Por Rogério Maestri
Li em outro lugar a polêmica que está causando este artigo mais devido a interpretações machistas ou feministas do que sobre o fato propriamente dito. Para não ficar chovendo no molhado vou procurar fazer uma crítica um pouco diferente, vou criticar a pesquisa propriamente dita.
Trabalho em pesquisa experimental a quase tinta e cinco anos, mais especificamente em Simulação Física. Que vem a ser isto? Dentro de um ambiente controlado, realizam-se ensaios com o objetivo de simular outras situações mais amplas (a definição está meio simplificada!). Bem, dentro deste ambiente controlado procura-se definir a priori a variação de parâmetros e medir os parâmetros resultantes dos ensaios.
Simples! Entra-se com meia dúzia de variáveis e se sai com outra meia dúzia e o fenômeno está compreendido.
Simples uma pinoia! Sempre há variáveis físicas que não são controladas e aparecem outras que teimam em não obedecer ao pesquisador. Certa feita, “torturamos” um modelo reduzido (modelo de um rio) durante um ano e ele não dava a resposta que desejávamos. Depois destas longas “seções de tortura” resolvemos obrigar o contratante voltar a campo e medir o nosso objeto maior de estudo. Após uma campanha de campo cara (por isto que o contratante não queria fazer) vimos que o pobre modelo estava falando a verdade todo o tempo, e que havia um parâmetro que não estava sendo levado em conta.
O QUE TEM TODA ESTA CONVERSA MOLE COM A PESQUISA EM QUESTÃO?
Tudo, mas primeiro vou colocar uma opinião pessoal:
NÃO ACREDITO NA MAIORIA DESSAS PESQUISAS “MÉDICAS” QUE ASSOCIAM FATOS REAIS COM COMPORTAMENTOS HUMANOS.
Como coloquei uma observação forte vou dar uma explicação melhor. Quando tratamos de comportamentos humanos complexos, tais como, intercursos sexuais (quantidade e qualidade), depressão, práticas sexuais, e mais uma dezena de parâmetros, é praticamente impossível isolar as variáveis que os compõe.
Até hoje coisas simples como, a quantidade de exercícios leva a uma vida mais longeva e saudável, ou um determinado tipo de dieta aumenta ou diminuiu a incidência de doenças coronarianas ainda não estão claros (foi terminada há pouco tempo uma pesquisa imensa, custando milhões de dólares e se desenvolvendo por mais de 10 anos que não concluiu nada!)
Além da impossibilidade de isolar o efeito de variáveis tem ainda a dificuldade dos profissionais da área da ciência médica em manejar números, pois todos sabem que além da regra de três o horizonte matemático dos nossos queridos médicos não é muito longo (mas isto já é outro problema).
Acho que simplesmente esta “pesquisa” mereceria mais um espaço em almanaque de curiosidades do que lugar para uma discussão séria.
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