
Do Jornal Brasil
Mas eis que vem Jesus e reverte a lógica do ódio: ”Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”(Mt 5, 44). Ele mesmo sucumbiu ao ódio de seus inimigos mas, aceitando livremente a morte, “venceu a morte pela morte” e assim derrubou “o muro da inimizade que dividia a humanidade”(Ef 2,14-16). Prega e vive o amor incondicional para amigos e inimigos. Inaugurou assim uma nova etapa de nossa humanização.
Mas esse ideal nunca se transformou em cultura nos países cristianizados. Estamos ainda no Velho Testamento do “olho por olho, dente por dente”.
No Brasil a raiva e o rancor histórico foi acrescido depois das eleições de 2014. Houve quem não aceitou a derrota e deslanchou um torrente de raiva e de ódio que contaminou não apenas o partido vencedor, mas toda a sociedade. Inegavelmente criou-se um consenso ideológico-político de alguns meios de comunicação que, com total desfaçatez, difundem esse sentimento. O que leva um radialista da Rádio Atlântica FM, ligada à RBS gaúcha, conclamar a população a “cuspir na cara do ex-Presidente Lula” senão um ódio explícito e incontido? A verdadeira perseguição judicial que Lula está sofrendo, tentando enquadrá-lo em algum crime, é movida não tanto pela fome e sede de justiça, mas pela vontade de punir, de desfigurar seu carisma e liquidar sua liderança. Grassa um maniqueísmo avassalador que amargura toda a vida social. Bem dizia Bernard Shaw:”o ódio é a vingança dos covardes”.
Mas tentando ir um pouco mais a fundo na questão do ódio, precisamos reconhecer que ele se enraíza em nossa própria condição humana, um feixe de contradições. Somos, por natureza, e não por desvio de construção, seres contraditórios, compostos de ódios e de amores, de abraços e de rejeições. É a escolha que fizermos que irá dar rumo à nossa vida: ou a benquerença ou a aversão. Mesmo escolhendo o amor, o ódio nos acompanha como uma sombra sinistra. Se não cuidamos dele, ele invade nossa consciência e produz sua obra nefasta.
Esse realismo o encontramos na Bíblia. Mas também num pensador como Bertrand Russel que observou com acerto: ”o coração humano tal como a civilização moderna o modelou, está mais inclinado para o ódio do que pra a fraternidade”. Lógico, se ela colocou como eixo estruturador a concorrência e não a colaboração e a luta de todos contra todos em vista da acumulação privada, entende-se que predomine a tensão, a raiva, a inveja a ponto de o lema de Wall Street ser :”greed is good”: a cobiça é boa.
Mas há um ponto que precisa ser referido, observado já por F. Engels quando escreveu uma introdução ao livro de Marx sobre “A luta de classes na França”: ”Se houver alguma possibilidade de as massas trabalhadoras chegarem ao poder, a burguesia não admitirá a democracia sendo até capaz de golpeá-la”. Ora, através de Lula, o PT e seus aliados, vindo das massas trabalhadoras, chegaram ao poder. Isso é inadmissível pelos “donos do poder”(R. Faoro). Estes procuram inviabilizar o governo de cunho popular, desconsiderando o bem comum.
Aqui valem as palavras sábias do velho do Restelo de Camões: “Ó glória de mandar, o vã cobiça/Desta vaidade a quem chamamos fama./Ó fraudulento gosto, que se atiça/Com uma aura popular que honra se chama” (Cântico IV, versos 94- 95). Por detrás da busca ”da glória de mandar” e do poder, revestido de raiva e de ódio, se esconde, atualmente, a vontade daqueles que sempre o detiveram e que agora o perderam e fazem de tudo para recuperá-lo por todos os meios possíveis.
* Leonardo Boff é articulista do JB on line e escreveu:Virtudes por um outro mundo possível(3 vol.),Vozes 2005.
