4 de junho de 2026

MP faz 8ª denúncia contra cartel de trens por fraude na gestão Serra

Promotor afirma que executivos formaram cartel e fraudaram licitação de R$ 1,8 bilhão da linha 8 – Diamente da CPTM em 2009, na gestão de José Serra
Promotor afirma que executivos formaram cartel e fraudaram licitação da CPTM ocorrida em 2009, na gestão de José Serra
 
Jornal GGN – Na semana passada, o Grupo de Atuação Especial de Combate a Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público de São Paulo apresentou outra denúncia contra executivos da Alstom e da CAF, acusados de formação de cartel e fraude em licitação da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) ocorrida em 2009, durante a gestão de José Serra no Governo do Estado de São Paulo.
 
Segundo o MP paulista, a Parceria-Público Privada (PPP) contemplava a aquisição de 288 carros novos para a frota da linha 8 – Diamante, além da realização da manutenção e revisão geral da frota por 20 anos, em um valor de R$ 1,8 bilhão.
 
Na licitação, apenas o Consórcio Paulista, formado pelas empresas CAF – Brasil Indústria e Comércio S.A., CAF S.A. – Construcciones Y Auxiliar de Ferrocarriles S.A. e ICF – Inversiones en Concesiones Ferroviarias S.A., ofereceu proposta para assumir a PPP.
 
Do Estadão
 
 
Ministério Público de São Paulo acusa cinco executivos da Alstom e dois da CAF e pede à Justiça prisão preventiva de Cesar Ponce de Leon, ex-dirigente da multinacional francesa
 
O Grupo de Atuação Especial de Combate a Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público paulista apresentou à Justiça de São Paulo na semana passada nova denúncia contra cinco executivos da Alstom e dois da CAF acusados de cartel e fraude na licitação de 2009, durante o governo José Serra em São Paulo para a criação de uma Parceria-Público Privada (PPP). A parceria contemplava a aquisição de 288 carros novos para a frota da linha 8 – Diamante da CPTM além da responsabilidade de realizar por 20 anos a manutenção preventiva, corretiva e revisão geral da frota, no valor total de de R$ 1,8 bilhão.

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Na acusação, o promotor Marcelo Mendroni – que já denunciou mais de 35 executivos de alto escalão das empresas acusadas de envolvimento no esquema de cartel metroferroviário nos governos do PSDB em São Paulo – também pede a prisão preventiva de Cesar Ponce de Leon, que integrou no Brasil a direção da multinacional francesa Alstom Transport, e do ex-presidente da Alstom na Espanha, Antonio Oporto.
 
Documento
 
A denúncia tem por base as investigações do Ministério Público de São Paulo e o acordo de leniência da multinacional alemã Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2013. Nesta licitação, apenas o Consórcio Paulista, formado pelas empresas CAF – Brasil Indústria e Comércio S.A., CAF S.A. – Construcciones Y Auxiliar de Ferrocarriles S.A. e ICF – Inversiones en Concesiones Ferroviarias S.A.,ofereceu proposta para assumir a PPP e foi a vencedora do certame.
 
Ainda assim, segundo Mendroni na denúncia, houve crime financeiro e crime contra a administração pública, pois executivos da Alstom, CAF, Bombardier, Siemens, MGE Mitsui e Tejofran teriam discutido como estratégias para dividir o certame e até fazer parcerias.
 
Na acusação são listadas 10 trocas de e-mails entre executivos da Alstom com referência às reuniões com representantes de outras empresas e também com a indicação de que eles não chegaram a um “acordo global” sobre como seriam dividido o contrato entre as empresas.
 
E-MAIL MOSTRA EXECUTIVOS DISCUTINDO LICITAÇÃO:
emailcartel1
 
 
 
emailcartel2
 
‘Competição sem competidores’. Diante disso, a denúncia aponta que a CAF já sabia que as outras empresas não iriam apresentar proposta para a licitação, o que configurou uma “competição sem competidores”.  “Exatamente pelo teor das conversas (a CAF) teve a certeza da não participação de outras empresas na ‘concorrência’ e ofereceu o preço que bem entendeu – seguramente muito acima daquele que resultaria de ambiente competitivo, já que não encontraria qualquer resistência”, assinala Mendroni na denúncia.
 
