4 de junho de 2026

As mudanças no Parque da Água Branca

Aqui vai um despautério fora de pauta:

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Parque da Água Branca: a caixinha de surpresas do governo estadual  

Após a derrubada de árvores sadias e protegidas como patrimônio histórico e ambiental, ameaça aos mananciais contidos no parque e a falta de cuidado aos pavões, patos e pássaros abrigados no Parque, a mais nova surpresa promovida pelo governo do Estado no Parque da Água Branca é a demolição parcial do pergolado – estrutura de suporte a uma cobertura vegetal florida, contendo bancos de descanso à sombra em seu interior.

O pergolado deixará de ser um espaço belo, florido e sombreado aberto a todos para se transformar num auditório fechado, de gosto e qualidade duvidosos, aberto só quando, e para quem o governo estadual quiser.

É evidente a intenção de elitização, tanto da aparência quanto da frequência do parque. Eliminação da vegetação cerrada por motivos de segurança, fechamento do pergolado, transformação do tattersal em auditório chique, colocação de “ombrellones” italianos na área de leitura, cujo cardápio de leitura privilegia as grandes editoras que apóiam o governo.

AocoAo contrário da Sala São Paulo – que transformou uma antiga estação ferroviária numa sala de concertos preservando sua arquitetura – onde a acústica foi considerada pelo arquiteto Nelson Dupré, autor do projeto, como a “esposa mandona” que não podia ser contrariada, o novo auditório previsto para ocupar o pergolado será precário em conforto acústico tanto do lado de fora quanto dentro. Próximo da rua, será invadido pelo barulho dos ônibus, e quem procura o parque para “ouvir o silêncio” será obrigado a ouvir o barulho que for produzido pelo auditório.

O Movimento SOS Parque da Água Branca – que congrega pessoas e entidades ambientalistas e de defesa do patrimônio histórico – acionou o Ministério Público estadual para impedir essas obras, por considerá-las ilegais até mesmo com a aprovação do Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado. Além dele, o parque é igualmente tombado pelo órgão municipal de proteção ao patrimônio histórico – o Compresp – que também foi acionado.

Além de agredir os patrimônios ambiental e histórico da cidade e do estado de São Paulo, a reforma do Parque esbarra também em questões de gestão pública. As obras estão sendo conduzidas em conjunto pelo Fundo Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural e pela Secretaria de Estado da Agricultura. O Fundo de Solidariedade deveria se dedicar à assistência social às camadas mais necessitadas da população. Sua atividade mais famosa é a promoção da Campanha do Agasalho, que todos os anos recolhe doações de roupas durante o inverno. A função da Secretaria da Agricultura é promover a pesquisa, a produção, a distribuição e comercialização de alimentos. Nenhuma das duas missões é compatível com a construção de auditórios de luxo – ainda que precários – promoção de audições e concertos em áreas nobres e, principalmente, com o desrespeito ao meio ambiente e à história da cidade e do estado.   

Artigo publicado no blog do Movimento SOS Parque da Água Branca
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www.parquedaaguabranca.blogspot.com

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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