4 de junho de 2026

A Marcha Solene, de Gottschalk

Marcha Solene Brasileira (Marche Solennelle – Orquestra Sinfônica de Berlin)

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A Marcha Solene Brasileira foi composta pelo americano Louis Moreau Gottschalk na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1869, durante uma turnê pela América do Sul. Inspirada no clima jubiloso vigente na corte por causa da vitória sobre a maior parte das tropas paraguaias durante a Guerra do Paraguai é baseada também no tema do Hino Nacional Brasileiro. Quando foi executada pela primeira vez em 24 de novembro de 1869 em homenagem ao imperador D. Pedro II, organizou-se um concerto monstro, reunindo 650 músicos, quase todas as bandas da cidade, 44 rabecas, 65 clarinetas, 55 saxhorns, 60 trombones, 62 tambores, entre outros instrumentos, lotando o Teatro Lírico, assim como as ruas adjacentes. Quando foi executada a “Marcha Solene” acompanhada do troar de canhões nos bastidores a platéia, que incluía o imperador, entrou em êxtase cívico-estético. Era a consagração do hino, já ouvido por milhares no campo de batalha e nas despedidas de voluntários. Entende-se por que, mais tarde, a população do Rio exigiu a manutenção do velho hino contra a tentativa republicana de o substituir.

Esta seria a última criação do talentoso compositor americano, que faleceria semanas depois de sua memorável apresentação, no dia de 18 de dezembro de 1869 na cidade do Rio de Janeiro.

A música logo cairia no esquecimento, sendo muito raramente executada em público no século XX. Tal situação veio a se agravar quando uma consulta feita em 1973 à Comissão Nacional de Moral e Civismo ameaçou a peça de proibição, já que pela lei brasileira é proibido a execução do Hino Nacional que fuja ao que é determinado pela mesma. Depois de anos tal questão foi resolvida sendo a proibição considerada um crime de lesa-cultura. Finalmente liberada a Marcha Solene foi executada junto ao Monumento do Ipiranga, marco da Declaração da Indepêndencia, no dia 7 de setembro de 1981, para um público de 800 mil pessoas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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