Chamou a atenção do Gedec o fato de o preço oferecido pelo consórcio formado pela CAF ser apenas 0,0099% abaixo do valor de referência estabelecido pela CPTM na licitação. Além disso, dentre as trocas de e-mails que indicam as tratativas entre empresas concorrentes, uma mensagem de Cesar Ponce de Leon de 19 de setembro de 2009 mostra a preocupação do grupo em explicar para a CPTM o porquê de apenas uma oferta caso todas as empresas decidissem dividir o projeto.
 
“A solução de se juntarem todos, tem para mim o problema de que teremos que explicar ao cliente que só haverá uma oferta (pode-se justificar pelo problema de capital, dos prazos de entrega etc.). Além do mais, se os trens novos são para nós e para a CAF, acho difícil que Bombardier e Siemens o aceitem. A segunda solução (CAF e nós, + MGE mais financeiro) me parece mais viável” afirmou o executivo para seus colegas de empresa. Em seguida, ele ainda sugere que não haveria competição se uma das empresas não participar. “Mas haverá competição, a não ser que a Siemens ‘jogue a toalha’”.
 
Apesar de indicar a participação de executivos de outras empresas na denúncia, o Ministério Público afirma que não encontrou provas suficientes para enquadrá-los nos crimes.
 
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Aditivo. Além da licitação com proposta única e dos e-mails indicando a estratégia conjunta das empresas, chamou a atenção do Ministério Público o fato de o governo do Estado de São Paulo ter assinado, já em fevereiro de 2015 no segundo mandato do governo Geraldo Alckmin, um aditivo de R$ 13,3 milhões,  “praticamente equivalente àquele valor da diferença entre o valor de referência (DA cptm e o valor proposta (da CAF)”.
 
A justificativa do aditivo era a instalação de equipamentos de bordo de Controle de Tráfego Automático em 36 novos trens fornecidos, o que não estava previsto no contrato inicial. Apesar da referência, a denúncia não acusa nenhum funcionário público, nem as estatais e o governo de São Paulo de irregularidades.
 
Prisão. Cesar Ponce já é réu na Justiça paulista devido a outra denúncia do cartel apresentada no ano passado. Na ocasião, Mendroni também pediu a prisão do executivo, que possui nacionalidade espanhola e não foi localizado ao longo da investigação do Ministério Público. A defesa dele informou que ele estaria na Espanha. A juíza responsável por aquela ação, Cynthia Maria Sabino Bezerra da Silva, da 8ª Vara Criminal da Barra Funda, negou o pedido e apontou que o fato de o executivo estar no exterior “por si só não traz a presunção absoluta de que pretenda frustrar a aplicação da lei penal”.
 
Com esta nova denúncia, já são oito acusações movidas por Marcelo Mendroni contra executivos e ex-executivos das empresas acusadas de envolvimento no cartel no Metrô e na CPTM. O promotor é responsável das investigações dos crimes financeiros do esquema. Em outras frentes, o Ministério Público Federal e o Ministério Público de São Paulo investigam os servidores públicos suspeitos de terem atuado em conluio com as empresas. Nenhum funcionário público foi denunciado ainda.
 
Procurada, a CPTM ainda não respondeu
 
COM A PALAVRA, A ALSTOM:
 
“A Alstom colabora com as autoridades sempre que solicitada e  reafirma que opera de acordo com o Código de Ética e com todas as leis e regulamentos dos países onde atua. A prática de cartel ou de qualquer concorrência desleal não é permitida pelas regras da Alstom. A empresa não teve acesso à mencionada denúncia e portanto não fará comentários sobre a mesma.”
 
