4 de junho de 2026

O fator Marina

Por Marcos G. Pessoa

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Caro Nassif,

Descordo completamente de você sobre as causas do segundo turno quando você disse no texto “O último vagido do atraso” que “se o segundo turno acontecer, o responsável será a parcela atrasada do Brasil, que se move por ignorância e por preconceito. E que teve na velha mídia seu porta-voz mais expressivo”.

Eu acho que você fez essa análise mais pela emoção que pela razão. É a única coisa que explica você ignorar os méritos da candidata Marina, bem como suas qualidades, fundamentais para atrair os votos que teve. Você ficou impressionado, e até sensibilizado pelos boatos religiosos maldosos sobre Dilma, mas eles dificilmente causaram um grande abalo ou grande perda de voto em Dilma, aliás, esses boatos são os mesmos (com apenas um novo) que se lançavam contra o Lula em 2002 e 2006, e só encontram repercussão entre os que já são viceralmente contrários ao Lula e ao PT. As pessoas religiosas com quem convivo, ligadas a esses movimentos conservadores da Igreja Católica, repetem esse discurso anti-aborto contra Lula desde 2002, e não vi nenhuma pessoa nova ou de outro segmento dando crédito a essas acusações.

É preciso enxergar, como você mesmo Nassif já tinha até comentado, as qualidades da Marina Silva e a coerência do seu discurso ao criticar o modelo governamental em curso e foi por isso que ela teve a expressiva votação que teve. As pessoas que eu conheço que eram potenciais eleitores de Dilma e votaram na Marina o fizeram por essas qualidades e não por causa de boatos religiosos, aliás, dizer que a candidata petista não ganhou por causa desses boatos é fazer uma análise rasa (talvez por estar tomado pela emoção, como fez o sr. Gunter), de certa forma é até desmerecer a Marina.

A campanha de Dilma cometeu erros nos primeiro turno, o principal talvez tenha sido achar que somente o êxito econômico seria suficiente para sua eleição, despolitizando e desmotivando a militância. Na reta final talvez eles tenha confiado demais ao achar que apesar da constante queda Dilma tinha “gordura de sobra” para perder e mesmo assim ganhar, mas a principal derrota foi da idéia de Lula de que a eleição seria plebiscitária, não foi, Marina não deixou. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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