5 de junho de 2026

Fiúza critica negros e gays por… criticarem Bolsonaro

Para o jornalista “bissexto”, ser de direita é ser racista, homofóbico e defensor da tortura. Sem querer, Guilherme Fiúza explica em suas próprias palavras porque ninguém se assume de direita neste país.

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E veio de onde menos se esperava a pior definição do que é ser de direita.  Sinceramente, acredito que esta vertente ideológica não merecia tamanha injustiça. 

Imagino que qualquer um com um pouco de discernimento acredite que há um pensamento  de direita que não se  preste, necessariamente, ao reacionarismo, racismo,  à homofobia ou defesa apaixonada de torturadores.

Dizer que todos aqueles que sustentam a bandeira do livre mercado, da propriedade privada  ou , mesmo, se conformam com a assimetria econômica e política entre grupos sociais, fazem eco às opiniões de um  Jair Bolsonaro da vida, é acreditar realmente nos próprios estereótipos expelidos por um senso comum esquerdista.

Mesmo os mais conservadores dos nossos jornais – uma redundância concessiva, diga-se de passagem – não receberam bem as palavras de Bolsonaro. Não parece que Marinhos, Frias e Mesquitas tenham se convertido de uma hora para outra em patrulheiros de esquerda.

Algumas passagens de um texto do autor reproduzido em alguns sites botinudos por aí são uma ducha de água fria para quem tem a sincera esperança de que pode haver vida inteligente em qualquer vertente ideológica.

Guilherme Fiúza sai em defesa de Bolsonaro e se indigna com o fato de que negros e gays se sentiram mal com as estripulias verbais do deputado. Não usou da mesma  tolerância com o outro deputado polêmico, o Tiririca: crimes gramaticais doem mais , para o jornalista, que a defesa da tortura.

Sem nenhuma palavra em solidariedade em favor da vítima direta das agressões,  a cantora Preta Gil, Guilherme Fiúza se irrita porque muita gente ficou irritado com tanta insensatez vinda de um representante parlamentar.

Misturando jiló com tapete persa, Fiúza tenta convencer o seu leitor lançando mão de bandeiras e frases prontas. Para o jornalista “bissexto”, ser de direita é ser racista, homofóbico e defensor da tortura. Sem querer, Guilherme Fiúza explica em suas próprias palavras porque ninguém se assume de direita neste país.

As sete pérolas de um cordão mal-ajambrado

Bolsonaro e o fuzilamento da direita

1. “No Brasil de hoje, como se sabe, ningúem é de direita. Ou melhor: a direita existe, mas é uma espécie de sujeito oculto, que só aparece para justificar os heróicos discursos da esquerda – eterna vítima dela”.
Que história é essa? O que são os partidos de direita se não…de direita?


2. “Bolsonaro é filiado ao Partido Progressista, mas é uma espécie de reacionário assumido. Defende abertamente as bandeiras da direita – que, como dito acima, não existem mais”.
Aqui Guilherme Fiúza associa diretamente e sem rodeios “direita” e “reacionarismo”.
3. Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo.
Ou seja, ainda que não seja racista, ele pode ser homofóbico. Ah, bom.

4. Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays.
Isso é um protesto?
5. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares?
Agora sim. Aprendemos que ser gay é ter o  humor crítico e habitualmente ferino.
6. A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”. É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, prescrito (sic) pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar.
O leitor entendeu?

7. De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais?
Lógico que pode. Não deveria ser racista e homofóbico. E, se for, merece sim as críticas e os protestos. Afinal de contas, pode-se perguntar: a indignação é monopólio da direita?

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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