Por Fábio (o outro)
Do Valor
Luis Octavio, um banqueiro ‘bon vivant’
Por Felipe Marques | De São Paulo
Indio da Costa já organizou show com Elton John para aniversário do banco
Não há chance de o Cruzeiro do Sul voltar para as mãos do antigo controlador. Foi assim, sem muita cerimônia, que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) encerrou a trajetória de Luis Octávio Indio da Costa como banqueiro. Um final triste para a saga de um banqueiro que nunca fugiu dos holofotes. Seus bens estão indisponíveis e ele será investigado sob suspeita de fraude.
Enquanto os controladores de outras instituições financeiras preferem gastar as fortunas com discrição, Indio da Costa sempre frequentou as colunas sociais. O estilo pouco discreto sempre foi alvo de críticas dos concorrentes, que atribuiam a ele um comportamento não condizente com uma profissão que requer conservadorismo. Sempre chamou especial atenção a extensa lista de namoradas, que inclui a ex-modelo Daniela Cicarelli, que não impediu Luis Octavio de seguir um eterno solteiro, perto dos cinquenta anos.
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O começo da trajetória desse braço dos Indio da Costa no sistema bancário foi pitoresca. O banco que deu origem ao Cruzeiro pertencia à Pullman, a mesma empresa do pão de forma (mais tarde vendida à mexicana Bimbo) e foi comprado pelo advogado carioca Luis Felippe Indio da Costa, pai de Luis Octavio, em 1993. Logo na fundação, o Cruzeiro já mostrava apetite pelo empréstimo com desconto em folha de pagamento, principal ramo de atuação do banco, graças a um acordo para operar a modalidade para militares.
Em 2009, no aniversário de 15 anos do Cruzeiro, o banco ganhou um evento de fazer qualquer outra comemoração parecer uma festinha de bairro. Para celebrar a data, Indio da Costa promoveu apresentações exclusivas com o cantor Elton John e com o maestro italiano Ennio Morricone. Para arrematar, o trouxe ao Brasil o cantor americano Tony Bennett para uma apresentação privada a 450 convidados feita em sua própria residência, em Embu das Artes, São Paulo.
Para um próximo aniversário do Cruzeiro, Indio da Costa sonhava em trazer a cantora Barbra Streisand, chegou a afirmar em uma entrevista. À causa social patrocinada pela popstar Madonna, o banco fez uma doação de cerca de R$ 1,8 milhão (em 24 parcelas de R$ 76 mil), depois que Luis Octavio a conheceu em São Paulo.
Luis Octavio Indio da Costa e seu pai, Luis Felippe, são os dois controladores do banco e únicos membros da família ligados ao negócio. Luis Eduardo Indio da Costa, irmão de Luis Felippe, é renomado arquiteto carioca. Guto Indio da Costa, filho de Luis Eduardo, seguiu os passos do pai na arquitetura. Antônio Pedro de Siqueira Índio da Costa, também filho de Luis Eduardo, seguiu carreira política, tendo concorrido como vice de José Serra nas últimas eleições presidenciais. Nenhum deles tem qualquer ligação com o banco.

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