Ainda não tinha doze anos quando assisti a um linchamento. Vi um rapaz a fugir de bicicleta. Um homem começou a persegui-lo, a pé, e de repente já eram cinco, dez, uma turba exaltada, correndo, gritando, jogando pedras. Lembro-me de estar inteiro, de coração, numa angústia enorme, com o rapaz que fugia. Não havia nada que pudesse fazer para o ajudar. Minutos antes eu lia, ao sol, numa varanda. Logo a seguir o rapaz pedalava para salvar a vida, lá embaixo, entre uma estradinha de terra vermelha e um vasto descampado coberto de capim.
Desde então estou sempre do lado de quem, sozinho, se vê perseguido por uma multidão. Pouco me importa o que fez o rapaz que corre; o homem que ergue a mão para se proteger da pancada; a mulher que enfrenta, chorando, os insultos de um bando de predadores cobardes.
O surgimento das redes sociais marcou a emergência de um novo patíbulo para os linchadores. Bem sei que a comparação será sempre abusiva. Palavras, por muito aguçadas, por muito duras e pesadas, não racham cabeças. Palavras, por muito venenosas, não são capazes de matar. Em contrapartida, este novo palco tem o poder de juntar em poucos minutos largos milhares de pessoas, todas aos gritos. A estupidez das multidões virtuais é tão concreta quanto a das multidões reais.
Praticamente todas as semanas há alguma figura pública a sofrer perseguição nas redes sociais. Na última semana foi a vez de Gloria Pires, e, em Portugal, de um jovem escritor e comentador político por quem não nutro a menor simpatia, chamado Henrique Raposo. Gloria Pires foi atacada devido à economia narrativa, digamos assim, com que comentou a transmissão do Oscar 2016. A atriz deu a volta por cima, com inteligência e muito bom humor, criando uma coleção de camisetas com algumas das brevíssimas frases que estiveram na origem da polêmica: “Sou ruim de previsões”; “Eu não sou capaz de opinar”; “Curti, bacana”.
Henrique Raposo está a ser perseguido por ter publicado um livro, “Alentejo prometido”, com uma visão muito negativa, e muito redutora, sobre aquela região de Portugal. Internautas apelaram à queima do livro. Outros, à morte do autor.
Raposo tornou-se conhecido pela leviandade dos seus comentários, muitos dos quais xenófobos e racistas. Numa das entrevistas que deu recentemente, para divulgar o livro, defendeu que no Alentejo o suicídio é algo trivial, assim como a violação de mulheres: “As alentejanas antigas nem sequer têm a palavra violação para descrever muitos dos abusos que sofriam”.
O lançamento do livro, no próximo dia oito, numa conhecida livraria de Lisboa, será feito com proteção policial.
Discordo de tudo ou quase tudo o que Henrique Raposo pensa e escreve. Aliás, acho que ele escreve sem pensar. Uma coisa, contudo, é discordar do que Raposo escreve, e publicar essa discordância, outra é tentar impedi-lo de escrever e queimar os seus livros.
Há alguns anos, em Luanda, afirmei, durante uma entrevista, não entender por que o governo insistia em promover a poesia de Agostinho Neto, primeiro presidente angolano, que a mim sempre me pareceu bastante medíocre. Um conhecido jurista e comentador político, João Pinto, deputado do partido no poder, assinou um artigo defendendo a minha prisão. Foi além: defendeu o restabelecimento da pena de morte e o meu fuzilamento. Segundo ele eu ofendera não apenas um antigo presidente e herói nacional mas também uma divindade, visto que Agostinho Neto seria um quilamba — ou seja, um intérprete de sereias. Nas semanas seguintes foram publicados muitos outros textos de ódio. Recebi telefonemas com ameaças. Contaram-me que havia pessoas queimando os meus livros. Na altura foi bastante assustador. Hoje olho para trás e rio-me. Recordo o quanto era difícil explicar a jornalistas europeus a acusação de que teria ofendido um intérprete de sereias.
Naturalmente, acabei transformando o episódio em literatura. Os europeus e norte-americanos leem aquilo e chamam-lhe realismo mágico.
Os queimadores de livros têm receio não das ideias que os mesmos defendem, mas da sua própria incapacidade para lhes dar resposta. Aqueles que se juntam a multidões virtuais para ameaçar ou troçar de alguém são quase tão perigosos quanto os que correm pelas ruas, jogando pedras — e ainda mais cobardes.
Fecho os olhos e volto a ver o rapaz na bicicleta. Uma pedra atingiu-o na cabeça e ele caiu. A multidão mergulhou sobre ele. Naquele dia deixei de ser criança.
Lula e a Lava-Jato A avaliação sobre se é certo o primo do tio da ex-mulher do Bumlai supostamente pagar a canoa de lata de Lula ou a Camargo Corrêa a cafona miniatura de gesso do cristo redentor do sítio por ele frequentado envolve uma dimensão exclusivamente moral. Como Lula é uma personalidade pública, esse juízo cabe ao eleitor e só a ele, caso venha a disputar eleições. Eu posso achar que o Lula errou a ponto de não merecer mais o meu voto. Outros milhões, talvez a maioria, o contrário. Paciência. (Ruim mesmo é quando se tem um juiz premiado por uma das famílias oligopolistas da informação no país, com pecadilhos e pecados a expiar. Aí não há eleição nem deontologia que deem conta.) Pois bem. A menos que se prove, bem provado – sem malabarismos neopunitivistas e segundo o sistema de garantias constitucionais – um elo entre esses fatos imputados a Lula e a corrupção, esse veredicto não pode ser judicializado, máxime quando os juízos vêm contaminados por narrativas enoveladas e massificadas pelas tevês. Juízes e promotores não foram selecionados – por meio de exames em que, na maioria das vezes, prevalece a capacidade de memorizar informações – para ser a consciência moral da nação, mas para cumprir e fazer cumprir a Constituição e as leis. E nelas, smj, não há nada que proíba um ex-presidente de receber agrados e chamegos, por mais errado que isso possa parecer para vc e para mim. Os donos da grana adoram adular políticos, é fato. E se vc acha que é só com o Lula, pesquise sobre o iFHC, o patrimônio desse ex-presidente ou sobre como a estoica Marina Silva tem se mantido nos últimos 6 anos. Hoje há uma busca desembestada – o “grito de Tardelli”, diriam os italianos -, uma caçada para cassar o Lula e impedi-lo para 2018. Ou seja, para solapar do povo o direito de julgar. Tudo isso comandado por forças-tarefas intermináveis, verdadeiro conluio entre órgãos de repressão estatais, que já não mais fiscalizam uns aos outros. Um indivíduo vs. as engrenagens da máquina do Estado, com total respaldo midiático. Sem precedentes na história recente pós-ditadura, as baterias estão sempre centradas em Lula, já que outros, bem, outros na mesma situação ou em posição mais comprometedora (pesquise sobre as referências a Aécio na Lava-Jato) “não vêm ao caso”. “E o princípio da impessoalidade?”, pergunta o estagiário. “Peanuts!”, respondem as togas esvoaçantes, quando lhes toca olhar para o rés do chão. Aí, sim, a violação do ordenamento se mostra evidente, logo por quem é pago e bem pago para preservá-lo… Hannah Arendt, em seu famoso ensaio sobre as origens do totalitarismo, aponta que o stalinismo criou “criminosos sem crime”, gente inocente que pagava o preço por não se enquadrar no modelo imposto. É isto que se quer? No Brasil, o modelo imposto diz muita coisa: que preto não pode ser universitário, lugar de pobre, se tanto, é na rodoviária e que os recursos energéticos devem ser internacionalizados. O maior delito de Lula foi ter afrontado, timidamente para alguns, essa ordem consuetudinária. Só isso explica, em contraposição ao seu martírio, a tranquilidade com que flanam por aí os faceiros Maluf, Arruda, Demóstenes e tantos outros que sequer processados são. Mas, e quanto ao resto? O resto, como cantou o Chico, são mensagens sutis como a brisa do mar.
Se Os Miseráveis fosse escrito por um coxinha como seria:
Jean Valjean apodreceria nas galés, devastado pelo sal marinho. Cosette morreria na infância ou se tornaria uma criança prostituída. Os moradores de Montreuil-Sur-Mer jamais conheceriam os anos de prosperidade e Fauchelevent seria esmagado pela carroça. O protagonista seria o inspetor que de tantas falsas virtudes é o protótipo do vício. No final mergulharia nas solenidades e na fama, jamais no Sena. Para um homem justo a consciência não existe, apenas o dever. O herói inabalável que deixou atrás de si um rastro de destruição em nome da lei. O tornado que devasta indústrias e desemprega cidades inteiras. Uma hecatombe mais poderosa que o crack da bolsa. Aplaudido de pé pela mídia das famílias e pelos cidadãos de bens, o bolor e o ranço de uma sociedade preconceituosa e mesquinha. Igualados no mal.
O que ganhamos nós, sociedade, povo, com uma justiça ou um juiz que fechou os olhos para todos os desmandos dos governos tucanos e agora quer derrubar uma presidente democraticamente eleita?
Porquê o dinheiro das empreiteiras só é crime nas mãos do PT e nas mãos do PSDB não é?
Os mesmos que deram dinheiro ao PT deram também ao PSDB! Pro PT foi propina, pro PSDB foi pelos lindos olhos do Aécio?
A invasão da residência do presidente Lula, de seu familiares, amigos e funcionários e do seu Instituto é um dos mais afrontosos atentados à dignidade da pessoa humana na História deste pais. Digo isto sem receio da crítica e do opróbio que se possa lançar sobre tal afirmação e justifico. O presidente Lula é uma destas pessoas humanas que transformam o mundo em que vive, porque sempre lutou e luta até hoje em favor dos desvalidos, dos excluídos, das domésticas, dos catadores de papéis, dos negros e pardos, oprimidos e excluídos das escolas, das universidades, do acesso aos bens de consumo, da dignidade enfim. Luta em favor dos pobres, confere voz aos seus reclamos amordaçados e ignorados e os traz à luz do dia como nenhum outro o fez com tanta intensidade anteriormente.
Mas, para além da retórica e das palavras vãs, das promessas inconclusas, concretizou estes ideais pelos quais lutou toda a sua vida e, no período em que dispôs de pequena parcela de poder negociado, fez uma revolução, reconhecida por todos no mundo que comungam destes mesmos ideais.
