4 de junho de 2026

Os antigos e os novos humoristas

Por O Escritor

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No dia 2 de novembro de ano passado escrevi este comentário sobre outro “humorista” da turma do CQC, que me parece válido para aquele hoje em evidência. Eis o link:

http://www.advivo.com.br/comentario/re-fora-de-pauta-12876

Os antigos e os novos humoristas

Matéria do portal R7.

“Sou apenas um idiota”, diz Danilo Gentili ironizando a polêmica por ter chamado Hebe Camargo de múmia

Alguns trechos:

“O humorista Danilo Gentili está no centro de uma polêmica desde que comparou Hebe Camargo a uma múmia, no dia da volta da apresentadora à TV após a descoberta de um câncer.”

[…]

“R7 – Acha que foi uma frase infeliz?

“Gentili – Ontem mesmo, num evento, quando me perguntaram sobre o caso, eu citei a tal piada e eu juro que todos riram! Também recebi post de muita gente rindo dela no Twitter… Então, olhando por esse lado, já que eu ouvi risadas, acho que foi uma frase até que feliz, viu…”

[…]

“R7 – Você gostaria de pedir desculpas à apresentadora Hebe Camargo e às pessoas que gostam dela?

“Gentili – Eu quero pedir desculpas à apresentadora. Desculpas não. Perdão! Fazer piada com a idade dela foi um erro grande e devo isso não a meu falho caráter e nem ao meu despeito e, sim, ao meu problema na vista. Todos sabem que tenho sérios problemas de saúde, e minha vista, às vezes, fica embaçada e vejo o mundo distorcido. Infelizmente, bem naquela noite tive um desses ataques e fui incapaz de notar que a Hebe na verdade é uma donzela no ápice da juventude e acabei distorcendo a realidade e fazendo a infeliz piada sobre sua idade, ou, pra ser mais politicamente correto, sobre sua longevidade vitalícia. Me perdoem.”

[…]

“R7 – Você pretende tomar mais cuidado com o que diz no Twitter?

“Gentili – Claro que não! Se eu fizer vocês perdem uma porção de cliques nos blogs do R7!”

[…]

“Só para finalizar: não superestimem nunca o que digo. Sou apenas um idiota falando merda. E se alguém entra no meu Twitter esperando que eu fale sério, esse alguém é bem mais idiota do que eu.”

http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/-sou-apenas-um-idiota-diz-danilo-gentili-sobre-ofensa-a-hebe-20100310.html

* * * * * * * * * *

Num país que já nos deu José Vasconcelos e Chico Anysio, ler essa entrevista é triste mas revelador.

O antigo humorista transmitia a mensagem: ”Esse universo é um caos e nós estamos juntos nesta grande m…”. O novo humorista diz: ”Eu sou o juiz do Universo e você é um grande m…”

O antigo humorista era movido por uma implicância simpática. O novo humorista é movido pela agressividade corrosiva.

O antigo humorista não se ”achava”: ironizava-se, ele mesmo, em ditos, anedotas e situações estimuladoras do riso amigo. O novo humorista se ”acha”: degrada o Outro em ditos, anedotas e situações estimuladoras da perversidade cúmplice.

O antigo humorista tirava sua comicidade da compreensão das esquisitices humanas. O novo humorista  tira sua comicidade do constrangimento do seu semelhante.

O antigo humorista era um artista, um mestre da representação dos mais variados tipos humanos, dono de versatilidade vocal admirável. O novo humorista assume uma cara (malfeita) de idiota, faz um voz (supostamente) de idiota, e basta.

O antigo humorista era um criador: legou-nos tipos humanos inesquecíveis. O novo humorista… bem, ele é o seu tipo – e nada mais.

O antigo humorista tornava famosos seus tipos. O novo humorista quer a fama somente para si mesmo.

O antigo humorista popularizou situações, histórias e números. O novo humorista só torna popular o seu programa.

O antigo humorista era um pensador: oferecia uma visão original da sociedade e do comportamento humano. O novo humorista é um reprodutor: aproveita clichês de ocasião e é incapaz de oferecer uma perspectiva realmente nova à sua época.

O antigo humorista fazia rir da nossa ilusória impressão de importância. O novo humorista *é* a ilusão de importância.

O antigo humorista desmoralizava a arrogância e a presunção humanas. O novo humorista personifica esses defeitos.

O antigo humorista revelava a nossa Sombra (o lado mau do indivíduo). O novo humorista incentiva a expressão dessa mesma Sombra.

O antigo humorista revelava o nosso lado secreto: as motivações e interesses que preferimos ocultar, nossas precariedades. O novo humorista nos faz atribuir esse lado oculto somente ao Outro.

O antigo humorista nos fazia pensar, intrigados. O novo humorista nos faz sentir confortados.

O antigo humorista, criticado, reagia com seu natural bom humor. O novo humorista, criticado, mostra que seu humor ruim é somente uma expressão natural do seu mau humor.

O antigo humorista escrevia livros. O novo humorista mal consegue escrever um tweet.

Outro exemplo dessa turma: http://blogs.r7.com/fabiola-reipert/2010/03/17/luiza-possi-fica-magoada-com-comentario-de-cqc/

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. SavageCorso

    12 de abril de 2018 5:01 am

    humorista escrevia livros
    humorista escrevia livros

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