Do Twitter de @ALuizCosta
Do De Olho em São Paulo
Kassab anuncia venda do “quarteirão da cultura”
O prefeito Gilberto Kassab anunciou a venda do quarteirão localizado entre as ruas Cojuba, Lopes Neto, Salvador Cardoso e Avenida Horácio Lafer, no Itaim Bibi (zona sul). O terreno, de 20 mil m2, conhecido como “quarteirão da cultura”, é avaliado entre R$ 20 milhões a R$ 30 milhões. O dinheiro será usado para construir 200 creches com 160 vagas. Uma creche com 160 vagas custa R$ 1,5 milhão, conforme esta matéria do site Aprendiz. Portanto, as 200 creches custarão R$ 300 milhões às construtoras.
No quarteirão estão estão localizados oito serviços públicos utilizados diariamente por milhares de pessoas: duas escolas, uma creche, uma Unidade Básica de Saúde, APAE, Centro de Atenção Psicossocial 24 horas, teatro e biblioteca infantil, além de um casarão histórico e possíveis sítios arqueológicos indígenas e coloniais. Segue parte do abaixo-assinado dos moradores da região:
O quarteirão é símbolo da cultura e da arte no Itaim Bibi. Nele se situa a Biblioteca Anne Frank, a mais antiga biblioteca infantil instalada fora do centro da cidade, inaugurada em 1946 num antigo casarão, residência de campo da família Couto de Magalhães, depois em outro prédio construído em 1955, esta a mais antiga edificação modernista no bairro, além de abrigar o primeiro teatro da região.
O quarteirão é símbolo do meio ambiente no Itaim Bibi e sua mais tradicional área verde, abrigando a maior densidade e diversidade de árvores nativas da região, algumas centenárias, além de inúmeras espécies de pássaros e outros animais, e constituindo um oásis de paz e beleza num dos locais mais saturados e congestionados da cidade.
A área também é símbolo das memórias e histórias do bairro, tendo sido originalmente propriedade da família Couto de Magalhães, pioneira do Itaim Bibi, e nele se situando até hoje o casarão, que atualmente abriga a creche Santa Teresa de Jesus. Possivelmente nesta área ainda existam remanescentes arqueológicos da ocupação indígena e colonial.
O valor de mercado estimado do quarteirão representa menos de 0,1% do orçamento da Prefeitura para 2011, de R$ 35 BILHÕES, e será claramente insuficiente para compensar o valor de todos os prédios e equipamentos públicos existentes no terreno, os custos de realocação desses serviços para outros locais, os transtornos aos usuários desses serviços, à vizinhança e à comunidade em geral, e os danos ambientais.
Esse último parágrafo é importante para entender o motivo da venda. O valor do metro quadrado na região é de R$ 16 mil. Portanto, um apartamento de 250 metros quadrados no Itaim custa R$ 4 milhões. Um empreendimento com 6 torres de 40 apartamentos (um por andar) vai render cerca de R$ 1 BILHÃO.
Não é difícil entender a revolta dos moradores do Itaim Bibi. Uma região importante – e valorizada economicamente – será vendida por um montante 50 vezes menor do que os lucros a serem obtidos pelas construtoras. Além do prejuízo social para a região, impossível de ser ressarcido. O próximo da fila, afirmou, é o terreno onde fica a sede da Subprefeitura de Pinheiros (zona oeste), na marginal Pinheiros.
Deixe um comentário