3 de junho de 2026

O avanço da geopolítica eletrônica dos EUA

Jornal GGN – Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos deu autorização para que o FBI (Federal Bureau of Investigation) e outros órgãos de segurança do país possam invadir computadores em qualquer local do mundo, com um único mandado judicial. Antes, os juízes federais só podiam autorizar os órgãos a hackear um computador dentro de suas juridições. Com as novas regras, o FBI vai poder realizar buscas em computadores de localização desconhecida.
 
A autorização gerou críticas dentro e fora dos Estados Unidos, levantando questões de violações à privacidade e a direitos dos cidadãos. A União Europeia disse que as mudanças das regras terão um “efeito inibidor” nas relações comerciais entre os EUA e a Europa. Leia mais abaixo:
 
Do Conjur
 

Graças a uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, o FBI (Federal Bureau of Investigation), assim como qualquer órgão de segurança do país, poderá “hackear” computadores “independentemente de sua localização física”, com um único mandado judicial. 

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Até agora, os juízes federais só podem autorizar os órgãos de segurança americanos a “hackear” computadores dentro de suas jurisdições, por meio de mandado judicial sustentado em suspeita razoável de crime. Isto é, se o FBI, por exemplo, quiser invadir computadores de um suspeito em dez jurisdições diferentes, terá de obter dez mandados judiciais. Com a nova regra, bastará um.

Outra vantagem para os órgãos de segurança americanos, igualmente significativa, também vem da frase “independentemente de sua localização física”. Até agora, o FBI tem de descobrir a localização certa do computador, para pedir o mandado judicial na jurisdição certa. Nem sempre é possível descobrir a localização exata de um computador, porque ela pode ser obscurecida por meios digitais.

Com as novas regras, o FBI poderá, remotamente, fazer buscas em computadores de localização desconhecida. Há navegadores, como o Tor, que permite a usuários usar a Internet em completo anonimato. O FBI poderá espionar até mesmo computadores de vítimas de crimes cibernéticos.

As notícias se referem particularmente ao FBI porque a mudança foi feita nas “Regras Federais de Procedimento Criminal”. Mas são válidas para qualquer órgão de segurança. A Suprema Corte determinou que as novas regras entrarão em vigor apenas em 1º de dezembro de 2016. Até lá, o Congresso dos EUA poderá rejeitá-las ou alterá-las, antes que entrem em vigor automaticamente.

Reações
As mudanças geraram protestos em âmbito doméstico e internacional. No país, elas levantam dúvidas sobre questões de violações à privacidade e a direitos dos cidadãos, como os de não serem sujeitos a buscas e apreensões fora das proteções que lhes são garantidas pela Constituição dos EUA.

As novas regras possibilitam ao FBI fazer buscas em milhões de computadores ao mesmo tempo, disse o senador democrata Ron Wyden, por enquanto uma voz solitária no Congresso, prometendo apresentar projeto de lei para barrá-las.

Um caso possível (e comum) de invasão em grande escala pelo governo ocorre, por exemplo, quando o FBI decide atacar uma rede de crimes cibernéticos, formada por milhares de computadores comprometidos, chamados “botnet” — o termo é frequentemente associado ao uso de softwares maliciosos, referindo-se, às vezes, a uma rede de computadores. A maioria dos computadores “botnet” é usada por cidadãos comuns, que não têm ideia de que seus computadores estão comprometidos.

Em âmbito internacional, a União Europeia disse que as mudanças das regras exercerá um “efeito inibidor” nas relações comerciais entre os EUA e a Europa, que está “extremamente sensível” à vigilância cibernética do mundo desde que Edward Snowden as denunciou em 2013.

Já está abalado um acordo, duramente negociado entre o Departamento de Comércio dos EUA e a Comissão Europeia no início do ano, em que os americanos se comprometeram a não espiar os cidadãos europeus e que qualquer esforço dos EUA de vigilância estaria sujeito a claras limitações, salvaguardas e mecanismos de supervisão.

Para o diretor de Execução da Lei e Segurança da Informação da Google, Ricardo Salgado, apesar de o governo americano assegurar que não fugirá de seu objetivo, que seria apenas o de combater o crime, as novas regras irão permitir aos órgãos se segurança conduzir buscas fora dos Estados Unidos sempre que tiverem elementos para convencer qualquer juiz federal a expedir um mandado de busca.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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12 Comentários
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  1. Roxane

    4 de maio de 2016 6:44 pm

    Vai voltar o tempo das mal

    Vai voltar o tempo das mal traçadas linhas…

    1. Ale Nogueira

      4 de maio de 2016 9:35 pm

      Já voltou. Quem não adota

      Já voltou. Quem não adota contramedidas já está perdendo.