Durante seu governo deu escola, universidades, casa, pão e dinheiro aos pobres fazendo uma redistribuição de riqueza que por séculos se demandou e nunca foi atendida. Deu lucros fenomenais às grandes corporações de todas as atividades econômicas, às instituições bancárias e financeiras, atraiu grandes empresas multinacionais e deu-lhes ganhos financeiros espetaculares, projetou o pais no mundo todo, conferindo-lhe uma dignidade nunca antes tida que resultou na atração de dois dos maiores eventos esportivos do mundo, as olimpíadas e a copa do mundo de futebol. Uma honra para o Brasil.
Foi recebido por reis, rainhas, dignitários, presidentes, primeiros ministros de todas as grandes nações do mundo e foi-lhe dispensado tratamento nunca antes conferido a um Chefe da Nação Brasileira.
Reorganizou e fortaleceu o serviço público federal, criou cargos, fez concursos, deu aumentos generosos a todos os servidores públicos, órgãos foram reorganizados e prestigiados, serviços foram melhorados, estruturas novas foram construídas.
Desenvolveu obras gigantescas de reestruturação da infraestrutura básica do país, ferrovias, rodovias, usinas de produção de energia elétrica, fortalecimento das Forças Armadas, desenvolvimento de programas tecnológicos foram instituídos. Fez, enfim, aquilo que sempre se reclamou, investimentos pesados em infraestrutura, em educação, em qualificação do serviço público.
Lula olhou em todas as direções e naquilo que pode atuar, o fez.
Mas sempre focado no combate à exclusão social. Sua eterna bandeira, que haverá de carregar ao túmulo.
E o fez pacificamente, negociando, sem imposição, sem uso da força, sem agressão ao estado de direito, sem abuso de autoridade, sem o ranço da vaidade e da prepotência de que se revestem eventuais ocupantes de cargo de poder no âmbito da Administração do Estado.
O fez democraticamente, respeitando os demais grupos sociais de oposição e negociando apoio com outras correntes ideológicas. Não há outro modo de governar dentro da democracia. Um presidente, com período determinado de mando, tem que negociar. Não há como impor uma pauta exclusiva. Tem que se considerar também os interesses representados por outras agremiações políticas. É a democracia. Estas são as regras do jogo.
E Lula respeitou este jogo e o jogou com maestria, a ponto de sair do governo elegendo sua sucessora e com mais de 80% de aprovação. Um absoluto sucesso considerando sua trajetória pessoal e as dificuldades enfrentadas em seu governo. Para viver em paz daqui para frente. Setenta anos, netos. Hora de aproveitar os anos finais fazendo aquilo que não se pode fazer na juventude. Hora de paz e de reconforto junto aos familiares numa vida modesta de classe média, com algum conforto e alguns benefícios decorrentes do cargo ocupado. É justo. Mereceu.
200 homens da Polícia Federal, fortemente armados para a guerra, ostensivamente portando as suas armas, as seis horas da manhã, de uma sexta feira, filmados pela rede de televisão e fotografados por diversos veículos produtores de jornais e revistas, conduziram-no, coercitivamente, para esclarecer assuntos para os quais ele sequer fora intimado judicialmente a fazer. No entanto, já havia prestado tais informações anteriormente, em outros inquéritos policiais e comprovado documentalmente suas informações. Humilharam-no perante seus vizinhos, seus familiares, seus filhos, seus netos, seus amigos, seus funcionários, seus eleitores e admiradores.
A porta da sua casa foi pichada e seus vizinhos hostilizam-no.
Consegue perceber, caro leitor, a intensidade da humilhação. Empatize-se, faça uma força e tente, ao menos por questão de semelhança humana, sentir um pouco da intensidade da sensação experimentada pelo seu semelhante.
Além disso, violaram o Instituto da Cidadania, um ambiente construído com o propósito de manter vivo os ideais de defesa dos valores defendidos por Lula, da mesma forma com que o fizeram todos os outros ex-presidentes do Brasil e de outras nações do mundo. Reviram gavetas, mesas, portas foram quebradas e o acervo presidencial foi violado. Para culminar, valendo-se do desamparo emocional momentâneo, deixam grampos na casa do mesmo para monitorar o que será dito no calor da indignação.
Digo novamente. Consegue perceber, caro leitor, a intensidade da humilhação. Empatize-se, faça uma força e tente, ao menos por questão de semelhança humana, sentir um pouco da intensidade da sensação experimentada pelo seu semelhante.
Todo o simbolismo da dignidade do cargo ocupado de forma generosa e grandiosa por este grande brasileiro foi violentamente conspurcado, manchado e, simbolicamente destruído dentro do homem chamado Lula e de seus familiares e admiradores.
Isto ocorre como coroamento de uma massacrante, permanente e incessante desconstrução de sua dignidade pessoal nos veículos de comunicação do país. Sua, de sua companheira, de seus filhos.
Ladrão, safado, corrupto, quadrilheiro. Assim o tratam. Sem provas, sem julgamento. Por indícios que indicam, se for a, será b.
O crime não se sabe ainda. Parece que por indícios ainda não confirmados cabalmente, mas reportado e contado de maneira progressiva, crescente, em uma narrativa isolada e não contraditada, pela rede de televisão, jornais e revistas, que deve ter recebido dinheiro ou algum benefício de empreiteiras, caracterizado estes por obras de melhorias em um apartamento classe média no Guarujá, em São Paulo e obras de melhorias em um sítio na Cidade de Atibaia, também em São Paulo, e que estes denominados benefícios mais a remuneração de palestras que Lula teria feito, e suspeitam que não, eram na verdade, pagamentos disfarçados pela prática de atos de corrupção caracterizados por nomear dirigentes da Petrobras durante o seu governo e que, em função disto, ele sabe ou ao menos deveria saber dos atos ilícitos praticados por estes dirigentes da Petrobrás naquilo que ficou denominado Escândalo do Petrolão.
Merece ressaltar que até os idos de 2014 as empreiteiras agora acusadas de corruptas gozavam da maior reputação no cenário nacional, quando ainda os dirigentes destas confraternizavam com os maiores empresários e banqueiros do país e também com líderes da oposição em jantares de luxos nos mais refinados restaurantes e clubes de São Paulo e que estas mesmas empreiteiras fizeram doações partidárias, autorizdas pela lei vigente, a todos os partidos, em especial os de oposição.
Convém destacar, também, que todos os contratos reputados irregulares foram licitados e subscritos pelos responsáveis pela Petrobras em suas diversas diretorias, depois de minuciosa análise jurídica, e que Lula não participou de nenhum destes atos. Que estes atos, ao longo dos anos, foram rigorosamente auditados pela CGU e pelo TCU, até a demissão dos dirigentes por Graça Foster nos idos de 2012. Deve-se ressaltar que Lula não é proprietário de nenhum dos imóveis que lhe imputam, comprovando a afirmativa com base em documentos idôneos.
Portanto, se não há crime tipificado e comprovado robustamente, não subsiste inquérito e não se justifica tratamento abjeto e escandaloso, que não se admite, em nosso Direito, ao mais rematado criminoso, que dirá a um cidadão do porte moral de Lula e de sua extraordinaria história como ex-governante deste país.
Será isto direito? Será isto justo? Será isto razoável em um denominado Estado Democrático de Direito? As associações de classe dos juízes federais e dos procuradores da República dizem que sim. Que este procedimento é correto, necessário, adequado, portanto, infere-se, previsto na lei.
Meu Deus, para onde vamos?
Ao longo da História da Humanidade atacam-se, destroem-se e matam-se pessoas pelo que elas simbolizam ou representam naquele dado momento histórico.
Sócrates, bem antes de ser conhecido como o Pai da Filosofia foi condenado à morte em praça pública, na Cidade de Atenas na Grécia antiga, porque alertava o povo e a juventude em geral, instigando-os a pensar criticamente quanto aos desmandos do governo estabelecido. Seu crime, corromper a juventude.
Jesus Cristo, antes de ser denominado o Filho de Deus, o Deus encarnado, nos anos trinta, na Cidade de Jerusalém, na Palestina, foi severamente torturado, espancado e morto de forma cruel, atroz e humilhante – a cruz era destinado à escória, ao mais abjeto criminoso daquela época, segundo as leis vigentes, depois de ser delatado por um de seus seguidores, a preço de trinta moedas, e trocado por um ladrão em praça pública, escolhido pelo povo incitado pela elite dominante, pelo fato de pregar o amor, a fraternidade e condenar a mercancia da fé às portas do templo.
Gandhi, o pacifista, libertador da Índia colonial, mais recentemente, foi cruelmente espancado, preso, humilhado publicamente porque defendia o interesse de seu povo, espoliado pela colonização inglesa.
Mandela, Tata Madiba, O Pai da Pátria Sul Africana, esteve preso por vinte e sete anos, por lutar na defesa de seu povo e pela libertação de seu país.
E assim ocorre hoje com Lula. Atacado por todos os lados, desde que eleito pela primeira vez, para governar o país, durante toda a sua vida vem sendo desqualificado pela mesma elite e pelos mesmos grupos que foram derrotados em eleições sucessivas pelo fato de não ter um projeto melhor que o dele para o desenvolvimento integrado do país.
Perceba-se que a derrota, um termo forte, não significa menosprezo para os outros. Significa, apenas, no entanto, que esta decorre do fato de que Lula apresenta ao povo um projeto de governo e de sociedade melhor do àquele apresentado pelos outros grupos políticos.
A disputa se dá no campo das ideias, do debate político, e no limite das regras do sistema democrático brasileiro, com todas as suas nuances e circunstâncias e exercitada na plenitude por todos os concorrentes. O povo escolheu Lula pelo que ele simboliza, pelo que ele fez e pelo que ele promete que irá fazer.
Por isto, por não haver um projeto melhor do que o dele, e nem interesse em fazê-lo, é necessário destruí-lo, humana e moralmente. Aniquilá-lo. Sem dó e nem piedade.
Lula é um ser humano igual a todos nós, com seus erros e circunstâncias pessoais, com seus gestos e falares imprevistos. Mas dentro dele habita o espírito do líder que se volta em favor de seu povo e age concretamente em favor deste. Lula não doutrina, Lula concretiza. É isto que cativa as multidões e desperta o ódio e a inveja de seus adversários.
