4 de junho de 2026

Dostoiévski, Miguel Nicolelis, Luiz Felipe Pondé e o encontro na Flip

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Li o relato da palestra na Flip de Antonio Candido e o que me chamou atenção foi a de que ele agora só lê os grandes mestres do passado como Dostoiewki e com essa fala se disse um preso ao passado. Um quase a se colocar nas margens e a margem dos acontecimentos como ultrapassado e desatualizado.  Como se ele pudesse. Ledo engano mestre Candido continuas no topo porque hoje na Flip quem demarcou os campos ao final foi Dostoiewski com o seu Sonho de um Homem Rídiculo.  Quando soube que sua palestra foi ao vivo, pensei esta eu perdi, mas a de hoje nem pensar. E corri para o site da Flip para ver o que teria. Minguel Nicolelis e o filósofo e colunista da Folha Luiz Felipe Pondé, com mediação da jornalista Laura Greenhalgh ,com o tema O humano além do humano. O que esperar deste encontro entre um neurocientista e um filósofo após o Mestre Candido? Nicolelis, ateu, agnóstico ou sei lá o que pode ser, como ele mesmo se classifica, abre a noite citando Santos Dumont o homem que sonhou em voar e passou então a demonstrar o seu experimento de forma que a platéia entendesse, incluso eu, a revolução que está ocorrendo na pesquisa em neurociência  tendo por objeto incial as tempestades cerebrais e esta na relação homem-máquina. Da intenção a ação existe um universo e o cérebro caminha sua libertação da prisão do corpo ganhando novas fronteiras frente as novas tecnologia das ciências da informação e da robótica. Esta tempestade emite sons de que se parecem com pipocos, pequenas explosões. Nicolelis finaliza sua fala, embargada, que se possível, seu desejo e que trabalhará para isso, na copa de 2014 uma criança quadriplégica vestida  com uma roupa comandada pelo cérebro ira entrar com a seleção brasileira em campo e fará o primeiro gol da neurociência brasileira.  Aplausos. Pondé inicia sua fala com uma perspectiva da filosofia na qual a ciência e a religião são similares pela força de seus dogmas e crenças. Descreve e entende a ciência a partir de uma perspectiva histórica a da ciência positivista e segue sua linha de raciocínio partindo de Platão, nazismo, eugenia e chegando ao filósofo alemão Peter Sloterdijk para demonstrar que buscamos a raça perfeita, os mais saudáveis, o mundo perfeito.  O Humano em sí é um fracasso. É em sua fala que cita o conto do Sonho de um Homem Rídiculo de Dostoiewski . Daquele que não se aguenta mais de tão sem sentido que é a sua vida e decide se suicidar, no caminho deste intento uma menina pede ajuda e ele a repele, segue com o objetivo mas adormece e sonha com o mundo perfeito, onde a pessoas são felizes e plenas. Bem ao final ele espalha a discórdia no mundo perfeito, mas acorda e decide dedicar sua vida ao próximo.  Laura abre sua mediação citando figuras de linguagem carissimas para a religião que Nicoleleis cita em seu livro como alma, santo graal e milagres apesar de se dizer um ateuagnosticosseiláoque. Neste ponto  diz que cita milagres no seguinte contexto: Para Nicolelis se um outro ramo de negócio (no caso a religião) não tivesse se apropriado da palavra milagre esta se adequaria muito bem a Ciência..  Pondé refuta esta crença na ciencia como solução de tudo. Acredita que o que motiva o homem é o sofrimento e que todos os seus intentos caminham para o nada.

São selecionadas duas perguntas da platéia. Para Nicoleleis que ele explicasse seu projeto em Natal e para Pondé se a ciência como demosntrada por Nicoleleis não seria a solução para o Niilismo. A platéia riu porque acreditaram então ser dada a Pondé a mais dificil. Ele inicia e traça um caminho para demonstrar que o niilismo não tem cura. Já Nicolelis descrevendo o projeto em Natal ao final me sai com essa: Se Santos Dumont fosse hoje para a escola com o seu sonho de voar seria chamado de louco ( ele não disse mas poderia: ridiculo) e desestimulado. Estudaria. Faria o vestibular e entraria para a faculdade de Filosofia… A Platéia foi ao delírio e terminou o debate.

Lembrando agora vejo que neste momento saiu Laura Greenhalgh como mediadora entre um otimista e um pessimista e entrou Dostoiewski.  Uma pena mestre Candido que não tenha boas relações com a máquina mas veria o quão atual está o seu pensamento e suas leituras. Maravilhoso o encontro entre o neurocientista, o filosofo e o homem ridículo.

 

Um abraço

Grauninha

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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