4 de junho de 2026

O deficitário transporte coletivo em São Paulo

Comentário do post “Trânsito paulistano piora 10%”

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Por Ane

Tarkus aponta para a superpopulação da cidade, o que é em parte verdade. Sobre o planejamento, discordo totalmente. Tivemos uma série de planos diretores para a cidade, e todos eles foram sendo desconsiderados, administração após administração, por uma simples razão: Planejamento Urbano é projeto de longo prazo, melhora a qualidade de vida das pessoas, mas não dá visibilidade imediata ao político.

São Paulo está desesperadamente carente de transporte público. Muita gente acha que transporte público é coisa de pobre, mas há muita gente que deixa o carro em casa para fazer uso de metrô quando é possível. Havendo um sistema de transporte público decente, muito mais gente iria optar por ele.

Um grande avanço nesse sentido foi a implementação do bilhete único. Porém, apenas o bilhete único não resolve o problema da mobilidade urbana. O projeto deveria ter prosseguido, com a redistribuição das linhas de ônibus, reduzindo a quantidade de linhas que atravessam a cidade. Os corredores de ônibus para os longos trajetos, micro-ônibus para os trajetos curtos, dentro dos bairros. Só isso já teria sido um grande ganho.

Sobre o metrô, a lenda de que é construído na velocidade das lesmas é uma falácia. Um amigo, munido de uma revista científica e uma calculadora chegou à verdade: a lesma se move em uma velocidade 66 vezes mais rápida que as obras do metrô em São Paulo.

Sobre a reforma das marginais, não vi sequer um Urbanista, de respeito ou não, defendendo aquela monstruosidade. Todos bradavam em coro: 1,5 bilhão seriam muito melhor aplicados em transporte público! O resultado está aí para que todos vejam. Na minha vida, nunca vi obra tão mal realizada, mal planejada. As pistas, de tão onduladas e irregulares são uma vergonha para qualquer engenheiro. Os acessos, entradas e saídas, a maior parte ainda sem placas, são o terror de qualquer motorista. Não dá pra saber em que pista se deve ficar para acessar o bairro, pegar a Anhanguera ou a Bandeirantes. Qualquer vacilo te leva para o último lugar que você gostaria de ir. E acredito piamente que boa parte da piora do trânsito se deve a essa reforma da marginal: criou uma confusão generalizada, com uma série de gargalos e pontos de lentidão, acessos não identificados que fazem o motorista se perder, e ter que dar um jeito de se reencontrar (retorno nem pensar). Sem falar na impermeabilização da área de manancial, com compensação ambiental com plantio de árvores (alguém conferiu?) em um parque já existente. Coisa de jênio.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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