Estes que sempre o detrataram e hoje o detratam com muito mais intensidade, se voltassem no tempo, denunciariam e condenariam Sócrates com mesmo denodo que o serviçal Meletus, delatariam e aplaudiriam alegremente a morte de Jesus Cristo, incitando o povo a trocá-lo por Barrabás, aplaudiriam a prisão dos agitadores revolucionários Gandhi e Mandela e tudo fariam para lá mantê-los.
E porque tamanho ódio e tanta agressividade. Tudo por dinheiro, vaidade, inveja ou poder temporal. Tudo pelos mesmos motivos que outrora outros grandes vultos da História foram cruelmente humilhados, chacinados e destruídos.
A prova singela. Observem os discursos. Onde há propostas concretas em favor do povo brasileiro melhores do que as de Lula?
Nesta quadra insólita que jamais sonhei viver, de todos os centenas de homens e mulheres que orbitaram ao redor deste mito vivo, extraindo para si votos, posições de mando e destaque, vantagens pessoais, negociais, vitaliciedades e estabilidades, nenhum se apresenta para defendê-lo e fazem como Pedro, negam-no ou evitam-no, quando não o apedrejam.
Salvou o Sistema Judiciário o eminente ministro Marco Aurélio, com a coragem que o caracteriza em momentos extremos, que repudiou com palavras de elevado significado simbólico a humilhação que impuseram ao Presidente Lula.
Encerro, senhor presidente, dizendo-lhe, se é que consola, perdoa-os, ainda que pareça o contrário, do ponto de vista espiritual, eles não sabem o que fazem, tal como Mandela, não se atemorize nem se descontrole, pois, como Mandela disse, “O perdão libera a alma e afasta o medo. Por isto é uma arma tão poderosa”. O senhor presidente Lula, já integra a História deste país e ninguém, por mais mesquinho, arrogante ou poderoso lhe tira mais isto. O senhor, presidente, é um mito, e todas as almas mesquinhas invejam o mito e por isto querem destruí-lo. Força e felicidades.
Ainda estou horrorizada pelo que assisti no Jornal da Band ontem à noite. Fotos do Instituto Lula após a “visita” da Polícia federal são de indignar e arrepiar os mais frios seres desse país. Os mais sensíveis sentem até agora a dor na alma ao ver em que foi transformado um ambiente que era sagrada para muitos. Desrespeito é pouco para descrever o que vi.
Dom Darci Nicioli, bispo-auxiliar da Arquidiocese de Aparecida, SP
Meu prezado irmão, não me dirijo ao senhor somente como a um membro importante do clero romano nem como liderança de Igreja denominacionalmente diferente da minha.
Não, dom Darci. Não entrarei em querelas pequenas de brigas de pessoas de fé menor, que brigam por causa de igreja.
Minha tristeza advém de suas palavras numa missa neste domingo.
Assisti várias vezes o vídeo com sua homilia falando sobre o pisar na cabeça da serpente (posto abaixo o vídeo).
Não resta dúvidas sobre a inspiração de sua pregação. O senhor se baseou na metáfora usada pelo ex-presidente Lula, que se referiu e denunciou o conluio diabólico entre a mídia golpista com o juiz Sérgio Moro, as forças tarefas Lava Jato e Alethéia da polícia federal e setores articulados com o imperialismo que arde de vontade de abocanhar a Petrobras e o pré-sal. Foi ele que disse que pensaram matar a jararaca, mas se enganaram porque não bateram na cabeça e sim no rabo.
Lamentável, triste e muito ruim que um bispo integrante da CNBB, fundada por Dom Helder Câmara, que sempre lutou pela verdade, pela justiça social e contra a barbárie dos arbítrios criminosos, manifestar-se exatamente pela morte de Lula e de tudo o que sua história representa em termos de conquista de dignidade para milhões de brasileiros, vítimas da exclusão e das injustiças.
Suas palavras, embora ditas com calma e eco num dos maiores templos brasileiros, ponto sagrado de rumarias piedosas e visitas de milhões de pessoas de todo o mundo, transportaram para dentro das relações sociais e das famílias de nosso País o veneno do ódio e da divisão de irmãos contra irmãos.
O senhor foi sacrílego ao pedir que as pessoas pisem em Lula.
O senhor foi herege porque tomou um só lado no amplo espectro da sociedade brasileira, cruelmente divida em classes. Suas palavras apontam para o alívio dos que pisam nos mais humildes e indicam que pisar sobre eles é o correto.
O senhor foi cruelmente injusto porque na companhia da mídia, do fascismo e da direita, cuja ideologia permeia parte do judiciário, da polícia e toma conta da mídia servil da opressão, faz juízo de valor e prejulga.
Ao ouvi-lo arrepiado pela decepção o vi agarrado nas marchadeiras e rezadeiras supersticiosas a serviço do fascismo que, em 1964, rezaram na famosa marcha golpista “família com Deus pela liberdade”. Cinicamente, como o senhor, mentiram para multidões dizendo que a “família que reza unida, permanece unida”, sem dizer que rezavam unidas com os safados que derrubaram Jango e depois o mataram, que destruíram a democracia, que prenderam, torturaram e assassinaram, inclusive muitos padres, freiras e leigos radicalmente cristãos e mártires da justiça social.
O senhor, dom Darci, apequenou a fé cristã, prostrando-a ao que sempre o cristianismo imperial, sacralizador da exploração colonial e escravocrata fez de Jesus de Nazaré: um peão das cruzadas assassinas e da inquisição medieval, prenhe de trevas e autoritarismo destruidor de culturas e dos povos.
O senhor pregou o ódio, por mais mansa e hipocritamente tenha sido a sua voz, que se assemelhou ao latido de lobo, desta vez vestindo-se como um pastor.
Sua homilia despiu-se do caráter da pregação evangélica, que motiva à penitência, para, na verdade, assumir o conteúdo político fascista.
Ao contrário da penitência quaresmal o senhor pediu a desgraça de os seus ouvintes fazerem a contra penitência, transformando-os nos assassinos que gritaram na sexta feira da paixão “crucifica-o, crucifica-o”.
Finalmente, dom Darci, o senhor desenhou claramente o lado diabólico no qual está. E não é o do povo brasileiro, que em flagrante maioria, contra a Globo e demais órgãos golpistas midiáticos disse em pesquisa que considera o ato assinado pelo juiz tucano Sérgio Moro uma injustiça e uma brutal arbitrariedade. O mesmo disseram os intelectuais do Fórum 21.
Há agentes que acendem o pavio da guerra civil, nesse momento de conjuntura dramática. Com suas palavras pedindo que o povo pise na cabeça da jararaca de Lula o senhor estende as mãos para ajudar a lascar os fósforos.
Muito triste, dom Darci José Nicioli!
• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais. • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
Discretamente, sem muito barulho por parte da imprensa, o país se prepara para decidir, quase que na surdina, o futuro de um negócio de dezenas de bilhões de dólares, que tende, se nada for feito, a ser entregue, de mão beijada, para os estrangeiros.
Na comissão que “estuda” o tema na Câmara dos Deputados, parlamentares, como na fábula das galinhas, estão convocando “raposas”, representadas por advogados e “executivos” estrangeiros ligados a empresas que substituíram a máfia em Las Vegas, para prestar, “desinteressadamente”, em benefício do “desenvolvimento” da indústria brasileira de “entretenimento” e de “turismo”, “conselhos” e “informações” para o estabelecimento de um Marco Regulatório do Jogo no Brasil.
Uma atividade que, caso fique em mãos particulares, esses mesmos “conselheiros” serão os primeiros a explorar, enviando para o exterior bilhões de dólares em ganhos, subtraídos dos bolsos de milhares de “otários” nacionais.
Ora, como no caso dos bingos, explorados na época do governo FHC, em São Paulo, pela máfia corsa, cujos membros não tinham a menor preocupação em se esconder, arrogantes, vestidos como lordes, à porta de luxuosos flats, antes de sair para comandar dezenas de estabelecimentos desse tipo e centenas de funcionários brasileiros, não se discute que, no Brasil, a regulamentação do jogo poderia, potencialmente, criar muitos empregos.
O que preocupa é na mão de quem será entregue esse fabuloso negócio, e como se evitará – no caso de que estrangeiros fiquem com o controle do setor – a prática de atividades paralelas como a venda de drogas e a exploração de prostituição – qualquer um que já tenha ido a Las Vegas, sabe que há muito mais que dados, cartas ou caça-níqueis rolando nos cassinos da cidade – e, principalmente, como se evitará a corrupção de autoridades e políticos, dentro e fora do Congresso, começando, naturalmente, pelo próprio processo de estabelecimento dessa nova legislação.
Como serão estabelecidos esses parâmetros, com que régua serão medidas as vantagens e as desvantagens da legalização dessa atividade?
Com a nossa régua, que deve, ou deveria, calcular, apontar, para a busca do máximo de benefícios para a população brasileira, ou a régua dos gringos, dos pseudo “investidores” estrangeiros, que já estão influindo na comissão antes mesmo que se inicie o processo de discussão mais ampla com a sociedade?
Considerando-se que a Caixa Econômica Federal já cuida de loterias, o caminho mais lógico, natural, seria que a ela fosse entregue a administração e o controle dos outros jogos de azar no Brasil.
Segundo maior banco público do país, com lastro de centenas de milhões de reais em ativos, ninguém melhor do que a CEF para obter, dentro ou fora do país, os recursos para os investimentos que se fizerem necessários, dinheiro esse que raramente falta quando se trata desse tipo de negócio.
Funcionários do próprio banco poderiam ser aproveitados, ou ser contratados, por meio de concurso, entre trabalhadores que já tivessem eventualmente experiência na indústria de turismo, e, se necessário, treinados por técnicos vindos de fora, facilitando, por tratar-se de empresa pública, a necessária, imprescindível, fiscalização, de dentro para fora, da atividade.
Há também outras áreas, como o garimpo ilegal de ouro e de diamantes, em que apenas a presença do Estado – também eventualmente, por meio da CEF e do Exército – poderia impedir o esbulho do patrimônio da União, que tem por donos todos os brasileiros, prevenindo e reprimindo o roubo das riquezas nacionais e disciplinando e regulando a sua exploração.
A esculhambação nesse contexto é tão grande, que em novembro do ano passado a Polícia Federal teve de intervir, por meio da operação “Corrida do Ouro”, no Mato Grosso, para prender policiais civis que haviam se assenhoreado, a ponta de revólver, da exploração de um garimpo ilegal na Serra da Borda, em Pontes e Lacerda, para extorquir dos garimpeiros não apenas sua obrigatória parte do ouro, mas também monopolizar todo e qualquer tipo de comércio, incluindo o de bebidas, alimentos, insumos e equipamentos e a prostituição.
