Era uma vez um reino onde todos acordavam com o sol e saiam para trabalhar, só voltavam a tempo de se lavar, comer e dormir com a lua.
Lamparinas supriam os horários de pico e isso não foi há muito tempo. Este reino pode ter sido aqui.
Buscavam lenha, rachavam a lenha, esquentavam água no fogão e tomavam banho de caneca na bacia.
Viviam de acordo com o relógio biológico da natureza.
Naquele tempo as famílias conviviam, se comunicavam e os pais transmitiam aos filhos, princípios de caráter, comportamento, formação profissional e de sobrevivência.
Aí Deus fez a luz elétrica.
Começaram a alterar os horários, a preparação dos alimentos, vestimentas, criou-se a vida noturna, antítese do horário biológico natural. Isto afeta diretamente a produtividade do corpo humano, a capacidade de raciocínio e gera conseqüências facilmente avaliáveis.
O reino chegou onde e quando todos eram dependentes da energia elétrica e não sabiam e nem podiam mais viver sem ela. Num grande apagão muitos morreram por falta de alimentos, outras vítimas da violência generalizada que se instalou, doenças, abstinência de medicamentos, as mais diversas causas.
Ah! O príncipe e a princesa morreram felizes para sempre.
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