  2. Athos

    4 de maio de 2016 6:54 pm

    okay
    Mas aqui são criminosos.
    Caso alguém do Brasil seja grampeado quero ver a PF levar o Obama para depor….coercivamente.

    Quero ver a valentia da PF!

    1. Jovelino Andrade

      5 de maio de 2016 7:45 am

      Pois é…

      Abuso de poder, só contra os mais fracos, né.

      O FBI pode invadir sistemas informatizados da PF, do MPF, do STF e outros F’s, que garanto que não haverá “condução coercitiva” alguma… Porque assombração sabe prá quem aparece…

  3. Ivan de Union

    4 de maio de 2016 9:12 pm

    Por sinal, o item parece ter

    Por sinal, o item parece ter sido mal traduzido ou interpretado.  A sentenca do meio nao faz uma gota de sentido solta no meio desse paragrafo:

    “Com as novas regras, o FBI poderá, remotamente, fazer buscas em computadores de localização desconhecida. Há navegadores, como o Tor, que permite a usuários usar a Internet em completo anonimato. O FBI poderá espionar até mesmo computadores de vítimas de crimes cibernéticos”

  4. zesergiozz

    4 de maio de 2016 10:48 pm

    o avanço da geopolitica…

    Snowden e Assange foram calados e em silêncio ficou toda a hipocrisia mundial. Assange inclusive continua enclausurado , sem que as tão afamadas Corte dos Direitos Humanos e Corte de Direitos Europeía deêm um único pitaco. Este caso vai de encontro a proibição imposta pelo juiz brasileiro a um aplicativo. É a mesma coisa. O direito nacional será atropelado pelos detentores da tecnologia. Seus mecanismos estão fora dos países. De forma centralizada quem detém a tenologia detém o poder.

  5. Ivan de Union

    4 de maio de 2016 11:55 pm

    Podem cortar aa vontade

    Podem cortar aa vontade porque eu nao vou deixar de repetir:  o supremo americano legalizou trabalho escravo mundial.  Desde que o slave master seja os Estados Unidos.

    Eh MENTIRA deles que isso tem a ver com” terrorismo” ou “crimes”.  Eh mentira de todos eles.

    Tem a ver com trabalho escravo.  Isso eu vi na propria pele e nao vou parar de repetir NUNCA, ok?

  6. MARCOS FERREIRA

    5 de maio de 2016 1:11 am

    Dai saiu o engendramento

    Dai saiu o engendramento daquelas jornadas de junho de 2013 que coincide com o perído que o Brasil foi o país mais espionado.

  7. altamiro souza

    5 de maio de 2016 4:15 am

    1984, estado policial

    1984, estado policial pós-buschismo e 11 de setembro…

    o título geopolítica eletronica diz tudo sobre a possibilidade de guerra

    geopolítica contra os ditos inimigos dos eua….

  8. José Muladeiro

    5 de maio de 2016 11:46 am

    Qual é a novidade?

    Estão regulamentando o que fazem há muito tempo, desde a época do telégrafo e do pombo correio. Para lutar  contra isto precisamos de mais Snows e Assanges.  Mas temo que teremos mais é de Bin Ladens. Se há uma coisa que mais justifica o terrorismo dos fracos é a prepotência dos fortes.  Como culpar alquém que  tendo um vizinho cujo cachorro todos os dias ameaça a vida de seus filhos, e incapaz de impedi-lo pelos modos civilzados, um belo dia lhe dá de presente um pastel recheado de veneno?

  9. Livio costa

    5 de maio de 2016 3:01 pm

    Você usando esse Windows e Android e acha que é seu.

    Você que esta aí usando esse sistema operaciona Windows e esses celulares instalados com o 

    Androide, usando o navegador Chrome, Facebook, Twetter.

    Isso tudo não é seu, você e seu computador é apenas um mero terminal de milhões de computadores,

    ligados ao governo americano. 

    O caso dos celulares é interessante, pois eles podem lhe ouvir, lhe ver e lhe localizar.

    1. wendel

      5 de maio de 2016 6:20 pm

      Então…………..

      É isso aí Livio, e há quem ainda goste !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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