Manifestantes ligados ao Movimento Sem-Terra (MST) e a outras entidades sindicais invadiram a sede do Grupo Jaime Câmara, onde fica a filial da TV Globo no Estado, no Setor Serrinha, em Goiânia, no início da noite desta terça-feira, 8 de março.
Entoando gritos de guerra contra a emissora, o grupo entrou até o saguão da empresa, pichou paredes e ameaçou funcionários que deixavam o local. (Veja o vídeo abaixo)
Os manifestantes chegaram à sede do Grupo Jaime Câmara em ao menos dois ônibus. Os ânimos foram acalmados apenas com a chegada da polícia, por volta das 19p0.
Réu na Lava-Jato, Cunha recebe visita de delegados da PF para pedir apoio
Presidente da Câmara prometeu instalar comissão para projeto de autonomia à corporação
POR EDUARDO BRESCIANI, ISABEL BRAGA E MANOEL VENTURA*
08/03/2016 20:06 / atualizado 08/03/2016 20:12Cunha recebe visita de delegados da PF para pedir apoio a projeto de autonomia do órgão – Ailton de Freitas / Agência O Globo
BRASÍLIA — Menos de uma semana depois de virar réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu dezenas de delegados da Polícia Federal em seu gabinete nesta terça-feira. Os profissionais vieram lhe pedir apoio na tramitação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá autonomia funcional, administrativa e financeira para a corporação. A inusitada presença de delegados no gabinete de um réu gerou comentários irônicos até de deputados que dão apoio ao peemedebista.
– Você viu? Tem um monte de PF na sala dele e não vieram para levar o Cunha! – disse um dos principais aliados do presidente.
O encontro foi organizado pelo deputado Fernando Francischini (SD-PR), que teria sido citado na delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), de acordo com trecho publicado pela revista IstoÉ. Francischini é delegado da PF e também brincou quando foi questionado se o agente Newton Ishii, mais conhecido como “Japonês da Federal”, estava entre os presentes.
– O japonês hoje não veio. Ele tem que cuidar das coisas dele lá no Paraná – disse Francischini.
Presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal, Carlos Eduardo Miguel Sobral, disse não ter constrangimento em pedir apoio a um réu na Lava-Jato para conseguir levar adiante a pauta de sua classe.
— Não há constrangimento nenhum. Ele é o presidente da Câmara, representa um poder e nessa qualidade foi visitado – disse Sobral.
Cunha se comprometeu a instalar a comissão especial. Antes, porém, caberá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votar pela admissibilidade da proposta de autonomia para a PF. O presidente da Câmara evitou avançar na opinião sobre o mérito do projeto.
– Não temos ideia se está ou não precisando (de autonomia). É uma proposta que está na Casa e eu estou criando a comissão especial. A Casa que vai discutir. Eu não tenho opinião. Não conheço o texto – disse o presidente da Câmara.
A proposta em tramitação na Câmara daria poder aos gestores da PF para direcionar livremente os recursos e fazer mudanças administrativas. A proposta tem apoio dos delegados da PF, mas sofre oposição de agentes, escrivães e papiloscopistas, que chegaram a realizar protestos no país no ano passado.
E o PSDB, chamando a sociedade a protestar contra a corrupção? Parece a atitude daquele batedor de carteira que grita “Pega ladrão!”, para desviar a atenção da população.
Midiota é aquela pessoa que tudo que ela sabe é o que viu na televisão, nos jornais e nas grandes revistas, principalmente as expostas nas bancas de jornais, sem qualquer juízo de valor. Eu sou da geração que a televisão já ficava sintonizada na Globo, bastava ligar e pronto. Hoje é diferente, a Globo já não é uma unanimidade, mas ainda tem muito poder.
Os midiotas, no passado, compunham a famosa maioria silenciosa que só aparecia na hora do voto. Hoje eles tomaram corpo, atitude e voz. Um amigo meu de Manaus falou de um cidadão no bar, bêbado, que bradou: “O Lula faz tudo errado também só anda bêbado”. Uma senhora dentro da academia na zona sul do Rio, falando mal do Lula: “Ele foi 101 vezes ao sitio”.
Então, quando a gente assiste a Globo falar dos pedalinhos, dos netos do Lula, do barco sem motor, da horta que dona Marisa Letícia fez no sitio, todas essas abobrinhas têm um alvo: os midiotas. E os midiotas não enxergam nada além da telinha da Globo!
Um Maçom falou comigo que não existe nada contra a Globo. Eu respondi: a Globo é sonegadora de Imposto de Renda, tem conta na Suíça para lavagem de dinheiro e é a principal suspeita no Brasil da corrupção da Fifa. E o pior, qualquer pessoa, física ou jurídica, nessas condições de sonegação e lavagem de dinheiro, estaria no mínimo com seu CPF ou seu CNPJ suspenso. Mas não é só o amigo Maçom. que é mal informado, a Receita Federal contribui com a desinformação quando não faz seu dever de casa, enquadrando a Globo, como faz com o cidadão comum. E não venham me dizer que essa omissão de nossas autoridades é gratuita! Como dizem na esfera dos negócios: “Não existe almoço de graça”.
E o PSDB, chamando a sociedade a protestar contra a corrupção? Parece a atitude daquele batedor de carteira que grita “Pega ladrão!”, para desviar a atenção da população. Lógico que entre os parlamentares do PT, e em seus governos, houve corrupção, não dá para tapar o sol com peneira. Mas conta a favor dos petistas que, em seus governos, foram dadas plenas condições de investigação. E a verdade é que só no governo do PT, corruptos e corruptores estão indo para a cadeia.
A chamada do Lula a depor, de forma coercitiva e desnecessária, mostrou o poderio da Polícia Federal, com helicópteros, armas de última geração e jovens policias. No governo de FHC, não havia jovens na PF, por falta de concursos, helicóptero era impensável, até os carros da PF deixavam de sair por falta de gasolina, a falta de recursos era uma constante.
Hoje em dia a PF funciona a pleno vapor, mas, mesmo assim o juiz Sérgio Moro “vaza” para a imprensa que faltam recursos para a Lava Jato, no sentido de desgastar o governo Dilma, ainda bem que a própria PF o desmentiu. O grampo ilegal feito pela PF na Lava Jato, no governo de FHC era impossível, pois os telefones estavam cortados por falta de pagamento.
E FHC colocou em seu governo, um PGR, que a imprensa denominava “Engavetador Geral da República”. Lógico que a inoperância da PF e os engavetamentos das denúncias eram políticas do governo tucano para encobrir seus próprios crimes, que eram numerosos e exorbitantes, como a compra de votos para reeleição que beneficiou o próprio FHC; a vergonhosa Privataria Tucana e a corrupção na Petrobrás, que o próprio FHC reconheceu em seu próprio livro, mas o suspeitíssimo juiz Moro se nega a investigar.
O presidente Fernando Collor foi cria da Globo para derrotar Lula, e depois sofreu o impeachment, tendo como principal algoz a própria Globo. Num momento de desespero, pediu à população que colocasse verde amarelo nas janelas, em seu apoio, e a sociedade colocou a bandeira preta, em repúdio a Collor. Esse gesto foi a derrocada do colorido!
Quem sabe, em algum momento, a sociedade, inclusive os midiotas, acorde e corra atrás dos verdadeiros corruptos de nossa pátria!
Rio de Janeiro, 09 de março de 2016
OAB/RJ 75 300
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
Eduardo A. Palma
8 de março de 2016 3:36 amPATÍBULOS VIRTUAIS, por Agualusa
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
Patíbulos virtuais
A estupidez das multidões virtuais é tão concreta quanto a das multidões reais
2016-03-07 07:08:35.0 | Atualizado: 2016-03-07 15:35:56.792
Ainda não tinha doze anos quando assisti a um linchamento. Vi um rapaz a fugir de bicicleta. Um homem começou a persegui-lo, a pé, e de repente já eram cinco, dez, uma turba exaltada, correndo, gritando, jogando pedras. Lembro-me de estar inteiro, de coração, numa angústia enorme, com o rapaz que fugia. Não havia nada que pudesse fazer para o ajudar. Minutos antes eu lia, ao sol, numa varanda. Logo a seguir o rapaz pedalava para salvar a vida, lá embaixo, entre uma estradinha de terra vermelha e um vasto descampado coberto de capim.
Desde então estou sempre do lado de quem, sozinho, se vê perseguido por uma multidão. Pouco me importa o que fez o rapaz que corre; o homem que ergue a mão para se proteger da pancada; a mulher que enfrenta, chorando, os insultos de um bando de predadores cobardes.
O surgimento das redes sociais marcou a emergência de um novo patíbulo para os linchadores. Bem sei que a comparação será sempre abusiva. Palavras, por muito aguçadas, por muito duras e pesadas, não racham cabeças. Palavras, por muito venenosas, não são capazes de matar. Em contrapartida, este novo palco tem o poder de juntar em poucos minutos largos milhares de pessoas, todas aos gritos. A estupidez das multidões virtuais é tão concreta quanto a das multidões reais.
Praticamente todas as semanas há alguma figura pública a sofrer perseguição nas redes sociais. Na última semana foi a vez de Gloria Pires, e, em Portugal, de um jovem escritor e comentador político por quem não nutro a menor simpatia, chamado Henrique Raposo. Gloria Pires foi atacada devido à economia narrativa, digamos assim, com que comentou a transmissão do Oscar 2016. A atriz deu a volta por cima, com inteligência e muito bom humor, criando uma coleção de camisetas com algumas das brevíssimas frases que estiveram na origem da polêmica: “Sou ruim de previsões”; “Eu não sou capaz de opinar”; “Curti, bacana”.
Henrique Raposo está a ser perseguido por ter publicado um livro, “Alentejo prometido”, com uma visão muito negativa, e muito redutora, sobre aquela região de Portugal. Internautas apelaram à queima do livro. Outros, à morte do autor.
Raposo tornou-se conhecido pela leviandade dos seus comentários, muitos dos quais xenófobos e racistas. Numa das entrevistas que deu recentemente, para divulgar o livro, defendeu que no Alentejo o suicídio é algo trivial, assim como a violação de mulheres: “As alentejanas antigas nem sequer têm a palavra violação para descrever muitos dos abusos que sofriam”.