COM A PALAVRA, A CAF
 
“A CAF reitera que tem colaborado com as autoridades no fornecimento de todas as informações, quando solicitadas, e que atua estritamente dentro da legislação brasileira.”
 
COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA GUILHERME SAN JUAN, QUE DEFENDE O EXECUTIVO CESAR PONCE DE LEON
 
“Não temos conhecimento ainda dos motivos que ensejaram mais esse pedido de prisão.”

Redação

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11 Comentários
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  1. Luiz C. Benevides

    2 de março de 2016 11:38 am

    Faz como o Moro:prende todo

    Faz como o Moro:prende todo mundo e depois e oferece a delação premiada até que se decidam a cooperar. Caso não se decidam, depois de seis meses marca uma audiência e manda de volta prá prisão, sendo ou não culpado. Detalhe muito importante, o imprensa tem que acompanhar as prisões e conhecer os depoimentos e tudo que existir sobre o assunto mesmo que sob segredo de justiça.

    1. Paulo F.

      2 de março de 2016 2:25 pm

      Só falta

      a volta de D. Sebastião ,o Desejado e de D. Henrique o Casto! Rs!

      Para fazer correr os increus!

  2. bonobo de oliveira, severino

    2 de março de 2016 11:57 am

    Vai pra pasta errada.

    Essa nova denúncia vai para a Pasta Errada de número 407 171!!!

  3. lenita

    2 de março de 2016 12:41 pm

    O MP Paulista

    Não gosta de delação premiada. Chamem o Moro  U R G E N T E, que ele arranca a delação na marra.

  4. José Carlos Lima...

    2 de março de 2016 1:22 pm

    Se fosse esquema envolvendo

    Se fosse esquema envolvendo PT seria a 8a. Operação do Trensalão, com várias prisões Brasil quiçá mundo afora, sem falaros na fila de delatores super-premiados e a Globo procurando por pedalinhos do petista  FHC em alguma fazendola….rsss

  5. Luis Armidoro

    2 de março de 2016 1:58 pm

    É engraçado, para o MP

    É engraçado, para o MP paulista e seu braço pigal, a grana do cartel deve ter sido paga ao Maligno, porque não tem tem nem cheiro de político tucano na denúncia

    São apenas os funcionários que embolsam a grana, deixando os vestais políticos tucanos escandalizados com tanta roubalheira em 20 anos de Trevas Tucanas; ou não vem ao caso

    Vamos aguardar o pronunciamento da Liga da Justiça direto de Curitiba

  6. PauloBR

    2 de março de 2016 1:59 pm

    Só oito?

    Quando completarem dez, podem trocar por um picolé de chuchu. Ou um sósia daquele personagem dos Simpsons. Ou um almofadinha “empresário”. E trocarão.

  7. Vladimir

    2 de março de 2016 2:09 pm

    Em São Paulo é assim: Só

    Em São Paulo é assim: Só existem corruptores.

    É uma maravilha. As aves emplumadas do bico longo não sabem nada a respeito.

     

  8. Charles Harnack

    2 de março de 2016 2:32 pm

    Oitava denúcia , e nada ?

    Oitava denúcia , e nada ?  Não pegam ninguém, não  investigam nada.  Haja  teflon e judiciário resistente hein? 

  9. Gilson AS

    2 de março de 2016 2:42 pm

    E daí ?
    Grande merda !
    Não

    E daí ?

    Grande merda !

    Não vai acontecer porra nenhuma.

    Não sei prá que essa babaquice de ficar divulgando isso.

  10. altamiro souza

    2 de março de 2016 3:33 pm

    quando é tucano, a técnica da

    quando é tucano, a técnica da omissão e da impunidade é essa:

    acusa o corruptor e esquece os tucanos, os servidores corruiptos, o serra…

    nessa barafunda fenomenal, pedem a prisão de um estrangeiro

    para complicar ainda mais e demorar a definição de tudo….

    e a gente espera, de preferencia sentado, porque de pé cansa, menos

    se tomarmos uma atitude mais participativa pra acabar com essas manipulações…

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