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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

11 Comentários
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  1. romério rômulo

    9 de dezembro de 2015 2:41 am

    STF suspende andamento do processo contra Dilma.

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1716683-ministro-do-stf-suspende-andamento-do-impeachment-na-camara.shtml

    romério

  2. Odonir

    9 de dezembro de 2015 9:51 am

    O charme da mulher que gosta de comida de ogro.

    Do Estadão

    O charme da mulher que gosta de comida de ogro.

    LUSA SILVESTRE

    Nada contra mulheres incontestavelmente bonitas, mas as charmosas têm mais segredos. A beleza é um troço imediato, de fácil entendimento – você bate o olho e pronto: já reconheceu o lindo. Já as charmosas precisam ser decifradas; são mais complexas. O homem tem que descobrir qual o pó de pirlimpimpim que a maldita tem (apesar do nariz torto). Não é a obviedade dos traços clássicos. Não é o olho azul, a boca carnuda. Qual o encanto?

    São anos até compreender todo aquele borogodó. Isso caso ela permita. Porque, se a beleza não precisa de autorização para ser admirada (basta olhar), o charme exige contato social, conversa mole e Gin Tônica.

    Há outras diferenças. A beleza tende a erodir com o tempo, enquanto o charme vai vencendo as rugas, ano após ano. Dizem que Julia Roberts está mais bonita aos 47 do que aos 23, quando fez Pretty Woman. Recentemente, Andie McDowell e Julianne Moore, as duas com mais de 50, causaram síncopes e frenesis em um evento da L’Oréal.  É a elegância do cabelo branco – que já está ditando colorações. Cada vez mais mulheres estão deixando a grama crescer grisalha. Aprovo.

    O cabelo, realmente, é um feitiço invencível. Mas existem outros. As atitudes, a independência, a originalidade. O jeito que ela pratica o ciúme. A cara de brava quando alguém fura fila. Os palavrões na intensidade correta. O comportamento quando de pilequinho. A pseudo-timidez. E a hora da fome. Ah, que delícia, a hora da fome. Hábitos alimentares dizem muito sobre uma dama.

    Mulheres que comem fritura são especiais. As gônadas masculinas entram em desvario quando uma moça, com toda feminilidade, manda descer uma porção de torresmo. Ou uma linguiça calabresa, uma coxinha-creme, uma pizza com borda recheada. Os homens, esses ignorantes, acham que mulher só come salada. Então, quando ela pede comida de ogro, a gente se sente valorizado –  a companhia masculina ali presente é tão especial que merece uma chutada de balde.

    Torresmo humaniza: são os dois com a mesma fraqueza pela baixa gastronomia. Mal sabe o rapaz que, no dia seguinte, a moça vai tentar recuperar o território perdido através de regimes urgentes e desumanos. Se soubesse, ficaria mais apaixonado ainda – imaginando que tal esforço seria para continuar bonita para ele. Não é por você, viu ? Coloque-se no seu lugar: o sacrifício é pelo torresmo mesmo. Para poder repetir a loucura outras vezes.

    Para terminar, conto de Amanda. Que saudades. Amanda era quase bonita. Super inteligente, nariguda (adoro), tinha sardas e seios fantásticos – que descansava sobre a mesa enquanto trabalhava no computador. Charmosa até o último centímetro de formosura. Um dia, tomando café na copinha do trabalho, soube da sua rotina alimentar. Foi um assombro: ela tomava leite integral. Leite integral ! Quem, na idade adulta, consome calorias assim? E o colesterol? E a lactose? Mulher que toma leite integral está pouco se importando. Isso é atitude. É pra propor até comunhão universal de bens.

    NOTA: Eu, Odonir, conheci Luís menino, filho de Dayse Silvestre, amiga na década de 70. Brilhante escritor, foi publicitário por anos, depois resolveu se render aos “dotes” de escritor. É dele o roteiro do magnífico filme “ESTÔMAGO”, premiado filme que aliás gira em torno desse mesmo tema da crônica no Estadão.

    1. Anna Dutra

      9 de dezembro de 2015 4:34 pm

      Torresmo humaniza!
      Adoro!
      Onde a leveza impera? No coração! Lá está o Reino que a alma habita.
      O Lusa é bom mesmo!

  3. Nonato Amorim

    9 de dezembro de 2015 9:59 am

    “Não podemos desistir”

    Do swissinfo.ch

    Entrevista do Prof. Fabio Konder Comparato

    Em meio a uma das maiores crises política e econômica em que se encontra o Brasil, a frase acima do advogado, jurista, escritor e professor aposentado Fábio Konder Comparato serve de motivação. Ela se refere a seus esforços e de outros brasileiros que incansavelmente tentam contribuir para mudanças concretas em pró da democracia no País. Uma luta que ele alerta ser difícil e demorada até porque, como salienta, a democracia no Brasil nunca existiu na prática.

    Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, criada por decreto imperial de 11 de agosto de 1822. (Mrzero)

    Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, criada por decreto imperial de 11 de agosto de 1822.

    (Mrzero)

    Sua afirmação é sustentada por uma realidade histórica mantida, sob sua ótica, nas mãos de uma dominação política e econômica oligárquica. E exemplifica como isso torna claramente difícil, senão impossível, para o povo exercer sua soberania, fator essencial para a democracia.

    Seus argumentos se tornam ainda mais fortes quando descortina manobras políticas que se repetem em uma espécie de jogo contra das próprias instituições. Pouco divulgadas pela grande imprensa, tais manipulações de representantes públicos impedem as pessoas de entenderem e se manifestarem eficientemente contra um sistema que só aumenta essa concentração de poder.

    Ainda assim, ele não esmorece na busca de soluções. Entre elas, atua fortemente em projetos como o pela iniciativa popular (direito dos cidadãos de proporem projetos de lei para a apreciação do Poder Legislativo) e a disseminação de massa de informações claras sobre política e economia. Para ele, romper a barreira do desconhecimento do que está por trás de certas ações dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário é um passo fundamental para esclarecer a população, jogando luz sobre o que são práticas democráticas e buscando de fato a soberania do povo brasileiro. 

    swissinfo.ch: Qual a realidade da crise política e econômica do Brasil e como está relacionada à democracia do País?

     Fábio Konder Comparato: Estamos com a probabilidade de um colapso econômico, o que certamente repercute muito fortemente no campo político. Este cenário é resultado de uma fase de desindustrialização em que entrou o Brasil e, com isso, de não crescimento econômico. Teremos este ano e certamente o ano que vem dois anos de recesso econômico, ou seja, de crescimento negativo. Isso só ocorreu na história do Brasil nos anos de 1930 e 1931, em consequência da crise de 1929. Então, precisamos saber qual é a causa disso. A meu ver a causa está no fato de a classe dominante atual não ser mais composta de industriais, e sim de banqueiros. Os banqueiros, ou melhor, o próprio sistema financeiro não é produtor de riquezas; quando muito auxilia a produção do crescimento econômico. O que acontece também é que a mentalidade dominante, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, é de ganhar dinheiro com especulação financeira ou simplesmente com investimentos em papéis que dão renda. Os antigos industriais se transformaram em rentistas. Estamos passando da fase do capitalismo industrial para a do capitalismo financeiro.

    swissinfo.ch: Um caminho que parece irreversível?