O lançamento do livro, no próximo dia oito, numa conhecida livraria de Lisboa, será feito com proteção policial.
Discordo de tudo ou quase tudo o que Henrique Raposo pensa e escreve. Aliás, acho que ele escreve sem pensar. Uma coisa, contudo, é discordar do que Raposo escreve, e publicar essa discordância, outra é tentar impedi-lo de escrever e queimar os seus livros.
Há alguns anos, em Luanda, afirmei, durante uma entrevista, não entender por que o governo insistia em promover a poesia de Agostinho Neto, primeiro presidente angolano, que a mim sempre me pareceu bastante medíocre. Um conhecido jurista e comentador político, João Pinto, deputado do partido no poder, assinou um artigo defendendo a minha prisão. Foi além: defendeu o restabelecimento da pena de morte e o meu fuzilamento. Segundo ele eu ofendera não apenas um antigo presidente e herói nacional mas também uma divindade, visto que Agostinho Neto seria um quilamba — ou seja, um intérprete de sereias. Nas semanas seguintes foram publicados muitos outros textos de ódio. Recebi telefonemas com ameaças. Contaram-me que havia pessoas queimando os meus livros. Na altura foi bastante assustador. Hoje olho para trás e rio-me. Recordo o quanto era difícil explicar a jornalistas europeus a acusação de que teria ofendido um intérprete de sereias.
Naturalmente, acabei transformando o episódio em literatura. Os europeus e norte-americanos leem aquilo e chamam-lhe realismo mágico.
Os queimadores de livros têm receio não das ideias que os mesmos defendem, mas da sua própria incapacidade para lhes dar resposta. Aqueles que se juntam a multidões virtuais para ameaçar ou troçar de alguém são quase tão perigosos quanto os que correm pelas ruas, jogando pedras — e ainda mais cobardes.
Fecho os olhos e volto a ver o rapaz na bicicleta. Uma pedra atingiu-o na cabeça e ele caiu. A multidão mergulhou sobre ele. Naquele dia deixei de ser criança.
http://m.oglobo.globo.com/cultura/patibulos-virtuais-18817824
Yuri Carajelescov
8 de março de 2016 4:02 amLula e a Lava-Jato
A avaliação sobre se é certo o primo do tio da ex-mulher do Bumlai supostamente pagar a canoa de lata de Lula ou a Camargo Corrêa a cafona miniatura de gesso do cristo redentor do sítio por ele frequentado envolve uma dimensão exclusivamente moral. Como Lula é uma personalidade pública, esse juízo cabe ao eleitor e só a ele, caso venha a disputar eleições. Eu posso achar que o Lula errou a ponto de não merecer mais o meu voto. Outros milhões, talvez a maioria, o contrário. Paciência. (Ruim mesmo é quando se tem um juiz premiado por uma das famílias oligopolistas da informação no país, com pecadilhos e pecados a expiar. Aí não há eleição nem deontologia que deem conta.) Pois bem. A menos que se prove, bem provado – sem malabarismos neopunitivistas e segundo o sistema de garantias constitucionais – um elo entre esses fatos imputados a Lula e a corrupção, esse veredicto não pode ser judicializado, máxime quando os juízos vêm contaminados por narrativas enoveladas e massificadas pelas tevês. Juízes e promotores não foram selecionados – por meio de exames em que, na maioria das vezes, prevalece a capacidade de memorizar informações – para ser a consciência moral da nação, mas para cumprir e fazer cumprir a Constituição e as leis. E nelas, smj, não há nada que proíba um ex-presidente de receber agrados e chamegos, por mais errado que isso possa parecer para vc e para mim. Os donos da grana adoram adular políticos, é fato. E se vc acha que é só com o Lula, pesquise sobre o iFHC, o patrimônio desse ex-presidente ou sobre como a estoica Marina Silva tem se mantido nos últimos 6 anos. Hoje há uma busca desembestada – o “grito de Tardelli”, diriam os italianos -, uma caçada para cassar o Lula e impedi-lo para 2018. Ou seja, para solapar do povo o direito de julgar. Tudo isso comandado por forças-tarefas intermináveis, verdadeiro conluio entre órgãos de repressão estatais, que já não mais fiscalizam uns aos outros. Um indivíduo vs. as engrenagens da máquina do Estado, com total respaldo midiático. Sem precedentes na história recente pós-ditadura, as baterias estão sempre centradas em Lula, já que outros, bem, outros na mesma situação ou em posição mais comprometedora (pesquise sobre as referências a Aécio na Lava-Jato) “não vêm ao caso”. “E o princípio da impessoalidade?”, pergunta o estagiário. “Peanuts!”, respondem as togas esvoaçantes, quando lhes toca olhar para o rés do chão. Aí, sim, a violação do ordenamento se mostra evidente, logo por quem é pago e bem pago para preservá-lo… Hannah Arendt, em seu famoso ensaio sobre as origens do totalitarismo, aponta que o stalinismo criou “criminosos sem crime”, gente inocente que pagava o preço por não se enquadrar no modelo imposto. É isto que se quer? No Brasil, o modelo imposto diz muita coisa: que preto não pode ser universitário, lugar de pobre, se tanto, é na rodoviária e que os recursos energéticos devem ser internacionalizados. O maior delito de Lula foi ter afrontado, timidamente para alguns, essa ordem consuetudinária. Só isso explica, em contraposição ao seu martírio, a tranquilidade com que flanam por aí os faceiros Maluf, Arruda, Demóstenes e tantos outros que sequer processados são. Mas, e quanto ao resto? O resto, como cantou o Chico, são mensagens sutis como a brisa do mar.
romério rômulo
8 de março de 2016 4:10 am3 poemas de Roque Dalton lidos por Julio Cortázar
https://www.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=VKEEkOwPHB4&app=desktop#.
romério
Jorge Rebolla
8 de março de 2016 4:20 amFolhetim da folha e minissérie da globo
Javert, o herói nacional
.
Se Os Miseráveis fosse escrito por um coxinha como seria:
Jean Valjean apodreceria nas galés, devastado pelo sal marinho. Cosette morreria na infância ou se tornaria uma criança prostituída. Os moradores de Montreuil-Sur-Mer jamais conheceriam os anos de prosperidade e Fauchelevent seria esmagado pela carroça. O protagonista seria o inspetor que de tantas falsas virtudes é o protótipo do vício. No final mergulharia nas solenidades e na fama, jamais no Sena. Para um homem justo a consciência não existe, apenas o dever. O herói inabalável que deixou atrás de si um rastro de destruição em nome da lei. O tornado que devasta indústrias e desemprega cidades inteiras. Uma hecatombe mais poderosa que o crack da bolsa. Aplaudido de pé pela mídia das famílias e pelos cidadãos de bens, o bolor e o ranço de uma sociedade preconceituosa e mesquinha. Igualados no mal.
Edu
8 de março de 2016 4:30 amO que ganhamos nós,
O que ganhamos nós, sociedade, povo, com uma justiça ou um juiz que fechou os olhos para todos os desmandos dos governos tucanos e agora quer derrubar uma presidente democraticamente eleita?
Porquê o dinheiro das empreiteiras só é crime nas mãos do PT e nas mãos do PSDB não é?
Os mesmos que deram dinheiro ao PT deram também ao PSDB! Pro PT foi propina, pro PSDB foi pelos lindos olhos do Aécio?
SergioMedeirosR
8 de março de 2016 4:49 am…às mulheres…neste seu dia de homenagens
…às mulheres
…
para que neste seu dia de homenagens…
se desvelem novos encantamentos,
e a liberdade seja igual ao amor,
que generoso, faz os lábios se abrirem em riso ou prazer,
que a perseverança,
feita luta por liberdade,
revele caminhos para todos seus filhos,
que a força,
que emana de seus olhos,
seja esta chama,
que aquece o coração
de todas as pessoas de boa vontade…
e, que sem pudor ou recato
promete,
com incomensurável calor humano
acolher em seu regaço
toda a ternura
espalhada no mundo. (Sergio Medeiros Rodrigues)
Claudio Rodrigues
8 de março de 2016 6:06 amAfronta à Dignidade de Um
Afronta à Dignidade de Um Mito
A invasão da residência do presidente Lula, de seu familiares, amigos e funcionários e do seu Instituto é um dos mais afrontosos atentados à dignidade da pessoa humana na História deste pais. Digo isto sem receio da crítica e do opróbio que se possa lançar sobre tal afirmação e justifico. O presidente Lula é uma destas pessoas humanas que transformam o mundo em que vive, porque sempre lutou e luta até hoje em favor dos desvalidos, dos excluídos, das domésticas, dos catadores de papéis, dos negros e pardos, oprimidos e excluídos das escolas, das universidades, do acesso aos bens de consumo, da dignidade enfim. Luta em favor dos pobres, confere voz aos seus reclamos amordaçados e ignorados e os traz à luz do dia como nenhum outro o fez com tanta intensidade anteriormente.
Mas, para além da retórica e das palavras vãs, das promessas inconclusas, concretizou estes ideais pelos quais lutou toda a sua vida e, no período em que dispôs de pequena parcela de poder negociado, fez uma revolução, reconhecida por todos no mundo que comungam destes mesmos ideais.
Durante seu governo deu escola, universidades, casa, pão e dinheiro aos pobres fazendo uma redistribuição de riqueza que por séculos se demandou e nunca foi atendida. Deu lucros fenomenais às grandes corporações de todas as atividades econômicas, às instituições bancárias e financeiras, atraiu grandes empresas multinacionais e deu-lhes ganhos financeiros espetaculares, projetou o pais no mundo todo, conferindo-lhe uma dignidade nunca antes tida que resultou na atração de dois dos maiores eventos esportivos do mundo, as olimpíadas e a copa do mundo de futebol. Uma honra para o Brasil.
Foi recebido por reis, rainhas, dignitários, presidentes, primeiros ministros de todas as grandes nações do mundo e foi-lhe dispensado tratamento nunca antes conferido a um Chefe da Nação Brasileira.
Reorganizou e fortaleceu o serviço público federal, criou cargos, fez concursos, deu aumentos generosos a todos os servidores públicos, órgãos foram reorganizados e prestigiados, serviços foram melhorados, estruturas novas foram construídas.
Desenvolveu obras gigantescas de reestruturação da infraestrutura básica do país, ferrovias, rodovias, usinas de produção de energia elétrica, fortalecimento das Forças Armadas, desenvolvimento de programas tecnológicos foram instituídos. Fez, enfim, aquilo que sempre se reclamou, investimentos pesados em infraestrutura, em educação, em qualificação do serviço público.
