
Jornal GGN – A bolsa de valores encerrou as operações em queda, com os investidores realizando lucros em um dia marcado pelo noticiário negativo no setor externo. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou o dia em queda de 1,65%, aos 42.520 pontos e com um volume negociado de R$ 5,231 bilhões. No mês, o índice acumula valorização de 5,23%. No ano, porém, tem queda de 1,91%.
No exterior, os preços do petróleo tiveram um dia de queda depois das altas recentes, em meio ao receio de que o possível congelamento da produção global alivie o excesso de oferta global. “Declarações de ministros de petróleo da Arábia Saudita e do Irã também foram mal recebidas. Segundo o primeiro, “não faz sentido gastar tempo buscando cortes na produção, porque isso não vai acontecer”. Já o ministro do Irã considerou “uma piada” o plano apresentado pela Rússia e pela Arábia Saudita para congelar a produção da commodity nos níveis de janeiro”, diz o BB Investimentos, em relatório.
Com os preços do petróleo em queda, predominou a busca por ativos seguros, preferidos em momentos de aversão ao risco. Entre as moedas, o yen teve mais um dia de alta, assim como o dólar e o euro. Os preços da maioria dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram hoje, levando à queda dos rendimentos. As bolsas na Europa fecharam majoritariamente em baixa, com os investidores também reagindo tardiamente aos indicadores antecedentes da Zona do Euro, que em sua maioria mostraram retração na prévia de fevereiro.
No Brasil, também houve realização de lucros após fortes ganhos recentes. A queda foi puxada pelo desempenho negativo de empresas com grande peso sobre o índice, como a mineradora Vale, a Petrobras e os bancos brasileiros.
As ações ordinárias da Vale (VALE3) tombaram 5,78%, a R$ 12,38, e as preferenciais (VALE5) perderam 4,26%, a R$ 9. Os papéis da mineradora foram afetados pela queda no preço do minério de ferro na China, além da citação da empresa em uma ação judicial de R$ 2 bilhões relacionada ao rompimento de uma barragem da Samarco, administrada pela Vale em parceria com a BHP Billiton, em Mariana (MG) e ao fato de funcionários da Vale no Estado terem entrado em greve em protesto após não receberem a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 2015.
Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 4,45%, a R$ 7,08, enquanto os preferenciais (PETR4) recuaram 2,38%, a R$ 4,92. O desempenho da estatal foi influenciado pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
No câmbio, a cotação do dólar comercial fechou em alta de 0,32%, a R$ 3,963, interrompendo assim uma sequência de duas quedas. No mês, a moeda acumula desvalorização de 1,53%. No ano, porém, tem alta de 0,37%.
As operações foram afetadas pelas declarações do Ministro do Petróleo saudita, Ali al Naimi, de que os países não vão cortar a produção para ajustar a oferta do produto, mas ele indicou que a Arábia Saudita segue trabalhando com outros produtores por um acordo para congelar a produção. Em meio a isso, o ministro do Petróleo do Irã chamou de “ridículo” um eventual congelamento na produção da matéria-prima.
No Brasil, investidores acreditavam que a prisão do marqueteiro João Santana teria ampliado a chance de cassação dos mandatos da presidente Dilma Rousseff (PT) e do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), o que ajudava a limitar o avanço da moeda norte-americana.
Para quarta-feira, os agentes aguardam a publicação do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), relatório mensal da dívida pública federal pelo Tesouro Nacional, sondagem industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), pesquisa de emprego e desemprego do Seade/Dieese, fluxo cambial e a nota de política monetária e operações de crédito pelo Banco Central. No exterior, estarão em destaque dados como vendas de imóveis novos e o índice PMI (índice dos gerentes de compras, na sigla em inglês) composto preliminar nos Estados Unidos.
(Com Reuters)
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