    FKC: Isso não vai ser resolvido pelo Brasil. Tem de ser decidido e mudado no mundo todo. Mas com o provável colapso econômico no País, vai se tentar uma mudança superficial no campo poliítico: sai fulano, entra beltrano; faz-se outra coligação partidária etc. Mas isso não muda a origem da doença, que é o fato de que a classe dominante, composta de banqueiros, não tem condição de mudar a regra do jogo.

     swissinfo.ch: O que o cidadão comum pode fazer para tentar mudar essa realidade?

    FKC: Nós temos que procurar mudanças institucionais. É por isso que faço parte de um pequeno grupo de advogados, juristas, economistas e cientistas políticos, que decidiu entrar em contato com alguns deputados federais para tentar abrir uma fresta, um buraco nessa muralha oligárquica, que existe desde sempre entre nós. Nossa oligarquia é composta de potentados econômicos privados, intimamente associados aos principais agentes estatais.

    swissinfo.ch: Esse cenário já não é resultado da falta de conhecimento das pessoas sobre os próprios direitos?

    FKC: Podemos conhecer nossos direitos, mas não podemos exigir o cumprimento deles, porque tudo depende de um poder de dominação; poder, como eu disse, composto de potentados econômicos privados, ou seja, de grandes empresários, agora sobretudo do sistema financeiro e dos principais agentes estatais, tanto do Legislativo, quanto do Executivo e do Judiciário.

    swissinfo.ch: Como está atuando nesse grupo do qual mencionou?

    FKC: Entramos em contato com a deputada Luiza Erundina, que reuniu em Brasília cerca de 30 deputados federais, ocasião em que expus a ideia de que precisamos deixar de cuidar apenas dos sintomas econômicos e políticos para tratar a doença na sua causa principal, que é a dominação oligárquica e a desigualdade social.

    swissinfo.ch: É possível mudar?

    FKC: Sim, mas obviamente não é uma mudança a ser feita da noite para o dia. Vai levar muito tempo, sobretudo porque é preciso atuar sobre a opinião pública, que ignora tudo isso e é permanentemente deformada pelo poder ideológico exercido pelos líderes capitalistas. Numa sociedade de massas, como a atual, a opinião pública sofre a influência decisiva dos meios de comunicação de massa. Estima-se que o tempo médio de acompanhamento de televisão no Brasil é de três horas diárias. Então, veja: a grande imprensa, o rádio e a televisão estão nas mãos de quem? De empresários e políticos. Há um número considerável de políticos que têm rádios locais, ou então estão ligados a redes de televisão, o que chegou a ser denunciado pela Unesco em um relatório de 2010. Temos de tentar, como eu disse, abrir brechas nessa muralha, o que requer projetos de lei específicos.

    swissinfo.ch: Poderia exemplificar?

    FKC: Foi aprovado por unanimidade, no Senado Federal, um projeto de lei que regula o direito de resposta no rádio e na televisão. Ele foi para a Câmara dos Deputados, onde o Presidente Eduardo Cunha vem impedindo a sua tramitação regular. Ele mesmo disse que só se conseguirá aprovar na Câmara um projeto de lei sobre meios de comunicação social, passando por cima do seu cadáver. Pois bem, esse grupo de 30 parlamentares vai tentar desbloquear esse projeto, sem ter que passar, evidentemente, por cima do cadáver do Cunha. Outro ponto importante diz respeito à iniciativa popular legislativa. Até hoje nenhum projeto de iniciativa popular foi aprovado no Congresso Nacional. Fala-se muito do projeto de Ficha Limpa para as candidaturas ao Congresso, mas ele não foi aprovado como projeto de iniciativa popular. Ele acabou sendo transformado em projeto de lei de alguns deputados.

    swissinfo.ch: Por quê?

    FKC: Por uma exigência absurda, imposta pela direção da Câmara dos Deputados: a conferência de todas as assinaturas. Veja, nós temos hoje cerca de 150 milhões de eleitores. A Constituição exige que o projeto de iniciativa popular seja apresentado por 1% do eleitorado, o que perfaz, em boa matemática, 1,5 milhão de eleitores. Ora, a Câmara dos Deputados não tem organização para fazer a conferência de 1,5 milhão de assinaturas, nem em um ano ou mesmo dois. Por isso que estou preparando um anteprojeto de lei sobre iniciativa popular que dispense a conferência de assinaturas.

    Fabio Konder Comparato. (Companhia das Letras)

    Fabio Konder Comparato.

    (Companhia das Letras)

    swissinfo.ch: O povo, então, está engessado?

    FKC: É óbvio. Na verdade, temos duas constituições em vigor. Uma, oficial, saudada como “Constituição-cidadã” e que é apenas uma fachada. Por trás dela, vigora outra constituição pela qual os interesses dos grupos dominantes são preservados. Por exemplo, a Constituição oficial prevê como manifestações da soberania popular o referendo, o plebiscito e a iniciativa popular. Já disse que a iniciativa popular é impossível, porque os oligarcas impuseram a exigência de se conferirem todas as assinaturas, exigência essa que não está na Constituição, nem na lei de 1998, que regula a matéria.

    swissinfo.ch: Imposições que cerceiam o poder popular?

    FKC: Claro. O que se quer é mostrar para o mundo que somos um país civilizado, dotado de uma constituição democrática, na qual se declara que a soberania popular se manifesta, não só pela iniciativa direta de leis, mas também por plebiscitos e referendos. Acontece que a Constituição Brasileira, em seu artigo 49, inciso XV, declara ser da competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito. Os parlamentares, como sabido, se intitulam representantes ou mandatários do povo. O mandatário, como ninguém ignora, deve agir segundo a vontade do mandante. Mas o mandato político que aqui vigora é sui generis, pois o povo mandante só pode manifestar sua vontade, quando seus representantes o permitirem.

    swissinfo.ch: E o povo está, de certa forma, alheio a isso?

    FKC: De que maneira a população se informa dos assuntos públicos? Basicamente através do rádio e da televisão. Mas esses meios de comunicação social são controlados neste país pelos grupos oligárquicos. Então, o que podemos tentar fazer para superar esse impasse é uma aliança com determinados blogs, como o “Conversa Afiada” do Paulo Henrique Amorim, para que eles deem ao povo as informações sonegadas pelos grupos que controlam os meios de comunicação de massa.

    swissinfo.ch: O antigo problema dos meios de comunicação no País.