Lula olhou em todas as direções e naquilo que pode atuar, o fez.
Mas sempre focado no combate à exclusão social. Sua eterna bandeira, que haverá de carregar ao túmulo.
E o fez pacificamente, negociando, sem imposição, sem uso da força, sem agressão ao estado de direito, sem abuso de autoridade, sem o ranço da vaidade e da prepotência de que se revestem eventuais ocupantes de cargo de poder no âmbito da Administração do Estado.
O fez democraticamente, respeitando os demais grupos sociais de oposição e negociando apoio com outras correntes ideológicas. Não há outro modo de governar dentro da democracia. Um presidente, com período determinado de mando, tem que negociar. Não há como impor uma pauta exclusiva. Tem que se considerar também os interesses representados por outras agremiações políticas. É a democracia. Estas são as regras do jogo.
E Lula respeitou este jogo e o jogou com maestria, a ponto de sair do governo elegendo sua sucessora e com mais de 80% de aprovação. Um absoluto sucesso considerando sua trajetória pessoal e as dificuldades enfrentadas em seu governo. Para viver em paz daqui para frente. Setenta anos, netos. Hora de aproveitar os anos finais fazendo aquilo que não se pode fazer na juventude. Hora de paz e de reconforto junto aos familiares numa vida modesta de classe média, com algum conforto e alguns benefícios decorrentes do cargo ocupado. É justo. Mereceu.
200 homens da Polícia Federal, fortemente armados para a guerra, ostensivamente portando as suas armas, as seis horas da manhã, de uma sexta feira, filmados pela rede de televisão e fotografados por diversos veículos produtores de jornais e revistas, conduziram-no, coercitivamente, para esclarecer assuntos para os quais ele sequer fora intimado judicialmente a fazer. No entanto, já havia prestado tais informações anteriormente, em outros inquéritos policiais e comprovado documentalmente suas informações. Humilharam-no perante seus vizinhos, seus familiares, seus filhos, seus netos, seus amigos, seus funcionários, seus eleitores e admiradores.
A porta da sua casa foi pichada e seus vizinhos hostilizam-no.
Consegue perceber, caro leitor, a intensidade da humilhação. Empatize-se, faça uma força e tente, ao menos por questão de semelhança humana, sentir um pouco da intensidade da sensação experimentada pelo seu semelhante.
Além disso, violaram o Instituto da Cidadania, um ambiente construído com o propósito de manter vivo os ideais de defesa dos valores defendidos por Lula, da mesma forma com que o fizeram todos os outros ex-presidentes do Brasil e de outras nações do mundo. Reviram gavetas, mesas, portas foram quebradas e o acervo presidencial foi violado. Para culminar, valendo-se do desamparo emocional momentâneo, deixam grampos na casa do mesmo para monitorar o que será dito no calor da indignação.
Digo novamente. Consegue perceber, caro leitor, a intensidade da humilhação. Empatize-se, faça uma força e tente, ao menos por questão de semelhança humana, sentir um pouco da intensidade da sensação experimentada pelo seu semelhante.
Todo o simbolismo da dignidade do cargo ocupado de forma generosa e grandiosa por este grande brasileiro foi violentamente conspurcado, manchado e, simbolicamente destruído dentro do homem chamado Lula e de seus familiares e admiradores.
Isto ocorre como coroamento de uma massacrante, permanente e incessante desconstrução de sua dignidade pessoal nos veículos de comunicação do país. Sua, de sua companheira, de seus filhos.
Ladrão, safado, corrupto, quadrilheiro. Assim o tratam. Sem provas, sem julgamento. Por indícios que indicam, se for a, será b.
O crime não se sabe ainda. Parece que por indícios ainda não confirmados cabalmente, mas reportado e contado de maneira progressiva, crescente, em uma narrativa isolada e não contraditada, pela rede de televisão, jornais e revistas, que deve ter recebido dinheiro ou algum benefício de empreiteiras, caracterizado estes por obras de melhorias em um apartamento classe média no Guarujá, em São Paulo e obras de melhorias em um sítio na Cidade de Atibaia, também em São Paulo, e que estes denominados benefícios mais a remuneração de palestras que Lula teria feito, e suspeitam que não, eram na verdade, pagamentos disfarçados pela prática de atos de corrupção caracterizados por nomear dirigentes da Petrobras durante o seu governo e que, em função disto, ele sabe ou ao menos deveria saber dos atos ilícitos praticados por estes dirigentes da Petrobrás naquilo que ficou denominado Escândalo do Petrolão.
Merece ressaltar que até os idos de 2014 as empreiteiras agora acusadas de corruptas gozavam da maior reputação no cenário nacional, quando ainda os dirigentes destas confraternizavam com os maiores empresários e banqueiros do país e também com líderes da oposição em jantares de luxos nos mais refinados restaurantes e clubes de São Paulo e que estas mesmas empreiteiras fizeram doações partidárias, autorizdas pela lei vigente, a todos os partidos, em especial os de oposição.
Convém destacar, também, que todos os contratos reputados irregulares foram licitados e subscritos pelos responsáveis pela Petrobras em suas diversas diretorias, depois de minuciosa análise jurídica, e que Lula não participou de nenhum destes atos. Que estes atos, ao longo dos anos, foram rigorosamente auditados pela CGU e pelo TCU, até a demissão dos dirigentes por Graça Foster nos idos de 2012. Deve-se ressaltar que Lula não é proprietário de nenhum dos imóveis que lhe imputam, comprovando a afirmativa com base em documentos idôneos.
Portanto, se não há crime tipificado e comprovado robustamente, não subsiste inquérito e não se justifica tratamento abjeto e escandaloso, que não se admite, em nosso Direito, ao mais rematado criminoso, que dirá a um cidadão do porte moral de Lula e de sua extraordinaria história como ex-governante deste país.
Será isto direito? Será isto justo? Será isto razoável em um denominado Estado Democrático de Direito? As associações de classe dos juízes federais e dos procuradores da República dizem que sim. Que este procedimento é correto, necessário, adequado, portanto, infere-se, previsto na lei.
Meu Deus, para onde vamos?
Ao longo da História da Humanidade atacam-se, destroem-se e matam-se pessoas pelo que elas simbolizam ou representam naquele dado momento histórico.
Sócrates, bem antes de ser conhecido como o Pai da Filosofia foi condenado à morte em praça pública, na Cidade de Atenas na Grécia antiga, porque alertava o povo e a juventude em geral, instigando-os a pensar criticamente quanto aos desmandos do governo estabelecido. Seu crime, corromper a juventude.
Jesus Cristo, antes de ser denominado o Filho de Deus, o Deus encarnado, nos anos trinta, na Cidade de Jerusalém, na Palestina, foi severamente torturado, espancado e morto de forma cruel, atroz e humilhante – a cruz era destinado à escória, ao mais abjeto criminoso daquela época, segundo as leis vigentes, depois de ser delatado por um de seus seguidores, a preço de trinta moedas, e trocado por um ladrão em praça pública, escolhido pelo povo incitado pela elite dominante, pelo fato de pregar o amor, a fraternidade e condenar a mercancia da fé às portas do templo.
Gandhi, o pacifista, libertador da Índia colonial, mais recentemente, foi cruelmente espancado, preso, humilhado publicamente porque defendia o interesse de seu povo, espoliado pela colonização inglesa.
Mandela, Tata Madiba, O Pai da Pátria Sul Africana, esteve preso por vinte e sete anos, por lutar na defesa de seu povo e pela libertação de seu país.
E assim ocorre hoje com Lula. Atacado por todos os lados, desde que eleito pela primeira vez, para governar o país, durante toda a sua vida vem sendo desqualificado pela mesma elite e pelos mesmos grupos que foram derrotados em eleições sucessivas pelo fato de não ter um projeto melhor que o dele para o desenvolvimento integrado do país.
Perceba-se que a derrota, um termo forte, não significa menosprezo para os outros. Significa, apenas, no entanto, que esta decorre do fato de que Lula apresenta ao povo um projeto de governo e de sociedade melhor do àquele apresentado pelos outros grupos políticos.
A disputa se dá no campo das ideias, do debate político, e no limite das regras do sistema democrático brasileiro, com todas as suas nuances e circunstâncias e exercitada na plenitude por todos os concorrentes. O povo escolheu Lula pelo que ele simboliza, pelo que ele fez e pelo que ele promete que irá fazer.
Por isto, por não haver um projeto melhor do que o dele, e nem interesse em fazê-lo, é necessário destruí-lo, humana e moralmente. Aniquilá-lo. Sem dó e nem piedade.
Lula é um ser humano igual a todos nós, com seus erros e circunstâncias pessoais, com seus gestos e falares imprevistos. Mas dentro dele habita o espírito do líder que se volta em favor de seu povo e age concretamente em favor deste. Lula não doutrina, Lula concretiza. É isto que cativa as multidões e desperta o ódio e a inveja de seus adversários.
Estes que sempre o detrataram e hoje o detratam com muito mais intensidade, se voltassem no tempo, denunciariam e condenariam Sócrates com mesmo denodo que o serviçal Meletus, delatariam e aplaudiriam alegremente a morte de Jesus Cristo, incitando o povo a trocá-lo por Barrabás, aplaudiriam a prisão dos agitadores revolucionários Gandhi e Mandela e tudo fariam para lá mantê-los.
E porque tamanho ódio e tanta agressividade. Tudo por dinheiro, vaidade, inveja ou poder temporal. Tudo pelos mesmos motivos que outrora outros grandes vultos da História foram cruelmente humilhados, chacinados e destruídos.
A prova singela. Observem os discursos. Onde há propostas concretas em favor do povo brasileiro melhores do que as de Lula?
Nesta quadra insólita que jamais sonhei viver, de todos os centenas de homens e mulheres que orbitaram ao redor deste mito vivo, extraindo para si votos, posições de mando e destaque, vantagens pessoais, negociais, vitaliciedades e estabilidades, nenhum se apresenta para defendê-lo e fazem como Pedro, negam-no ou evitam-no, quando não o apedrejam.
Salvou o Sistema Judiciário o eminente ministro Marco Aurélio, com a coragem que o caracteriza em momentos extremos, que repudiou com palavras de elevado significado simbólico a humilhação que impuseram ao Presidente Lula.
