4 de junho de 2026

Olimpíadas e as relações entre empresas e poder público, por Marcelo Freixo

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Jornal GGN – Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro, em sua coluna na Folha de S. Paulo, trata das relações entre empresas e o poder público, utilizando o exemplo do Estádio de Atletismo Célio de Barros, referência no esporte, que foi fechado em 2013 para viabilizar a privatização do Complexo do Maracanã. Para o deputado, este é um caso do que ele chama de “cidade-negócio”, onde o interesse público é submetido “aos desejos de um reduzido grupo de companhias aliadas ao poder político”. Também lembra que Operação Lava Jato vem desvendando o funcionamento desses esquemas e como eles agem na organização de megaeventos, como Olimpíadas e Copa do Mundo. Leia mais abaixo:

Da Folha

Ouro olímpico

Marcelo Freixo

O atletismo é uma das modalidades desportivas mais baratas e de maior impacto social. Para praticá-lo, bastam um par de tênis, um local adequado, um bom treinador e disposição. Nessa capacidade democrática e inclusiva reside a sua força transformadora. Afinal, esporte não se resume ao garimpo de metais preciosos. Ele também é cidadania.

Refletir sobre a situação do atletismo na sede da Jogos Olímpicos nos ajuda a entender como funciona uma cidade transformada em ativo financeiro, esvaziada de sentido público, em que interesses escusos das oligarquias política e econômica se combinam em detrimento dos direitos da maioria da população.

Em 2013, o Estádio de Atletismo Célio de Barros, templo do esporte no país e espaço onde centenas de promessas olímpicas e atletas amadores treinavam, foi fechado e parcialmente destruído.

O objetivo era viabilizar financeiramente a privatização do Complexo do Maracanã, então assumido por Odebrecht, IMX e AEG, por meio da construção de um grande estacionamento.

À primeira vista, ver a cidade-sede da Olimpíada fechar um equipamento esportivo de excelência para substitui-lo por vagas de garagem pode parecer uma contradição absurda.

Não é. A marca registrada do que chamo cidade-negócio é justamente a submissão do interesse público aos desejos de um reduzido grupo de companhias aliadas ao poder político. Essas empresas são grandes financiadoras de campanhas eleitorais, partidos e bancadas parlamentares.

A aliança não é fruto da simples cooptação da elite política pelo poder da grana. Os interesses são mútuos e se misturam, fundem-se numa só substância. Companhias que patrocinam candidatos passam a dirigir a cidade.

A Operação Lava Jato vem desvendando como funcionam esses esquemas e como eles agem na organização de megaeventos como Olimpíadas e Copa do Mundo.

Recentemente, a Procuradoria Geral da República acusou Eduardo Cunha e aliados de cobrarem propina em troca de favores a empreiteiras responsáveis por obras estratégicas dos Jogos. Além de barganhar benefícios financeiros, o grupo negocia mudanças em projetos de lei para atender aos interesses das empresas envolvidas no esquema, como a OAS.

O problema não está nos megaeventos e nos negócios em si, mas na forma como são realizados. Por isso, a alegria em receber grandes esportistas e assistir às competições não impede a crítica.

Alegria não é sinônimo de alienação. Tampouco é adversária da luta pelo resgate da soberania e do espírito público da cidade, entendida como o conjunto de cidadãos que a constroem cotidianamente, e não como ativo financeiro negociado por especuladores. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. anarquista doce

    19 de janeiro de 2016 4:59 pm

    Eu gosto muito de Marcelo

    Eu gosto muito de Marcelo Freixo.

    Mas quando li, de madrugada, acchei fraca e REPETITIVA a coluna dele.

       Talvez, o mais porovável, é que minhas expectativas sobre ele sejam maiores do que ele seja.

         Sinceramente, não sei.

  2. Athos

    19 de janeiro de 2016 5:59 pm

    É a tese do domínio do fato…

    Eu ja vejo a coisa sob um outro prisma.

    Eu acho que o setor privado foi seduzido pelo interesse do Poder Público para realizar ESTE(no Rio) e não AQUELE(na PQP) empreendimento.

    Como se sabe, a capacidade de realização destas empresas É LIMITADA e para faze-las REALIZAR seu projeto em tempo para que ATENDA aos interesses PÚBLICOS o prêmio obviamente tem que ser maior do que o que traria a realização DAQUELE empreendimento na PqP.

     

    É a tese do dominio do fato utilizada pelas esquerdas para analfabetos funcionais. Há olimpíadas e foi feito um negócio, logo…

  3. jasantos

    19 de janeiro de 2016 6:29 pm

    Marcelo, um nome de respeito
    Leio sempre que posso e já mostrou ser um cara muito lucido. E escreve sobre assunto que a direita faz questão de esconder.

    Podiamos e deviamos ter mais Marcelos.

    Lamentavelmente a propria esquerda não sabe aproveitar os bons nomes que têm e não perde uma oportunidade para desacredita-los e muitas vezes por questões bestas.

    Enquanto isso a direita esta unida e forte ainda que pareça que não.

  4. evandro condé de lima

    19 de janeiro de 2016 7:24 pm

    Já levantei a questão antes

    O problema maior é que não deveríamos assumir a realização desa olimpíadas nem a pau. Inocentes cor de rosa os que acreditavam que não iria rolar dindin, para variar, aqui e acolá. Se era para rolar esse dinheiro, deveria ter sido melhor aplicado. O país não precisava desta Olimpíadas. Seja pelo gasto seja pelas prioridades.

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