    FKC: A Constituição tem vários dispositivos importantes sobre meios de comunicação social. O artigo 220, parágrafo 5º, diz que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. Por outro lado, o artigo 221, inciso I, determina que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão deem preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. A Constituição foi promulgada em 1988. Até hoje, passados mais de um quarto de século, o Legislativo não regulamentou isso. Então, em 2011, eu ajuizei no Supremo Tribunal Federal, em nome de um partido político e de uma confederação nacional de trabalhadores, uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão. Em 2011!

    swissinfo.ch: Em que pé está isso?

    FKC: Não está em pé nenhum. Está debaixo do braço da ministra Rosa Weber.

    swissinfo.ch: Por que é tão difícil o cidadão exercer a prática democrática no Brasil?

    FKC: Exatamente porque o povo não tem poder nenhum. Qual é o poder do povo? Eleger representantes? Todo mundo sabe que as eleições são decididas pelo poder econômico, em ligação com os políticos profissionais.

    swissinfo.ch: É bastante desanimador.

    FKC: Eu, porém, não perco a esperança. É preciso é conhecer a profundidade da moléstia e saber como atuar. Por exemplo, o tal ajuste fiscal, proposto pelo ministro Joaquim Levy, acabará por afundar ainda mais o setor industrial. O que vamos propor ao grupo de deputados a que me referi é chamar representantes da indústria e saber como é possível relançar a industrialização do País. A partir daí, apresentar projetos de lei, mas sabendo que os banqueiros, que são atual classe dominante, estão ligados intimamente ao pessoal do Congresso, do Executivo e também do Judiciário. Por exemplo, sobre a questão do financiamento empresarial de campanhas eleitorais, a OAB entrou (em 2014) com uma ação de inconstitucionalidade da lei que permite isso. Aberto o processo no Supremo Tribunal Federal, seis ministros votaram pela procedência da ação. Foi então que o Ministro Gilmar Mendes – quando a matéria já estava decidida, pois o Supremo tem 11 ministros – pediu vista antecipada dos autos, e o presidente do Supremo concedeu. O que ele fez? Segurou os autos e não os devolveu até hoje. Coincidentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, logrou aprovar irregularmente naquela Casa uma emenda constitucional, oficializando o financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

    swissinfo.ch: Como se deu a manobra?

    FKC: Na primeira votação ele perdeu. O que diz a Constituição? Emenda Constitucional rejeitada só poderá ser reapresentada na sessão legislativa seguinte. Portanto, ele teria de esperar 2016. Contudo, no dia seguinte à recusa dessa proposta de emenda constitucional, Cunha apresentou outra do mesmo teor, manobrou e conseguiu sua aprovação em 24 horas. Então, 61 deputados entraram com um mandado de segurança no Supremo, que foi distribuído para a Ministra Rosa Weber. Ela negou a medida liminar de suspensão da tramitação na Câmara, deixando a entender, com isso, que vai votar no mérito contra esse mandado de segurança. Ora, se tudo isso fosse explicado para o povo, já seria um enfraquecimento do poder oligárquico. Por que não sai a notícia nas grandes redes de televisão, da imprensa e de rádio? Porque elas estão nas mãos do grupo oligárquico.

    swissinfo.ch: E aí voltamos para o motivo dessa entrevista, a questão da democracia brasileira.

    FKC: A nossa democracia não existe. Democracia é soberania do povo. O soberano decide diretamente as grandes questões nacionais, como a aprovação de uma Constituição e suas emendas, sem se limitar a eleger representantes. Há até alguns países, como os Estados Unidos, onde em 15 Estados o eleitorado tem o poder de destituir aqueles que elegeu. É o chamado recall.

    swissinfo.ch: A Suíça também, mas há quem diga que a democracia só funciona lá por ser um país pequeno.

    FKC: Não é por isso. É pelo fato de que na Suíça existe uma classe média tradicionalmente forte, não havendo a terrível desigualdade social que sempre existiu no Brasil. Na Suíça, agora, é tradicionalmente a classe média que tem a maioria e que decide em última instância sobre emendas à Constituição, por exemplo. A Constituição Suíça desde sempre é de democracia direta. Os povos daquela região se uniram em uma confederação na qual os povos dos diferentes cantões decidem diretamente as grandes questões de interesse geral.

    swissinfo.ch: O que poderia ter sido feito também no Brasil?

    FKC: Claro. Não vale esse argumento de a Suíça ser pequena. O problema todo do Brasil é que o povo nunca teve soberania. Quando é que começou realmente o Estado do Brasil? Depois das capitanias hereditárias, que eram feudos autônomos. Em 1549, chegou ao Brasil o primeiro Governador Geral, Tomé de Souza, acompanhado de 1200 funcionários, civis, militares e um punhado de jesuítas, liderados pelo Padre Manuel da Nóbrega. Ele trouxe o Regimento Geral de Governo, que era uma espécie de constituição. Tudo nele estava previsto. Nessa organização política havia, porém, uma lacuna: não havia povo. A população indígena autóctone não o formava, pois os índios não tinham direitos. Tampouco formava o conjunto de cidadãos a massa crescente de escravos trazidos da África. Ora, esses administradores que para cá vinham como representantes do rei de Portugal só tinham um pensamento: enriquecer no Brasil e voltar em seguida para a metrópole. E de que maneira senão aliando-se aos senhores de engenho, aos grandes proprietários rurais ou então se tornando eles próprios senhores de engenho, tendo parentes com testas de ferro. Isso perdurou durante todo o Brasil Colônia.

    swissinfo.ch: E continuou.

    FKC: Depois nos tornamos um país independente, dotado de uma Constituição do mesmo nível das que vigoravam nos principais países europeus e nos Estados Unidos. O esquema de governo, no entanto, continuou o mesmo. Os grandes políticos, com o poder centralizado na Corte, o Rio de Janeiro, permaneceram intimamente ligados aos coronéis do interior. E o povo? Ora, o povo! O povo elegia seus representantes indiretamente até o final do Império. Havia eleições em dois turnos. Primeiro, elegiam-se os chamados grandes eleitores, os quais em seguida elegiam os membros da Assembleia Geral do Império. O Senado não era composto de representantes do povo, mas sim de pessoas nomeadas pelo Imperador. Aí, chegamos à República, quando se estabeleceu basicamente o que existe até hoje: o único poder do povo é eleger representantes no Legislativo e os chefes de Executivo. A Constituição é feita pelos membros do Congresso Nacional, cuja eleição é decidida, em sua quase totalidade pelo dinheiro ou pelo poder político local. É por isso que precisamos começar por demolir essa barreira oligárquica.

    swissinfo.ch: O senhor tem exemplos práticos?