Encerro, senhor presidente, dizendo-lhe, se é que consola, perdoa-os, ainda que pareça o contrário, do ponto de vista espiritual, eles não sabem o que fazem, tal como Mandela, não se atemorize nem se descontrole, pois, como Mandela disse, “O perdão libera a alma e afasta o medo. Por isto é uma arma tão poderosa”. O senhor presidente Lula, já integra a História deste país e ninguém, por mais mesquinho, arrogante ou poderoso lhe tira mais isto. O senhor, presidente, é um mito, e todas as almas mesquinhas invejam o mito e por isto querem destruí-lo. Força e felicidades.
Marly
8 de março de 2016 10:14 amParabéns por tão linda postagem!
Ainda estou horrorizada pelo que assisti no Jornal da Band ontem à noite. Fotos do Instituto Lula após a “visita” da Polícia federal são de indignar e arrepiar os mais frios seres desse país. Os mais sensíveis sentem até agora a dor na alma ao ver em que foi transformado um ambiente que era sagrada para muitos. Desrespeito é pouco para descrever o que vi.
Assis Ribeiro
8 de março de 2016 9:19 amHomenagem ao Dia das mulheres
Homenagem ao Dia das mulheres
http://assisprocura.blogspot.com.br/2016/03/homenagem-as-mulheres.html?m=1
Pedro Rinck
8 de março de 2016 10:54 amAlguém sabe a data em que
Alguém sabe a data em que Gilmar Mendes pediu exoneração do cargo de procurador da República ?
Parece que ele assumiu cargo no executivo antes de se desligar do MPF.
Adir Tavares
8 de março de 2016 11:00 amDom Darci José Nicioli prega o ódio e a divisão
por Dom Orvandil
Dom Darci Nicioli, bispo-auxiliar da Arquidiocese de Aparecida, SP
Meu prezado irmão, não me dirijo ao senhor somente como a um membro importante do clero romano nem como liderança de Igreja denominacionalmente diferente da minha.
Não, dom Darci. Não entrarei em querelas pequenas de brigas de pessoas de fé menor, que brigam por causa de igreja.
Minha tristeza advém de suas palavras numa missa neste domingo.
Assisti várias vezes o vídeo com sua homilia falando sobre o pisar na cabeça da serpente (posto abaixo o vídeo).
Não resta dúvidas sobre a inspiração de sua pregação. O senhor se baseou na metáfora usada pelo ex-presidente Lula, que se referiu e denunciou o conluio diabólico entre a mídia golpista com o juiz Sérgio Moro, as forças tarefas Lava Jato e Alethéia da polícia federal e setores articulados com o imperialismo que arde de vontade de abocanhar a Petrobras e o pré-sal. Foi ele que disse que pensaram matar a jararaca, mas se enganaram porque não bateram na cabeça e sim no rabo.
Lamentável, triste e muito ruim que um bispo integrante da CNBB, fundada por Dom Helder Câmara, que sempre lutou pela verdade, pela justiça social e contra a barbárie dos arbítrios criminosos, manifestar-se exatamente pela morte de Lula e de tudo o que sua história representa em termos de conquista de dignidade para milhões de brasileiros, vítimas da exclusão e das injustiças.
Suas palavras, embora ditas com calma e eco num dos maiores templos brasileiros, ponto sagrado de rumarias piedosas e visitas de milhões de pessoas de todo o mundo, transportaram para dentro das relações sociais e das famílias de nosso País o veneno do ódio e da divisão de irmãos contra irmãos.
O senhor foi sacrílego ao pedir que as pessoas pisem em Lula.
O senhor foi herege porque tomou um só lado no amplo espectro da sociedade brasileira, cruelmente divida em classes. Suas palavras apontam para o alívio dos que pisam nos mais humildes e indicam que pisar sobre eles é o correto.
O senhor foi cruelmente injusto porque na companhia da mídia, do fascismo e da direita, cuja ideologia permeia parte do judiciário, da polícia e toma conta da mídia servil da opressão, faz juízo de valor e prejulga.
Ao ouvi-lo arrepiado pela decepção o vi agarrado nas marchadeiras e rezadeiras supersticiosas a serviço do fascismo que, em 1964, rezaram na famosa marcha golpista “família com Deus pela liberdade”. Cinicamente, como o senhor, mentiram para multidões dizendo que a “família que reza unida, permanece unida”, sem dizer que rezavam unidas com os safados que derrubaram Jango e depois o mataram, que destruíram a democracia, que prenderam, torturaram e assassinaram, inclusive muitos padres, freiras e leigos radicalmente cristãos e mártires da justiça social.
O senhor, dom Darci, apequenou a fé cristã, prostrando-a ao que sempre o cristianismo imperial, sacralizador da exploração colonial e escravocrata fez de Jesus de Nazaré: um peão das cruzadas assassinas e da inquisição medieval, prenhe de trevas e autoritarismo destruidor de culturas e dos povos.
O senhor pregou o ódio, por mais mansa e hipocritamente tenha sido a sua voz, que se assemelhou ao latido de lobo, desta vez vestindo-se como um pastor.
Sua homilia despiu-se do caráter da pregação evangélica, que motiva à penitência, para, na verdade, assumir o conteúdo político fascista.
Ao contrário da penitência quaresmal o senhor pediu a desgraça de os seus ouvintes fazerem a contra penitência, transformando-os nos assassinos que gritaram na sexta feira da paixão “crucifica-o, crucifica-o”.
Finalmente, dom Darci, o senhor desenhou claramente o lado diabólico no qual está. E não é o do povo brasileiro, que em flagrante maioria, contra a Globo e demais órgãos golpistas midiáticos disse em pesquisa que considera o ato assinado pelo juiz tucano Sérgio Moro uma injustiça e uma brutal arbitrariedade. O mesmo disseram os intelectuais do Fórum 21.
Há agentes que acendem o pavio da guerra civil, nesse momento de conjuntura dramática. Com suas palavras pedindo que o povo pise na cabeça da jararaca de Lula o senhor estende as mãos para ajudar a lascar os fósforos.
Muito triste, dom Darci José Nicioli!
• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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Cris K.
8 de março de 2016 11:03 amQuarta Epístola Sobre o Amor, de J. J. Paes Loureiro
Imagem: Romance para Julieta, de Vladimir Kush
A ti, amada, carne em chamas
sonho
amor
matéria alada,
maravilha
eu louvo.
Eu,
o teu poeta,
semeador das sílabas
de tua alegria.
Identifico minhas palavras
com as folhas,
com o vento
e o sol.
O infinito te beija.
Guardas no seio
o oculto movimento da existência.
Na linha do teu ventre
encontro o livro da vida.
Teu nome está escrito
no capitel de meus poemas,
estátua de vogais
e metal puro.
Tens o sabor de fruta recém-colhida
na primavera de meu canto.
Amada,
temos um compromisso
que pelo fato de amarmos
multiplica-se
e nossa responsabilidade
é tão maior
por nosso amor.
Por nosso amor
o povo se erguerá
em preamar de vozes
e de espadas.
Por nosso amor
a vida estenderá,
como lençóis de sol,
sua alegria.
Por nosso amor
o tempo acolherá,
no mesmo sonho igual
todos os homens.
A responsabilidade é de todos,
mas,
nós,
que nos amamos,
somos duplamente responsáveis.
Um dia te darei colares
com pérolas de luar,
um violino de sonho,
uma guitarra de risos
e uma certeza de amor que te fará feliz…
Um dia te darei o mapa
onde enterrei tesouros de alegria,
a bússola de prata
onde plantei as rotas da esperança,
a nave de luar
onde navegam as coisas que amei.
Então verás
que já são coisas tuas,
que te pertencem há séculos – amor,
bem antes
do que somos.
E todos chamarão teu nome
percorrendo lábio a lábio,
como bandeira desfraldada.
Todos conhecem nosso amor.
Ele caminha
e leva um canto
desfraldado no ar da melodia.
As tuas pernas
levemente abertas,
são como dois estuários de arrepios,
em que navego à ilha do teu sexo.
Quando há de vir ‘
o tempo da alegria?
O latifúndio colhido
por mãos agrárias?
Oh! amada,
eu subirei, banhado de sorrisos,
as colinas de nata de teus seios,
de onde meus beijos,
rubros guerrilheiros,
conquistarão teu corpo
e tua vida.
Julieta
8 de março de 2016 4:12 pmBelíssimo Cris.
Belíssimo Cris.
Paulo F.
8 de março de 2016 1:34 pmMais um casino?
Do JB
País – Sociedade Aberta
07/03 às 10p4- Atualizada em 07/03 às 10p3
A “régua” do jogo
Mauro Santayana Publicidade
Discretamente, sem muito barulho por parte da imprensa, o país se prepara para decidir, quase que na surdina, o futuro de um negócio de dezenas de bilhões de dólares, que tende, se nada for feito, a ser entregue, de mão beijada, para os estrangeiros.
Na comissão que “estuda” o tema na Câmara dos Deputados, parlamentares, como na fábula das galinhas, estão convocando “raposas”, representadas por advogados e “executivos” estrangeiros ligados a empresas que substituíram a máfia em Las Vegas, para prestar, “desinteressadamente”, em benefício do “desenvolvimento” da indústria brasileira de “entretenimento” e de “turismo”, “conselhos” e “informações” para o estabelecimento de um Marco Regulatório do Jogo no Brasil.
Uma atividade que, caso fique em mãos particulares, esses mesmos “conselheiros” serão os primeiros a explorar, enviando para o exterior bilhões de dólares em ganhos, subtraídos dos bolsos de milhares de “otários” nacionais.
Ora, como no caso dos bingos, explorados na época do governo FHC, em São Paulo, pela máfia corsa, cujos membros não tinham a menor preocupação em se esconder, arrogantes, vestidos como lordes, à porta de luxuosos flats, antes de sair para comandar dezenas de estabelecimentos desse tipo e centenas de funcionários brasileiros, não se discute que, no Brasil, a regulamentação do jogo poderia, potencialmente, criar muitos empregos.
O que preocupa é na mão de quem será entregue esse fabuloso negócio, e como se evitará – no caso de que estrangeiros fiquem com o controle do setor – a prática de atividades paralelas como a venda de drogas e a exploração de prostituição – qualquer um que já tenha ido a Las Vegas, sabe que há muito mais que dados, cartas ou caça-níqueis rolando nos cassinos da cidade – e, principalmente, como se evitará a corrupção de autoridades e políticos, dentro e fora do Congresso, começando, naturalmente, pelo próprio processo de estabelecimento dessa nova legislação.
