5 de junho de 2026

Politica: A Derrota da Direita na Venezuela

Venezuela 
Chávez derrota a direita unificada nas eleições

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Qual é a explicação para o resultado, apesar da campanha maciça da burguesia e do imperialismo? 

9 de outubro de 2012

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ganhou a quarta eleição presidencial consecutiva, para o período 2013-2019, depois de ter derrotado o candidato da direita, Hugo Capriles, o ex governador do estado de Miranda, do MPJ (Movimento Paz e Justiça), por 54% dos votos contra 45%, com a maior participação da história do País, acima de 80% dos eleitores.

O GPP (Gran Polo Democrático, liderado pelo PSUV (Partido Socialista Unificado) de Chávez, ganhou em 20 dos 23 estados e arrasou no distrito da capital, Caracas, o que representou a possibilidade da retomada de importantes governos locais, que ficaram sob o controle da direita desde as eleições de 2008, nas próximas eleições para governador que acontecerão em dezembro.

O “chavismo” saiu triunfante apesar da unificação da direita em torno ao ultraconservador Capriles, da doença de Chávez e do aprofundamento da crise capitalista no País, que tem provocado o aumento da criminalidade, os cortes no serviço elétrico, a recente explosão de uma das principais refinarias da PDVSA e a campanha maciça promovida pela burguesia e os setores da direita imperialista.

O assistencialismo chavista foi o grande viabilizador da vitória de Hugo Chávez. 

Como explicar a vitória arrasadora do “chavismo”? 

O principal fator que explica a vitória arrasadora do “chavismo” nas eleições foi o direcionamento de grande parte dos recursos estatais, provenientes dos recursos petrolíferos, para os programas sociais.

O PIB aumentou de US$ 91,339 bilhões, em 1998, para US$ 315 bilhões devido à alta dos preços do petróleo que passaram de um pouco mais de US$ 20 o barril para mais de US$ 110 devido à gigantesca especulação nos mercados futuros especulativos, impulsionada principalmente pelo imperialismo norte-americano que depende dos chamados “petrodólares” para sustentar a especulação financeira, onde é hegemônico com o imperialismo britânico a reboque.

Os logros dos programas sociais implementados por Chávez são indiscutíveis. Desde 1998, a população cresceu de 23,2 milhões para 29 milhões de habitantes, a expectativa de vida de 72,16 para 74,30 anos e o número de moradias de 2 milhões para 8,2 milhões.

O percentual de pobres passou de 50,4% da população para 31,6% e o de pessoas vivendo na pobreza extrema de 20,3% para o 8,5%.

O desemprego diminuiu de 16,6% para 7,9%. A renda per capita  passou de US$ 8.500 para US$ 12.700.

O percentual de crianças que vão à escola primária aumentou de 90,7% para 93,2% e à escola secundária de 53,6% para 73,3%. O número de estudantes universitários cresceu de 900 mil para 2,3 milhões. 

Os objetivos da oposição direitista 

A direita venezuelana, agrupada na MUD (Mesa de la Unidad Democrática), liderada pelo MPJ, apesar do discurso democrático, representa a mesma burguesia corrupta e pró-imperialista que levou o regime político à implosão em 1998. Capriles e os principais dirigentes do MPJ são ligados aos setores mais reacionários do Partido Republicano dos EUA, tendo participado, inclusive, da tentativa de golpe de estado de 2002.

No contexto do aprofundamento da crise capitalista mundial, o principal objetivo que persegue é entregar o setor petrolífero, responsável pela maior parte da economia do País às multinacionais imperialistas. Os especuladores financeiros ficaram com água na boca para controlar as maiores reservas mundiais, após as descobertas realizadas no Rio Orinoco.

O discurso da direita foi assumindo um viés populista na campanha das eleições presidenciais, chegando inclusive a propagandear que os programas sociais seriam mantidos, focando os principais problemas do governo de Hugo Chávez – insegurança, carestia, deterioro dos serviços públicos, corrupção etc. 

O calcanhar de Aquiles do “chavismo” 

O calcanhar de Aquiles do “chavismo” reside na extrema dependência dos recursos petrolíferos e nas amarras imperialistas, das quais Chávez demonstrou ser incapaz de se livrar.

A crise capitalista deverá impactar os crescentes recursos públicos direcionados aos programas sociais. O déficit público foi para 12% do PIB devido ao gasto público ter aumentado 25% neste ano, o que deverá obrigar o governo a aumentar os acordos com o imperialismo.

O direcionamento de amplos recursos públicos para os programas sociais provocou a queda dos investimentos de PDVA (a petrolífera estatal), mesmo após o empréstimos chinês por US$ 30 bilhões. Por esse motivo, recentemente, uma explosão numa importante refinaria provocou enormes estragos e evidenciou os problemas do setor.

A produção passou de 3,5 milhões de barris em 1998 para 2,4 milhões e as exportações caíram de 3 milhões para 1,6 milhões.

O número de trabalhadores da PDVSA passou de 32 mil para 105 mil. O número de empregados públicos aumentou de um milhão para 2,5 milhões, enquanto o 43% da população economicamente ativa trabalha na economia informal.

A dependência do petróleo provocou a disparada das importações de US$ 16,755 bilhões, em 1988, para US$ 29,930 bilhões.

A inflação, que foi um dos fatores principais das revoltas do povo venezuelano na década de 1990, passou de 20%, em 1999, para quase 30%.

O aprofundamento da crise capitalista tem atingido todas as alas da burguesia. A tarefa histórica colocada para o proletariado, que é a única saída para as massas trabalhadoras, é a organização independente da classe operária em oposição à burguesia e a luta pela expropriação dos meios de produção. A condição indispensável é a destruição do estado burguês e de todas as amarras imperialistas para colocar no lugar o poder da classe operária à frente da esmagadora maioria da população pobre e oprimida.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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