    FKC: Em 2004, eu apresentei em nome da OAB um projeto de lei regulando plebiscito, referendo e iniciativa popular. Obviamente ele continua lá na Câmara até hoje, sem ter sido votado. É por isso que estou insistindo em iniciativa popular legislativa e no desbloqueio dos meios de comunicação social. É indispensável, por exemplo, liberar o funcionamento das rádios comunitárias. A Globo conseguiu, de início, que a criação de rádios comunitárias fosse tipificada como um crime. Agora essas rádios são permitidas, mas com tantas restrições que praticamente não funcionam. Para mudar tudo isso, é preciso dar poder efetivo ao povo e tentar demolir o poder ideológico exercido pela oligarquia através dos meios de comunicação social. Mas, como eu disse, não é um trabalho fácil, ou que se faça em pouco tempo.

    Fábio Konder Comparato (Santos, 8 de outubro de 1936) é advogado,escritor e juristabrasileiro, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Aposentou-se em 2006.

    Doutor em Direito pela Universidade de Paris e doutor Honoris Causa daUniversidade de Coimbra. Em 2009, recebeu o título de Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

    Especializou-se inicialmente em Direito comercial, tendo publicado O Poder de Controle na Sociedade Anônima. Atualmente dedica-se a outras áreas, especialmenteDireito Constitucional , Direito do Desenvolvimento e Direitos Humanos.

    É autor de muitos livros, entre eles, “Muda Brasil”, “Educação, Estado e Poder” e “Para Viver a Democracia”.

    Fonte: Wikipedia

    swissinfo.ch

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  4. Meire

    9 de dezembro de 2015 10:32 am

    Atendendo pedidos de divulgação.

    Principalmente, por mais uma vez expor a situação de indígenas e outros desamparados, no país dos corruptos que não são punidos (psdb, dem, cunha,redegrobo, grande parcela do judiciário, et caterva…)       –       

    Notícias        –

    Neste Natal, livre uma criança indígena da fome!

    Sábado, 28 de novembro de 2015 – 15h03min

    É impossível visitar uma comunidade indígena em Mato Grosso do Sul e não se sensibilizar. A fome e a miséria estão escancaradas, ainda que contrastando com a esperança e a resistência. O sorriso das crianças, mesmo se alimentando de migalhas, é um permanente à solidariedade e à partilha. 
    Apesar dos direitos garantidos na Constituição Federal, o povo Guarani Kaiowá não tem acesso à terra e a direitos mínimos, como alimentação, moradia digna e saúde. As crianças são as quem mais sofrem. Por isso, aceite o convite do CEBI e da CESE: Neste Natal, livre uma criança indígena da fome!

    Você pode colaborar de qualquer parte do Brasil. Faça a doação de qualquer valor por meio da conta corrente 25200-X, agência 2904-1 Banco do Brasil, em nome do Centro de Estudos Bíblicos. Envie a confirmação para [email protected].

    Divulgue e colabore!   Desnutridas, crianças muitas vezes presenciam o assassinato de suas lideranças

    A fome e a miséria entre as crianças indígenas não são acidentais. Trata-se de um processo de genocídio. Nos últimos 12 anos, 390 Guarani Kaiowá foram assassinados Em uma década e meia foram registrados 707 casos de suicídios. Pistoleiros contratados por latifundiários torturam e espancam mulheres e jovens, às vezes na frente das crianças. Por isso as igrejas e os movimentos populares se esforçam para estar nestas áreas: além de partilhar os alimentos, a presença é também uma forma de intimidar ataques e reduzir a violência. Apenas em 2014 o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), registrou 138 casos de assassinatos e 135 casos de suicídios no país, sendo que destes 41 assassinatos e 48 suicídios aconteceram no Mato Grosso do Sul. Os dados também revelam um severo aumento das mortes por desassistência à saúde, mortalidade na infância, invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais, omissão e morosidade na regularização das terras indígenas. Leia mais aqui. 

    Não se trata de assistencialismo a visita ao Deus menino que nasce na periferia

    A fome não espera! Por isso nos esforçamos tanto em partilhar alimentos com as crianças Guarani. Mas fazemos mais do que isso: a presença junto às comunidades é um gesto evangélico, é a visita ao menino Deus que nasce e sofre na periferia. Veja a notícia aqui.
    À solidariedade se junta a denúncia. Apoiamos a campanha de boicote aos produtos do agronegócio de Mato Grosso Sul, lançada pelos povos indígenas locais. É uma campanha para que os organismos internacionais embarguem os produtos do agronegócio até que o governo brasileiro resolva definitivamente esta questão, demarcando e homologando as terras indígenas, indenizando os proprietários das áreas cujos títulos foram adquiridos de boa fé, cessando todos os ataques e atos de violência contra os povos indígenas. É uma campanha pela paz!
    Leia mais aqui. 

      

     

    Fonte: CEBI / CESE

  5. bfcosta

    9 de dezembro de 2015 1:17 pm

    reforma ministerial da venezuela após derrota eleitoral

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42560/maduro+anuncia+reestruturacao+em+todas+areas+do+governo+da+venezuela.shtml

     

    Maduro anuncia reestruturação ‘em todas áreas do governo’ da Venezuela

     

    Redação | São Paulo – 09/12/2015 – 09p7Presidente venezuelano pediu que ministros ‘coloquem cargo à disposição’ e questionou MUD: ‘ Será possível a Assembleia Nacional nas mãos da direita?’Imprimir   

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na madrugada desta quarta-feira (09/12) que iniciará um processo de reestruturação “em todas as áreas do governo”, sobretudo no gabinete de ministros, após vitória da oposição nas eleições legislativas do país.

    EFE

    Maduro questiona capacidade da direita de gerir o Legislativo após vitória da oposição

    “Pedi ao Conselho de Ministros que ponham seus cargos à disposição para fazer um processo de reestruturação, renovação e reforma profundo de todo o governo nacional”, afirmou o mandatário durante seu programa de rádio e televisão, “Em contato com Maduro”

    A declaração ocorreu pouco após o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) informar que a coalizão opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) conquistou 109 de 167 cadeiras da Assembleia Nacional. Já o governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) obteve 55 assentos.

    “Peço o apoio de todo o país, quero continuar com as missões, as grandes missões, mas há uma dúvida: Será possível com a Assembleia Nacional nas mãos da direita? Deixo essa dúvida no meio do debate. Poderemos continuar com o modelo de inclusão social, de justiça, de felicidade e de socialismo?”, questionou Maduro.

    Charge do Latuff: Quem comemora vitória da oposição na Venezuela?

    Oposição venezuelana vai às ruas para celebrar vitória que garante maioria no Congresso

    Venezuela: economia em queda determina derrota do chavismo em eleições legislativas

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    Pela primeira vez em 15 anos, a aliança opositora conservadora terá a maioria qualificada no Parlamento, conquistando poderes políticos inéditos ao MUD, como aprovar e modificar leis, submeter a referendo tratados internacionais e projetos de lei, entre outros direitos previstos na Constituição do país.