Como serão estabelecidos esses parâmetros, com que régua serão medidas as vantagens e as desvantagens da legalização dessa atividade?
Com a nossa régua, que deve, ou deveria, calcular, apontar, para a busca do máximo de benefícios para a população brasileira, ou a régua dos gringos, dos pseudo “investidores” estrangeiros, que já estão influindo na comissão antes mesmo que se inicie o processo de discussão mais ampla com a sociedade?
Considerando-se que a Caixa Econômica Federal já cuida de loterias, o caminho mais lógico, natural, seria que a ela fosse entregue a administração e o controle dos outros jogos de azar no Brasil.
Segundo maior banco público do país, com lastro de centenas de milhões de reais em ativos, ninguém melhor do que a CEF para obter, dentro ou fora do país, os recursos para os investimentos que se fizerem necessários, dinheiro esse que raramente falta quando se trata desse tipo de negócio.
Funcionários do próprio banco poderiam ser aproveitados, ou ser contratados, por meio de concurso, entre trabalhadores que já tivessem eventualmente experiência na indústria de turismo, e, se necessário, treinados por técnicos vindos de fora, facilitando, por tratar-se de empresa pública, a necessária, imprescindível, fiscalização, de dentro para fora, da atividade.
Há também outras áreas, como o garimpo ilegal de ouro e de diamantes, em que apenas a presença do Estado – também eventualmente, por meio da CEF e do Exército – poderia impedir o esbulho do patrimônio da União, que tem por donos todos os brasileiros, prevenindo e reprimindo o roubo das riquezas nacionais e disciplinando e regulando a sua exploração.
A esculhambação nesse contexto é tão grande, que em novembro do ano passado a Polícia Federal teve de intervir, por meio da operação “Corrida do Ouro”, no Mato Grosso, para prender policiais civis que haviam se assenhoreado, a ponta de revólver, da exploração de um garimpo ilegal na Serra da Borda, em Pontes e Lacerda, para extorquir dos garimpeiros não apenas sua obrigatória parte do ouro, mas também monopolizar todo e qualquer tipo de comércio, incluindo o de bebidas, alimentos, insumos e equipamentos e a prostituição.
Gilson AS
8 de março de 2016 11:58 pmPlantou ? Agora colhe !
Tomara que a colheita seja de 1/10
Sem-terra invadem filial da TV Globo em Goiânia e ameaçam funcionários
http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/sem-terra-invadem-filial-da-tv-globo-em-goiania-e-ameacam-funcionarios-60500/
Manifestantes ligados ao Movimento Sem-Terra (MST) e a outras entidades sindicais invadiram a sede do Grupo Jaime Câmara, onde fica a filial da TV Globo no Estado, no Setor Serrinha, em Goiânia, no início da noite desta terça-feira, 8 de março.
Entoando gritos de guerra contra a emissora, o grupo entrou até o saguão da empresa, pichou paredes e ameaçou funcionários que deixavam o local. (Veja o vídeo abaixo)
Os manifestantes chegaram à sede do Grupo Jaime Câmara em ao menos dois ônibus. Os ânimos foram acalmados apenas com a chegada da polícia, por volta das 19p0.
Henrique O
9 de março de 2016 12:51 amESTE PAÍS NÀO É SÉRIO – AUTONOMIA PARA A [POLÍCIA
Réu na Lava-Jato, Cunha recebe visita de delegados da PF para pedir apoio
Presidente da Câmara prometeu instalar comissão para projeto de autonomia à corporação
POR EDUARDO BRESCIANI, ISABEL BRAGA E MANOEL VENTURA*
08/03/2016 20:06 / atualizado 08/03/2016 20:12
Cunha recebe visita de delegados da PF para pedir apoio a projeto de autonomia do órgão – Ailton de Freitas / Agência O Globo
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BRASÍLIA — Menos de uma semana depois de virar réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu dezenas de delegados da Polícia Federal em seu gabinete nesta terça-feira. Os profissionais vieram lhe pedir apoio na tramitação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá autonomia funcional, administrativa e financeira para a corporação. A inusitada presença de delegados no gabinete de um réu gerou comentários irônicos até de deputados que dão apoio ao peemedebista.
– Você viu? Tem um monte de PF na sala dele e não vieram para levar o Cunha! – disse um dos principais aliados do presidente.
O encontro foi organizado pelo deputado Fernando Francischini (SD-PR), que teria sido citado na delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), de acordo com trecho publicado pela revista IstoÉ. Francischini é delegado da PF e também brincou quando foi questionado se o agente Newton Ishii, mais conhecido como “Japonês da Federal”, estava entre os presentes.
– O japonês hoje não veio. Ele tem que cuidar das coisas dele lá no Paraná – disse Francischini.
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Presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal, Carlos Eduardo Miguel Sobral, disse não ter constrangimento em pedir apoio a um réu na Lava-Jato para conseguir levar adiante a pauta de sua classe.
— Não há constrangimento nenhum. Ele é o presidente da Câmara, representa um poder e nessa qualidade foi visitado – disse Sobral.
Cunha se comprometeu a instalar a comissão especial. Antes, porém, caberá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votar pela admissibilidade da proposta de autonomia para a PF. O presidente da Câmara evitou avançar na opinião sobre o mérito do projeto.
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– Não temos ideia se está ou não precisando (de autonomia). É uma proposta que está na Casa e eu estou criando a comissão especial. A Casa que vai discutir. Eu não tenho opinião. Não conheço o texto – disse o presidente da Câmara.
A proposta em tramitação na Câmara daria poder aos gestores da PF para direcionar livremente os recursos e fazer mudanças administrativas. A proposta tem apoio dos delegados da PF, mas sofre oposição de agentes, escrivães e papiloscopistas, que chegaram a realizar protestos no país no ano passado.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/reu-na-lava-jato-cunha-recebe-visita-de-delegados-da-pf-para-pedir-apoio-18832978#ixzz42MWmLrkE
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Emanuel Cancella
9 de março de 2016 2:14 pmMidiotas
Globo e PSDB chamam os midiotas a protestar
E o PSDB, chamando a sociedade a protestar contra a corrupção? Parece a atitude daquele batedor de carteira que grita “Pega ladrão!”, para desviar a atenção da população.
Midiota é aquela pessoa que tudo que ela sabe é o que viu na televisão, nos jornais e nas grandes revistas, principalmente as expostas nas bancas de jornais, sem qualquer juízo de valor. Eu sou da geração que a televisão já ficava sintonizada na Globo, bastava ligar e pronto. Hoje é diferente, a Globo já não é uma unanimidade, mas ainda tem muito poder.
Os midiotas, no passado, compunham a famosa maioria silenciosa que só aparecia na hora do voto. Hoje eles tomaram corpo, atitude e voz. Um amigo meu de Manaus falou de um cidadão no bar, bêbado, que bradou: “O Lula faz tudo errado também só anda bêbado”. Uma senhora dentro da academia na zona sul do Rio, falando mal do Lula: “Ele foi 101 vezes ao sitio”.
Então, quando a gente assiste a Globo falar dos pedalinhos, dos netos do Lula, do barco sem motor, da horta que dona Marisa Letícia fez no sitio, todas essas abobrinhas têm um alvo: os midiotas. E os midiotas não enxergam nada além da telinha da Globo!
Um Maçom falou comigo que não existe nada contra a Globo. Eu respondi: a Globo é sonegadora de Imposto de Renda, tem conta na Suíça para lavagem de dinheiro e é a principal suspeita no Brasil da corrupção da Fifa. E o pior, qualquer pessoa, física ou jurídica, nessas condições de sonegação e lavagem de dinheiro, estaria no mínimo com seu CPF ou seu CNPJ suspenso. Mas não é só o amigo Maçom. que é mal informado, a Receita Federal contribui com a desinformação quando não faz seu dever de casa, enquadrando a Globo, como faz com o cidadão comum. E não venham me dizer que essa omissão de nossas autoridades é gratuita! Como dizem na esfera dos negócios: “Não existe almoço de graça”.
E o PSDB, chamando a sociedade a protestar contra a corrupção? Parece a atitude daquele batedor de carteira que grita “Pega ladrão!”, para desviar a atenção da população. Lógico que entre os parlamentares do PT, e em seus governos, houve corrupção, não dá para tapar o sol com peneira. Mas conta a favor dos petistas que, em seus governos, foram dadas plenas condições de investigação. E a verdade é que só no governo do PT, corruptos e corruptores estão indo para a cadeia.
A chamada do Lula a depor, de forma coercitiva e desnecessária, mostrou o poderio da Polícia Federal, com helicópteros, armas de última geração e jovens policias. No governo de FHC, não havia jovens na PF, por falta de concursos, helicóptero era impensável, até os carros da PF deixavam de sair por falta de gasolina, a falta de recursos era uma constante.
Hoje em dia a PF funciona a pleno vapor, mas, mesmo assim o juiz Sérgio Moro “vaza” para a imprensa que faltam recursos para a Lava Jato, no sentido de desgastar o governo Dilma, ainda bem que a própria PF o desmentiu. O grampo ilegal feito pela PF na Lava Jato, no governo de FHC era impossível, pois os telefones estavam cortados por falta de pagamento.
E FHC colocou em seu governo, um PGR, que a imprensa denominava “Engavetador Geral da República”. Lógico que a inoperância da PF e os engavetamentos das denúncias eram políticas do governo tucano para encobrir seus próprios crimes, que eram numerosos e exorbitantes, como a compra de votos para reeleição que beneficiou o próprio FHC; a vergonhosa Privataria Tucana e a corrupção na Petrobrás, que o próprio FHC reconheceu em seu próprio livro, mas o suspeitíssimo juiz Moro se nega a investigar.
O presidente Fernando Collor foi cria da Globo para derrotar Lula, e depois sofreu o impeachment, tendo como principal algoz a própria Globo. Num momento de desespero, pediu à população que colocasse verde amarelo nas janelas, em seu apoio, e a sociedade colocou a bandeira preta, em repúdio a Collor. Esse gesto foi a derrocada do colorido!
Quem sabe, em algum momento, a sociedade, inclusive os midiotas, acorde e corra atrás dos verdadeiros corruptos de nossa pátria!
Rio de Janeiro, 09 de março de 2016
OAB/RJ 75 300
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.