Por Assis Ribeiro
Da Carta Maior
BC sinaliza desaceleração do PIB; efeito sobre preços ocorre em 2012, diz economista
IBC-Br, considerado um indicador que reflete a evolução do PIB, registrou queda de 0,53% no mês de agosto em relação a julho. O coordenador-adjunto do IPC-Fipe, Rafael Costa Lima, disse que atual desaceleração terá impactos sobre os preços em um intervalo entre três e seis meses, o que ajudará no combate à inflação.
Marcel Gomes
SÃO PAULO – O Banco Central emitiu nesta quinta-feira (13) sinais de que a economia brasileira se desacelerou. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um indicador que reflete a evolução do PIB, registrou queda de 0,53% no mês de agosto em relação a julho. O dado aponta inversão do cenário apurado em julho, quando o IBC-Br havia subido 0,34% sobre junho. Entre janeiro e agosto, o índice, que incorpora dados sobre a geração de valor na agricultura, indústria e serviços, está em patamar positivo, de 3,43%, comparado ao mesmo período de 2010.
Na última terça-feira (11), o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, já havia informado que o órgão estava revisando a projeção de crescimento da economia deste ano. A estimativa atual de 4,5% seria ajustada para um intervalo entre 3,5% e 4%. Para 2012, a previsão seguiria em 5%. A informação foi dada por Barbosa durante audiência na Câmara dos Deputados.
Segundo o coordenador-adjunto do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Rafael Costa Lima, a atual desaceleração da economia terá impactos sobre os preços em um intervalo entre três e seis meses, o que ajudará no combate à inflação. “Os efeitos devem ser sentidos no primeiro trimestre de 2012”, disse ele à Carta Maior. O economista tem dúvidas, porém, se o desaquecimento será suficente para trazer o índice oficial de inflação, o IPCA, para o centro da meta, 4,5%, no ano que vem.
“O mandato do BC é para a inflação e o mercado ainda tem dúvidas se a desaceleração prevista por ele trará a taxa para 4,5%. O argumento do BC é correto e ele está confiando nas informações que coleta diariamente, mas eu ainda estou reticente se dará certo”, afirmou. No final de agosto, prevendo que a crise internacional desaceleraria a economia brasileira, o BC supreendeu o mercado e cortou a taxa Selic em meio ponto percentual, para 12% ao mês.
Na terça-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que calcula o IPC, havia divulgado que o índice na primeira quadrissemana de outubro alcançou 0,23%, ante taxa de 0,25% registrada no fechamento de setembro. O desaceleração foi puxada pelo preço do etanol, dos calçados e dos automóveis.
O resultado ficou abaixo da expectativa da Fipe, de 0,27%. Com isso, a Fipe reduziu de 0,40% para 0,38% a projeção para a taxa de inflação de outubro na capital paulista. O índice anual também foi cortado, de 6,2% para 6%. “Foi uma surpresa positiva, mas dentro do intervalo previsto”, explicou Lima. Em 2011, o índice já acumula alta de 4,14%, Em 2010, atingiu 6,4% no ano.
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