    Apesar de ter reconhecido a derrota do PSUV logo após a divulgação do resultado oficial, Maduro criticou a oposição em seu programa semanal. “Os maus se impuseram, os maus ganharam, ganharam como ganham os maus, com a mentira, com o engano, com a oferta enganosa, com a fraude”, comentou.

    Na madrugada de segunda-feira (07/12), o chavismo sofreu revés histórico nas eleições legislativas da Venezuela. O pleito não se tratou de uma simples disputa pelos 167 assentos da Assembleia Nacional: realizada em meio a uma pesada crise econômica e a quase três anos da morte de Hugo Chávez, as eleições ganharam um “sabor” de presidenciais, frente à importância que adquiriram tanto para o chavismo, quanto para a oposição.

     

  6. socram pb

    9 de dezembro de 2015 1:58 pm

    O que querem os fechadores de escolas

    Do TIJOLAÇO

    http://tijolaco.com.br/blog/32250-2/

     

    Vi agora cedo este artigo.

    Seu autor o epigrafa com a frase de Darcy Ribeiro: A crise da Educação no Brasil não é uma crise. É um projeto.

    É, e é dos poucos que a classe dirigente, por toda a parte, esmera-se e persiste em sua realização.

     

    O que Vi com Meus Próprios Olhos em
    uma Escola Paulista Marcada para Morrer

    André Camargo, no Linkedin

     Foi a terceira ocupação que visitei.

    Sabe, tem muita gente — inclusive pessoas inteligentes— vomitando bosta pelas redes sociais, sem nunca ter se aproximado para conhecer essa molecada.

    Sem nunca ter entrado em uma escola pública.

    Gente que, em sua prepotência cínica, descompromissada, acaba legitimando o Estado em sua face mais autoritária. O Estado em guerra declarada contra a Sociedade Civil.

    Justificam cinicamente a famigerada truculência covarde, descabida, da PM — uma das polícias que mais matam no mundo — contra meninos, meninas, jornalistas e quem mais estiver por perto.

     

    Esse é um mecanismo psíquico conhecido: você culpabiliza as vítimas e se identifica com o agressor.

    Foi assim, por exemplo, com os judeus recrutados pelos nazistas como guardas, nos campos de concentração. Ou os tibetanos aliciados pela ditadura comunista chinesa. Eles se tornaram ainda mais cruéis contra seu povo que os opressores estrangeiros.

    Será que algo assim está acontecendo com você?

    Ao invés de perceber que a luta deles é a nossa, você chama adolescentes corajosos, que aceitam tomar porrada para lutar por uma educação de qualidade, de vândalos e vagabundos?

    Mas a gente precisa se informar melhor, para não embarcar na visão corporativista, vendida, da mídia de massas. Ou nas táticas de guerrilha de burocratas calculistas.

    “Desqualificar, desmobilizar, desmoralizar” – nas palavras do Chefe de Gabinete de Alckmin a dirigentes de Ensino

    Acredito que o que a molecada nos disse lá na ocupação precisa ser ouvido por muita gente. Pelos menos por quem ainda tem algum vestígio de coração humano batendo no peito.

    (Porque para aqueles dentre nós que são tão psicopatas quanto o policial que sorri de prazer ao esganar um moleque franzino, aí não adianta nada, mesmo. Melhor nem ler.)

    Bom, vou contar a história deles.

    A escola estadual fica dentro do terreno de uma igreja católica (!). Para chegar até ela, precisa passar por uma portaria. A escola tem o nome de um padre.

    O prédio — um galpão improvisado e dois blocos com a conhecida arquitetura penitenciária (feita de salas apertadas e corredores escuros)— foi construído por meio de doações da comunidade. A Igreja aluga o imóvel para o Estado.

    Somos atendidos por uma mãe. Ela bate no portão por um tempo até que um estudante venha abrir.

    Sensação de abandono. A negligência se expressa por salas sem ventiladores (que devem ficar intoleráveis no calor), poucas janelas cobertas de grades, pintura descascada, cortinas rasgadas e mobiliário quebrado. No lugar de interruptores, fios elétricos expostos, desencapados. Quadro de força sem a portinha de proteção.

    (Sabe, se você tentar abrir uma escola, vai passar por uma série de vistorias meticulosas, até que atenda a todas as exigências da Secretaria de Educação. Cada detalhe é minuciosamente verificado. No entanto, ali estavam situações flagrantes de jovens submetidos a real perigo de morte, sem qualquer atenção.)

    Como pode?

    O Estado passou cerca de cinco anos sem pagar aluguel (de pouco mais de 20 mil reais por mês).

    O padre queria o prédio de volta.

    Fizeram algum tipo de acordo e o aluguel voltou a ser pago. A escola funcionando, até quadra poliesportiva nova eles ganharam.

    Depois, para surpresa geral, a instituição entrou para a lista das 94 que seriam fechadas pelo governo estadual.

    Os alunos não conseguiam entender. Não fazia sentido.

    Afinal, nos disseram, aquela escola era uma das mais bem avaliadas da região. Tinha notas acima da média estadual. E o prédio já estava todo adaptado, recebendo crianças e adolescentes com deficiências, que chegavam de várias cidades vizinhas.

    Na verdade, a maior parte dos estudantes dali possuem deficiências. E, como enfatizou uma das mães que nos receberam, que apoiava a ocupação, a configuração incomum gerava uma integração orgânica entre quem tinha alguma deficiência e os “normais”.

    Muito menos discriminação.

    Aprender a conviver com a diferença, ao invés de se relacionar com o outro por meio de preconceitos e estereótipos, isso na formação de um ser humano é vital.

    É o que acontecia por lá.

    Se a escola fechar, nos disseram, eles não terão para onde ir. Serão remanejados para uma unidade vizinha que não está adaptada. Sem acessibilidade, portanto, para quem tem limitações como as desses meninos e meninas.

    A conclusão óbvia é que, em função do plano de “reorganização”, muitas crianças e adolescentes — com ou sem deficiências — acabarão fora da escola.

    Então por que fechar?

    Não era pelas avaliações. Também não era por falta de relevância social.

    Seria para economizar o aluguel e as despesas com pessoal?

    Começaram a especular que a decisão poderia ter sido tomada porque a média de alunos por sala (de 25, naquela escola) era inferior à média estadual (40 alunos por sala).

    No entanto, não cabem mais de 25 pessoas — espremidas — naquelas salas! Fora isso, nos disseram que no começo do ano a direção da escola recusou matrículas de novos alunos porque não tinham mais vagas.

    Ali não havia, decididamente, espaço ocioso. Ao contrário: estavam lotados.

