4 de junho de 2026

O tatu-bola e os protestos ligados à Copa do Mundo

Por Marco Antonio L.

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Tatu-bola ou bode expiatório?

Por Rafael Santos

Acompanhei com muito interesse o protesto do início do mês que culminou na depredação da mascote inflável da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. Manifestações semelhantes aconteceram também em São Paulo e Brasília. Desses casos ficam duas lições: a primeira é que o poder público não está preparado para lidar com protestos ligados ao Mundial.

A segunda lição é que a medida que o evento se aproxima a Copa do Mundo de 2014 vai ser encarada como foco da atenção. É o teto de vidro do poder público que (quase de modo geral) não conta com apoio popular.

A nova estratégia da Coca-Cola (patrocinadora do torneio, e responsável pela mascote inflável) para evitar novos danos seria alocar o bonequinho em espaços privados. Até agora apenas locais públicos haviam sido escolhidos.

Uma terceira interpretação dos fatos é que o coitado do tatu-bola não passa de um bode expiatório. Como símbolo da Copa do Mundo do Brasil ele não representa apenas o esporte mais popular do país. Ele é visto por setores da sociedade como um monumento que representa todas as decisões questionáveis que envolvem a competição. O mais recente caso desse tipo aconteceu em Curitiba e envolve o Atlético-PR.

Caso foi noticiado pela “Gazeta do Povo” e dá conta que a empresa do filho do presidente do Furacão foi escolhida para fornecer por R$ 12 milhões os 43 mil assentos que serão instalados na reforma da Arena da Baixada, estádio o clube e também sede do Mundial de 2014.

Ainda segundo o jornal, a Kango Brasil, de Mario Celso Keinert Petraglia, ofereceu valor maior do que os de alguns dos outros sete concorrentes, mas ainda assim foi escolhida. A decisão é justificada com base em “critérios qualitativos e de regionalidade”.

Além da Kango, o escritório de arquitetura de um primo de Mario Celso Petraglia também assinou um contrato de R$ 4 milhões relacionado a reforma da arena. Os contratos foram divulgados pelo advogado José Campêlo Filho, vice-presidente do conselho deliberativo do clube. “Isso é uma ofensa aos princípios da impessoalidade e da moralidade”, declarou Campêlo Filho. Horas depois ele foi ameaçado de destituição do conselho do clube.

A reforma da Arena da Baixada vai custar R$ 184 milhões e é privada. No entanto, será feita graças a um empréstimo do BNDES contraído pelo governo estadual e repassado ao Furacão. Para completar a salada de interesses, a liberação da verba só foi garantida porque a prefeitura da cidade vendeu títulos de potencial construtivo em favor do clube.

Também em entrevista a Gazeta do Povo, a diretoria do clube afirmou que os contratos foram feitos ainda na gestão anterior à do presidente atual. Enfim, o que não falta na Copa do Mundo é motivo para questionamentos por parte da sociedade. E ao que tudo indica o simpático tatu-bola que nem nome tem ainda não vai ter ‘vida fácil’ até o fim da Copa do Mundo.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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