4 de junho de 2026

Grande imprensa fragiliza tese da autorregulamentação

A tese sustentada pela grande imprensa de que os próprios veiculos jornalísticos teriam a competência de se autorregulamentarem vem sendo fortemente prejudicada pela insistência em não apurar as denúncias contra o envolvimento da Veja com o crime organizado.

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Ao contrário do que aconteceu na Inglaterra, onde o escândalo Murdoch foi revelado basicamente pela investigação profissional e competente de jornalistas do Guardian e da BBC, no Brasil, Folha, Estadão e Globo tentam, sem sucesso, construir uma cortina de silêncio em torno dos desvios éticos da revista Veja e do Grupo Abril, com seu envolvimento já comprovado com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.

A opinião pública surpresa com este tipo de corporavismo recorre às redes, onde a investigação jornalística e independente vem ganhando força, até com adesão de portais como o Terra.

A resistência é tanta que centenas de milhares de acessos diários nas redes, frequencia maior do que a maioria dos jornais deste país, não foram o suficiente para mostrar aos grandes grupos que o tema deve pelo menos ser debatido.

Quando o escândalo Murdoch veio à tona, diversos jornalistas brasileiros disseram que a regulamentação da imprensa não era necessária porque ela própria teria a capacidade de se autofiscalizar.

Mas, pouco tempo depois, diante das revelações das práticas ilícitas do Grupo Abril, esta tese veio abaixo com o silêncio em relação ao caso e até a agresividade sustentada por colunistas contra os profissionais que na rede vêm fornecendo informações comprovadas e importantes para a sociedade.

À época do escândalo, o próprio The Guardian promoveu um amplo debate sobre fiscalização e limites em relação à ação dos jornalistas e dos veículos.

Nem sequer este debate foi promovido pelos grandes meios nacionais, o que mostra imaturidade,  despreparo, falta de responsabilidade social e compromisso com a opinião pública.

A tese da autorregulamentação simplesmente vem se mostrando inviável. Não por força dos argumentos contrários. Mas pela incompetência dos próprios argumentadores favoráveis a ela.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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