    (Imagine que, a exemplo de várias outras escolas, a molecada descobriu, apenas durante a ocupação, que tinham um laboratório, equipamentos caros e uma piscina (!) que não podiam usar. Estavam fechados e trancados…)

    Como dói ver esses meninos e meninas submetidos a tamanha violência simbólica! A tanto descaso, cinismo e hipocrisia de gente engravatada, de fala mansa, que só se move por meio de politicagens e negociatas que atendem a sua sede de poder.

    Estávamos sentados em uma roda de conversa, eu, a amiga que me convidou para acompanhá-la, o motorista dela, uma mãe, um professor e cerca de doze estudantes. Alguns não eram daquela escola, vinham de outros lugares para apoiá-los.

    E foi a partir de um comentário casual que as peças do quebra-cabeças começaram a se encaixar.

    O terreno contíguo ao prédio escolar abrigava uma bela mata, que alguns ali disseram ser de espécies nativas.

    Assim como o terreno onde foi construída a escola, a mata pertencia à igreja.

    Mas a mata seria derrubada.

    Aquela propriedade tinha sido vendida pelo padre para a construção de um condomínio.

    (Você deve ter reparado, a essa altura, que estou evitando dar nomes. Mas vou dizer só uma coisa: aquele terreno onde vai ser construído o condomínio é vizinho da Granja Viana — uma região próxima à capital de intensa valorização imobiliária…)

    Sabe, a comunidade local se revoltou contra o padre. Sentiram-se traídos. Afinal, boa parte daquele terreno era fruto de doações de moradores, sobretudo em função dos projetos sociais da igreja.

    Para onde ia o dinheiro da venda do terreno?

    E que tristeza: aquele restinho de mata, trocado por concreto!

    Só no final, porém, é que veio a cereja do bolo.

    Já tínhamos saído da escola, a caminho do carro. Enquanto nos despedíamos, chegou um professor que, segundo nossas interlocutoras, era quem estava mais por dentro da situação.

    Então ele explicou.

    O acesso ao local onde ficará o condomínio é complicado. Para quem vem da rodovia, como nós, ele fica atrás da escola, cujos prédios funcionam como uma espécie de paredão para chegar lá em linha reta.

    A fim de viabilizar o empreendimento, eles vão precisar construir uma estrada decente, que ligue a rodovia à entrada do condomínio.

    Uma estrada que terá de passar, inevitavelmente,…

    …por dentro do terreno da escola.

    Aí eu olhei naquela direção e não vi espaço suficiente para estrada nenhuma. Perguntei como eles pretendiam fazer.

    O professor recém-chegado apontou com o dedo o prédio de três andares que se estendia por uns 50 metros, do lado direito, próximo ao muro que separava a escola das casas do bairro.

    Era o bloco de salas de aulas que a gente tinha visitado.

    “Tá vendo aquela coluna? A estrada vai passar por ali. Eles vão ter que derrubar.”

    Eu demorei para entender.

    “Mas derrubar, como?!? O prédio inteiro?”

    “É. O prédio inteiro.”

    A escola não é o prédio. Não é o espaço físico. Com todos os seus defeitos, ainda assim, é a comunidade de pessoas que esteve, está e estará reunida em torno de um sonho compartilhado de formação humana.

    São histórias e lembranças. Narrativas e memórias. Esperanças de um futuro melhor. É ao mesmo tempo uma presença coletiva e um organismo vivo com o potencial de humanizar bairros e cidades.

    Ao derrubar o prédio, porém, essas pessoas — e suas famílias — ficam desalojadas, como quando pisamos em um formigueiro.

    Fechar escolas não é apenas derrubar ou trancar prédios; é como passar com um trator de aço por sobre matas centenárias, privando-nos do oxigênio que alimenta a vida, com o objetivo único de transformar o terreno ceifado em lucros privados.

  7. Anna Dutra

    9 de dezembro de 2015 4:29 pm

    O que falta? Já não me espanto mais… O que está acontecendo
    às pessoas? De onde vem essa sombra que oblitera o bom senso, a generosidade, a lucidez?

    Não consigo trazer as imagens

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/grupo-de-medicos-no-facebook-associa-surto-de-microcefalia-no-nordeste-a-votacao-no-pt/

    Grupo de médicos no Facebook associa surto de microcefalia no Nordeste a votação no PT

    Postado em 9 de dezembro de 2015 às 9:30 am

    Do Saúde Popular.org:

    Uma postagem no grupo do Facebook “Dignidade Médica”, comparando os casos de microcefalia no Nordeste com os votos no PT gerou revolta entre a categoria. A doença, que causa má-formação do cérebro em fetos, tem relação com o vírus Zica, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, o qual tem maior circulação nos estados dessa região.

    A mensagem questiona se a doença está sendo realmente causada pelo Zika ou se trata de “adaptação da espécie”. “Cientificamente pode ser a comprovação de que votar no PT faz o cérebro involuir e diminuir de tamanho”, diz a postagem. Logo depois o autor pede que os colegas do grupo o livrem de “comentários julgadores” e argumenta que não poderia “perder a piada”.

    A estudante de medicina Izabella Navarro fez um print [salvou a imagem] da publicação e a expôs para fora do grupo, que é fechado aos participantes, por se sentir indignada com tal manifestação. Em um post na mesma rede social, no dia 23 de novembro, ela critica a postura do colega e aponta serem comuns comentários políticos entre os profissionais de saúde.

    “[Quem não entende porque questiono a profissão, são pessoas] Que nunca tiveram que ouvir médicos falando que o paciente não vai conseguir a cirurgia que precisa porque votou em determinado candidato, ou que se na próxima eleição votasse em tal partido, o ambulatório iria fechar. Nunca se sentiram impotentes vendo pacientes sendo coagidos por seus médicos”, escreveu.

    Aristóteles Cardona, integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, classifica como absurdas as manifestações de preconceito nas redes sociais “e se torna muito mais preocupantes vindas dos profissionais de saúde”.

    “Manifestações como essa mostram que, muitas vezes, há um distanciamento do pensamento de um setor importante do país, que são os profissionais de saúde, com as necessidades concretas da nossa população”, explica.

  8. Felis

    9 de dezembro de 2015 4:46 pm

    “Às favas todos os escrúpulos de consciência”

     

    ‘Às favas todos os escrúpulos de consciência’

    1

    Mário Magalhães

    09/12/2015 13:04Compartilhe

    Eduardo Cunha: a cara do impeachment – Foto Ueslei Marcelino/Reuters

     

    Nestes dias de ódio e desatino, às vezes a rapaziada derrapa na história e malha quem não merece. Tome-se o exemplo de Hélio Bicudo, signatário do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Justa ou injusta, a proposição não apaga os relevantes e valentes serviços prestados à nação pelo antigo promotor público. Sem ele, a iniciativa pelo afastamento da presidente andaria de qualquer maneira. Mas talvez sem Bicudo o esquadrão da morte jamais tivesse sido enfrentado como foi, nos anos tormentosos da ditadura. Agora o velho combatente se alia a quem, no passado, esteve em trincheiras opostas. Gente como Jair Bolsonaro. É seu direito. Sua façanha e seu destemor estão gravados na memória. Ninguém tasca.

