Dora Kramer é um excelente texto e uma lutadora infatigável que, por vezes, lembra os dois soldados japoneses naquele filme do “Gordo e Magro” que, dez anos depois de terminada a guerra, continuavam fieis a Hiroito aguardando o dia da vitória.
Produziu o único comentário a favor da falsa esperteza da campanha de Serra, de colar sua imagem à de Lula:
Dois na gangorra. Há uma explicação para a reação imediata e incisiva do PT ao uso da imagem de Lula no programa do PSDB. Principalmente cenas em que aparece em situação de amabilidade com José Serra.
Segundo análise de um mandachuva da campanha dias atrás, o pior momento para o PT foi aquele início em que Serra elogiava Lula sem parar. “Não havia argumentos convincentes para responder. Íamos dizer o quê, que Lula não merecia os elogios?”
Agora ocorre parecido. Quando o PSDB põe Lula no ar para acentuar o fim do governo, é difícil o PT rebater, dado que o governo de fato acabará em poucos meses.
O argumento de que a lei não permite o uso da imagem de político em programa de partido ao qual ele não esteja formalmente coligado, não tem grande fundamento quando o político em questão é presidente da República.
Símbolo nacional, como o hino ou a bandeira.
Mas o PT entende que precisa reagir e busca a melhor maneira de fazer isso.
O tom mais eficaz até agora é o que acusa Serra de querer pegar uma carona no sucesso de Lula, pois não rejeita nem aceita os agrados, mas lembra ao eleitor que o adversário cisca em terreiro alheio.
Guardadas as proporções, Serra faz o que Lula fez com a estabilidade da moeda.
De fato, o PT ficou em uma sinuca de bico por causa dessa grande esperteza. Poderia dizer: “pessoal, esse candidato é genérico, o de Lula é a Dilma”, mas como fazer isso, respondendo com grosseria a uma gentileza?
Poderia, talvez, relembrar os últimos cinco anos em que todas as tentativas de desestabilização, de CPIs aos factoides diários dos jornais, tinham as impressões digitais de Serra. Mas como convencer o eleitorado de que aquele candidato de expressão angelical (menos quando ri, segundo o The Economist) fosse capaz de tantas barbaridades?
A única conclusão que tiro dessa análise de Dora: tudo o que Serra defende, fracassa. Até Lula.
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