O samba de São Paulo está de luto. Faleceu nesta quarta-feira, 23 de novembro, o sambista Toniquinho Batuqueiro.
Nascido em 1929 na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, Toniquinho se tornou um dos principais defensores
da cultura popular brasileira e um dos principais ícones do samba paulista.
Em sua trajetória, vivenciou o samba das ruas e das escolas de samba. Foi parceiro de grandes baluartes como Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde e Pato N’Água, entre outros.
Aliando as tradições interioranas ao samba da cidade, Batuqueiro sentiu na pele o preconceito e as dificuldades para fazer samba em um período de repressão.
Em um de seus depoimentos marcantes, durante as gravações de uma vídeo-reportagem sobre o samba de São Paulo, o sambista mencionou o período de perseguição.
“Na década de 1940, eu engraxava sapatos na praça da Sé. Mesmo com dificuldade para levantar uns trocados, marcava presença no samba. No meio da rapaziada, tirava som das próprias caixas de engraxates até a polícia chegar e mandar parar tudo. A polícia não dava refresco. Preto de sapato branco, em dia de semana, tava em cana.”
Ao lado do amigo Plínio Marcos, participou de uma gravação “Plínio Marcos em prosa e samba, nas quebradas do mundaréu”. A gravação se tranformou em disco em 1974.

Atuante em diversas escolas de samba, Batuqueiro passou pela Vila Maria, Império do Cambuci e Unidos do Peruche, agremiação que ajudou a fundar junto com o Seo Carlão.
Fez história na escola de samba Rosas de Ouro ao compor seu primeiro samba de enredo oficial em 1972, “Brasil de ontem, Brasil de hoje.”
Integrou e foi um dos fundadores da Embaixada do Samba, organização criada em 1995 pela Uesp para representar e divulgar a história do samba de São Paulo.
Compositor de primeira, lançou em março de 2009 o seu primeiro CD solo – “Memória do Samba Paulista”.
A vivência musical, mesclando informações do Tambu vivido na infância com influências das marchinhas do Carnaval carioca e paulista, todas remexidas no cadinho musical negro que eram as Festas de Bom Jesus do Pirapora, fizeram
de Toniquinho um dos maiores ritmistas do país, talento reconhecido por nomes como Mestre Fuleiro do Império Serrano, e também por sua profunda vivência como júri de bateria nos diversos concursos carnavalescos pelo país.
Há quatro anos, vitimado por um glaucoma, enfrentou graves problemas de visão. Sem perder a elegância, militou pelo samba até a tarde desta quarta-feira, 23 de novembro mas deixará, além da saudade, o seu nome eternizado entre os protagonistas da evolução da história do samba paulista.
No Carnaval de 2012, a trajetória de Toniquinho merecerá homenagem especial no Carnaval do Cordão Grêmio Recreativo de Resistência Cultural Kolombolo Diá Piratininga.
A homenagem será retratada no tema “Toniquinho Batuqueiro – O Sotaque da Bantologia Caipira no primeiro decanato do galo rubro-negro.” O desfile acontecerá nas ruas da Vila Madalena, uma semana antes da folia realizada no sambódromo.
O enterro aconteceu na manhã desta quinta-feira, 24 de novembro no Cemitério Santo Antônio, no Jardim Marina em Osasco.
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