    Michel Temer é caso diferente. Só se assemelha a Bicudo no ressentimento. Um filho do ex-petista escreveu um relato pungente sobre como o rancor conduziu o pai à pregação contrária à soberania das urnas. Acontece, cada um com os seus fantasmas, calos e cotovelos. Temer nunca foi grande. Sua grandeza de estadista é miragem pincelada por vários pintores. Entre eles, jornalistas que se beneficiaram por décadas de informações sopradas pelo atual vice. De correligionários seus, não precisa nem falar. Os petistas não escapam, em seu empenho enganador para edulcorar a influência do PMDB no governo.

    O tamanho de Michel Temer é o expresso na mensagem a Dilma. Ele se queixa dos carguinhos e cargões que seus compadres perderam. O estadista amuado por vaguinhas no governo? Surpresa? Ora, que virtudes são compatíveis com o presidente nacional do PMDB? Se sempre se considerou um vice decorativo, e isso o chateava, por que topou participar da dobradinha eleitoral em 2014? Para manter os amigos nas altas esferas? Se quer despachar no Planalto, que batalhe pelo voto popular em 2018.

    Mas seu manifesto _carta é eufemismo_ é muito mais do que um pote até aqui de mágoas. O ressentido maquinou para que a bomba estourasse no dia em que a Câmara escalaria a comissão do impeachment. E em que a Comissão de Ética deveria enfim dar sinal verde ou vermelho ao andamento do processo de cassação de Eduardo Cunha. Deu no que deu.

    Temer conspira pela deposição da presidente constitucional. Como inexistem informações sobre conta secreta dela no exterior, criou-se o pretexto das tais pedaladas fiscais. Quem assinou algumas delas? Michel Temer no exercício da Presidência. Assim como governantes anteriores tinham feito a mesma coisa. O vice atua para salvar Eduardo Cunha, o que vale por uma síntese. Grassa a hipocrisia.

    Ou não é hipocrisia trombetear o “fora, Dilma” em nome do cerco à corrupção e entregar o leme do golpe ao deputado que, informam as autoridades suíças e o Ministério Público brasileiro, mantém depósitos não declarados em paraíso fiscal? FHC e Lula podiam pedalar, e de repente Dilma não pode. Delcídio do Amaral roubar na era PT é um vexame, e danem-se os tempos de FHC (o senador já embolsava o alheio, entregou Nestor Cerveró).

    A cara da pujante escalada do impeachment, contudo, não é a da trajetória honrada de Hélio Bicudo nem a da pequenez de Michel Temer: dada a truculência, é a de Eduardo Cunha.

    Desde o pronunciamento dos cidadãos em outubro do ano passado ele trama pela derrubada da presidente. Sobretudo depois que o PT bateu chapa na disputa pela cabeça da Câmara. A sabotagem da votação de medidas econômicas contribui para paralisar o país.

    A abertura do processo de impeachment foi vingança decorrente da decisão de deputados petistas votarem pelo prosseguimento da ação contra Cunha. Por mais esperta que seja a lábia diversionista, eis a real: o impeachment progride a partir de ato de Eduardo Cunha, o correntista, na guerra para não ser investigado e julgado por seus pares. Há pecado de nascença.

    Não sou jurista nem especialista em regimento do Congresso. Mas observo contrastes. Na decisão do Senado a respeito da prisão de Delcídio do Amaral, o voto foi aberto. Para escolher a comissão do impeachment na Câmara, fechado, o que não tem base legal, de acordo com Ayres Britto, ex-ministro do STF. O voto oculto impede que os eleitores monitorem o desempenho dos seus representantes. A pressão do Executivo, o toma-lá-dá-cá, é um risco. Mas cabe aos retaliados denunciar vendetas imorais.

    A Comissão de Ética adiou pela quinta vez a deliberação sobre Cunha. Lá, os partidários do chefão vão falando, falando, falando, até que termina o horário, e a sessão é encerrada sem nada definir. No plenário, aconteceu o contrário. Cunha barrou deputados que queriam discursar antes da votação da comissão do impeachment. Ordenou que desligassem o áudio. Microfone fechado, simbolizando tempos de liberdade ferida.

    A verdade é dura, e não há malabarismo retórico que a esconda: quem está com o impeachment está com Eduardo Cunha e parceiros dele como Bolsonaro, Paulinho e Feliciano. Só um mentecapto sustentaria que todos pró-afastamento de Dilma advogam o mesmo programa primitivo para o Brasil. Mas que todos estão abraçados com Cunha, em torno da bandeira do impeachment, estão.

    Com a verborragia do ódio, Eduardo Cunha não é somente o arauto maior da ruptura da legalidade. Ele defende ideias sombrias sobre a autonomia das mulheres e a condição de família. Não é uma agenda de retrocesso a 1954 e 1964, e sim à Idade Média. Não temos mais fogueiras, mas tais intromissões na vida alheia _como o Estado não reconhecer uma família como família_ também constituem violência que queima as consciências de bem.

    Esses pitacos sobre o impeachment não eliminam a avaliação sobre o péssimo governo Dilma reloaded. A presidente abandonou a base social que a escolheu, e agora se vê cercada por quem não votou nela em outubro. O manifesto de Temer reforça a impressão de inépcia política de Dilma Rousseff. Se alijar o vice de um encontro com autoridade estrangeira pode magoá-lo, por que não levá-lo? A segunda administração é desastrosa. Mas cabe aos cidadãos se pronunciarem, em 2018.

    Pior que uma governante ruim eleita pelo povo é um governante, qualquer um, imposto contra o voto. A oposição venezuelana apostou no golpismo e se deu mal. Ao se submeter às urnas, aplicou um chocolate histórico no chavismo. A oposição argentina construiu um programa e um candidato contra Cristina Kirchner. Triunfo incontestável. A oposição brasileira quer ganhar no tapetão.

    Não são Dilma e seu triste governo que estão em jogo, mas conquistas democráticas de décadas. Presidente se elege no voto.

