Por Rudá Ricci
Pelo ENEM, ENADE e IDEB, o governo federal vai impondo uma reforma (ou indução) curricular no Brasil. Mas joga a responsabilidade para o professor. Os gestores educacionais (ministro e secretários) lavam as mãos e induzem toda grande imprensa e sociedade a acreditarem que os problemas de aprendizagem se referem à falta de qualificação e engajamento dos professores. Esta é uma parte ínfima do problema.
Todos dados disponíveis reforçam algo que Lev Vygotksy já analisava nos anos 20 do século passado: os fatores que definem o desenvolvimento são a) “equipamento físico” (cegos aprendem de maneira distinta que não-cegos, crianças entrando na puberdade sofrem mudanças hormonais que alteram sua percepção e relação com o mundo e assim por diante); b) hábitos familiares (pais que lêem transformam em hábito a leitura, pais que não pratica esportes inibem o desenvolvimento da inteligência físico-cinestésica, e assim por diante); c) relações sociais (elogios ao desenho fazem do aluno do fundo um profissional do cartum, com já ocorreu com tantos brasileiros, e assim por diante).
OcamO caminho mais fácil é desconsiderar dados de tantas pesquisas. Jogando o problema para o professor e escola, estamos destruindo qualquer estratégia educacional para o país. Transformamos tudo em aulas de reforço e técnicas de memorização.
O Todos pela Educação publicou um simples estudo em que jogou a avaliação realizada pelo IDEB em cada escola de uma mesma rede de ensino municipal num gráfico. Belo Horizonte e Vitória apresentam um grau de dispersão fantástico, com disparidades múltiplas de notas. Daremos prêmios para as escolas que obtiveram melhores notas? Ou tiramos o cargo do secretário de educação que não sabe definir uma política republicana para o ensino? O Brasil vem empobrecendo, a passos largos, a discussão sobre os rumos da educação.
E relatos como o de Mario Abramo nos deixam perplexos e emocionados. Até que nos acostumemos com esta paisagem e comecemos a achar que faz parte da natureza humana.
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