
Jornal GGN – Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro, em sua coluna na Folha de S. Paulo, trata das relações entre empresas e o poder público, utilizando o exemplo do Estádio de Atletismo Célio de Barros, referência no esporte, que foi fechado em 2013 para viabilizar a privatização do Complexo do Maracanã. Para o deputado, este é um caso do que ele chama de “cidade-negócio”, onde o interesse público é submetido “aos desejos de um reduzido grupo de companhias aliadas ao poder político”. Também lembra que Operação Lava Jato vem desvendando o funcionamento desses esquemas e como eles agem na organização de megaeventos, como Olimpíadas e Copa do Mundo. Leia mais abaixo:
Da Folha
Marcelo Freixo
O atletismo é uma das modalidades desportivas mais baratas e de maior impacto social. Para praticá-lo, bastam um par de tênis, um local adequado, um bom treinador e disposição. Nessa capacidade democrática e inclusiva reside a sua força transformadora. Afinal, esporte não se resume ao garimpo de metais preciosos. Ele também é cidadania.
Refletir sobre a situação do atletismo na sede da Jogos Olímpicos nos ajuda a entender como funciona uma cidade transformada em ativo financeiro, esvaziada de sentido público, em que interesses escusos das oligarquias política e econômica se combinam em detrimento dos direitos da maioria da população.
Em 2013, o Estádio de Atletismo Célio de Barros, templo do esporte no país e espaço onde centenas de promessas olímpicas e atletas amadores treinavam, foi fechado e parcialmente destruído.
O objetivo era viabilizar financeiramente a privatização do Complexo do Maracanã, então assumido por Odebrecht, IMX e AEG, por meio da construção de um grande estacionamento.
À primeira vista, ver a cidade-sede da Olimpíada fechar um equipamento esportivo de excelência para substitui-lo por vagas de garagem pode parecer uma contradição absurda.
Não é. A marca registrada do que chamo cidade-negócio é justamente a submissão do interesse público aos desejos de um reduzido grupo de companhias aliadas ao poder político. Essas empresas são grandes financiadoras de campanhas eleitorais, partidos e bancadas parlamentares.
A aliança não é fruto da simples cooptação da elite política pelo poder da grana. Os interesses são mútuos e se misturam, fundem-se numa só substância. Companhias que patrocinam candidatos passam a dirigir a cidade.
A Operação Lava Jato vem desvendando como funcionam esses esquemas e como eles agem na organização de megaeventos como Olimpíadas e Copa do Mundo.
Recentemente, a Procuradoria Geral da República acusou Eduardo Cunha e aliados de cobrarem propina em troca de favores a empreiteiras responsáveis por obras estratégicas dos Jogos. Além de barganhar benefícios financeiros, o grupo negocia mudanças em projetos de lei para atender aos interesses das empresas envolvidas no esquema, como a OAS.
O problema não está nos megaeventos e nos negócios em si, mas na forma como são realizados. Por isso, a alegria em receber grandes esportistas e assistir às competições não impede a crítica.
Alegria não é sinônimo de alienação. Tampouco é adversária da luta pelo resgate da soberania e do espírito público da cidade, entendida como o conjunto de cidadãos que a constroem cotidianamente, e não como ativo financeiro negociado por especuladores.
anarquista doce
19 de janeiro de 2016 4:59 pmEu gosto muito de Marcelo
Eu gosto muito de Marcelo Freixo.
Mas quando li, de madrugada, acchei fraca e REPETITIVA a coluna dele.
Talvez, o mais porovável, é que minhas expectativas sobre ele sejam maiores do que ele seja.
Sinceramente, não sei.
Athos
19 de janeiro de 2016 5:59 pmÉ a tese do domínio do fato…
Eu ja vejo a coisa sob um outro prisma.
Eu acho que o setor privado foi seduzido pelo interesse do Poder Público para realizar ESTE(no Rio) e não AQUELE(na PQP) empreendimento.
Como se sabe, a capacidade de realização destas empresas É LIMITADA e para faze-las REALIZAR seu projeto em tempo para que ATENDA aos interesses PÚBLICOS o prêmio obviamente tem que ser maior do que o que traria a realização DAQUELE empreendimento na PqP.
É a tese do dominio do fato utilizada pelas esquerdas para analfabetos funcionais. Há olimpíadas e foi feito um negócio, logo…
jasantos
19 de janeiro de 2016 6:29 pmMarcelo, um nome de respeito
Leio sempre que posso e já mostrou ser um cara muito lucido. E escreve sobre assunto que a direita faz questão de esconder.
Podiamos e deviamos ter mais Marcelos.
Lamentavelmente a propria esquerda não sabe aproveitar os bons nomes que têm e não perde uma oportunidade para desacredita-los e muitas vezes por questões bestas.
Enquanto isso a direita esta unida e forte ainda que pareça que não.
evandro condé de lima
19 de janeiro de 2016 7:24 pmJá levantei a questão antes
O problema maior é que não deveríamos assumir a realização desa olimpíadas nem a pau. Inocentes cor de rosa os que acreditavam que não iria rolar dindin, para variar, aqui e acolá. Se era para rolar esse dinheiro, deveria ter sido melhor aplicado. O país não precisava desta Olimpíadas. Seja pelo gasto seja pelas prioridades.