    O próximo protesto anti-Dilma está marcado para 13 de dezembro. Na mesma data, 47 anos atrás, a ditadura enfiou o AI-5 goela abaixo. Na reunião do Conselho de Segurança Nacional que abençoou o ato liberticida, o coronel Jarbas Passarinho, ministro do Trabalho, exaltou-se: “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

    Ao testemunhar ladainhas em nome da “democracia”, tendo ao lado Eduardo Cunha, a impressão é que Passarinho fez escola.

    http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/

     

  9. bfcosta

    9 de dezembro de 2015 10:52 pm

    Entrevista de Moniz bandeira

    http://br.sputniknews.com/opiniao/20151209/3020980/Brasil-na-mira-Wall-Street.html#ixzz3trIo6DAl

     

    Moniz Bandeira sobre o impeachment: O Brasil está na mira de Wall Street

    © AFP 2015/ JEWEL SAMAD / AFPOPINIÃO18:17 09.12.2015(atualizado 19:00 09.12.2015) URL curta7760172

    Ao comentar a situação político-econômica do Brasil, Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira afirma que “Wall Street está por trás da crise brasileira”, numa referência ao ambiente-sede das grandes corporações financeiras dos Estados Unidos.

     De acordo com o cientista político Moniz Bandeira, professor aposentado da Universidade de Brasília e que há mais de 20 anos vive em Heidelberg, na Alemanha, “o objetivo das ações externas contra o Brasil é quebrar a economia e comprar as empresas estatais a preço de banana”. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Moniz Bandeira fala das ameaças imperialistas e também das questões de ordem política relacionadas à possível instauração de um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff. Para ele, está em curso um golpe no Brasil “que deve ser contido para não produzir graves consequências para a História do país”. “É difícil precisar quais são os interesses”, diz o cientista político de Heidelberg. “Mas são interesses estrangeiros, eu creio, em grande parte, de Wall Street e através de outras entidades como The National Endowment for Democracy, USAID e outros que estão incentivando esse golpe no Brasil, aliados às forças internas da direita.”  Sputnik: O objetivo seria quebrar a economia e comprar as empresas brasileiras a preço de banana? Moniz Bandeira: Exatamente, isso é verdade. Eles querem quebrar a economia brasileira – e é aí que eu vejo mais a ação de Wall Street – e comprar as empresas, como estão fazendo, a preço de nada, com o real desvalorizado a esse ponto. S: Nós podemos acreditar, então, que o Brasil está na mira de Wall Street? MB: Está na mira, claro, porque a questão não é só o Brasil, é internacional, é a luta contra a Rússia e a China, mas eles não podem muito contra a China. E querem derrubar a Rússia através da Síria e da Ucrânia. São duas frentes que os Estados Unidos abriram, porque a luta na Síria não é tanto por democracia, isso é bobagem, os EUA não estão se importando com isso. Eles querem mudar o regime para tirar a Base Naval de Tartus e também um ponto em Latakia, ambos da Rússia. S: Voltando ao Brasil. O senhor entende que o país voltará a sofrer assaltos especulativos? MB: É muito complicada a situação aí. Eu não estou certo de nada a respeito do Brasil, é muito difícil. Porque é muito difícil também dar um golpe – um golpe civil como eles querem. As Forças Armadas estão contra o golpe. Elas são um fator de resistência nacionalista no Brasil, assim como o Itamaraty. S: O senhor disse que há órgãos no exterior financiando a grande mídia no Brasil. A mídia, ao pregar o golpe, facilita a entrada das grandes corporações internacionais em prejuízo das empresas brasileiras? MB: Claro, sobretudo no setor de construção, que tem sido alvo principal desse inquérito, que, aliás, é inconstitucional, é tudo ilegal. O objetivo é destruir as grandes empresas brasileiras, as construtoras que são fatores de expansão mundial do Brasil, e permitir que entrem no mercado brasileiro as multinacionais americanas. S: O senhor entende que as agências de inteligência dos EUA continuam a espionar a Presidenta Dilma Rousseff e as grandes empresas estatais do país? MB: Claro, nunca deixaram de espionar. Espionam no Brasil e em todos os países. Se você ler meu livro “Formação do Império Americano”, publicado há dez anos, você verá como eu mostro isso documentado. Já no tempo de Clinton faziam isso. Não há novidade nenhuma na atuação dos EUA. Eu estudo essa questão dos EUA há muitos anos. Acompanhei de perto toda a problemática de Cuba. Estou com 80 anos, desde os meus 20 anos eu assisto a isso que eles fazem na América Latina. S: O senhor fala em golpe em curso no Brasil. Qual a sua impressão, esse golpe pode ir avante? MB: Tanto pode como não pode. As possibilidades são muitas. Ontem mesmo o Supremo Tribunal Federal tomou uma medida constitucionalmente correta, que foi anular essa comissão constituída na Câmara por meio de manobras. O que existe é uma luta de ratos e ladrões, um bando, uma gangue, montada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, contra uma mulher honrada e honesta como a Presidenta Dilma Rousseff, com todos os erros que ela possa ter cometido. Não há motivo legal nem constitucional para o impeachment. S: A Presidenta Dilma Rousseff conseguirá superar todas essas dificuldades políticas e concluir o seu mandato em 31 de dezembro de 2018? MB: É muito difícil avaliar a evolução da situação, porque ela é ruim internacionalmente. A situação internacional é muito ruim. Eu disse, em 2009, quando recebi o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, que uma potência é muito mais perigosa quando está em decadência do que quando conquista o seu império, e os EUA são uma potência em decadência. São muito mais perigosos do que antes.  

    Leia mais: http://br.sputniknews.com/opiniao/20151209/3020980/Brasil-na-mira-Wall-Street.html#ixzz3troAGdqr

  10. Tina

    9 de dezembro de 2015 11:39 pm

    Gravíssimo

    Originalmente do G1, lido no DCM:

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/relator-destituido-de-processo-que-investiga-cunha-na-camara-diz-que-foi-ameacado/

     

    Após ser destituído como relator do processo que investiga o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado Fausto Pinato (PRB-SP) desabafou nesta quarta-feira (9) sobre as ameaças sofridas quando elaborava parecer pela continuidade das investigações. Ele afirmou que teve medo de ser morto e que hoje anda com escolta policial e carro blindado.

    Em relato gravado pelo G1, Pinato chega a se emocionar quando fala do assunto. Nesta quarta (9), o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), aliado de Cunha, determinou a substituição de Pinato na relatoria do processo. Ele atendeu questão de ordem formulada pelo deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), segundo a qual Pinato não poderia exercer a função porque é do PRB, partido que compôs a chapa de Cunha na eleição para a presidência da Câmara.

    “Cheguei a pensar que poderia morrer, sim. Eu fui abordado em aeroporto. Meu motorista foi abordado por pessoas desconhecidas. O que eu passei eu não desejo a ninguém. Me abordaram pedindo para eu pensar na minha família, dizendo que tenho filho pequeno, que tenho família”, relatou Pinato. O deputado afirmou que fez um boletim de ocorrência, em São Paulo, relatado as ameaças e pediu discrição ao secretário de Segurança do estado.

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