaltado. “Desde 2003, conseguimos ofertar 17 milhões de postos de trabalho. Possibilitamos a mobilidade social no Brasil”. A emergência da classe média foi outro tema do discurso. “Agora, além das camadas de renda mais alta da população, nós temos um mercado de 105 milhões de brasileiros e brasileiras, o que é extremamente importante”.

Segunda Dilma, este mercado cria uma demanda interindustrial, criando uma demanda de investimentos em serviços e infraestrutura. “Ele é movido por novas necessidades que surgem e também de novas oportunidades”.

Em referência ao veto à mudança na Lei dos Royalties, Dilma declarou que o maior desafio do Brasil é na área da educação. “Universalizamos o ensino básico, mas o desafio é o de alcançar a qualidade na educação. Por isso queremos que todos os recursos que nós obtenhamos da exploração do petróleo e gás no Brasil sejam destinados à educação.”

Dilma se encontra nesta tarde com o presidente russo, Vladimir Putin, quando assinará acordos de cooperação entre os dois países.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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