5 de junho de 2026

Brasilianas.org sobre a Usina de Belo Monte

Os bordões sobre Belomonte

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Um pouco antes da divulgação desse vídeo com atores globais especializados em energia, conversei com algumas colegas jornalistas sobre Belo Monte.

Elas tinham um nível de indagação similar ao exposto no vídeo. Sinal de que a campanha contra Belo Monte fixou-se em alguns pontos focais, de fácil assimilação e de fácil espraiamento pelas redes sociais. Ou seja, um marketing profissional.

Uma das questões paradoxais é o fato da usina receber – do mesmo grupo – dois tipos de críticas distintas e opostas:

A usina desrespeita totalmente o meio ambiente e os direitos dos índios.

A usina não é eficiente, por só aproveitar parte do potencial do rio.

Ora, há duas maneiras de se construir uma usina. Se se basear exclusivamente no critério de eficiência, teria que dispor de um lago enorme, alagando regiões amplas. Optou-se por um sistema energeticamente menos eficiente – o de geração de energia em cima da correnteza do rio – justamente para privilegiar questões ambientais. Ou seja, a usina não é 100% eficiente em respeito a questões ambientais.

Mas não se informa sobre esse ponto.

Não foi apenas o único preço pago em respeito ao meio ambiente. Pelo menos R$ 1 bilhão a mais foi investido para remanejamento de aldeia com poucos índios. Há um conjunto enorme de contrapartidas, assinadas em contrato e sob fiscalização das autoridades e das população locais.

A maneira como a campanha foi montada desinforma. Critica genericamente a usina, como se não houvesse nenhuma contrapartida. Não há uma crítica objetiva à qualidade ou suposta ineficiência das contrapartidas.

Depois, criam-se mitos, como o da energia eólica substituindo completamente as novas usinas hidrelétricas. Não se mostram as limitações de custo, de instalação, os problemas ambientais embutidos nela. Não se analisa a matriz energética, para avaliar a viabilidade ou não de se abrir mão das usinas amazônicas.

Longe de mim duvidar das boas intenções ambientalistas dos globais – diretamente proporcionais ao seu baixo nível de informação, inclusive para formular a crítica técnica contra Belo Monte. Mas a massificação de bordões através de personagens de largo alcance popular me soa mal. É profissional, tão profissional quanto consegue ser uma campanha publicitária bem planejada.

Exibido em 13/06/2011

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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