CB
2 de fevereiro de 2016 5:10 pmToda aquela monstruosidade
Toda aquela monstruosidade praticada por alguns alemães nas décadas de 1930 e 1940 estava dentro daquelas pessoas. Hitler e seus partidários apenas a despertaram e legitimaram que fosse colocada pra fora. O mesmo vale para o Brasil: a mídia foi a grande responsável para que alguns brasileiros deixassem de ser fascistas cordiais e passassem a praticar a selvageria explícita. Membros da sociedade civil que apoiaram o golpe e colaboraram com a ditadura nunca foram punidos. Espero que a história não se repita.
Taques
2 de fevereiro de 2016 8:49 pmTrecho do texto de
Trecho do texto de Boff: “Ora, através de Lula, o PT e seus aliados, vindo das massas trabalhadoras, chegaram ao poder. Isso é inadmissível pelos “donos do poder” (R. Faoro). Estes procuram inviabilizar o governo de cunho popular, desconsiderando o bem comum.”
Fato: Lucro do Itaú em 2.015: R$ 23,36 bilhões. Presume-se, obviamente, que Boff deve considerar a família Setúbal (controladora do Itaú) uma típica representante dos “donos do poder”.
Pergunto: alguém em sã consciência tem a coragem de afirmar que os Setúbal (somem-se a estes os controladores do Bradesco, da OAS, da Odebrecht, da JBS, …) procuram inviabilizar este “governo de cunho popular”?
Conclusão: além do ódio, a burrice aumentou muito desde 2.014
Emilia Silva
2 de fevereiro de 2016 9:58 pmVocês, que admiram tanto
Vocês, que admiram tanto esses empresários multimilionários, se esquecem que é a força de trabalho dos dois terços de brasileiros que ganham até dois salários mínimos (http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2012/12/19/ibge-72-dos-brasileiros-ganhavam-ate-2-salarios-minimos-em-2010.htm) que sustenta o capitalismo, paga o salário das classes superiores e alimenta a fortuna das elites. Um pouco mais de consideração por esse povo, através de uma distribuição de renda mais justa, faria uma sociedade muito mais saudável e os grandes e competentes empresários ainda permaneceriam suficientemente ricos. Mas poder e dinheiro em excesso corrompe e faz pessoas de bem perderem a visão social e o bom senso. Por isso esses empresários, consciente ou inconscientemente, inviabilizam governos de cunho popular.
Ed Lopes Jr.
2 de fevereiro de 2016 11:36 pmA máscara caiu
A eleição de Dilma Roussef em 2014 foi um divisor de águas para o PT.
Para a sociedade, o pós eleição foi um verdadeiro tapa na cara. A realidade veio a tona, aquela que foi escondida para que a população entregasse seu voto a Dilma Roussef. No dia seguinte vieram aumentos de contas e desemprego, agravados pelas revelações de corrupção (comprovadas objetivamente).
“Fazemos o diabo pelas eleições”, eu diria que essa frase foi dita de forma literal. Fomos envolvidos pela lógica machiavelica: não importam os meios, o que importa é o resultado…
Como a traição matrimonial descoberta: há aquelas pessoas que são tomados pelo ódio, há aquelas que são mansas, aquelas que continuam convivendo por conveniência e até mesmo aquelas que apoiam, justificam e se mantem fieis ao traidor.
O PT governa em nome dos pobres… Quem não gosta do PT está contra o pobres… Sofismas, que se tormam um paradoxo: Quem mais depende da pobreza que o PT? A esquerda existiria sem a pobreza?
Dilma mentiu. Isso é fato.
Não votei nela. isso é fato.
Portanto não fui enganado por ela.
Quem votou nela?
Os pobres.
Dilma conseguiu enganar os pobres.
Quem está desempregado?
Os pobres.
Dilma tem respeito realmente pelos pobres?
A propósito, a caridade e amor ao próximo não é exclusividade do PT e da esquerda.
altamiro souza
3 de fevereiro de 2016 1:34 amo ódio só levará à
o ódio só levará à destruição de quem odeia…